Sai pesquisador, entra empresário bolsonarista: troca na presidência da Faperj causa repentino e amargo acordar na comunidade científica fluminense

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O futuro presidente da Faperj, Alexandre Valle,  desfilando em carro aberto em companhia do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2024

Estou vendo uma série de manifestações e mobilizações em torno da demissão do Professor Jerson Lima do cargo de presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e sua substituição pelo empresário do ramo de seguros, Alexandre Valle, que também é ex-deputado federal e ex-secretário estadual de Educação. De quebra, Valle foi recentemente derrotado como candidato a prefeito de Itaguaí, apesar do apoio explícito do ex-presidente Jair Bolsonaro de quem é aliado.

Ainda que eu entenda e apoie as demandas para a permanência de um pesquisador à frente da Faperj (afinal faz sentido que um pesquisador dirija uma fundação de amparo à pesquisa), eu não vejo nenhuma surpresa nessa substituição. 

Além disso, considero essa troca menos grave do que ter desde junho como secretário de Ciência e Tecnologia, o deputado Anderson Moraes, que em 2021 propôs a extinção da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), sob a alegação de que a instituição era muito cara para os cofres do Rio de Janeiro.

Eu não me recordo de ter ouvido ou lido a ocorrência do mesmo tipo de reação, o que considero um erro óbvio, na medida em que, como secretário de Ciência e Tecnologia, Moraes está hierarquicamente acima do presidente da Faperj.

O que me ocorre é que enquanto o cargo de secretário de Ciência e Tecnologia há muito tempo é daqueles que sobra para quem não quer efetivamente sentar na cadeira, a presidência da Faperj possui uma capacidade de alavancagem  política que é dada pela sua capacidade de financiamento. Mas se esse movimento tivesse ocorrido quando a nomeação de Moraes ocorreu, é muito provável que Cláudio Castro teria pensado melhor antes de mexer na Faperj.

A minha expectativa é que essa troca na Faperj sirva como alerta para os problemas que existem no tratamento da ciência e tecnologia no estado do Rio de Janeiro sob a égide de um governo claramente de direita, e sem quaisquer compromissos com o desenvolvimento científico e tecnológico.

Afinal, como se pode esperar mar de almirante com uma figura como Cláudio Castro sentada na cadeira de governador? A mim me parece que sempre estaremos mais para mar revolto. Que essa troca esdrúxula no comando da Faperj sirva para acordar quem ainda conseguia dormir em berço esplêndido. Afinal,  o cenário me parece claro: a Faperj corre grave risco sob a mãos de um empresário/político com laços claros 

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