Ação contra Ricardo Salles resultou de denúncia da Embaixada dos EUA

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Ricardo Salles sorri ao sobrevoar áreas de floresta destruída pelo garimpo ilegal de ouro na terra indígena Munduruku no Pará. Hoje deve estar sorrindo menos

A Polícia Federal faz uma operação contra Ricardo Salles, funcionários do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama. Há operações de busca e apreensão. O ministro teve seu sigilo bancário quebrado. Eles são acusados de corrupção, ao facilitar a exportação ilegal de madeira. A ação atinge também o presidente do Ibama, Eduardo Bim

operação da Polícia Federal contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi deflagrada com base em informações da embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Agentes apuram indícios de contrabando de madeira da floresta amazônica. Na decisão em que autorizou a operação, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes detalhou trechos do ofício encaminhado pela embaixada americana à PF, segundo a qual a apuração teve início em janeiro de 2020, quando o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos (FWS) deteve para inspeção três contêineres de madeira exportados do Brasil, no Porto de Savannah, na Geórgia.

De acordo com o magistrado, além de documentos, a embaixada “forneceu à Polícia Federal amostras das respectivas madeiras apreendidas pelas autoridades norte-americanas”. “As amostras foram colhidas em consonância com as diretrizes estabelecidas pela equipe do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal e, atualmente, encontram-se acauteladas nesta unidade policial”, disse. A decisão do ministro foi publicada pela CNN Brasil. 

Em comunicação oficial, Bryan Landry, adido do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos da América (FWS), afirmou ter “preocupações com relação a possíveis ações inadequadas ou comportamento corrupto” por “representantes da Tradelink e/ou funcionários públicos responsáveis pelos processos legais e sustentáveis que governam a extração e exportação de produtos de madeira da região amazônica”.

Landry disse à PF que o FWS estava à disposição da autoridade policial brasileira para “fornecer mais informações” e colaborar “em qualquer investigação relativa ao tráfico transnacional de produtos de madeira, crimes relacionados ou possível corrupção, cometidos por pessoas nos Estados Unidos ou no Brasil”.

Em sua decisão, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que a investigação da Polícia Federal “traz fortes indícios de um encadeamento de condutas complexas”, da qual teria participação autoridade com prerrogativa de foro, agentes públicos e pessoas jurídicas, “com o claro intuito de atribuir legalidade às madeiras de origem brasileira retidas pelas autoridades norte-americanas, a revelar que as investigações possuem reflexos transnacionais”.

“Deste modo, a realização do referido exame pericial é imprescindível para o regular andamento das investigações, notadamente porque a perícia a ser realizada poderá revelar se as madeiras apreendidas pelas autoridades norte-americanas foram extraídas do local indicado ou eram derivadas de outro local (origem ilícita)”, disse. 

Em relatório, a PF apontou um “grave esquema criminoso de caráter transnacional” envolvendo Salles e servidores do Ibama. 

fecho

Este texto foi inicialmente publicado pelo portal “Brasil 247” [Aqui!].

 

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