Com Lula ruim, sem ele pior? A capitulação como ferramenta política nunca é boa conselheira

Li hoje um arrazoado feito por um dirigente do PSOL que conheci há mais de 40 anos  nos corredores do movimento estudantil da UFRJ que é um desses primores da capitulação política antecipada. Segundo esse dirigente, que não vou citar o nome porque a mensagem dele é mais importante do que o personagem, o PSOL deveria apoiar (provavelmente a reeleição do) presidente Lula porque segundo ele se “estamos mal com Lula, estaremos muito pior sem ele”.

Para não deixar dúvidas, esse dirigente coloca a culpa desse verdadeiro beco sem saída na classe trabalhadora que teria sido conquistada pelas ideias neoliberais e anti-estado que culminam no desprezo pela “carteira assinada”. Por isso, diz ele,  “no atual período político não existe esse espaço, pois “o que resta de classe trabalhadora orientada pela esquerda pode ser insuficiente para derrotar a extrema direita e é esta que se coloca como alternativa.” Alguma palavra sobre os erros políticos cometidos por Lula e as políticas pró-banqueiros do seu govenro?  Nenhuma.

Outro aspecto é a crítica feita aos setores do PSOL que rejeitam a tese do “mal com Lula, pior sem ele”. Para estes, resta a acusação de que estão em uma “campanha de desconstrução, tanto em relação ao governo como em relação às principais figuras públicas do PSOLque está na base do governo.” A questão aqui é que de uma forma bem explícita, a intenção é interditar o debate sobre a necessidade de uma nova orientação para a esquerda no Brasil, uma que rejeite o social neoliberalismo que é a marca registrada do terceiro mandato de Lula e seu governo de frente amplíssima com a burguesia.

O que me parece interessante é que não há qualquer menção ao processo eleitoral alemão, onde em condição de “pari passu” com o crescimento da extrema-direita, ocorreu um crescimento do “Die Linke”, partido de esquerda oriundo do antigo Partido Comunista da Alemanha Oriental, que desafiando os anúncios precoces de sua morte, teve uma votação que praticamente duplicou suas cadeiras no parlamento alemão. É que pela lógica desse dirigente do PSOL, o pessoal do “Die Linke” deveria ter se resignado com o destino apontado nas pesquisas eleitorais e aberto mão de sua campanha em nome da candidatura morimbunda de Olaf Scholz.

A verdade é que se continuarmos abraçando a concepção de que “mal com Lula, pior sem ele”, as chances da extrema-direita vencer as eleições gerais de 2026 com folga não são nada desprezíveis. E isso está se desenhando por causa das políticas de Lula que favorecem o sistema financeiro e punem a classe trabalhadora. Assim, em vez de ficarmos aceitando o mal menor, há que se começar a assumir a necessidade de termos candidaturas de esquerda e anti-neoliberais. Com isso, haveria a possibilidade de educar os segmentos da classe trabalhadora atualmente sob influência da extrema-direita, e de também empurrar Lula para a esquerda.

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