Como evitar a escassez hídrica: um exemplo esquecido alivia os olhos dos cariocas todos os dias

Major-Archer

O major Archer, que comandou o replantio da Floresta da Tijuca

Che Guevara teria dito há mais de 50 anos que “um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”.  No atual caso da escassez hídrica que assola e assombra os habitantes de Rio de Janeiro e São Paulo isto não poderia ser mais verdadeiro, especialmente nos casos dos cariocas. É que na cidade do Rio de Janeiro está inserido um dos primeiros exemplos de reconstrução florestal exitosa feita no mundo, e que começou justamente por uma seca aguda que ameaçou as fontes de abastecimento de água em meados do Século XIX.

Confrontado com esse problema crucial, o Imperador D. Pedro II fez publicar um decreto em dezembro de 1861 determinando o reflorestamento das encostas dos morros existentes na capital do Império, das quais a cobertura florestal havia sido removida para o plantio de cafezais. E lá se foi morro acima o major Manoel Gomes Archer acompanhando de seis escravos para iniciar o plantio de 80.000 mudas de árvores, não sem a oposição dos donos das propriedades rurais que haviam desmatado os locais onde Archer começou a construir uma das mais impressionantes obras de reconstrução florestal já realizadas na história da humanidade.

Quem vai hoje ao Rio de Janeiro e não vista o Parque Nacional da Tijuca não tem ideia do que o trabalho iniciado por Archer resultou, e de como essa massa verde é essencial para o controle climático e hidrológico da cidade do Rio de Janeiro, como pode ser observado na imagem abaixo.

Mapa-floresta-e-parque-da-TijucaEu que tive a oportunidade de frequentar a Floresta da Tijuca por quase três anos realizando a minha monografia de graduação para obter o meu bacharelado em Geografia pela UFRJ sempre me impressionei com a vida que emanava das trilhas. Mas mais do que isso, ao estudar o impacto da neblina na ciclagem de nutrientes e no aporte de água na floresta, consegui entender a importância do trabalho que o major Archer realizou no final do Século XIX.

Agora, voltando ao Século XXI e aos (des) governantes que hoje fingem que estão fazendo alguma coisa para equacionar o colapso hídrico que ronda o território fluminense, bem que poderiam aprender um pouco com a história e começar a tomar medidas básicas para reflorestar um território rural que hoje está basicamente coberto por pastagens improdutivas. E que se lembrem que plantios de eucalipto são a pior coisa que um estado sedento precisa ter plantado em suas terras. Na dúvida, sigam aquilo que deu certo no Século XIX!

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