Logo após a separação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) da sua antiga mantenedora, a Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte) tive um encontro com lideranças do PT local ligadas à então governadora Benedita da Silva que queriam sentir o pulso comigo sobre a gestão que ali realizariam. A minha posição expressa nessa reunião foi de que a única posição aceitável era a imediata extinção da Fenorte e a passagem de seus espaços e servidores para a Uenf. Obviamente a minha posição não agradou, e a reunião terminou de forma protocolar e nunca mais ninguém me procurou, passados quase 13 anos daquela conversa.
E ao longo dos anos o que se viu foi que a Fenorte foi utilizada para todo tipo de premiação indevida a político sem mandato, e para a sua apropriação na colocação de beneplácitos na forma de cargos comissionados para figuras que entendiam tanto do assunto para o qual ganhavam quanto eu entendo de astrofísica interplanetária. Aliás, a sucessão de presidentes tão inexpressivos quanto ausentes das dependências da Fenorte sempre me causou pasmo.
Na greve que ocorreu em 2014 tivemos um raro momento de unidade entre os servidores da Uenf e da Fenorte quando velhas rusgas foram superadas em nome da luta comum não apenas por salários, mas por condições dignas de trabalho. E o mais importante que eu vi foi que nossos colegas da Fenorte estavam cansados de ver o que se passava com a instituição onde tentavam trabalhar. E por isso estivemos juntos nas ruas de Campos dos Goytacazes de uma forma solidária como nunca havíamos feito em mais de uma década.
Agora, finalmente, o (des) governador Luiz Fernando Pezão tomou uma medida inteligente ao extinguir a Fenorte e passar para a Uenf o seu espaço físico e seus servidores. É a verdadeira soma vencedora, pois a Uenf precisa desesperadamente de mais espaços e, principalmente, quadros técnicos para continuar sua missão de ajudar a desenvolver a região Norte Fluminense. Além disso, se termina com o aparelhamento da coisa pública e do desperdício de recursos preciosos.
Assim, ainda que essa extinção deixe alguns como viúvas de uma fundação que só lhes beneficiava individualmente, vejo que agora poderemos finalmente completar o ciclo iniciado com a autonomia da Uenf em 2001, tornando-a ainda mais forte e comprometida com o uso democrático e transparente dos recursos públicos.
Finalmente, há que se lembrar nesse processo o papel do deputado Comte Bittencourt que esteve com os servidores da Fenorte, ouviu suas posições e as encaminhou em diferentes momentos em plenário ou na própria Comissão da Educação da qual é presidente. Se todos os políticos tivessem essa posição, concordando ou não com sua opção ideológica, teríamos certamente um parlamento de muito melhor qualidade e mais antenado com as reais necessidades da nossa população.
A Fenorte está morta? Viva a Uenf!

