Com o aval de Lula, bancada ruralista “passa o rodo” e aprova com facilidade o PL do Veneno no Senado Federal

lula favaro

Ao lado do ruralista e ministro da Agricultura Carlos Fávaro, Lula se tornou uma espécie de avalista do PL do Veneno

Desprezando todas as evidências científicas já recolhidas sobre os graves impactos associados ao uso intensivo de agrotóxicos sobre o ambiente e a saúde humana, a bancada ruralista do Senado Federal aprovou com grande facilidade na tarde desta 3a. feira o famigerado PL do Veneno. Com isso, o Brasil vai vivenciar um grande afrouxamento das regras existentes para pesquisa, experimentação, produção, comercialização, importação, exportação, embalagens e destinação final de agrotóxicos.

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Algo que não foi ainda aprofundado devidamente será a provável transformação do Brasil em uma espécie de parque industrial dos agrotóxicos banidos em outras partes do mundo por causa da capacidade de causar doenças graves, incluindo diversos tipos de câncer.  Essa facilitação para a produção de agrotóxicos com conhecido potencial cancerígeno está alinhada com o esforço de aprovação do acordo comercial Mercosul-União Europeia. É preciso lembrar que as multinacionais europeias como a Bayer e a Basf enfrentam uma oposição crescente em relação a alguns de seus “campeões de venda”  como é o caso do Glifosato, e agora poderão transferir a produção desses venenos para território brasileiro, especialmente se o acordo comercial for assinado.

Antes que se transfira a responsabilidade toda para a bancada ruralista é preciso lembrar que o governo Lula tem tido uma postura para lá de leniente com a explosiva situação representada pelo uso de venenos agrícolas causadores de doenças graves.  O problema é que em seu terceiro mandato, Lula decidiu claramente aprofundar a aposta no latifúndio agro-exportador e no seu modelo de grandes monoculturas que dependem de grandes doses de agrotóxicos e fertilizantes químicos para terem um mínimo de viabilidade.

Além disso, a busca de assinatura do acordo com a União Europeia mostra que a aposta do presidente Lula é na agricultura de grande extensão onde as empresas europeias que vendem implementos químicos, agrotóxicos, sementes geneticamente modificadas e fertilizantes químicos geram margens fabulosas de lucros. E aquele discurso que seu governo iria apostar na adoção de um modelo agroecológico de produção de alimentos? Aparentemente, um discurso destinado a convencer eleitores indecisos.

Quem acompanha com um mínimo de cuidado o problema dos agrotóxicos sabe que atualmente as áreas que concentram a produção de soja, por exemplo, também se caracterizam por terem taxas extraordinárias de câncer (ver vídeo abaixo).  O problema é que com a aprovação do PL do Veneno, este modelo de agricultura dependente de agrotóxicos vai ser aprofundada em todos os sentidos, incluindo o aumento do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. De certa forma, os agrotóxicos servem como uma espécie de bússola da destruição ambiental no Brasil.

Como já venho observando ao longo de 2023, os agrotóxicos são uma espécie de ponto de combustão que ameaça consumir o governo Lula. A questão é que depois de abraçar o latifúndio agro-exportador, a decisão de assistir de camarote a aprovação do PL do Veneno é apenas uma consequência natural.

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