
A imagem abaixo reproduz uma matéria que foi publicada hoje pelo jornal O Diário e que trata da agonia financeira imposta à Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

Para começo de conversa, a situação da Uenf é escandalosa sob todos os ângulos. É que na falta de pagamentos para a maioria das suas contas desde o longínquo mês de Outubro de 2015, a universidade beira um caos que ameaça décadas de pesquisas e de material científico acumulado que deveriam ser protegidos como uma mina de ouro que são.
Mas a garantia de um futuro ancorado nos ganhos da ciência fluminense não parece ser nem de longe uma prioridade para o (des) governo comandado pelo PMDB. E ai, como mostra a matéria, diferentes acervos científicos estão neste momento sob ameaça de serem descartados, o que sendo consumado representará a perda de mais uma década de pesquisas.
Entretanto, o maior escândalo que aparece na matéria é, na verdade, a resposta oferecida pelas fontes governamentais ao pedido de esclarecimentos sobre a situação da Uenf que a equipe do O Diário enviou à Secretaria de Fazenda. A resposta é tão lacônica quanto cínica: faltam recursos de caixa para saldar os R$ 11 milhões de dívidas que a Uenf tem com seus fornecedores, fruto da política do (des) governo estadual de usar o dinheiro que foi destinado à ciência em outras áreas.
E de que outras áreas falamos? Aí o escândalo fica ainda maior quando se nota que mais de R$ 138 bilhões foram doados à empreendimentos que vão de saunas, passando por cabeleireiros até chegar na cervejaria onde o presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, Jorge Picciani (PMDB), dizem ser sócio.
Como venho argumentando há algum tempo, a crise financeira no Rio de Janeiro é extremamente seletiva, já que não se ouve de dificuldades entre os aquinhoados com os empréstimos tomados pelo (des) governo estadual para que toquem seus empreendimentos privados, como foi o caso recente do novo empréstimo de quase R$ 1 bilhão para a conclusão da Linha 4 do metrô carioca.
Agora, que ninguém se esqueça de que enquanto se privilegiou cabeleireiros e cervejeiros, as universidades estaduais foram colocadas em situação falimentar.