
Com as evidências irrefutáveis de que nas próximas décadas teremos uma elevação importante no nível médio do mar seria de se esperar que os governantes brasileiros estivessem soando os alarmes de emergência. Afinal, a previsão de que regiões inteiras estão destinadas a serem invadidas pelas águas oceânicas é algo que não se pode dar simplesmente de ombros, pois os custos econômicos e humanos prometem ser colossais.
Mas o que se vê é uma combinação de ignorância premeditada e a aplicação de fórmulas que são uma espécie de enxuga gelo debaixo de temperaturas equatoriais. Isso, é preciso que se diga, é uma completa irresponsabilidade já que os estudos científicos estão trazendo informações que deveriam ser levados com a devida seriedade.
Agora, segundo o que foi divulgado por um veículo da mídia corporativa campista, o que teria declarado a Prefeitura Municipal de São João da Barras após a forte repercussão de um relatório da ONU que prevê que Atafona é um hotspot no processo de intrusão de águas marinhas nas regiões costeiras do planeta:
“Dentro desse contexto, a orientação foi para a elaboração de um estudo de viabilidade técnica e econômica para que seja analisado o atual cenário para as possíveis soluções. O município já contratou a elaboração do termo de referência e está nas fases finais da elaboração do edital de licitação para a contratação deste estudo. Há um processo de aquisição de uma área em Atafona para construir casas populares para essas pessoas que foram atingidas”.

O Distrito de Atafona vem sendo engolido pelo mar, mas até agora nada foi feito para conter o processo
Essa resposta parece ser uma mistura da tática do enxugar gelo com a ideia tosca de que vai bastar mover casas de um ponto para outro para que os impactos da chegada das águas marinhas seja resolvido. Além disso, falar a estas alturas na contratação de um estudo de viabilidade técnica e econômica para definir possíveis soluções é como aquele sujeito que fala em em comprar detectores de fumaça logo após a sua casa ser totalmente consumida por um incêndio.
Sem ter lido os programas de governo dos candidatos a prefeito de São João da Barra, a começar pelo da atual prefeita, Carla Caputi, eu sou capaz de prever que não há nenhuma menção de que será adotada a adoção de uma política pública voltada para preparar o município para a necessária adaptação ao irreversível processo de mudança climática que está ocorrendo na Terra neste momento, mas cujos efeitos mais drásticos serão sentidos nos próximos anos e décadas.
O mais lamentável é essa lerdeza em adotar medidas urgentes ainda custará muito dinheiro e vidas com o tipo de postura que se verifica nos governantes dos estados e municípios costeiros do Brasil.
Mas como não quero dizer que não dei dicas propositivas e apenas critiquei, republico abaixo os mapas contendo as previsões para as áreas que serão inundadas em São João da Barra com diferentes cenários de elevação do nível médio do mar. Como se pode inferir a partir desses mapas, o problema da intrusão das águas marinhas está longe de estar restrito a Atafona.

