O fast food brasileiro está envenenado pelo ódio de classe

Há alguns anos baixei bastante a ingestão de comida “fast food” por razões de saúde e também de consciência social. É que não há estabelecimento comercial em que fica mais evidente para mim a alta exploração do trabalho em troca de salários irrisórios do que no sistema “fast food”, seja a cadeia “nacional” ou “multinacional”.

Mas de tempos em tempos, normalmente em aeroportos e rodoviárias, sou obrigado a usar estabelecimentos dessas cadeias de “fast food” onde sempre faça a ingestão da comida com a sensação de que estou pagando demais pelo que me é servido, enquanto quem me serve tem sempre a aparência de trabalhar no limite.

Entretanto,  reconheço que nunca diz estudos empíricos sobre quem são os proprietários e operadores de cadeias como “Madero” ou “Giraffas” ou sobre como pensam acerca da relação capital x trabalho, sendo essa uma área em que tive apenas acesso a estudos feitos sobre grandes cadeias multinacionais como é o caso do McDonald´s. 

Pois bem, a pandemia do coronavírus está possibilitando que vejamos e ouçamos o que pensam pessoas como Júnior Dorski, proprietário do Madero, e Alexandre Guerra, CEO da rede Giraffas (posto os vídeos de gravações disseminadas pelos próprios na internet) pensam sobre as estratégias adotadas para diminuir a difusão da pandemia do coronavírus).

Júnior Durski, proprietário do Madero, falando contra as medidas de isolamento social contra o coronavírus

Alexandre Guerra, CEO do Giraffas, ataca medidas de isolamento social contra a pandemia do coronavírus

O que sai da boca desses líderes do “fast food” brasileiro incluem pérolas como a relativização da possível morte de até 7.000 pessoas (Júnior Durski) e a caracterização como o isolamento dentro de residências normalmente apertadas e pouco ventiladas como “home office” (Alexandre Guerra).  Mas em comum há ainda uma clara e incontida irritação com a falta de trabalhadores em seus postos de serviço para servir clientes que sabem que estão a comer comida de baixa qualidade e a preços salgados.

Essas falas expressam muito claramente o que tantos outros grandes empresários e ocupantes de ministérios podem estar falando de forma mais velada em relação ao destino de milhões de brasileiros pobres que são usados para exponencializar lucros de uma classe de abastados que deveria estar na linha de frente do combate ao avanço da pandemia.  Afinal, temos uma das concentrações de renda mais fortes do planeta e essa gente teria toda condição de doar parte de suas fortunas para garantir que o Brasil saia dessa crise sanitária mais forte do que está entrando.

Mas não, o que transparece nas falas de Durski e Guerra é o mais claro e transparente ódio de classe, onde os trabalhadores são equiparados a vagabundos que se refugiam em casa de forma oportunista enquanto um vírus de baixa letalidade. 

Uma coisa é certa: se as ideias de empreendedorismo e ódio aos sindicatos precisavam ser desmistificadas e mostradas pelo que são (extrema precarização do trabalho em prol do lucro de poucos), os chefões do “fast food” brasileiro estão dando uma contribuição para que isto ocorra.  Pelo menos disso não poderemos reclamar do coronavírus, pois sua circulação no Brasil está possibilitando a que se veja claramente que estamos ingerindo um “fast food” que está envenenado pelo ódio de classe dos que controlam a sua produção.

2 pensamentos sobre “O fast food brasileiro está envenenado pelo ódio de classe

  1. […] que se notar que o total de mortes não ficará nos números estimados pelo proprietário da rede Madero que estimou que teremos algo entre 5.000 e 7.000 fatalidades causadas pelo coronavírus até que […]

  2. […] dessas figuras é, com certeza, o CEO da hamburgueria Madero, o Sr.Junior Durski que se revoltou com as medidas de isolamento social adotadas por governadores e brasileiros, pois, […]

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s