A “Trumpização” das políticas ambientais terá efeitos drásticos para o Brasil, a começar pela sua combalida economia

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A “Trumpização” da agenda ambiental brasileira trará múltiplos riscvos para a economia nacional. 

Os primeiros dias do governo Bolsonaro evidenciaram uma espécie de “Trumpização” da agenda ambiental no Brasil, a começar pelas questões relacionadas às mudanças climáticas, às ações contra o desmatamento e à proteção das comunidades indígenas. Como bem mostrou o jornalista Maurício Tuffani no site “Direto da Ciência“, várias medidas sinalizaram um enfraquecimento das estruturas de “comando e controle” das estruturas governamentais que haviam sido criadas para tratar desses assuntos estratégicos para o estabelecimento de um mínimo de governança ambiental no país que contém a maior extensão de florestas tropicais do planeta [1].

Por detrás dessa guinada estão interesses econômicos de diferentes atores para os quais a existência de estruturas que permitiram avanços na proteção de biomas florestais e povos originários são um impecilho para o saque das riquezas existentes no território brasileiro. E por isso que se está enfraquecendo o Ministério do Meio Ambiente e se deslocou a FUNAI para o interior do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. 

Antecipo que em breve serão dirigidos ataques aos segmentos da comunidade científica brasileira que têm oferecido valiosas contribuições para o entendimento das mudanças climáticas e do processo de desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Esses cientistas, muitos deles de grande reconhecimento internacional, estarão sob ataque por representarem barreiras objetivas ao pensamento anti-científico que guia o desmanche que está sendo operado nas estruturas de governança ambiental.

Por isso considero importante que se leia  entrevista concedida por Katharine Hayhoe,  cientista atmosférica e diretora do Centro de Ciências Climáticas da Texas Tech Univers A doutora Hayhoe contribui em mais de 125 artigos científicos e ganhou vários prêmios por seu trabalho de comunicação científica. Em 2018, ela contribuiu para a produção do relatório “Avaliação do Clima Nacional dos EUA”, tendo ainda recebido o Prêmio Stephen H Schneider de excelente comunicação sobre ciência climática [2].

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Os bombeiros observam as chamas subirem a encosta de uma colina em Guinda, Califórnia, em julho de 2018. Foto: Josh Edelson / AFP / Getty Images

Pois bem, em sua entrevista, Katherine Hayhoe ofereceu uma síntese bem prática para os negacionistas das mudanças climáticas quando usou a afirmativa de “um termometro não é nem liberal nem conservador” para criticar os que hoje usam táticas diversionistas para negar as mudanças climáticas em vez de iniciar um debate sério sobre as consequências das mesmas.  

Neste sentido, as ações do governo Bolsonaro para desmantelar as estruturas existentes para a proteção do ambiente trazem ainda o mesmo discurso anti-científico que foi adotado pelo governo Trump para atender os interesses das corporações que lucram com os combustíveis e fazer uma espécie de congelamento das ações que haviam sido estabelecidas pelos EUA para tratar das mudanças climáticas.

Entretanto, há que se lembrar mais uma vez que a pior coisa que o Brasil pode fazer é “Trumpizar” a sua agenda ambiental, retirando-se, por exemplo, do Acordo Climático de Paris. É que, como o boicote convocado em editorial pelo jornal estadunidense “The Washigton Post” certamente será apenas o primeiro caso as tendências surgidas nos primeiros dias do governo Bolsonaro sejam cristalizadas e aprofundadas [3].  Como o Brasil depende hoje diretamente das suas exportações de commodities agrícolas e minerais, a tentação de imitar o governo Trump certamente trará consequências drásticas para a economia brasileira.

 

 

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