Grupo Independente de Análise de Impacto Ambiental (Giaia) mostra que foram encontrados níveis elevados de arsênio e manganês em várias das amostras

O grupo independente de pesquisadores que está avaliando os impactos ambientais do desastre de Mariana (MG) divulgou nesta terça-feira (15) os primeiros resultados das análises de amostras de água e sedimento contaminados pela lama que vazou da barragem da mineradora Samarco, em 5 de novembro. Foram encontrados níveis elevados de arsênio e manganês em várias das amostras. A contaminação, porém, também foi encontrada em áreas acima do ponto atingido pelo vazamento, o que deixa dúvidas com relação à origem dos metais — se eles faziam parte da lama ou já estavam presentes no ambiente antes do rompimento da barragem.
Foram analisadas amostras de dez pontos ao longo dos três principais cursos d’água atingidos pela lama: Rio Gualaxo do Norte, Rio do Carmo e Rio Doce; coletadas entre os dias 4 e 8 de dezembro, até Governador Valadares (MG). As análises foram realizadas no laboratório da toxicologista Vivian da Silva Santos, da Universidade de Brasília em Ceilândia, que participa do Grupo Independente de Análise de Impacto Ambiental (Giaia), uma rede de cientistas que se formou via redes sociais para responder ao desastre.
Nesse primeiro momento, foram medidas as concentrações de dez metais: alumínio dissolvido, ferro dissolvido, arsênio, manganês, selênio, cádmio, chumbo, lítio, níquel e zinco. Veja o relatório completo aqui.
Tanto o arsênio quanto o manganês já estavam presentes em concentrações acima do permitido pela lei (Resolução Conama 357) à montante (rio acima) do trecho atingido pela lama no Rio Gualaxo do Norte. No caso do arsênio, essas concentrações aumentam progressivamente no trecho impactado até o município de Barra Longa; depois disso o elemento “desaparece” das amostras (deixa de ser detectado) até Governador Valadares, onde volta a aparecer acima do permitido. Já o manganês aparece acima do limite em praticamente todas as amostras, com exceção de uma: a de um afluente do Rio Doce, que não foi atingido pela lama.
Em duas amostras também foram encontradas concentrações de chumbo levemente acima do permitido: em um ponto do Rio Gualaxo do Norte (na cidade de Paracatu de Baixo) e no ponto de encontro dele com o Rio do Carmo, na cidade de Rio Doce. Em todas as outras amostras, as concentrações de metais estavam dentro do permitido pela Resolução Conama.
Também foram detectadas concentrações elevadas de ferro total e alumínio total na água, mas não há um padrão de segurança estabelecido pela legislação para esses componentes.