A postagem que fiz aqui neste blog sobre a cassação de um título de mestre pela Universidade Federal de Viçosa e uma retratação de um artigo publicado pelo autor da dissertação cassada na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia (RBGG) (Aqui!) gerou (plagiando o ex-presidente Lula) um tráfico nunca visto na história deste blog e obteve inúmeros comentários relativos aos problema. Da leitura desses comentários, eu verifico que os problemas relacionados a variados tipos de plágio parecem estar assumindo uma característica epidêmica, pois os relatos, apesar de variados em forma, apontam para o problema de que muitos pós-graduandos estão se valendo do trabalho alheio para concluir as suas tarefas e para publicar seus próprios artigos científicos.
Um desses comentários atacou para mim um problema que me parece crucial, qual seja, a forma atomizada e varejista de se fazer ciência que parece estar entranhada nos programas de pós-graduação brasileiros, muito em função das determinações da agência reguladora que é a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes).
Mas para mim a novidade não é nem se ver críticas à forma pela qual a Capes vem regulamentando a pós-graduação no Brasil, com todos os efeitos perversos que foram notados pela pessoa que enviei o comentário. Para mim a novidade é que as pessoas estejam dispostas a falar abertamente no assunto, tocando em aspectos que são incompreensivelmente tabus, a começar pela disseminação de diferentes tipos de plágio. Essa disposição de tocar no assunto é indicativo de que há uma reação salutar que começa a emergir, a qual poderá obrigar a Capes e também o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) a repensarem as suas formas de premiação e qualificação da produção científica nacional. Aliás, só mesmo uma reação generalizada e explícita teria essa capacidade de mudança, visto que a cultura atual de se premiar a quantidade em vez da qualidade está bastante entranhada e ouso dizer, naturalizada entre aqueles que deveriam estar buscando um aperfeiçoamento de nosso sistema nacional de pós-graduação.
A questão crucial, como observou um dos comentaristas da postagem citada acima, o que será da pesquisa brasileira amanhã com um quadro composto por pessoas de péssima formação?
