
Uma das muitas mancadas cometidas pelo presidente eleito do Brasil no pós-eleitoral foi colocar ainda mais em risco a relação comercial com a China, país que hoje é um dos principais parceiros comerciais do Brasil.
A repercussão negativa das declarações dadas durante a campanha serviram para azedar mais o humor dos dirigentes do Partido Comunista Chinês (PCC) que já estava azedo por causa de uma visita realizada por Jair Bolsonaro à Taiwan.
Pois bem, para dar uma amainada no humor dos “comunistas” chineses, o presidente eleito recebeu o embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang. Esse encontro foi largamente noticiado pela mídia corporativa brasileira.
Mas ao ler a matéria publicada pela China Daily (o mesmo jornal que havia publicado um artigo notando o desconforto dos dirigentes do PCC com o presidente eleito), vi que as declarações dadas ao embaixador chinês vão no sentido diametralmente oposto do que Bolsonaro expressa para seus eleitores em relação à China. É que segundo o China Daily (ver matéria completa abaixo [1]), Bolsonaro teria declarado que “seu governo buscará ativamente ampliar e ampliar os laços de cooperação com a China e fortalecerá o relacionamento bilateral.”
Assim, a China que já domina o comércio de commodities agrícolas e minerais, bem como tem participações significativas em portos e hidrelétricas, terá ainda muito negócios a fazer no Brasil, e com as bençãos de um governo que foi eleito com um suposto viés nacionalista. Mas um nacionalismo do tipo “pero no mucho“.
Bolsonaro, presidente eleito do Brasil, destaca laços com a China*

Jair Bolsonaro, legislador de extrema-direita e candidato presidencial do Partido Social Liberal (PSL), gesticula em uma assembleia de voto no Rio de Janeiro, Brasil, em 28 de outubro de 2018. [Foto / Agências]
RIO DE JANEIRO – O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, disse na segunda-feira que o Brasil atribui grande importância às relações com a China e considera a China como um “grande parceiro de cooperação”.
Bolsonaro fez as declarações em uma reunião no Rio de Janeiro com o embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang.
Bolsonaro, que deve assumir o cargo em janeiro, disse que seu governo buscará ativamente ampliar e ampliar os laços de cooperação com a China e fortalecerá o relacionamento bilateral.
O principal representante da China no Brasil disse que seu país está disposto a trabalhar com o Brasil para promover o desenvolvimento contínuo de sua parceria estratégica abrangente baseada no respeito mútuo, igualdade e benefício.
Unir forças para buscar a cooperação ganha-ganha cumpriria o objetivo de melhorar o bem-estar de ambos os países e fortalecer a cooperação entre os dois mercados emergentes, acrescentou Li.
* Artigo publicado originalmente em inglês [1]