
Enquanto assistia a cenas estarrecedoras de cidades inteiras sendo engolidas pelas águas dos rios no RS, me coloquei a pensar o que acontecerá aqui em Campos dos Goytacazes se tivermos uma combinação semelhantes de fortes chuvas nas bacias do Paraíba do Sul e do Muriaé nos próximos anos. Como já se ensaiou em anos recentes com a elevação do nível dos rios e a entrada de suas águas em partes da cidade, também pudemos ver diferentes prefeitos ostentando impecavelmente limpos jalecos da Defesa Civil como se fossem uma criança indo pela primeira a um desfile de Sete de Setembro.
Mas e o orçamento destinado à Defesa Civil? E os investimentos na manutenção de diques e barragens? E a limpeza de canais com a necessária recomposição das matas ciliares? E, mais ainda, os planos para iniciar o urgente processo de adaptação climática, começando por Santo Eduardo?

Quem assiste hoje de forma aliviada e condescendente às cenas que mostram a desgraça do povo pobre do Rio Grande do Sul deveria estar tomado com o mesmo de alarde e urgência daqueles que hoje estão com água até o pescoço ou abrigados em ginásios de esportes sabendo que não terão mais casas para onde voltar quando as enchentes finalmente retrocederem porque elas foram levadas pelas águas?
Uma coisa é certa: a desgraça dos gaúchos não é algo natural, mas foi produzido por um sistema que despreza os conhecimentos científicos e os alertas sobre a necessidade de se mudar as formas de usar a paisagem natural e de se investir na conservação ou construção de estruturas de adaptação climática.

05/09/2023, Enchente do Rio Taquari na cidade de Lajeado (RS). Foto: marcelocaumors/Instagram
E sim, quem hoje acha que está fora de perigo precisa saber que esse é um sentimento ilusório e que nas próximas chuvas o Rio Grande do Sul poderá ser aqui.