Boatos.org e o caso da tubaína: a pressa na verificação não é amiga da checagem dos fatos

wp-1590075395075.jpgMétodo de tortura por afogamento que foi utilizado pela Inquisição teria recebido o apelido de “tubaína” no Brasil.

Repercuti hoje neste blog uma postagem publicada pelo site “Diário do Centro do Mundo” que indicou que o termo “tubaína” utilizado recentemente pelo presidente Jair Bolsonaro se tratava de uma referência a um método de tortura utilizado nos porões do regime militar.

Pois bem, mais tarde verifiquei o site “Boatos.org“. que se apresenta como um uma espécie de plataforma de checagem de veracidade (o famoso “fact checking”) de notícias, publicou uma material em que analisava o conteúdo da informação relacionando “tubaína” a um tipo específico de método de tortura. Após elencar uma série de elementos de checagem, o pessoal do “Boatos.org” concluiu que “não há comprovação de que Tubaína seja relacionada à tortura por afogamento tampouco é possível que Bolsonaro usou uma linguagem para o termo“. Com base nessa auto-constatação, o pessoal do Boatos.org concluiu que “tudo que é dito ao contrário disso é uma superinterpretação da fala sem provas que a embase“.

boatos

Pois bem, como este blog tem fontes com familiaridade nos recônditos da caserna, fiz a minha própria checagem e ouvi não apenas que Tubaína está de fato ligada a um uso, digamos,  metafórico com uma prática específica de tortura por afogamento, e que a mesma continua sendo praticada no Brasil, ainda que sem a mesma intensidade dos tempos mais duros do regime militar de 1964.

A minha conclusão é que a “Boatos.org” poderia ter seguido o meu exemplo e procurado contactar alguém com conhecimento além do registrado em livros e documentos para fazer uma verdadeira checagem dessa notícia. Ao não fazer isso, parece que a “Boatos.org” chancelou algo como que seria, no mínimo, uma “superinterpretação sem provas” de uma fala do presidente Jair Bolsonaro. Em suma, a pressa, como sempre, foi inimiga da perfeição. E, observo, em um caso particularmente sensível para o momento político que estamos vivendo em meio à pandemia da COVID-19.

6 pensamentos sobre “Boatos.org e o caso da tubaína: a pressa na verificação não é amiga da checagem dos fatos

  1. Thadeu Penna disse:

    Olá Professor,
    também me apresentaram este post do Boatos após eu mesmo ter postado algo relacionado. Tem alguma fonte online que confirme o uso da expressão tubaína ? Desde já, agradeço

  2. Fabio D'Urso disse:

    Professor Thadeu, também repercuti o fato e recebi uma saraivada de críticas depois da publicação de “Boatos”, todos pediam que eu retirasse minha postagem. Seria a vitória dos detratores da verdade. É assim que agem esses detratores da verdade, destorcem os fatos e até incutir a dúvida na cabeça das pessoas. Congratulo-me e Parabenizo por na abrir mão na verdade.

  3. Waldomiro Antonio Grandi disse:

    Parece-me evidente que Boatos,org foi apressado em classificar como superinterpretação a alusão de Bolsonaro, expressão bem ao estilo de suas falas

  4. willnunes2019 disse:

    Veja essa fonte do UOL que pesquisou no projeto “Brasil nunca mais” e não achou nada, em 850 páginas, projeto esse que conta com a instituições sérias. Sei que é mais fácil acreditar no que corrobora com o que eu penso, mas é sempre bom ir além.
    https://noticias.uol.com.br/confere/ultimas-noticias/2020/05/22/nao-ha-registros-de-que-tubaina-tenha-sido-uma-tortura-na-ditadura-militar.htm

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