Graças à “Lei de Gerson”, trash science está instalado no topo da pirâmide científica no Brasil

e3 journals

Graças a um colega que me repassou um convite feito por uma das muitas editoras predatórias que existem atualmente no mercado de publicações científicas (a E3Journals Aqui!), resolvi verificar se havia algum pesquisador brasileiro nos corpos editoriais das diversas revistas que a empresa disponibiliza e, bingo!, achei dois bolsistas de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico (CNPq). Aliás, um desses pesquisadores é como dizem os franceses da “crème de la crème“, ou seja, o melhor do melhor, já que está no nível 1A, o máximo em que alguém pode ser classificado pelo CNPq, e de onde decorrem vários benefícios financeiros diretos e indiretos. O outro pesquisador vinculado a essa editora predatória também é bolsista de produtividade no nível 2, algo que também não é fácil de se conseguir.

Ao verificar aos currículos acadêmicos desses dois pesquisadores na Base Lattes que é mantida pelo próprio CNPq, notei algo peculiar: ambos os pesquisadores indicam que são membros de não apenas uma revista classificada como predatória pelo professor Jeffrey Beall da University of Colorado-Denver (Aqui!), mas de várias e com localizações e endereços em vários países fora do que se pode considerar de ponta na produção científica mundial. Em outras palavras, a vinculação a editoras predatórias e revistas científicas desqualificadas é feita por dois bolsistas de produtividade (um deles no topo da cadeia meritocrática) sem qualquer parcimônia. É como se a vinculação a revistas “trash” fosse uma medalha ao honra ao mérito, e não o que é realmente, uma nódoa no currículo de qualquer pesquisador sério e comprometido com o avanço da ciência brasileira.

Esse escancaramento do descompromisso com o rigor científico é que me parece mais chocante, já que fica evidente que a chamada “Lei de Gérson” está fortemente entranhada em, pelo menos, parte da comunidade científica e exatamente entre pesquisadores que são considerados como sendo “produtivos” pelo CNPq

Diante dessa situação é que ninguém deve mesmo se sentir surpreendido pelo caso que mostrei aqui mesmo nesse blog sobre a cassação de um título de mestre na Universidade Federal de Viçosa em função de acusações de fraude e plágio (Aqui!). É que o vale tudo da “Lei de Gerson” que está estabelecido entre pesquisadores seniores, como é que se espera que jovens pesquisadores escolham um caminho oposto? Eu pessoalmente só vejo um caminho: o CNPq mudar suas regras de concessão de bolsas de produtividade. O problema aqui é se alguém dentro da agência vai querer mexer nesse vespeiro.

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