Governo Bolsonaro zera os estoques públicos de alimentos por causa da opção pelo latifúndio agro-exportador

Preço do arroz e feijão pesa mais no orçamento das famílias ameaçadas pela  fome - Economia - Extra Online

Em um artigo publicado no site do UOL, o jornalista Hygino Vasconcellos revela que o Brasil está com os estoques públicos dos principais itens da cesta básica dos brasileiros completamente zerados (ver figura abaixo).

estoques públicos

Fonte: UOL

Esta situação decorre da decisão do governo Bolsonaro, sob os auspícios do receituário ultraneoliberal do dublê de banqueiro e ministro da Fazenda, Paulo Guedes, de deixar com o que o mercado (ou seja os grandes latifundiários) a regulação dos estoques de alimentos disponíveis para a população brasileira consumir.

O fato é que no governo Bolsonaro, a inexistência de estoques internos de alimentos foi agravada pela depreciação do Real frente ao dólar, o que fez que também os estoques privados fossem totalmente exportados. Essa política de depreciação do Real também não é nova, mas foi agravada pelo Paulo Guedes. Essa é questão de fundo que fez agravar ainda mais a falta de estoques internos, já que ficou mais lucrativo exportar tudo o que o Brasil produz.

Essa lógica responde a pressões dos grandes exportadores para que a maximização dos seus lucros e não a garantia de que a maioria dos brasileiros, especialmente os mais pobres, tenham condições de adquirir comida sem que tenham que, por exemplo, deixar de tomar banho ou comprar remédios para que isso ocorra.

Em outras palavras, é a opção por transformar comida em commodity que está na base da decisão que está deixando o Brasil cada vez mais dependente de importações para abastecer o mercado interno com arroz e feijão, enquanto a soja deverá ocupar cada vez mais área de cultivo (ver abaixo as projeções para as 5 maiores culturas para a safra 2027/2028)

 

Além disso, é preciso lembrar que para financiar ainda mais o latifúndio agro-exportador, o governo Bolsonaro vem não apenas zerando os investimentos em reforma agrária, mas também não dá sinais que vá aumentar o financiamento para a agricultura familiar, a qual sabemos ser responsável pela maior parte da produção de alimentos no Brasil.

Qual é o mais provável resultado dessa opção pelos latifundiários em detrimento da agricultura familiar? O cenário mais óbvio será não apenas de uma maior dependência das importações de alimentos, mas também um aumento ainda maior nos preços ao varejo. Essa situação, como já alertei em postagem anterior, deverá se provar um desafio muito maior ao presidente Jair Bolsonaro do que todos os partidos de oposição juntos. O problema será o custo social e político do cenário que está sendo criado pelo próprio governo apenas para beneficiar os grandes produtores rurais que o apoiaram na campanha eleitoral de 2018 e continuam apoiando até agora.

Apenas à guisa de comparação, posto abaixo um vídeo produzido pelo TVT sobre uma das chamadas “lojas da reforma agrária” mantidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em diversas capitais, onde a contradição entre commodity e alimento é muito bem explicada.  Entender essa diferença será fundamental para organizar a luta por uma nova política agrícola no Brasil, de modo a garantir o acesso a alimentos por uma ampla faixa de brasileiros que hoje está passando fome por causa da opção feita pelo governo Bolsonaro.

 

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