Relatório documenta os impactos socioambientais da implantação do mineroduto Minas-Rio e do Porto do Açu sob o ponto de vista dos atingidos

Relatório Minas Rio

Um conjunto de grupos de pesquisas e de organizações sociais se uniu para produzir um importante relatório que documenta os impactos socioambientais causados pela implantação do mineroduto Minas-Rio e do Porto do Açu. Esse relatório é um dos documentos mais amplos já preparados com a participação direta das comunidades e grupos sociais atingidos pelas remoções, desapropriações e alterações ambientais causadas por esses mega-empreendimentos.

O documento intitulado “O Projeto Minas-Rio e seus impactos  socioambientais: olhares desde a perspectiva dos atingidos” traz uma série de dados, mapas e depoimentos que certamente serão úteis aos que se interessarem em conhecer o “outro lado” desses projetos que normalmente só recebem loas da imprensa corporativa.

Quem quiser acessar e baixar este relatório é só clicar (Aqui!)

Um pensamento sobre “Relatório documenta os impactos socioambientais da implantação do mineroduto Minas-Rio e do Porto do Açu sob o ponto de vista dos atingidos

  1. wilcosil disse:

    Moro no “ALTO PARANAÍBA”, região que fica entre o chamado “TRIANGULO MINEIRO”, e, o “PARQUE NACIONAL DA SERRA DA CANASTRA” (onde nasce o Rio São Francisco). ARAXÁ, minha cidade, embora conhecida por ser uma estancia hidromineral, na verdade, sobrevive economicamente graças a mineração, em particular o “NIÓBIO” (70% da reserva mundial, explorado pela CBMM – CIA BRASILEIRO DE METALURGIA E MINERAÇÃO), e, o fosfato (hoje explorado pela VALE DO RIO DOCE, tanto em nosso município, quanto ao vizinho município de TAPIRA).

    Nesse último município, TAPIRA, há um mineroduto que leva a matéria prima retiradas da mina até UBERABA, por um duto que deve ter cerca de 120 Km, onde é beneficiada para os “insumos/fertilizantes” afins, e, esse, talvez seja hoje o responsável pelo desparecimento de várias nascentes e cursos de água, e, com isso, sumiram também as inúmeros cachoeiras que haviam na região.

    Há cerca de 10 (dez) anos atrás tentávamos e tentamos tudo, reduzir ou mitigar esse impacto ambiental, fosse por mobilização, fosse pelas vias legais, e, nada deu certo, até que um amigo que era Tabelião na cidade de TAPIRA teve a ideia de levar para os “FOROS INTERNACIONAIS” a nossa questão ambiental local, pois, na forma legal em nosso país, as grandes empresas são inatacáveis; e, como consequência disso, conseguimos chegar até a BOLSA DE VALORES em NOVA YORK, onde a empresa tinha ações no pregão. Foi uma queda acionaria grande sofrida pela mesma; e, como consequência, vieram as retaliações da empresa, fomos todos processados, e, o resultado foi quase a prisão dos denunciantes.

    Havia, também, além da questão hídrica e geologica, a QUESTÃO ANTROPOLÓGICA, pois, com essa mineração predatória destruíram também, “sambaquis indígenas”. Alguns grupos indígenas que viviam na região os utilizavam como santuário, enterrando neles os seus mortos. Outros os escolhiam como locais especiais para construir suas malocas. Dava a maior tristeza você ver que nem os locais que muitos chamam de “sagrados” (cemitérios indígenas) as máquinas vinham e limpavam arrastando tuto.

    O pior disso tudo não foi só as AÇÕES PENAIS que a empresa moveu contra os então “ambientalistas nativos”, foi o fato de que esse nosso amigo Tabelião que já era hipertenso, em razão disso tudo acabou falecendo. Enfim, uma briga, e, as mudanças de “status quo” necessitam de muita coragem e união de inúmeras pessoas focadas no lugar comum.

    Agora, acompanhando essa discursão e votação que vira do novo código de mineração, o “lobby” até então tem sido mais forte do que as demandas ambientais de cada lugar, e, cada extrato minerário.

    Frei RODRIGO PÉRET é frade franciscano, membro da EXECUTIVA do SINFRAJUPE (SERVIÇO INTERFRANCISCANO DE JUSTIÇA, PAZ E ECOLOGIA), da AFES (AÇÃO FRANCISCANA DE ECOLOGIA E SOLIDARIEDADE), aqui na região, independentemente de questão religiosa, sob o ângulo laico, temos um respeito muito grande pelo mesmo já que, ele percorreu sozinho, caminhando, toda a margem do RIO SÃO FRANCISCO, desde a nascente (Parque da Serra da Canastra) até a sua foz (Sergipe), trata-se de um cidadão muito focado na questão e antenado com os problemas ambientais.

    Em recente pronunciamento o frei RODRIGO PERET disse que espera e está a aguardar que a proposta do novo CÓDIGO DA MINERAÇÃO contemple normas e diretrizes que imponham respeito à integridade dos povos, culturas tradicionais e ao meio ambiente. O religioso afirmou que as empresas mineradoras agem com “perversidade” sobre os povos e à natureza. “Vão fazendo com que os homens se tornem estranhos à própria terra.” FREI PERET informou que a IGREJA CATÓLICA trabalha para disseminar junto às pastorais a realidade que vem sendo praticada pelas mineradoras junto às populações. “É preciso que o povo brasileiro tome consciência dessa realidade predadora”, afirmou.

    O ambientalista GUSTAVO GAZINNELLI apresentou críticas ao novo “CÓDIGO DE MINERAÇÃO” proposto em substitutivo. Para ele, é absurdo nivelar a atividade de exploração mineral como se tivesse perfil “único” no território nacional Ele propõe o controle social e a absoluta transparência sobre a AGÊNCIA NACIONAL DE MINERAÇÃO a ser criada. GUSTAVO propõe ainda que a atividade mineradora sofra redutores em ambientes já longamente explorados.

    A construção de um novo modelo de mineração no país que contemple o controle social dos cidadãos das áreas afetadas e que seja sustentável ecologicamente foi proposta por sindicalistas, expositores e trabalhadores do setor em audiência pública foi promovida pelas COMISSÕES DE LEGISLAÇÃO PARTICIPATIVA E DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS. As propostas apresentadas serão encaminhadas pelas comissões para aproveitamento no processo legislativo. Além do que foi discutido na audiência, os trabalhadores querem influir sobre o que dispõe o texto substitutivo ao projeto de “CÓDIGO DA MINERAÇÃO” (PL 5807/13), que tramita na CÂMARA. Para isso, pretendem promover uma primeira CONFERÊNCIA NACIONAL DA MINERAÇÃO.

    LUIS GUIMARÃES e LÚCIO PIMENTA, representantes de comunidades mineiras atingidas pela atividade empresarial de extração de minérios, denunciaram a conduta “PREDATÓRIA” e “TRUCULENTA” das empresas sobre antigos moradores locais. “As negociações se dão conforme a capacidade econômica do morador”, disse Luís Guimarães.

    Outra denúncia ambiental apresentada na AUDIÊNCIA PÚBLICA é referente à enorme quantidade de água empregada pelos chamados “MINERODUTOS” para o transporte dos minérios, em uma época em que há uma forte crise de gerenciamento hídrico na REGIÃO SUDESTE do país.

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