O sistema arcaico de trânsito em Campos dos Goytacazes reflete bem o tipo de governo que se tem

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Como já contei aqui neste blog, a partir de 21 de dezembro rodei mais de 4.000 km de estradas nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, e visitei cidades de porte menor em relação a Campos dos Goytacazes, incluindo as cidades de Telêmaco Borba Cascavel e Foz do Iguaçu. O que verifiquei nas cidades em que estive me confirmou a noção de que o trânsito em nossa cidade está amparado em um sistema arcaico de sinalização e de controle de velocidade, o que tem por consequência imediata o aumento do risco para todos os que se utilizam das vias de circulação, principalmente os ciclistas.

Por outro lado, há que se notar que não estou falando de cidades europeias, mas de cidades que estão bem aqui no Brasil,  sendo possuidoras de orçamentos municipais bem menores do que os do bilionário estoque de verbas públicas à disposição dos governantes campistas.  Cascaval, por exemplo, que possui uma população em torno de 300 mil habitantes detém um sistema de radares que impede cenas corriqueiras nas avenidas campistas.

radares-1-803x600Em 2021, Cascavel passou a ter mais de 50 radares em diferentes ruas e avenidas

De certa forma, o sistema arcaico de trânsito que existe por aqui é um reflexo da mentalidade de quem tem governado essa cidade nas últimas décadas, independente de qual seja a face, gênero e a faixa etária de quem senta na cadeira de prefeito. Mas mais do que isso, a ausência de qualquer cobrança pelas tais “entidades de classe” da sociedade civil para que haja investimentos públicos na modernização do sistema de trânsito também parece refletir de forma precisa a mentalidade de quem poderia fazer cobranças por melhorias coletivas e acaba aparecendo, por exemplo, para se manifestar contra a gratuidade na entrega de sacolinhas plásticas nos supermercados preços que são de corar a face (aliás, em minha cidade natal, a pequena Telêmaco Borba, o litro de leite pode ser adquirido por R$ 2,39 sem que o produto esteja próximo do vencimento!).

O problema é que enquanto escrevo essa postagem, a rua balança com a passagem em alta velocidade de mais um caminhão gigantesco vindo muito provavelmente do Porto do Açu.  Essa simbiose do atraso não poderia ser mais reveladora do estado de coisas em que vivemos. Enquanto isso, o cidadão campista fica na espera dos carnês do IPTU que certamente virão ainda mais “salgados” em 2022 apenas para continuar tentando sobreviver a um sistema arcaico de trânsito em que inexistem bons transportes públicos e sobram cenas de descumprimento da legislação.

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