Adeus Freixo, longa vida ao PSOL

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Após um período de idas e vindas e pressões, o deputado federal Marcelo Freixo decidiu trocar o PSOL por uma aposta eleitoral aparentemente costurada pelo ex-presidente Lula. A partir dessa costura, Freixo vai de mala e cuia para o PSB, um partido que se notabilizou por ser o receptáculo de uma ampla gama de opções políticas, o que se reflete nas votações pró-governo Bolsonaro de parte de sua bancada no congresso nacional.

Não posso dizer que estou surpreso nem triste com a saída de Marcelo Freixo do PSOL. A palavra certa talvez seja “decepalívio”, uma mistura de decepção com alívio. A decepção fica por conta de ver que mais um militante social trocou a luta árdua do trabalho de base por alianças que juntam gregos e troianos e acabam beneficiando os romanos, e alívio por ver que o PSOL fluminense é maior que qualquer um dos seus parlamentares, incluindo Freixo.

Conheço Marcelo Freixo desde a sua primeira campanha para deputado estadual, onde com outras pessoas o apoiei e chamei votos em sua candidatura, quando ele era basicamente um desconhecido. Ao longo dos anos, reconheço que que ele foi um aliado importante dos servidores públicos, especialmente os das universidades estaduais, na luta por seus direitos constantemente sob ameaça. Na Comissão de Educação, enquanto membro ativo, Freixo possibilitou que várias demandas da Universidade Estadual do Norte Fluminense, incluindo a construção do bandejão, fossem atendidas. 

Mas não é de hoje que não reconheço mais o deputado do primeiro mandato, pois ao longo dos anos presenciei uma transformação na postura de Marcelo Freixo, inclusive no trato com as questões relacionadas à defesa das universidades estaduais.  Essa mudança me pareceu claramente vinculada às ambições eleitorais que foram viabilizadas justamente por sua proximidade da luta dos trabalhadores. Por essa mudança de postura é que nas últimas eleições estaduais e nacionais, optei por outros candidatos do PSOL e de outros partidos de esquerda. É que a estas alturas do campeonato, parafraseando Jean Wyllys, eu estou propenso a apostar apenas naquilo que pode dar certo. 

Minha expectativa é que livre das pressões e chantagens de Marcelo Freixo, o PSOL fluminense aproveite da ocasião para se comprometer com um tipo de trabalho de base que o aproxime da classe trabalhadora e da juventude periférica. É desse tipo de trabalho de base que nascerão as reais transformações que o Rio de Janeiro realmente necessita, e de cima de palanques que incluirão aqueles que ajudaram a nos colocar no buraco em que estamos metidos neste momento. Aliás, essa é a lição que a pujante candidatura presencial do professor Pedro Castillo acaba de mostrar nas eleições peruanas.  Por isso, a saída para o imbróglio político que vivemos me parece ser por mais Pedros, e menos Marcelos.

Por isso tudo, adeus Marcelo Freixo, longa vida ao PSOL.

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