
Pátio de estocagem de madeira extraída no interior de uma floresta na Amazônia brasileira
Desde um artigo publicado na revista Science em 2020 ficou demonstrado que o processo de degradação florestal causado pela extração seletiva de madeira e por incêndios se tornou mais abrangente em termos de área afetada do que o processo de desmatamento. O aumento das áreas afetadas pela degradação em combinação ou não com o desmatamento representa uma ameaça séria à capacidade das florestas amazônicas de oferecer uma série de serviços ecossistêmicos, a começar pela regulação das temperaturas.
Agora em um artigo publicado ontem (07/6) pela revista Ciência Florestal se toronou possível entender melhor a abrangência e a distribuição temporal dos impactos da extração seletiva de madeira nas florestas do estado Pará. Neste estudo, foram analisadas a dinâmica espacial e temporal das florestas perturbadas pela exploração seletiva de madeiras no estado do Pará, utilizando uma série temporal (1992 a 2018) de imagens Landsat e técnicas de sensoriamento remoto. Assim, as florestas afetadas por atividades de exploração seletiva foram mapeadas aplicando interpretação visual e técnicas de sensoriamento remoto semiautomática.
Os resultados deste estudo mostraram que aproximadamente 20% das florestas exploradas seletivamente para fins madeireiros foram desmatadas no período estudado no estado do Pará. Além disso, o estudo mostra que a área total de florestas alterada pela exploração seletiva de madeiras superou a área desmatada em alguns anos analisados.
Um aspecto especialmente preocupante foi a detecção do aumento de florestas exploradas seletivamente dentro de áreas protegidas (Unidades de Conservação e Terras Indígenas) entre 1992 e 2018 (ver imagem abaixo).

Áreas afetadas por extração seletiva de madeira no estado do Pará entre 1992 e 2018.
Além disso, a maioria das florestas exploradas seletivamente estava localizada na região conhecida como Arco do Desmatamento na Amazônia brasileira. Entretanto, nos anos mais recentes da análise, as florestas impactadas por atividades madeireiras foram detectadas nas novas fronteiras de desmatamento localizadas na região oeste do estado do Pará. Com isso, há uma ampliação do processo de degradação florestal e, consequentemente, da diminuição da capacidade das florestas de ofereceram serviços ecossistêmicos.
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