Depois que eu digo que o V Distrito de São João da Barra por causa do Porto do Açu se transformou numa sala de aula a céu aberto tem gente que duvida. Neste sábado (20/06) acompanhei professores e estudantes do curso de Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) em diferentes partes do território no entorno do megaempreendimento, onde pudemos verificar diferentes dimensões dos problemas sociais e ambientais que ali estão ocorrendo
Também verificar “in loco” o esforço de controle estrito que é realizado para impedir a livre circulação de pessoas e, em muitos momentos das atividades, estivemos acompanhados por veículos da empresa de segurança privada contratada pela Prumo Logística
Uma coisa que deixou os professores e estudantes surpresos foi a dimensão do empreendimento e das modificações que estão ocorrendo na paisagem do V Distrito em função das múltiplas intervenções que foram feitas em seu ambiente físico.
Afora a observação da paisagem física, os professores e alunos da UFES tiveram excelentes oportunidades de ver de perto e ouvir personagens importantes nos conflitos em curso no V Distrito de São da Barra. E a impressão que eu obtive é que as lições aprendidas no Porto do Açu vão ser muito úteis para que eles possam estudar o que também está acontecendo no Espírito Santo, onde estaleiros e estruturas portuários estão igualmente transformando para pior a vida de milhares de famílias que ocupavam historicamente os territórios que estão sendo ocupados por esses empreendimentos.
Um fato a ser notado é que a comitiva tentou obter permissão para conhecer o interior do Porto do Açu. Entretanto, em que pesem as múltiplas tentativas de obter autorização para a visita, isto não ocorreu. Esta situação me reforça a impressão de que visita no interior do Porto do Açu é coisa destinada à membros da imprensa corporativa e políticos muy amigos que se dispõe a serem fotografados vestindo o “flamboyant” colete da Prumo Logística. Mas uma coisa é certa: depois que ninguém reclame se só um lado da moeda for conhecido por membros da comunidade científica que hoje enxergam o V Distrito de São João da Barra como uma sala de aula a céu aberto.
Finalmente, uma dica de leitura oferecida pelo professor Maurício Sogame que foi um dos responsáveis por eu participar dessa atividade. Segundo o Prof. Sogame, a leitura para entender bem esse e outros processos de remoção de populações tradicionais de territórios que ocupam tradicionalmente é o livro “Limites do Capital” do também geógrafo David Harvey. Fica ai a dica!




