Desmantelamento de leis e caos ambiental sob Bolsonaro

Ricardo-Salles-e-Tereza-Cristina

Na imagem os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Tereza Cristina (Agricultura) se “vestem de índios” ao visitar uma monocultura de soja plantada ilegalmente em terra indígena no Mato Grosso.

O site “Direto da Ciência” divulgou hoje a publicação de um artigo publicado pela revista Nature Ecology & Evolution dando conta dos efeitos dramáticos que a chegada de Jair Bolsonaro à presidência da república poderá em termos da aceleração do processo de erosão de medidas de proteção ambiental no Brasil.

Como alguém que tem estado envolvido em estudos sobre a dinâmica de desmatamento da Amazônia brasileira desde o início da década de 1990 e nas repercussões do uso de agrotóxicos sobre a saúde humana e ecossistemas naturais, só posso ficar ainda mais preocupado com os elementos levantados por Denis Abessa, Ana Famá e Lucas Buruaem.

É que todas as ações que já foram tomadas no âmbito dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente sinalizam para um aprofundamento do processo de desmantelamento do frágil sistema de proteção ambiental que foi implantado a duras penas no Brasil a partir de 1973 com a criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente que ficou sob o comando do recentemente falecido João Paulo Nogueira Neto.

Os efeitos deste desmantelamento serão sentidos por gerações inteiras, na medida em que se contribuirá para a ampliação da degradação ambiental em todo o território, mas especialmente na Amazônia e no Cerrado, justamente num momento em que as primeiras manifestações de eventos atmosféricos extremos que estão associadas às mudanças climáticas globais estão se manifestando em diversas partes do planeta, como foi o caso do ciclone Idai que arrasou cidades inteiras em Moçambique e no Zimbábuae.

Para ler mais sobre este artigo, sugiro a leitura da matéria publicada no Direto da Ciência que pode ser acessada [Aqui!]

A “Trumpização” das políticas ambientais terá efeitos drásticos para o Brasil, a começar pela sua combalida economia

trump-bolsonaro-628x353

A “Trumpização” da agenda ambiental brasileira trará múltiplos riscvos para a economia nacional. 

Os primeiros dias do governo Bolsonaro evidenciaram uma espécie de “Trumpização” da agenda ambiental no Brasil, a começar pelas questões relacionadas às mudanças climáticas, às ações contra o desmatamento e à proteção das comunidades indígenas. Como bem mostrou o jornalista Maurício Tuffani no site “Direto da Ciência“, várias medidas sinalizaram um enfraquecimento das estruturas de “comando e controle” das estruturas governamentais que haviam sido criadas para tratar desses assuntos estratégicos para o estabelecimento de um mínimo de governança ambiental no país que contém a maior extensão de florestas tropicais do planeta [1].

Por detrás dessa guinada estão interesses econômicos de diferentes atores para os quais a existência de estruturas que permitiram avanços na proteção de biomas florestais e povos originários são um impecilho para o saque das riquezas existentes no território brasileiro. E por isso que se está enfraquecendo o Ministério do Meio Ambiente e se deslocou a FUNAI para o interior do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. 

Antecipo que em breve serão dirigidos ataques aos segmentos da comunidade científica brasileira que têm oferecido valiosas contribuições para o entendimento das mudanças climáticas e do processo de desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Esses cientistas, muitos deles de grande reconhecimento internacional, estarão sob ataque por representarem barreiras objetivas ao pensamento anti-científico que guia o desmanche que está sendo operado nas estruturas de governança ambiental.

Por isso considero importante que se leia  entrevista concedida por Katharine Hayhoe,  cientista atmosférica e diretora do Centro de Ciências Climáticas da Texas Tech Univers A doutora Hayhoe contribui em mais de 125 artigos científicos e ganhou vários prêmios por seu trabalho de comunicação científica. Em 2018, ela contribuiu para a produção do relatório “Avaliação do Clima Nacional dos EUA”, tendo ainda recebido o Prêmio Stephen H Schneider de excelente comunicação sobre ciência climática [2].

climate 1

Os bombeiros observam as chamas subirem a encosta de uma colina em Guinda, Califórnia, em julho de 2018. Foto: Josh Edelson / AFP / Getty Images

Pois bem, em sua entrevista, Katherine Hayhoe ofereceu uma síntese bem prática para os negacionistas das mudanças climáticas quando usou a afirmativa de “um termometro não é nem liberal nem conservador” para criticar os que hoje usam táticas diversionistas para negar as mudanças climáticas em vez de iniciar um debate sério sobre as consequências das mesmas.  

Neste sentido, as ações do governo Bolsonaro para desmantelar as estruturas existentes para a proteção do ambiente trazem ainda o mesmo discurso anti-científico que foi adotado pelo governo Trump para atender os interesses das corporações que lucram com os combustíveis e fazer uma espécie de congelamento das ações que haviam sido estabelecidas pelos EUA para tratar das mudanças climáticas.

Entretanto, há que se lembrar mais uma vez que a pior coisa que o Brasil pode fazer é “Trumpizar” a sua agenda ambiental, retirando-se, por exemplo, do Acordo Climático de Paris. É que, como o boicote convocado em editorial pelo jornal estadunidense “The Washigton Post” certamente será apenas o primeiro caso as tendências surgidas nos primeiros dias do governo Bolsonaro sejam cristalizadas e aprofundadas [3].  Como o Brasil depende hoje diretamente das suas exportações de commodities agrícolas e minerais, a tentação de imitar o governo Trump certamente trará consequências drásticas para a economia brasileira.

 

 

Amazônia: sob as altas taxas de desmatamento se esconde um saque dos recursos das florestas

logging patio

O site “Direto da Ciência” publicou no sábado um artigo mostrando que a taxa anual de desmatamento na Amazônia no período de agosto de 2017 a julho de 2018 foi de 7.900 km2, o que também significa um aumento de 13,8% em comparação com o ciclo anterior, (ver figura abaixo) [1]. 

Prodes_1988-2018_Inpe

Quando colocada em apenas em números, a perda da floresta amazônica provavelmente não se apresenta com a devida clareza para quem os lê.  Mas quando se vê, por exemplo, imagens como as mostradas no vídeo abaixo, o impacto (independente da narração) certamente fica mais evidente em termos dos recursos naturais envolvidos.

O que precisa ser dito é que o mostrado no vídeo é apenas uma fração mínima dos recursos madeireiros que estão sendo extraídos na Amazônia brasileiros neste momento, sem que haja o devido controle por parte dos órgãos ambientais e de fiscalização.

Para piorar o que já anda ruim, a velocidade deste processo deverá aumentar ainda mais no governo de Jair Bolsonaro, na medida em que já está mais do que dito que órgãos ambientais como o IBAMA e o ICMBio terão suas funções e atividades ainda mais limitadas. Isto se não forem completamente extintos.

Importa notar que o processo de extração e transporte de grandes quantidades da madeira na Amazônia não é barato e requer uma grande estrutura de suporte. De tal forma, que os envolvidos na mobilização desta máquina de extração não são exatamente pequenos madeireiros que operam a partir de algum grotão amazônico.


[1] http://www.diretodaciencia.com/2018/11/24/desmatamento-na-amazonia-cresce-138-floresta-ja-perdeu-199/

Greve dos caminhoneiros cortou 50% da poluição atmosférica em São Paulo

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Hoje o Direto da Ciência do competente jornalista Maurício Tuffani traz uma informação para lá de interessante: a greve dos caminhoneiros serviu para cortar em 50% os níveis de poluição atmosférica na cidade de São Paulo [1]

direto da ciencia 1

Esse é um outro aspecto que, querendo ou não, os caminhoneiros acabaram expondo com seu exitoso movimento paredista. É que apesar de se saber que o material particulado e gases expelidos pela queima do diesel impactam a qualidade do ar, o que estamos vendo agora são medidas objetivas de quanto este impacto se trata, e ele é considerável.

O que fica claro é que a diminuição da importância do transporte rodoviária não será bom apenas para a diminuição do peso dos combustíveis fósseis na matriz energética brasileira.  É que com menos consumo de combustíveis fósseis ainda teremos um ganho significativo na qualidade do ar das nossas cidades e, por extensão, na saúde dos seus habitantes.

Lamentavelmente os últimos dias em que vimos inúmeros casos de violência entre consumidores em postos de gasolina são uma demonstração de que o Brasil ainda terá que evoluir muito até que possamos ter o grau de consciência que já existe em nações mais desenvolvidas e que, coincidentemente, estão diminuindo o seu consumo de combustíveis fósseis e os substituindo por matrizes energéticas mais limpas e menos impactantes sobre o clima da Terra, dos ecossistemas naturais e seres humanos que deles dependem para sua sobrevivência.


[1] http://www.diretodaciencia.com/2018/05/30/boletim-de-noticias-greve-de-caminhoes-reduziu-poluicao-a-metade-em-sao-paulo/

Direto da Ciência diz que Banco Mundial comparou alhos a bugalhos em seu relatório sobre gastos públicos

O jornalista Maurício Tuffani publicou hoje uma contundente análise do infame relatório do Banco Mundial com o qual a mídia corporativa fez uma imensa fanfarra há alguns dias [1].  Entre outras coisas, Tuffani aponta para erros e omissões grosseiros no documento cuja finalidade mais direta seria dar legitimidade às medidas ultraneoliberais do governo “de facto” de Michel Temer, incluindo a cobrança de mensalidades nas universidades públicas e a diminuição dos salários de servidores.

direto da ciencia

Um exemplo de erro grosseiro é o fato de que o relatório do Banco Mundial aponta que os gastos com o ensino superior público brasileiro são superiores aos da Espanha quando, na verdade, são idênticos.

Mas pior do que os erros grosseiras, Tuffani aponta a omissão do fato crucial de que não há como os gastos com estudantes em instituições privadas serem maiores do que em universidades públicas, na medida em que no setor privado inexistem estruturas de pesquisa e extensão, as quais formam a espinha dorsal do sistema brasileiro de ciência e tecnologia. Segundo Tuffani, ao fazer isso, ao fazer isso, o Banco Mundial incorre no ato de comparar alhos com bugalhos. 

O editor do Direto da Ciência também aponta de forma mordaz que  o enquanto o relatório do Banco Mundial afirma que “o Governo Brasileiro gasta mais do que pode e, além disso, gasta mal”, a peça em análise demonstra de forma cabal que qualquer que tenha sido o valor pago por esse estudo, o país realmente gasta muito mal.

Para quem desejar ler a íntegra da análise feita por Maurício Tuffani, basta clicar [Aqui!].


[1] https://blogdopedlowski.com/2017/11/22/a-crise-do-banco-mundial-e-sua-formula-manjada-para-privatizar-as-universidades-publicas-brasileiras/

Jornalista Maurício Tuffani convida para debate sobre o futuro da Ciência no Brasil

A Associação de Docentes da Uenf (Aduenf) está trazendo a Campos dos Goytacazes um dos principais jornalistas da área da Ciência no Brasil, o jornalista Maurício Tuffani. Com longa experiência em diversos veículos jornalísticos, incluindo o jornal Folha de Sâo Paulo e a revista Scientific American Brasil, Maurício Tuffani é o criador do site especializado “Direto da Ciência”.

No vídeo abaixo, Maurício Tuffani fala da sua presença no evento e da importância do debate sobre o futuro da ciência brasileira na atual conjuntura histórica.

O evento é gratuito é ocorrerá na Sala de Multimídia do Centro de Ciências do Homem da UENF no próxima 21/11, com início marcado para as 16:00 horas.

FONTE: https://aduenf.blogspot.com.br/2017/11/jornalista-mauricio-tuffani-convida.html

Convite de apoio ao “Direto da Ciência”

Maurício Tuffani

Impulsionado pelo jornalista Maurício Tuffani, o “Direto da Ciência” é atualmente um dos principais instrumentos de disseminação de informação de qualidade sobre assuntos ligados à ciência, meio ambiente e ensino superior.

Em função dessa importância é que faço um convite aos leitores deste blog para que conheçam e apoiem financeiramente o “Direto da Ciência”. É fundamental que não percamos este espaço de jornalismo independente.

Posto abaixo um material produzido pelo “Direto da Ciência” para explicar seus objetivos e garantir os recursos financeiros para manter-se em funcionamento.

Eu que já sou assinante do “Direto da Ciência” é que convido a todos os leitores deste blog que façam o mesmo.  Investir no bom jornalismo científico é sem dúvida uma  necessidade estratégica neste momento em especial.

Apoie o jornalismo crítico e independente em ciência, ambiente e ensino superior

 

“Trabalhar mais que todos os colegas. Dormir sabendo que nenhum outro jornalista que esteja cobrindo o mesmo caso trabalhou mais que você. Não ter medo de dizer: ‘Desculpe, mas não entendi bem’. Aprender a escrever. Ser ambicioso, ter ideais. Não se deixar amedrontar, desconfiar do poder e duvidar da versão de quem governa.”
(Benjamin Bradlee, respondendo à pergunta “Qual é a receita do bom jornalista?” ao jornal italianoCorriere della Sera, em setembro de 1991, após se aposentar no cargo de editor-chefe do Washington Post, onde comandou a cobertura do caso Watergate.)

Lançado no final de março de 2016, Direto da Ciência já é amplamente reconhecido como um site jornalístico com uma perspectiva independente, investigativa e crítica sobre temas de ciência, meio ambiente e ensino superior. Seu focos principais nessas três áreas são

  • informações de interesse público que não são públicas,
  • articulações políticas, conflitos e bastidores,
  • temas não abordados pelos meios de comunicação e
  • perspectivas geralmente não consideradas pela imprensa.

Direto da Ciência também publica diariamente de segundas às sextas-feiras seu Boletim de Notícias, que informa quais são os principais artigos, reportagens, notas oficiais e outras informações relevantes mais recentes sobre ciência, meio ambiente e ensino superior. Os avisos do Boletim de Notícias e de todas as publicações de Direto da Ciência são enviados gratuitamente.

Independência e dedicação têm custo. E conteúdo exclusivo e de alta qualidade exige não só competência, mas também investimento para ser produzido. Como Direto da Ciência não conta com publicidade para cobrir seus custos, o site vem com dificuldade tentando se manter por meio da captação de recursos por assinaturas e doações.

Quanto maior for esse apoio, maior será o investimento de tempo e de recursos de Direto da Ciência em análises e em reportagens investigativas, inclusive para ampliar gradualmente o trabalho do site, possibilitando até contar com a colaboração de outros jornalistas.

O apoio a Direto da Ciência vai garantir que esteja livremente acessível na internet a informação jornalística de qualidade, de interesse público e com abordagem crítica, investigativa e independente sobre ciência, meio ambiente e ensino superior. É o apoio de pessoas que querem essa informação produzidas não só para elas mesmas, mas para toda a sociedade.

O compromisso de Direto da Ciência é com essa perspectiva jornalística e com o público que a exige.

Clique aqui para apoiar Direto da Ciência.

Obrigado.

MAURÍCIO TUFFANI
Editor

(Clique aqui para saber quem é.)