Preparem-se para mais escassez hídrica! Vem ai o eucalipto transgênico da Suzano Papel!

CTNBio libera plantio comercial de eucalipto geneticamente modificado da Suzano

Por Priscila Jordão; Edição de Luciana Bruno

CartaGMtrees

SÃO PAULO (Reuters) – A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira a liberação comercial do eucalipto geneticamente modificado da FuturaGene, empresa de biotecnologia da Suzano Papel e Celulose, tornando o Brasil o primeiro país a aprovar o plantio de eucalipto transgênico para fins comerciais.

A Futuragene afirma que o eucalipto geneticamente modificado traz ganhos de produtividade da ordem de 20 por cento em relação ao eucalipto convencional devido ao maior crescimento da planta. Mas a tecnologia é questionada por movimentos sociais e pela indústria de mel.

A liberação foi aprovada pela comissão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) por 18 votos favoráveis e três contrários.

A aprovação nesta quinta-feira ocorre após uma primeira votação na CTNBio, agendada para o início de março, ter sido adiada por conta de protestos de manifestantes contrários à tecnologia, citando riscos de possíveis problemas ambientais e de saúde.

Na época, cerca de 1.000 mulheres integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram a sede da FuturaGene em Itapetininga (SP) e, em paralelo, manifestantes protestaram em Brasília no prédio da Agência Espacial Brasileira (AEB), onde ocorreria a votação.

Segundo a CTNBio e a Futuragene, não foram registrados protestos nesta quinta-feira na AEB ou na sede da companhia. A comissão disse que a empresa realizou testes em campo após uma primeira liberação planejada no meio ambiente realizada em 2004.

Em audiência pública sobre o tema, a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) também se mostrou contrária à liberação, afirmando que a introdução do eucalipto geneticamente modificado praticamente exterminaria áreas de certificação de mel orgânico, levando a perdas nas exportações de mel e própolis.

FONTE: http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRKBN0N01Y820150409?feedType=RSS&feedName=businessNews&utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter&dlvrit=1375018

2 pensamentos sobre “Preparem-se para mais escassez hídrica! Vem ai o eucalipto transgênico da Suzano Papel!

  1. Paulo Andrade disse:

    Marcos, boa tarde.

    Para a gente poder afirmar que o eucalipto GM vai consumir mais água de tal forma a produzir uma escassez hídrica é preciso ter evidências para isso. Circula na internet que o eucalipto vai sugar toda a água, mas as evidências não apontam para nada disso: a planta está sob os olhos da CTNBio faz quase quatro anos e não existe nada que aponte para um consumo significativamente maior de água. Se houver algum, ele deve ser de 20%, que é o acréscimo na taxa de crescimento da planta. Isso será avaliado no monitoramento do plantio, nas primeiras áreas que forem plantadas. Ligar este eucalipto ao agravamento da crise hídrica é muita fantasia .

    Quanto ao impacto na exportação do mel, a ABEMEL apareceu na audiência pública representada por uma pessoa que nunca mais se pronunciou, nem ela nem nenhuma outra da ABEMEL. Aliás, todas as manifestações contrárias ao eucalipto GM e que falam de mel não têm uma única assinatura de associação de produção ou exportação de mel, exceto a que eu já mencionei. Se a gente olhar com cuidado, 82 % de nosso mel é exportado para os EUA, quem nem rotula transgênico. Não há em canto algum quanto de nosso mel é exportado como orgânico, mas deve ser uma parcela muito pequena (não basta uma certificação “de pé de escada”, tem que ser algo aceito internacionalmente, o que é bem raro no mel brasileiro). E muito menos se sabe o quanto os eucaliptos contribuem para a produção de mel. TODOS OS NÚMEROS que você vê e que estariam nos documentos do Sebrae (2014) e Abemel (2015) são invenção pura e simples e repeti-los é um desserviço ao entendimento da questão.

    • Paulo, eu tinha quase certeza que eu teria a honra de um novo comentário a partir da minha chamada provocativa sobre a aprovação do eucalipto transgênico pela CNTBIO. Para inicio posso compartilhar com você que acompanho a questão das monoculturas de árvores sob dois ângulos: primeiro como pesquisador, e depois como co-proprietário de um fragmento de floresta ombrófila mista com Araucária no interior do Paraná.
      No primeiro caso já fiz trabalhos de campo nos plantios da Aracruz Celulose, escrevi um capítulo de livro sobre a tentativa fracassada da empresa de implantar os seus plantios no norte fluminense, e também orientei uma dissertação de mestrado sob a expansão dos plantios de eucalipto no noroeste fluminense. E o que eu verifiquei é que eu fico intrigado com a real necessidade de se inserir a transgenia numa cultura que já causa intensos impactos sociais e ambientais sem que tenhamos que inserir os transgênicos. Além disso, não sei como a CNTBIO faz suas avaliações, mas espero que não seja olhando a árvore e não a floresta. Mas eu admiro essa sua atitude “free soul” de tratar o aumento de demanda hídrica de 20% como algo aparentemente “parte do jogo”. Como o eucalipto geralmente é cortado num ciclo curto, eu imagino que vocês tenham estimado o impacto que um eucalipto com maior requisito para o consumo de água terá. Por outro lado, se não estivéssemos presenciando em escala mundial um processo agudo de encurtamento das fontes de água doce, eu até entenderia. Mas como não é o caso, realmente fico me perguntando por que coube o Brasil a “honra” de ser o primeiro país a liberar o plantio comercial de eucalipto transgênico.
      Agora como proprietário de um fragmento de floresta, eu posso narrar o problema que tem sido ver a lenta e aproximação dos plantios de eucalipto e pinus da Klabin do Paraná na minha vizinhança. È que, além dos problemas com o uso intensivo de agrotóxicos nos primeiros anos de instalação dos plantios, ainda tenho que me preocupar com a contaminação da minha pequena floresta por espécies exóticas. Como você deve saber, especialmente no caso do pinus, a penetração é bastante agressiva e quase impossível de se erradicar após o processo se instalar. Além disso, como sempre passo por dentro dos imensos plantios de eucalipto, eu fico imaginando porque estão usando alguns dos melhores solos brasileiros para a monocultura de árvores, em vez de usá-las para um uso mais nobre, como é o caso dos alimentos.
      Um detalhe que você levantou sobre a questão da rotulação de transgênicos nos EUA é que, ao contrário do que vem se tentando no nosso congresso nacional, vários estados norte-americanos estão implantando políticas de rotulagem de alimentos que contenham transgênicos. É verdade que este processo anda está num estágio inicial, mas acho curioso que haja tão pouca atenção para esta mudança de postura nos EUA que parece estar indo no sentido contrário do que estamos observando no Brasil.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s