Guerra na Ucrânia reacende brasas adormecidas na Sérvia, no que pode ser o prenúncio de novas chamas nos Balcãs

serbia flagsEm 2019 sérvios queimavam bandeiras da Otan para lembrar os 20 anos da guerra promovida contra a antiga Iugoslavia.  O conflito na Ucrânia deverá aumentar as tensões nas regiões reclamadas pelos sérvios na Bósnia-Herzegovina e no Kosovo

A mídia corporativa brasileira e suas congêneres nos países que são membros ou aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estão fazendo um esforço evidente para apresentar a ação militar Russa na Ucrânia como a primeira grande intervenção militar na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial. A mídia faz, na verdade, um contorcionismo que beira a fraude histórica, na medida que a Otan já fez em 1999 a sua própria ação militar na antiga Iugoslavia, hoje Sérvia, que resultou na morte de pelo menos 1.200 pessoas civis, deixando ainda cerca de 5.000 feridas.  

Essa operação, lembremos, teve a ver com a imposição de uma perda territorial substancial para a Sérvia que até hoje se nega a reconhecer a independência de Kosovo, uma das regiões que estão na base do surgimento da nacionalidade sérvia, em que pese ter perdido a hegemonia étnica na população kosovar que se tornou majoritariamente albanesa apenas após a segunda guerra mundial.

Assim sendo, não chegar a ser nenhuma surpresa que contrariamente ao que está acontecendo na maioria da Europa, manifestações pró-Rússia estão acontecendo na Sérvia, onde a associação entre o manifesto objetivo russo de defender as repúblicas independentistas na Ucrânia e combater os elementos neonazistas do governo ucraniano é associado ao direito dos sérvios pensam ter de exigir o retorno de Kosovo ao seu controle (ver vídeo abaixo).

O que parece não ter sido calculado corretamente pelas lideranças da Otan é esse aparente efeito de levantar brasas adormecidas em áreas que já sofreram suas militares, sendo a Sérvia apenas a mais interna ao continente europeu. Aliás, há que se deixar claro que já havia um crescente processo de tensionamento não apenas em relação à imposição da independência do Kosovo, mas também da transformação da Bósnia-Herzegovina como uma espécie de estado plurinacional.  Desta forma, que ninguém se surpreenda se as brasas adormecidas da guerra da Otan contra a Sérvia subitamente se transformem em chamas, apesar de todo o esforço do governo de Aleksandar Vučić  de unir a Sérvia à União Europeia e melhorar os laços de cooperação com os EUA.

Aliás, não custa lembrar que Hashim Thaçi, líder do autodenominado Exército de Libertação do Kosovo (UÇK) e que terminou presidente do Kosovo, cargo que começou a assumir em 7 de abril de 2016, se encontra preso em Haia onde terá de responder por acusações de crimes de  guerra e crimes contra a Humanidade, o que explicita que os eleitos pela Otan para serem seus braços em determinados conflitos nem sempre são os santos que a mídia faz parecer que são.

Em uma nota paralela, hoje os bancos russos afetados pela cessação das atividades das empresas de cartões Visa e Mastecard na Rússia anunciaram que vão  começar a emitir cartões usando o sistema chinês da operadora de cartões UnionPay. Essa guinada em direção a uma maior integração da Rússia com a economia chinesa é um sinal de que as ações no campo financeiro para isolar o governo de Vladimir Putin podem estar se tornando um tremendo tiro pela culatra.

2 comentários sobre “Guerra na Ucrânia reacende brasas adormecidas na Sérvia, no que pode ser o prenúncio de novas chamas nos Balcãs

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