Profecia cumprida: secretário aparece na Uenf e diz que não pode se comprometer com nada

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O secretário estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social (SECTIDS), Pedro Fernandes, chegou no campus Leonel Brizola em torno das 10:30 portando um vistoso colete, e foi logo recepcionado com uma ruidosa, mas respeitosa, manifestação por parte da comunidade universitária da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

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Visivelmente pressionado, mas calmo, o secretário Pedro Fernandes repetiu a ladainha de que nada pode fazer para resolver o atraso do pagamento de salários e bolsas, e se declarou envergonhado por visitar uma instituição que ainda está funcionando, mas onde a comunidade tem que cumprir suas funções sem quaisquer das condições essenciais garantidas.

De prático, Pedro Fernandes apontou que quaisquer soluções práticas para se saldar os atrasos de salários, bolsas e no pagamento das empresas terceirizados só poderá ser resolvido pelo secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa, ou pelo (des) governador Luiz Fernando Pezão.

Bom, se era para vir na Uenf e dizer isso, o secretário Pedro Fernandes poderia ter se poupado da viagem. Mas pelo menos ele poderá voltar para o Rio de Janeiro com uma amostra pequena do estado de insatisfação que grassa hoje na comunidade universitária da Uenf,  e que certamente aumentará após esta visita que promete ter, quando muito, resultados pífios.

 

A Uenf resiste! Já o governador….

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Por Luciane Soares*

Ao ler o texto de Elio Gaspari publicado esta semana sobre a ruína do governador Luiz Fernando Pezão, remexi algumas lembranças sobre os anos recentes como professora desta Universidade. Cheguei a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, em junho 2010, sem conhecer Campos dos Goytacazes. Tinha apenas o registro principal de que a cidade guardava um passado opulento, economicamente calcado no trabalho escravo em usinas espalhadas por seu território (o maior em extensão de terra do Rio de Janeiro). Minha chegada coincidia com a intensificação das obras no Porto do Açu e toda a região experimentava uma excitação quanto a possibilidade de empregar-se ou participar da roda viva, estampada pela grande mídia e do culto à personalidade em torno do “grande empresário do Brasil”, hoje preso em Bangu 9, Eike Batista. Minha primeira saída de campo ocorreu em uma tarde de sexta, na praça São Salvador. A prefeita Rosinha Garotinho havia liberado a passagem de ônibus durante as horas em que o ato em defesa dos royalties. Mesmo assim, encontramos apenas funcionários comissionados em uma praça vazia. A população não atendera ao chamado e não atenderia mais tarde, às ameaças de que o fim do governo representaria o fim dos programas sociais e demais benefícios vinculados à prefeitura. Sua gestão foi rechaçada em primeiro turno no ano de 2016.

Neste cenário, as representações sobre a Uenf eram bastante ambivalentes. Para boa parte dos entrevistados campistas acima de 40 anos, ela representava uma espécie de “elefante branco”. Passei meus dois primeiros anos de Uenf pesquisando as representações sobre qualificação nas cidades da região. Estas pessoas guardavam vivas as memórias da chegada de Darcy Ribeiro ao local onde hoje está construído o campus Leonel Brizola, tinham a memória dos professores estrangeiros que chegaram para construir a Universidade do Terceiro Milênio. Para a geração entre 13 e 30 anos, a Uenf representava uma das principais possibilidades de mobilidade social ascendente e qualificação na região norte fluminense.Representava uma alteração estrutural de seu status na região. Muitos conheciam ou tinham parentes que haviam passado pela Universidade. Outros estavam inseridos em programas de extensão na modalidade Universidade Aberta, que amplia a interação com a comunidade por meio de bolsas para realização dos inúmeros projetos ligados a Pró Reitoria de Extensão.

Desde então tenho formado dezenas de pesquisadores na graduação e pós graduação e participado ativamente dos atos de resistência desta jovem Universidade, classificada entre as melhores do país. Ao realizar o tripé ensino, pesquisa e extensão a Uenf contribui decisivamente para o desenvolvimento da região- mas não apenas por promover a qualificação para o mercado de trabalho. Realizamos em 11 de março uma feira de Ciências com o envolvimento de todos os cursos. Ao unir cursos como administração pública, ciências sociais, pedagogia, biologia, física,agronomia, medicina veterinária entre outros, demonstramos a importância de construir um conhecimento que guarde também um potencial crítico. No meio da maior crise de nossa história abrimos o campus à comunidade e mostramos como são feitas nossas pesquisas, além dos inúmeros e interessantes projetos de extensão. O resultado? Encantamento. Brindamos escolas e sociedade local com um dia inteiro de experimentos, música, oficinas. Sem um centavo do governo Pezão.

Pois bem, é este potencial que os últimos governos têm atacado decisivamente ao deixar as Universidades Estaduais sem verbas de custeio e no último mês, sem salários. No quadro atual, técnicos administrativos precisam de ajuda financeira para fechar o mês, professores usam seus próprios vencimentos para tocar pesquisas que dependem de continuidade e recursos. Passamos a negociar semanalmente as condições de funcionamento da Universidade. Para manutenção de água, luz e serviços básicos. Este governo, que não possui mais a menor legitimidade para manter-se no poder, ataca particularmente instituições como a Uenf, Uerj, Faetec, Cecierj. Não há crise, e é preciso que toda população fluminense saiba disto. O desmonte da Uenf é um projeto. Considero que somos um exemplo concreto de ocupação. Estamos ocupando uma Universidade para que ela permaneça viva. Até que este governo caia.

Ao acompanhar os jornais nos deparamos com a farra feita por Sérgio Cabral e sua corte. Jóias, casas nababescas, tudo realizado enquanto íamos incansáveis tardes à Alerj em busca de condições dignas para realizar o que fazemos com excelência: manter vivo o papel desempenhado pelas Universidades Públicas em um país desigual como o Brasil. E seguiremos lutando até a ruína definitiva deste governo, inimigo da educação pública, gratuita e de qualidade.

* Luciane Soares da Silva, gaúcha de Porto Alegre, alvinegra de coração, colorada por tradição. Negra, bisneta de alemães, neta de sambista estivador. Professora associada da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro e presidente da ADUENF. Tem estudado racismo, favela e cultura urbana. Temas de seu interesse e sobre os quais desenvolve pesquisas.

FONTE: http://revistavirus.com.br/a-uenf-resiste-ja-o-governador/

Não, a situação não está “normal” na Uenf

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Em mais uma inserção de vídeo comento a situação caótica em que se encontra a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que se encontra sem verbas de custeio desde Outubro de 2015, e com salários de seus professores e servidores atrasados desde Fevereiro de 2016.

Em suma, apesar de alguns tentarem propalar o mito de que as coisas estão “normais” na Uenf, essa normalidade não resiste a uma análise minimamente criteriosa de sua realidade.  Enquanto isso o (des) governo Pezão quer conceder mais R$ 650 milhões de isenções fiscais para a AMBEV.

Assim, não há de normal na situação em que a Uenf se encontra!

 

 

Notícias da ADUENF divulga ações da nova diretoria para publicizar situação crítica na Uenf

Diretoria da ADUENF prepara campanha para disseminar informações sobre situação crítica da Uenf

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Entre as diferentes estratégias de comunicação já acertadas, a diretoria da ADUENF já acertou a criação de um programa radiofônico que será veiculado diariamente com depoimentos de membros da comunidade universitária sobre os impactos que o descompromisso do governo do Rio de Janeiro vem causando sobre as atividades acadêmicas e sobre o cotidiano de estudantes e servidores.

Além disso, já está sendo preparada uma campanha publicitária que contará com a colocação de outdoors em alguns pontos de grande circulação na cidade de Campos dos Goytacazes para denunciar a situação crítica em que o governo do Rio de Janeiro colocou a Uenf.

No plano das ações dentro do campus Leonel Brizola, a diretoria da ADUENF está articulando com os demais sindicatos  (SINTUPERJ/UENF, DCE e APG) a realização de uma assembleia comunitária para discutir formas de atuação conjunta para lutar contra o processo de privatização que está por detrás da precarização em curso na Uenf. Esta assembleia deverá ocorrer na próxima terça-feira (11/04) na área externa do Restaurante Universitário da Uenf a partir das 09:00 horas.

Por fim, a diretoria da ADUENF está se preparando para recepcionar o secretário estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social, Pedro Fernandes, que deverá cumprir agenda na Uenf na próxima segunda-feira (10/04).

A diretoria da ADUENF entende que a partir deste conjunto de atividades é que será possível organizar uma ampla unidade dos sindicatos em defesa do caráter público e gratuito da Uenf, bem como da normalização do pagamento de salários e bolsas estudantis.

Campos dos Goytacazes, 06 de Abril de 2017.

DIRETORIA DA ADUENF

Gestão Resistência & Lutas

FONTE: http://aduenf.blogspot.com.br/2017/04/diretoria-da-aduenf-prepara-campanha.html

Elio Gaspari e a ruína do (des) governador Pezão

pezao cabralA coluna que o jornalista Elio Gaspari publica em diferentes veículos da mídia corporativa traz hoje um artigo que considero devastador para o que ainda restava de credibilidade do (des) governador Luiz Fernando Pezão (Aqui!). 

É que neste artigo Gaspari faz uma excelente síntese dos últimos acontecimentos em torno do suposto envolvimento do (des) governador Pezão em múltiplos casos de corrupção, bem como sobre o seu papel de herdeiro político do hoje presidiário ex (des) governador Sérgio Cabral.

A sensação que eu tenha é que este artigo de Elio Gaspari representa mais um prego no caixão político de Luiz Fernando Pezão cuja continuidade no cargo está claramente segura por um fio muito fino e prestes a arrebentar. 

Abaixo segue a íntegra do artigo de Elio Gaspari cujo título já diz muito sobre o conteúdo do mesmo.

Pezão foi condenado a viver sua própria ruína 

FOTOS DO DIA

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), em visita ao Ministério da Fazenda

Por Elio Gaspari

Tendo vivido o esplendor da ilusão cabralina, quando foi secretário de Obras e vice-governador, Luiz Fernando Pezão está condenado a viver sua própria ruína. Aquele teleférico do morro do Alemão, que foi inaugurado duas vezes, está parado. (Ele se entristecia quando era exposto o ridículo das duas inaugurações.)

A política de segurança do xerife José Mariano Beltrame ruiu, as contas públicas jogaram o governador para a condição de pedinte e os cidadãos a um período de decadência jamais visto.

Sérgio Cabral está em Bangu, decidindo entre uma cana de 40 anos e a possibilidade de colaborar com a Viúva, cuja bolsa repetidamente assaltou. O coral dos poderosos da ilusão cabralina já tem dois doleiros, um ex-presidente do Tribunal de Contas, seu filho, e mais gente na fila.

Pezão está na situação dos hierarcas do stalinismo que moravam num imponente edifício perto do Kremlin. À noite, quando o elevador fazia barulho, os comissários acordavam temendo que tivessem vindo buscá-los. A administração do Rio está parada.

Fica a impressão de que só dois gabinetes funcionam: o do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, e o do ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça. Um encanou Cabral. O outro ouviu a melodia da colaboração de Jonas Lopes e de seu filho. O doutor Jonas presidiu o Tribunal de Contas do Estado e sua cantoria resultou na prisão de cinco conselheiros. (Em tempo, não se deveriam chamar essas comissões de contas de “tribunal”, pois não o são.)

Admitindo-se que Pezão tenha sido secretário de Obras e vice de Cabral sem ter desconfiado de nada, nem dos cortes de seus ternos Ermenegildo Zegna “su misura”, Jonas e seu filho jogaram o governador na frigideira. O pai contou que em 2013 Pezão mediou em sua casa uma acalorada discussão para definir o rachuncho das propinas. Num lance, em 2015, cada felizardo receberia R$ 60 mil mensais. Noutro, mordiam a comida dos presidiários.

Jonas Filho diz ter ouvido que parte do dinheiro mandado aos conselheiros foi desviada para atender despesas pessoais de Pezão. Coisa de R$ 900 mil. Nesse aspecto a suspeita é a um só tempo frágil e meritória. Frágil, porque nasce de um “ouvir dizer”. Meritória porque se Pezão recebesse apenas R$ 900 mil para cobrir despesas pessoais, seria um anacoreta na corte de Sérgio, o Magnífico.

O capilé de R$ 900 mil teria sido revelado a Jonas por Marcelo Santos Amorim, o Marcelinho, subsecretário de Comunicação do governador. Ele estava no lote de celebridades estaduais levadas para a Polícia Federal na semana passada. Se a história do capilé é ou não verdadeira, só Marcelinho poderá dizer. De qualquer forma ele terá algo a contar sobre o milagre da comunicação de Pezão, que navegava num Estado falido com a pose dos canoeiros de Oxford.

Pezão e Marcelinho negam que tenham praticado qualquer malfeito e queixam-se da falta de acesso às narrativas de quem os acusa.

Graças ao juiz Bretas e ao ministro Fischer, a administração do Rio de Janeiro pode garantir ao detento Sérgio Cabral que ficou mais difícil roubar em cima das verbas de alimentação do presidiários.

Profetizando: a semana começará ruim e terminará péssima para o ainda (des) governador Pezão

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Eu não tenho o poder de oráculo que o ex-governador Anthony Garotinho já demonstrou ter ao prever os acontecimentos que incluíram a condução coercitiva do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Jorge Picciani (PMDB), para depor na Polícia Federal.

Mas mesmo assim eu me arrisco a profetizar (afinal me chamo Marcos): a semana do (des) governador Luiz Fernando Pezão deve começar ruim e terminar péssima. 

Entretanto, apesar dessa semana pouco promissora em minha profecia, aceito que ele ordene o pagamento do meu salário de Fevereiro ainda em algum momento de Abril. É que nem só de profecias vive este servidor público estadual cujo regime de Dedicação Exclusiva o impede de ter outra fonte de renda.