NY: Guterres cobra G20 em cúpula climática de Boris Johnson

Países-ilha dão ultimato a grandes poluidores por financiamento climático e metas de redução de emissões

Informal Leaders Round Table on Climate Change

O Secretário-Geral (na tela) fala a um grupo seleto de delegados do governo na Mesa Redonda Informal de Líderes sobre Ação Climática.

O Secretário Geral da ONU notadamente cobrou “várias economias emergentes” sobre seus objetivos climáticos – provavelmente foi o tom mais incisivo que um chefe da ONU pode usar de olho em China, Índia, Brasil, Rússia, Indonésia e África do Sul.

E sem líderes de EUA, China, Índia ou Brasil, os países-ilha e os estados africanos e latino-americanos dominaram a arena. O que emergiu como resultado foi um poderoso sentimento de raiva, frustração e ansiedade pela ameaça existencial que a COP26 representa para suas nações. Uma lista completa dos participantes deve ser publicada neste site em breve: https://www.un.org/en/climatechange/informal-climate-leaders-roundtable-climate-action

O enviado climático americano John Kerry deixou escapar uma dica de que veremos dos EUA esta semana – muito necessário, como ressalta a avaliação financeira de hoje da Oxfam International. Hoje, o governo italiano disse que também apresentará uma nova meta financeira nos próximos dias.

Abaixo algumas falas de líderes que participaram de mais esta cúpula  climática:

Secretário-Geral da ONU, António Guterres

“Entendo o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas. Os países desenvolvidos precisam assumir a liderança. Mas também é essencial que várias economias emergentes se esforcem mais e contribuam efetivamente para a redução de emissões. Precisamos especialmente da liderança de todos os membros do G20”. [Transcrição aqui]

Primeira-Ministra de Barbados, Mia Mottley

“Para nós é inexplicável que o mundo não esteja agindo, e isso sugere que nós, em pequenas ilhas, somos dispensáveis e devemos permanecer invisíveis. O G20 é responsável por 80% das emissões de gases de efeito estufa. O que significa que mais de 170 países são responsáveis por apenas 20%. Não estamos indo na direção certa e, no entanto, são poucos os que precisam ser colocados na direção certa”.

Presidente das Ilhas Marshall, David Kabua

“Como pode não ficar claro para todos nós que é hora de os grandes emissores mostrarem a mesma liderança? Em todo o mundo, vemos incêndios, enchentes, secas, marés reais que comem nossas costas. Àqueles entre vocês que ainda não entregaram NDCs ou ainda não aumentaram sua ambição: os olhos do mundo estão sobre vocês. O último relatório de Síntese da UNFCCC mostra a perigosa magnitude da lacuna global na liderança climática. Nosso destino está ligado à escala, qualidade e rapidez de suas ações. Eu os convido a entregar sua NDCs até a COP-26 e assegurar que esses planos estejam alinhados com um futuro de 1,5C. O penhasco é 2030, a 9 anos de distância.”

Presidente da Costa Rica, Carlos Alvarado Quesada

“Se os países fossem entidades privadas, todos os líderes seriam demitidos, pois não estamos no caminho certo. As coisas continuam as mesmas. É um absurdo. Esta não é uma reunião pública – se fosse, seria estranho usar esta linguagem. Mas temos que ser francos. Estamos construindo a fúria das gerações futuras. Boris escreveu um livro e eu já o li. É um livro muito bom. O Fator Churchill. Ele enfatiza como um indivíduo pode fazer a diferença. Agora precisamos de indivíduos. Precisamos de um fator Boris; precisamos de um fator António; precisamos de um fator Mia. Precisamos de um fator Vladimir e, em particular, um fator Biden”.

Primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson

“A COP26 será encenada no brilho total do holofote global. E quando a cúpula terminar, quando a maior parte do mundo tiver se comprometido com uma ação decisiva e que mude o jogo, ficará claro para todos aqueles de nós que não tiveram a coragem de subir ao palco. O mundo verá, e seu povo se lembrará, e a história julgará. Assim você pode desviar o olhar, pode fazer o mínimo, pode esperar que se você alimentar o crocodilo o suficiente, ele o devore por último. Ou você pode mostrar liderança.”

Primeira ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen

“Contribuíremos com pelo menos 1% da meta coletiva de 100 bilhões de dólares , e 60% de nosso financiamento público baseado em subsídios dedicados a ajudar os países em desenvolvimento a se adaptarem”.

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