O impeachment de Dilma Rousseff e a falência do parlamento

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No ano passado quando fui entrevistado pelo Instituto Humanitas da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) tracei um prognóstico sombrio do segundo mandato de Dilma Rousseff e da eleição de Luiz Fernando Pezão para governar o Rio de Janeiro (Aqui!). Mais de um ano depois daquela entrevista, vejo que subestimei o tamanho da crise do modelo Neodesenvolvimentista (Neoxtrativista para outros) implantado por Luis Inácio Lula da Silva e dos efeitos que isto teria na esfera política.

Mas tenho assistido todo o desenrolar da ópera bufa em que se tornou o debate em torno do impeachment de Dilma Rousseff, o que eu vejo é que estamos numa situação em que as forças partidárias brasileiras estão derretendo na velocidade das geleiras, e o que nos espera em 2016 é uma crise ainda mais profunda, pois teremos a mistura explosiva entre a piora da situação econômica com a perda ainda maior de legitimidade do parlamento brasileiro. É que o que se vê é um cidadão com acusações comprovadas de possuir contas secretas na Suíça e que teriam sido abastecidas com propinas de diversas origens tendo o apoio de lideranças expressivas da oposição se valendo do seu cargo para chantagear o executivo e o parlamento como um todo.

Entretanto, há que se ressaltar dois aspectos na aceitação do pedido de impeachment pelo ainda presidente da Câmara Federal, o deputado Eduardo Cunha do PMDB/RJ, e que me parecem lapidares da degeneração política que toma conta do parlamento. A primeira coisa é que Cunha aceitou o pedido após ver que os membros do PT na Comissão de Ética da Câmara Federal votariam pelo prosseguimento do seu processo de cassação. Assim, reagindo explicitamente pelo desejo da vingança e também para garantir sua autopreservação, Eduardo Cunha manobra para se manter no cargo. A segunda coisa que me parece inexplicável é que Eduardo Cunha ainda continue solto, enquanto, por exemplo, o senador Delcídio Amaral (PT/MS) está preso, o que mostra que o sistema de justiça também é vítima das mesmíssimas contradições que assolam o parlamento.

E qual é o moral dessa novela macabra? É que precisamos recusar o falso dilema de apoiar ou não o impeachment de Dilma Rousseff. A juventude de São Paulo, como já o fizeram os professores paranaenses, mostram que o PSDB é um partido ainda mais atrasado e truculento do que o PT se mostrou ser.  Além disso, o PMDB onde tem o controle dos governos estaduais tem se mostrado igualmente inimigo da classe trabalhadora e da juventude. Esses partidos majoritários não apontam caminhos positivos para a resolução da crise econômica, pois eles e seus satélites são os causadores da crise.

Mas, felizmente, o que se tem visto é que há uma retomada vigorosa de mobilizações em diferentes partes do Brasil contra o modelo econômico e contra os partidos que o sustentam. Nesse sentido, o importante é apoiar o fortalecimento das ações diretas que estamos assistindo em diferentes regiões brasileiros. Assim, destes confrontos, é que poderemos ter uma saída positiva para o Brasil.

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