O cálculo de Lula, o espantalho

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Por Douglas Barreto da Mata

Não há surpresa na ação de Lula em relação aos movimentos paredistas dos servidores federais da educação.  Sinto muitíssimo em dizer isso.  Não é um lapso ou um simples erro.  Não é um resultado de derrota frente às forças que o antagonizam, porque Lula e seu governo sequer disputaram alguma coisa. Não é uma concessão, é rendição mesmo. É deliberado.

Quem lê, vê ou ouve as justificativas do presidente, as chamadas restrições fiscais ou pior, a “troca” de direitos por obras, não pode afastar a conclusão, sob pena de parecer um néscio, de que o governo do PT busca se aproximar daquilo que imagina ser o “centro” da política brasileira, mas que para o PT e para Lula será o precipício.

As frustradas tentativas de agradar o Pantagruel pós capitalista (neoliberal, dizem uns) são a prova acabada do que digo.  Ora cedendo aos nazipentecostais, ora cedendo aos empresários que preferem sangrar um filho a pagar impostos, ora, enfim, dando tudo para o RS (incluindo corpo e alma para evitar metáforas mais pesadas), sem cobrar nenhuma reparação, política que seja, dos agrokillers do meio ambiente, ou do desgovernador ultraneoliberal que os serve.

Lula e seu núcleo duro acham que se endireitando serão aceitos pela direita. Não entenderam nada, não é? Por isso, vos digo, que venha logo Jair Bolsonaro de novo, porque pelo menos teremos a esperança de coesão e reação da esquerda (ou o que sobrou dela) para disputar algum espaço no cenário político. Aliás, o que o próprio movimento dos servidores das universidades e institutos federais já mostra muito bem.

Manifestação em defesa da educação obriga Lula a se pronunciar sobre a greve  em visita a Alagoas - Sintietfal

Do jeito que está, não dá.  Não dá para tratar como aliado, ou até como mal necessário esse cadáver insepulto que é o governo Lula. Lula hoje é um mal desnecessário, que só serve para engrossar as fileiras da direita pelo arquétipo que representa.  Um espantalho.

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