Financial Times questiona “pibinho” e aponta que cenário de erros e equívocos criou tempestade perfeita na economia brasileira

bolso guedesPara o Financial Times, medidas restritivas de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes podem ter causado tempestade perfeita  na economia brasileira, a qual pode se agravar em 2020

A mídia corporativa mal teve tempo de celebrar o suposto “pibinho” de 0,6% do terceiro trimestre de 2019 e o jornal Financial Times, o mais importante no trato dos assuntos financeiros globais, soltou um artigo devastador sobre a situação financeira do Brasil sob a batuta de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes.

Assinado pelo jornalista Jonathan Weathley, o artigo intitulado “Brazilian economic data glitch stirs concerns among analysts” (ou em bom português “Falha nos dados econômicos brasileiros desperta preocupações entre analistas”) aponta para uma série de erros que teriam sido cometidos pelo governo brasileiro na área de calcular o desempenho econômico brasileiro, o que, por sua vez, pode ter resultado em perdas e ganhos econômicos indevidos.

A coisa fica ainda pior para Paulo Guedes, pois Weathley afirma que “O Ministério da Economia do Brasil revisou seus números de exportação pela segunda vez em menos de uma semana, colocando dúvidas sobre os principais lançamentos de dados e deixando os analistas se perguntando se ainda devem confiar na confiabilidade das estatísticas brasileiras”.

Citado no artigo , um analista da Goldman Sachs, Alberto Ramos, afirmou em relação ao cálculo do pinho do terceiro trimestre que “Este é um grande erro“. “Acho que não há jogo sujo, apenas incompetência ou negligência no momento em que os mercados estão ficando preocupados com a erosão do comércio“.  O fato é que erro e incompetência são coisas que o mercado tende a punir mais do que má fé, na maioria das vezes.

Outro analista enttrevistado, Gustavo Rangel,  economista chefe para a América Latina da ING Financial Markets em New York, pontuou um cenário bastante sombrio para a economia brasileira em 2020,  pontuando que “existe até o risco de uma paralisação do governo (brasileiro) no próximo ano, se eles não puderem cortar outros gastos”.  Para Rangel, Paulo Guedes estaria sendo vítima de seus próprios cortes, pois adotou medidas para evitar a contratação de servidores e ainda assistiu a uma corrida às aposentadorias.

A questão aqui é em qualquer outro governo, o ministro Paulo Guedes já estaria recebendo um cartão vermelho em face da situação desastrosa em que colocou a economia brasileira em menos de um ano de governo. O problema é que Guedes é o “Posto Ipiranga” de Jair Bolsonaro e, de fato, seu maior avalista nas relações com o mercado financeiro. Não é difícil prever que a crise aumentará exponencialmente caso Guedes seja sacado do superministério que foi criado especialmente para ele impor sua visão ultraneoliberal de gestão econômica.

Enquanto isso o preço estratosférico da carne bovina já começa a arrastar consigo os dos frangos e porcos. Essa é uma péssima notícia para Jair Bolsonaro, pois o brasileiro tolera muito coisa, menos não poder realizar o churrasco de final de ano. E faltam apenas 27 dias para o ano acabar.

Nota de associação ligada ao grande capital joga navio do governo Bolsonaro nas pedras

Gife736x341Congresso do GIFE em 2016

Uma nota emitida pelo Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), cuja existência eu desconhecia até o momento em que recebi o documento, é o maior sinal de que as coisas não andam bem para o presidente Jair Bolsonaro e sua equipe de ministros terraplanistas e céticos das mudanças climáticas. 

O GIFE se apresenta em sua página oficial como uma “associação dos investidores sociais do Brasil, sejam eles institutos, fundações ou empresa”, que teria “nascido como grupo informal em 1989, o GIFE – Grupo de Institutos Fundações e Empresas, foi instituído como organização sem fins lucrativos, em 1995“, e que “desde então, tornou-se referência no país no tema do investimento social privado“.

Mas basta olhar para alguns membros da lista de 141 associados e principais apoiadores para saber que no GIFE se reúnem os principais peso pesados da economia brasileira, a começar pela Fundação Lemann, pelo Instituto Unibanco e pelo Instituto C&A, incluindo ainda a Fundação Ford e a TV Globo, apenas para citar alguns dos mais notáveis (veja vídeo institucional abaixo).

A nota em questão é intitulada2019, Cidadania e Estado de Direitoque está centrada no que o GIFE considera “a ação voluntarista e nebulosa da Polícia Civil do Pará deflagrada  contra o Projeto Saúde e Alegria e outras organizações dedicadas à preservação ambiental e à provisão de serviços para a população do estado” é certamente o documento político mais significativo que já foi elaborado contra as práticas governamentais instaladas a partir da instalação de Jair Bolsonaro na cadeira de presidente.

A nota não é apenas particularmente sensível para o governo Bolsonaro e seus aliados que estão sentados na cadeira de governador quando afirma uma plena solidariedade “com o Projeto Saúde e Alegria e todos os demais agentes de cidadania vitimados por essa postura (antidemocrática) hoje no país”.   O problema para Jair Bolsonaro é que a nota também faz um convite generalizado para que haja o “empenho necessário para que possamos como sociedade defender nosso acúmulo democrático e construir de forma inclusiva e efetiva a partir dele, no rumo do país mais justo, dinâmico, sustentável e exitoso que precisamos e podemos ser“.

Indo para além da linguagem polida que caracteriza a nota, não é preciso dizer que o leite parece ter azedado nas relações entre o grande capital e o governo Bolsonaro, indo muito além do caso do Projeto Saúde e Alegria.  E é só olhar para os atuais indicadores econômicos e a incapacidade do todo poderoso ministro da Fazenda, Paulo Guedes, de oferecer saídas palpáveis para a recessão instalada no Brasil para enxergar parte da impaciência explicitada na nota do GIFE. 

As consequências desse desembarque do grande capital da rede de suporte político do governo Bolsonaro deverão ficar mais claras ao longo dos próximos meses, pois a pressão política por resultados palpáveis na economia só deverá aumentar, bem como a impaciência com gestos e ações que só isolem o Brasil de alguns de seus principais parceiros.

Nessa situação toda, o lamentável é que a reação mais palpável ao ataque a “professores, jornalistas, artistas, cientistas e outras vozes plurais” que está sendo realizado pelo governo Bolsonaro não esteja vindo dos partidos e movimentos sociais que se dizem de esquerda, mas de uma associação política financiada pelo grande capital.  Isto, mais do que qualquer outra coisa, é um sinal de que algo precisa mudar na forma com que o governo Bolsonaro vem sendo tratado pela esquerda. É que até o grande capital já parece ter entendido o desastre que este governo está sendo. E, pior, o grande capital está agindo para deixar isto claro, enquanto a esquerda permanece aparvalhada e centrada nas eleições de 2020.

Lula está livre. E agora Jair?

lula livreCercado por correligionários, o ex-presidente Lula sai da prisão em Curitiba. Gibran Mendes / CUT Paraná

A saída da prisão (ao menos temporariamente) do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva certamente terá o dom de alterar o balanço político brasileiro que, neste momento, estava facilmente controlado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelas forças políticas que orbitam em torno dele, a começar pelos DEM que hoje detém as presidências das Câmaras de Deputados e do Senado Federal.

É que Lula, em que pesem todas as suas eventuais limitações políticas e judiciais, continua sendo o principal sustentáculo de um agrupamento de forças que em sua ausência demonstrou extrema debilidade (e eu diria indisposição) para organizar a necessária reação ao projeto ultraneoliberal desenhado pelo “Chicago Boy” Paulo Guedes e sua equipe.

Agora que Lula está solto após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) é bem provável que grupos e partidos mais ao centro do espectro político se sintam ainda mais empoderados para pressionar o presidente Jair Bolsonaro a aplicar uma receita menos amarga do que a planejada por Paulo Guedes que, entre outras coisas, pode lhes custar muitas prefeituras em 2020.

O primeiro discurso de Lula, apesar de algumas pitadas mais duras contra Jair Bolsonaro e a Lava Jato, apresentou elementos que indicam que ele buscará retomar o amplo arco de alianças com conseguiu chegar ao poder em 2002.  Nada do que o ex-presidente disse apontou para um giro à esquerda que colocasse o PT em alianças com o PSOL, por exemplo.  E esse é um movimento provavelmente pensado para dialogar com segmentos que tendo apoiado o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff já concluíram que fizeram uma aposta equivocada.

O principal problema que Lula enfrentará para se colocar como o principal porta-voz da oposição aos planos da dupla Bolsonaro/Paulo Guedes não será, em minha modesta opinião, com o presidente Jair Bolsonaro e seus eleitores mais aguerridos. Para mim, o principal problema do ex-presidente será colocar o PT e os movimentos sociais e sindicatos que orbitam em torno em uma postura menos prostrada frente à conjuntura política estabelecida.  

O fato é que enquanto Lula esteve preso em Curitiba, o PT e seus aliados não puderem (ou não quiseram) se apresentar como opções reais para os milhões de brasileiros que estão sofrendo as principais consequências do giro ultraneoliberal que está sendo executado pelo governo de Jair Bolsonaro. Mesmo no plano parlamentar, o PSOL que possui uma bancada bastante diminuta foi quem se colocou de forma mais resoluta para pressionar a base partidária do governo federal, rendendo os principais momentos de confronto em defesa de bandeiras populares dentro do congresso nacional.

Mas como Lula continua sendo o principal estrategista da política brasileira e líder inconteste do PT é possível que agora tenhamos o fim do estado de letargia que tem permitido o governo Bolsonaro avançar de forma muito tranquila a sua agenda de desmanche do Estado nacional. Para ampliar essa possibilidade há ainda a saída do ex-ministro José Dirceu da prisão. Se ele tiver condições mínimas de assessorar Lula, apesar dos seus problemas de saúde, é bem provável que muito rapidamente tenhamos movimento no que hoje é pura estagnação.

Tudo indica que o presidente Jair Bolsonaro já sentiu o tamanho do problema que lhe foi criado pela decisão do STF de restabelecer os ditames estabelecidos na Constituição Federal quanto à prisão após o chamado “trânsito em julgado“. É  que sua primeira medida após a notícia da decisão de libertação de Lula foi cancelar uma entrevista coletiva que daria em Goiânia, provavelmente para não ter que oferecer respostas sobre o novo momento que se abre no Brasil.

bolsonaroAo lado do ministro da Educação Abraham Weintraub, o presidente Jair Bolsonaro recebe a informação da libertação do ex-presidente Lula. Após isso, ele cancelou a entrevista que iria conceder em Goiânia. Imagem: GABRIELA BILÓ/ESTADÃO CONTEÚDO

O problema para Jair Bolsonaro é que ele não terá como fugir eternamente de entrevistas ou, muito menos, da sombra que Lula, agora livre, levanta sobre seu governo anti-nacional e anti-pobres.  Isso me permite levantar a seguinte questão ao presidente Bolsonaro: e agora, Jair?

Super fiasco do megaleilão do Pré-Sal é fruto do “Risco Bolsonaro”

fiascoSuper fiasco Fiasco do “megaleilão do Pré-Sal” poderá ser o Waterloo do governo Bolsonaro

Nos últimos dias assistimos a uma situação paradoxal na forma com que a mídia corporativa e a maioria do blogosfera tratavam o chamado “megaleilão do Pré-Sal” com o qual o governo Bolsonaro pretendia entregar quatro blocos de exploração na chamada “camada Pré-Sal” a quem desejasse pagar uma fração significativamente menor do valor de fato das reservas.  Assim, enquanto para a mídia corporativa nacional e internacional, o megaleilão era apresentado com a chance de se ter o início de uma era de ouro na exploração do petróleo no Brasil, para a blogosfera o caso era comparado a um mega roubo das riquezas nacionais.

Terminado o “megaleilão”, o que se viu é que de mega a coisa não teve nada (ou como alguns já disseram “um leilão não tão mega“, pois as petroleiras estrangeiras não se apresentaram como era esperado para arrebatar as reservas que estão sendo vendidas a preços consideravelmente generosos pelo governo Bolsonaro.  Coube à Petrobras salvar o governo Bolsonaro do fiasco completo ao comprar dois dos quatro blocos anunciados a um valor de R$ 70 bilhões, cerca de R$ 36 bilhões a menos do que era esperado.

As razões para este fracasso retumbante podem ser várias, mas o descrédito que foi criado em torno da imagem internacional do Brasil pelo comportamento, digamos, excêntrico do presidente Jair Bolsonaro e seus três filhos pode ser facilmente apontado com uma, senão a principal, delas. É que, como já venho dizendo desde janeiro, a imagem do Brasil está jogada na lama após as múltiplas declarações bizarras da família Bolsonaro, capitaneada que é pelo próprio presidente da república.

O Brasil está vivenciando no dia de hoje o que pode ser classificado de “Risco Bolsonaro” em termos de atração de capital produtivo para o Brasil. E olha que as petroleiras que hoje negaram fogo no “megaleilão do Pré-Sal” nem estão entre as corporações cuja governança é das mais fortes. Assim, se até as petroleiras se mostraram avessas a enfrentar o “Risco Bolsonaro”, imaginemos outras grandes empresas cujas estruturas de governança corporativa possuem escrutínios mais apertados, principalmente por causa da presença diligente de organizações que representam os interesses dos chamados acionistas minoritários.

O mais incrível é que estão sendo as multinacionais petroleiras que estão impondo este choque de realidade ao governo Bolsonaro e não os sindicatos e movimentos sociais ditos de esquerda. É que se dependesse desses últimos, os quatro blocos do Pré-Sal teriam sido facilmente transferidos para as mãos de grandes corporações multinacionais, tamanha foi a passividade que precedeu o “megaleilão”.  Assim, em vez da ação organizada de sindicatos e movimentos sociais, o que se vê é uma derrota causada pela indisposição de grandes corporações de vir ao Brasil e operar no ambiente de completa intranquilidade que o governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro acabou criando. Se isso não fosse tudo tão trágico para a maioria pobre dos brasileiros, eu até acharia engraçado.

Finalmente, eu desconfio que ao contrário do que muitos têm dito sobre o impacto do caso Marielle sobre o destino do governo Bolsonaro, penso que o dia de hoje será uma espécie de “wake up call” para os setores das elites brasileiras que têm sustentado Jair Bolsonaro apesar de suas “excentricidades”. Esse fiasco mais do que qualquer outra coisa poderá ser o Waterloo de Bolsonaro. A ver!

Com a reforma da previdência conclusa, o Brasil é o Chile amanhã

chile amanhãRevolta popular no Chile tem como combustível o cansaço com décadas de políticas neoliberais

Na noite passada, o Senado Federal completou o trâmite da chamada “Reforma da Previdência”, o que representa um estupendo sucesso das políticas ultraneoliberais emanadas da equipe do ministro da Fazenda Paulo Guedes. Compreensivelmente, a aprovação foi recebida com entusiasmo pelo presidente do Jair Bolsonaro que se encontra do outro lado do mundo em uma mal explicada viagem de negócios.

Enquanto isso, o presidente do Chile, Sebastian Pinera, ensaia um recuo no uso das forças armadas do Chile para conter a revolta popular contra décadas de execução de políticas ultraneoliberais, as quais possuem na reforma da previdência imposta sob a ponta de baionetas pelo ditador Augusto Pinochet, a qual é costumeiramente apresentada como o modelo que passará a vigorar no Brasil a partir de agora.

Tivessem um mínimo de senso de oportunidade, os senadores que concluíram a reforma da previdência de Bolsonaro e Guedes teriam esperado um pouco mais pelos desdobramentos da crise chilena para “fechar o caixão” da reforma da previdência. Pelo menos teriam mostrado um senso mínimo do risco que estão criando para a estabilidade social futura no Brasil. 

É que, apesar de não haver nenhuma reação massiva contra o solapamento dos direitos previdenciários que a reforma Bolsonaro/Guedes representa, isso se dá por um simples motivo: a maioria dos brasileiros estão hoje preocupados com a sua sobrevivência mínima na base de um dia para outro. Por isso, também em graças à desinformação propositalmente disseminada acerca dos impactos draconianos desta “reforma” e à desmobilização dos partidos que se proclamam de esquerda, que preferem ficar trancados no parlamento em vez de procurarem as ruas, os trabalhadores brasileiros estão desinformados do que efetivamente foi aprovado.  Acrescido a esses fatores ainda há a inexplicável desmobilização das principais centrais sindicais que jamais agiram para informar e mobilizar os trabalhadores. 

Para ajudar a compor esse cenário de paralisia há ainda o fato de que as pessoas só terão a correta noção do que foi aprovado quando começarem a tentar a se aposentar. Nesse momento se descobrirá que não haverá a justa e devida garantia de dignidade após décadas de trabalho. O fato é que quanto mais avançarmos no tempo, mais claro ficará para os atingidos por esta “reforma” o tamanho da tunga que se está se impondo sobre a aposentadoria dos trabalhadores brasileiros. Em outras palavras, o Brasil está sentado em uma imensa bomba de tempo, e que não há como impedir a detonação enquanto prevalecerem as atuais doutrinas ultraneoliberais no seio do governo federal.

Por isso, sugiro que todos olhem bem para as cenas de extrema violência que estão ocorrendo no Chile neste momento, onde nem a ação truculenta e mortal das forças armadas está restabelecendo a “paz social” naquele país.  De várias formas, mas especialmente por causa da natureza do pacote de reformas anti-populares que o governo Bolsonaro está impondo aos brasileiros, o Brasil é o Chile amanhã ou, se preferirem, o Chile é o Brasil amanhã. O problema é que por aqui talvez não haja sequer tempo para se executar o tipo de recuo que o presidente Sebastian Pinera está anunciando para aplacar a ira dos chilenos.

E que ninguém fique acreditando na ladainha de que um cenário semelhante ao chileno nunca ocorrerá no Brasil por causa da natureza apática dos brasileiros. A história do Brasil está repleta de revoltas populares que só foram derrotadas após o uso da violência extrema pelo governo central.  

Paulo “Tchutchuca” Guedes ameaça deixar o Brasil se a reforma da previdência não for aprovada

guedes tchutchuca

Ministro Paulo Guedes, durante confronto com deputado que o chamou de “Tigrão”  e “Tchutchuca”, ameaça renunciar e abandonar o Brasil caso sua proposta de reforma da previdência não seja aprovada pelo congresso nacional.

O ministério formado pelo presidente Jair Bolsonaro para levar a cabo suas políticas de desmanche do estado brasileiro está cheio de figuras bizarras, incluindo personalidades que beiram a disfuncionalidade cognitiva, a começar por Abraham Weintraub (Educação), Damares Alves (Família e Direitos Humanos), Tereza Cristina (Agricultura) e Ricardo Salles (Meio Ambiente). 

Mas nesse universo “estelar” quem se destaca mesmo é o Sr. Paulo Guedes, dublê de banqueiro e economista, a quem foi dado o ministério da Economia com a tarefa precípua de desmontar o sistema nacional de previdência social.

Tido como apoiador das ideias neoliberais impostas pela ditadura militar de Augusto Pinochet, a proposta de reforma da previdência é uma mera cópia da reforma imposta pelas baionetas sobre a classe trabalhadora do Chile. 

Em um episódio recente durante a passagem do presidente Jair Bolsonaro pelos EUA, mais precisamente no Texas,  o ministro Paulo Guedes deitou falação como se fosse um menino playground sobre seus planos de entregar a Petrobras e o Banco do Brasil na bacia das almas da privatização como essas duas propriedades do povo brasileiro fossem suas (ver vídeo abaixo).

A postura beligerante de Paulo Guedes, que já havia ficado evidente no episódio em que ele se defrontou com o deputado Zeca Dirceu (PT/PR) no episódio em que passou a ficar conhecido  como “Tigrão”  e “Tchutchuca”, agora reemerge em uma entrevista que ele concedeu à revista “Veja” onde ameaçou renunciar ao cargo e ir morar fora do Brasil caso o congresso nacional aprove o que ele chamou de “reforminha” no lugar da sua proposta draconiana de contrarreforma da previdência.

Ainda que essa dificuldade de conviver com ideias diferentes seja uma marca do governo Bolsonaro, essa declaração de Paulo Guedes certamente aumentará os problemas de popularidade que o presidente enfrenta e as dificuldades já existentes na articulação política dentro do congresso. É que para a quase totalidade dos brasileiros não há a mínima possibilidade de simplesmente se arrumar as malas e passar uma vida de nababo no exterior como seria o caso do Sr. Paulo Guedes se ele confirmar a ameaça que fez na entrevista com a Veja.

Mas se for por falta de adeus que o ministro da Economia ainda não deixou o território nacional desprovido das benesses e do poder que o cargo de ministro lhe confere, eu posso desejar a ele, na língua que ele parece tanto parece apreciar: Goodspeed, Paulo Guedes!”

Só a resistência nas ruas impedirá a desastrosa Contrarreforma da Previdência de Bolsonaro e Guedes

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A aprovação acachapante da proposta de contrarreforma da Previdência na chamada Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) expõe o óbvio: só a resistência da maioria da população nas ruas é que poderá impedir a consumação de mais um crime hediondo contra a economia dos brasileiros mais pobres.

Não basta que os partidos que efetivamente se opõe à essa contrarreforma ocuparem uma minoria de assentos e ali fazer o jogo parlamentar, pois a maioria dos membros da atual legislatura não é apenas conservadora em termos ideológicos, mas está pouco preocupada em estudar os números frios dessa contrarreforma. Tanto isso é verdade que a CCJ aprovou a constitucionalidade da proposta engendrada por Paulo Guedes e avalizada por Jair Bolsonaro sem ter acessos aos números que embasam a proposta.

Um reconhecimento de que a maioria governista do congresso nacional sabe que essa proposta trará graves perdas aos mais pobres foi o reconhecimento feito na própria CCJ pelo deputado Darcísio Perondi (MDB/RS) de que essa contrarreforma prejudicará principalmente os mais pobres nos primeiros 10 anos de sua vigência.

Um aspecto particularmente danoso não apenas para os que terão suas pensões e aposentadorias reduzidas, mas para os municípios e estados brasileiros, é o fato de que os valores pagos pela Previdência Social representam uma parte considerável da renda que move as economias municipais e estaduais, o que implica no fato de que o encolhimento dos valores pagos aprofundará a recessão e os conflitos sociais em todo o território brasileiro.

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Parlamentares da base governista celebram aprovação da proposta da contrarreforma da Previdência na CCJ.

A verdade é que os únicos vencedores dessa contrarreforma serão as instituições financeiras que continuarão a lucrar com a dívida pública e que, de quebra, ainda ficarão em suas mãos com as economias pessoais de milhões de brasileiros na forma de fundos de previdência privada, sem que haja qualquer garantia de que os trabalhadores terão um centavo sequer para receber quando chegar a hora de se aposentarem. É que como qualquer outro investimento privado, a “nova previdência” estará submetida à roleta russa da especulação financeira e os recursos retirados dos trabalhadores poderão ser pulverizados em caso de grave crise no sistema rentista, nos mesmos moldes do que ocorreu com a crise das hipotecas nos EUA em 2008.

Dessa forma, dada as características extremamente conservadoras do atual congresso e dos termos totalmente prejudiciais da contrarreforma de Bolsonaro e Guedes, não há muito a perder com disputas e encenações dentro de comissões que são um verdadeiro jogo de cartas marcadas.

À ruas, cidadãos!