O processo erosivo que hoje corrói a Praia do Açu tem sido motivo de inúmeras contribuições de leitores deste blog que tentam me auxiliar a mostrar a relação direta que a construção do Porto do Açu tem sobre esse fenômeno.
Pois bem, um leitor me enviou as imagens abaixo tiradas de uma série histórica do Google Earth que mostram dois momentos na entrada do Canal de Navegação do Porto do Açu: a primeira com uma imagem produzida em 11/08/2013, e a segunda com uma que foi produzida no dia 10 de Setembro de 2014. Além disso, o leitor me sugeriu que medisse o aumento da faixa de areia em um dos “molhes internos”, coisa que acabei fazendo com outra ferramenta do próprio Google Earth.
Vejamos então o resultado!
Imagem do dia 11/08/2013, com marcação de uma estrada interna, e com a faixa de areia com extensão de 60 metros.
Imagem do dia 10/09/2014, com a mesma marcação da estrada interna, e com a faixa de areia com extensão de 230 metros.
Há que se ressaltar que a principal modificação na porção assinalada da imagem foi exatamente a inserção de uma quebra mar para proteger a porção norte da entrada do Canal de Navegação do Porto do Açu.
Agora, até uma pessoa leiga no tópico de deposição e remoção de sedimentos praiais vai fazer a conta que fecha a equação. É que se tem areia acumulando no entorno dos quebra mares, há uma forte chance de que seja o mesmo material que está faltando na Praia do Açu.
Agora, a pergunta que poderá valer vários milhões de dólares. Se com o simples uso de uma ferramenta de domínio público, podemos detectar o aumento da faixa de praia no entorno dos quebra-mares do Porto do Açu, por que é nos seus comunicados oficiais, a Prumo Logística Global ainda teima em negar o óbvio? Como não lhe devem técnicos capacitados ou advogados altamente especializados em direito ambiental, a ausência de respostas práticas para conter erosão não é por falta de expertise.
Finalmente, eu fico me perguntando por que não ouvimos ainda manifestações da Secretaria Municipal de Ambiente de São João da Barra ou do Instituto Estadual do Ambiente sobre o que uma simples análise temporal de imagens disponíveis no Google Earth torna aquele tipo de óbvio que Nelson Rodrigues rotulava de “ululante”? Como também aqui não é por falta de expertise, a resposta deve estar em outro departamento.
Enquanto isso, a população trabalhadora da Barra do Açu permanece sobressaltada e, pior, relegada ao abandono completo por parte das autoridades e, como não, da Prumo Logística Global.



Professor, a prumo não aceita o óbvio por que réu em hipótese alguma gera provas contra si mesmo. Assumir que realmente o que vem acontecendo tem a ver com os quebra marés é o mesmo que assumir um crime e mostrar a arma com o qual o mesmo foi cometido.
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Bom, Pedro, se esse for o caso, considero que a atitude acabará sendo mais onerosa para a Prumo Logística. É que quanto mais se demorar a começar a implantar soluções, mais caro ficará. Até porque as ações judiciais impetradas pelos moradores não vão demorar a acontecer.
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