
Lula e Eduardo Paes e a tratativas de um casamento de interesses que colocou o PT do Rio de Janeiro em um buraco muito profundo
Por Douglas Barreto da Mata
Antes que as feministas se irritem, eu vos digo, não se trata de corroborar um arquétipo machista, mas sim de reconhecer que essa era uma categoria (de pessoas) que estavam sujeitas a uma ordem patriarcal, no chamado de “mercado matrimonial”.
Sim, sempre foi costume, que ainda persiste em alguns cantos, a “arrumação” de casamentos, a partir da lógica de conveniências econômicas e sociais (“famílias tradicionais”), onde ao pai, principalmente, cabia decidir qual das filhas iria casar com quem, e quando seria, caso fosse mais de uma. As moças mais velhas, com grandes diferenças de idade para as irmãs mais novas, eram colocadas como tutoras dessas caçulas, não raro, dividiam com as mães o cuidado da casa, e por isso, quase sempre eram preteridas na ordem do mercado do matrimônio. Como se dizia, de forma ofensiva e jocosa, ficavam para “titias”.
Hoje, algumas mulheres ou não têm essa opção, como as negras e pobres, geralmente “cabeças das famílias”, por abandono de seus parceiros, ou têm a opção (classe média e classe alta) de ficarem sozinhas, e não raro, optam por maternidade solo.
O PT do Rio, assim como o PT do Brasil, e como não poderia deixar de ser, o de Campos dos Goytacazes, parece que se encaminha para a solteirice por rejeição. Rejeição do eleitor, diga-se.
Vamos ao caso do Rio de Janeiro. O PT da cidade do Rio se ofereceu (e foi oferecido por Lula), de todos os modos, para Eduardo Paes, e teve nele (Lula, o pai) um intermediário tão insistente que alguns, mais ácidos, diriam que beirou a cafetinagem política. Há comentários de que essa união também teria a predileção da mãe (Janja), que adora os convescotes e o ambiente tipo Leblon/Gávea, com artistas e socialites que o moço prefeito proporciona.
O PT do Rio nada conseguiu que já não tivesse, ou seja, uns carguinhos de menor importância na administração municipal carioca, e quem sabe, mais e mais promessas de “casamento futuro”, já que Lula insiste em desidratar o PT do Rio para ceder terreno ao prefeito carioca.
É como se Lula pagasse o dote ao prefeito carioca Eduardo Paes, mesmo sem ele ter aceitado casar-se com a “noiva”, mas a “moça” fosse mantida como mera serviçal para agradar os favores e desejos do prefeito. Agora, a “noiva”, o PT do Rio, mesmo preterida, teve que se deitar com o prefeito, para satisfazer as suas demandas políticas, sobre a cruel justificativa de que é o preço de ser governo.
Um preço alto, é verdade, que vai corroer o resto de capital político do partido em sua base sindical. Vejam bem, não há nenhum problema nessas, digamos, “promiscuidades”, o problema é não levar vantagem alguma, não obter nenhum ganho a curto, médio, e longo prazos, que permitam que, um dia, quem sabe, possam reverter essa condição de subordinação vergonhosa. É o caso do PT no planalto central, que de tanto se abaixar para o centro e para o mercado, ninguém mais consegue distinguir se é o PT ou se é um PSD com “orégano”.
O resultado: não são reconhecidos pelos eleitores de direita, que preferem a direita original, e são rejeitados pelos que sempre votaram no PT, porque o partido deixou de representar qualquer demanda dessa parte da sociedade.
Em Campos dos Goytacazes, a vergonha é ainda maior. Em nome de uma desastrada estratégia eleitoral, ficaram sem um vereador, justamente o que era o argumento para se unirem ao pior espectro político possível, servindo-lhes de “força auxiliar”.
Novamente eu afirmo, nada demais, mas fica a pergunta, era necessário? Claro que não, as chances de ter mais ou menos votos para eleger um vereador não residiam na alternativa de puxar o saco da ultra direita local, e terem levado um sonoro tapa na cara da deputada estadual, que em plena campanha, aderiu a essa candidatura protofascista.
E agora, José? Agora é o de sempre. Os vestidos das “noivas” estão puídos, amarelados, e restará ao PT nacional, estadual e campista a triste tarefa de trocar as fraldas geriátricas dos “patriarcas da direita”.