Ao inviabilizar a Faperj, o (des) governo Pezão promove desmanche criminoso da ciência fluminense

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Até agora só havia ficado evidente a situação calamitosa em que se encontram as universidades estaduais cujos servidores se encontram sem os salários pagos a partir de Abril deste ano, e com quase nada de verbas para custear as suas múltiplas atividades. Esse retrato nefasto dos efeitos resultantes das escolhas seletivas do uso de recursos pelo (des) governo Pezão acaba de ganhar uma camada adicional com a reportagem do jornalista Renato Grandelle que trata da inviabilização financeira da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj (Aqui!). (ver reprodução abaixo).

Como mostram os  números levantados por Renato Grandelle, em 2017 a Faperj recebeu apenas 9,5% do orçamento que lhe foi designado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e, pior, existem débitos acumulados com pesquisadores que remontam ao ano de 2015. E com isso se perdem anos de pesquisa, comprometendo avanços necessários em múltiplas áreas de conhecimento.

De quebra, houve um aumento significativo nas dificuldades de prestar contas à Faperj do pouco que vem sendo desembolsado na forma de financiamento de projetos de pesquisa, o que pode ser visto como uma forma de diminuir a demanda reprimida por novos financiamentos, especialmente por parte de jovens pesquisadores.

Esta situação está causando não apenas o processo conhecido como “fuga de cérebros” que é aquele caracterizado pelo migração (interna ou externa) dos melhores quadros que estavam sendo ou foram formados no Rio de Janeiro que partem em busca de melhores condições de trabalho.

A perda de quadros de pesquisadores já está comprometendo pesquisas em áreas estratégicas para o Rio de Janeiro, a começar pela citada na reportagem que versa sobre enfermidades tropicais como a dengue que é causada pelo mosquito Aedes aegypti.

Aqui não há outra caracterização possível em relação ao que representa a quebra financeira da Faperj e das universidades senão o de um desmanche crimonoso da ciência fluminense. É que se olharmos os desembolsos feitos para empresas terceirizadas e até mesmo as bilionárias concessões de isenções fiscais, veremos que o problema do Rio de Janeiro não é simplesmente falta de dinheiro, mas de decisões tomadas para beneficiar as corporações econômicas em detrimento do interesse público.

O problema é que ao perder a capacidade de produzir ciência de alta qualidade, o Rio de Janeiro se candidata a uma posição de atraso permanente, mesmo dentro do Brasil. 

 

2 pensamentos sobre “Ao inviabilizar a Faperj, o (des) governo Pezão promove desmanche criminoso da ciência fluminense

  1. Marco Antônio disse:

    Como a Rede Globo está abertamente vinculando… AGRO É TECH, AGRO É POP, AGRO É TUDO…

    Brasil celeiro do mundo…

    • Prezado Raphael,

      O seu comentário é tão longo que mereceria ser colocado num debate mais amplo, mas vou responder por aqui mesmo. A primeira coisa é que como você notou, parte dos quadros da atual administração da PMCG é oriunda do Centro de Ciências do Homem. E isso implica exatamente em quê? Eu não iria tão longe quanto Florestan Fernandes que um dia disse que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tinha sido o seu orientando que não tinha entendido a sua mensagem, mas tenho a dizer que o que as pessoas fazem com o seu treinamento acadêmico diz mais sobre elas e as opções que fazem do que daqueles que contribuíram na sua formação. Em segundo lugar, eu tenho sido claro em quais políticas sociais o atual governo vem impondo regressões e só você ler o que eu escrevi para notar isso. O interessante é que não disse que essas eram políticas sociais excepcionais, mas pelo menos eram alguma coisa que mesmo de forma precária auxiliava os segmentos mais pobres da nossa população a sobreviver e colocar comida na mesma. E não há como ocultar, os cortes feitos pela administração municipal só atingiram essas políticas, visto que não apenas os cargos DAS estão bem distribuídos, mas como gastos peculiares continuam, incluindo a da publicidade e marketing, como no caso da campanha autocongratulatória da Câmara de Vereadores. Além disso, pelo que tenho conversado com pessoas que são usuárias dos serviços públicos de saúde e educação, o que já era ruim, continua ruim, e quase nada foi feito para mudar esse cenário lamentável. E não adianta ficar apenas culpando a administração anterior, pois os erros que estão sendo cometidos já estão sob a rubrica do prefeito Rafael Diniz. Em relação ao Sr. Anthony Garotinho, eu insisto na caracterização de que ele está na frente da maioria dos políticos locais, muitos dos quais egressos do seu grupo. Negar essa capacidade acima dos demais é não apenas sectário, mas contraproducente. Além disso, uma das principais críticas que eu tenho ao atual prefeito foi o abraço de afogado que deu em segmentos do “Garotismo” como ficou bem demonstrado nas alianças que garantiram a maioria absoluta na Câmara de Vereadores. Aliás, eu adoraria ver a discussão da Odebrecht ser feita, até porque assim o atual prefeito poderia explicar a sua escolha para ocupar o cargo de secretário de Infraestrutura e Mobilidade Urbana. Por último, não entendi bem a referência à Karl Marx e sobre a questão de que a história anda para frente. De toda forma, você tivesse a oportunidade de dialogar comigo em instâncias onde debati o papel das políticas sociais, origens e funções, saberia que eu as coloco como ferramentas das políticas neoliberais de redução da ação do Estado. Mas o que isso tem a ver com o fechamento do Restaurante Popular e com a suspensão do cheque cidadão?

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