Sacrifício para o agronegócio: Caatinga, floresta rica em biodiversidade, está em chamas por causa da expansão da soja

soja bahiaMonocultivo de soja na Bahia deve enriquecer ainda mais as empresas

Por Norbert Suchanek, Rio de Janeiro, para Junge Welt

Quando se trata de destruição natural no Brasil, geralmente é a Amazônia. Outro desastre está ocorrendo atualmente no país, mas desta vez no Nordeste. Afetada é a Caatinga, a floresta seca rica em espécies do Brasil, que pode resistir a longas secas, mas não provocou incêndios intencionalmente. Está em chamas desde o início de 2021. O Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (INPE) contabilizou 3.040 focos de fogo em meados de agosto, mais de 160 por cento a mais do que no mesmo período do ano anterior.

Com uma área de cerca de 850 mil quilômetros quadrados, a Caatinga é o quarto maior bioma do Brasil, mas quase não é protegida. Como ecossistema de floresta natural no semi-árido nordestino, se estende por dez estados. Seu nome significa “floresta branca” como realmente aparece durante os meses de seca. Assim que chove, porém, a caatinga fica verde. Mais da metade desse ecossistema endêmico que só ocorre no Brasil já foi devastado ou convertido em monoculturas. Apenas 2% da caatinga está sob proteção da natureza.

Neste ano, as operações legais e ilegais de corte e queima se concentram no oeste do bioma – no Piauí e na Bahia, onde o cerrado, cada vez mais destruído para o cultivo da soja em grande escala, se transforma em caatinga. Os dois estados fazem parte da frente do agronegócio Matopiba, que também inclui os estados do Maranhão e Tocantins. Desde o início de 2000, com o apoio do Estado brasileiro e de investidores internacionais, as áreas de cultivo de monoculturas de soja vêm se expandindo às custas do cerrado.

De acordo com os últimos dados da Mapbiomas, rede de cientistas, instituições de pesquisa e organização de proteção ambiental que monitora os biomas brasileiros, um total de 61.373 hectares de floresta seca no Nordeste foram destruídos em 2020. A maior área, 32.956 hectares, foi perdida na Bahia.

Além do Matopiba, outra frente agrícola ameaça o Nordeste desde 2015. A Embrapa, agência estadual de desenvolvimento agrícola do Brasil, deu o nome de “Sealba” em homenagem aos estados afetados de Sergipe, Alagoas e Bahia. A região com área superior a cinco milhões de hectares possui condições edafoclimáticas favoráveis ​​e grande potencial para se tornar uma área de grande importância agrícola, principalmente para o cultivo industrial de soja e milho, segundo os engenheiros agrônomos da Embrapa . O agronegócio aqui está de olho sobretudo nos Tabuleiros Costeiros, planaltos litorâneos do Nordeste. Devido às monoculturas, os preços da terra na região aumentaram dramaticamente. Segundo o canal Canal Rural , eles aumentaram vinte vezes desde 2010.

Se você não consegue acompanhar, você tem que ceder. Criadores de gado deslocados e famílias de pequenos agricultores se deparam com a opção de abrir novas áreas na Caatinga ou ingressar no exército de desempregados das cidades.

compass

Este texto foi escrito inicialmente em alemão e publicado pelo jornal “Junge Welt” [Aqui!].

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