Wladimir está sob fogo cerrado, mais por suas qualidades do que por seus defeitos

Por Douglas Barreto da Mata 

“Onde todos vêem coincidências, eu vejo consequências…”

Essa frase aí em cima é dita por uma personagem de nome Merovingian, de um filme bem famoso, A Matrix.   É auto explicativa. Não há acaso, há relação de causa e efeito. Concordo. 

Olhando a situação do prefeito Wladimir Garotinho pelas mídias e redes sociais temos a impressão de que o mundo desaba sobre Campos dos Goytacazes. Problemas? Muitos, e nem o prefeito ou qualquer outro integrante de sua administração escondem as dificuldades orçamentárias atuais e as iminentes.

A imagem do prefeito “caixeiro viajante” já foi incorporada no imaginário político local, com as frequentes idas de Wladimir Garotinho a Brasília em busca de emendas e leis, como a do semiárido, que tragam algum recurso ou que viabilizem determinadas atividades econômicas. 

Concordando ou não (eu, por exemplo, não sou entusiasta dos subsídios e facilidades para o setor sucroalcooleiro), o fato é que o alcaide não hesita em pedir mais e mais verbas para a cidade. 

Ele só não bateu mais a porta do governo do Estado, como me disseram em segredo alguns integrantes da administração, porque depois que o palácio Guanabara virou comitê de campanha do presidente da Alerj, ninguém mais tem recursos do Estado se não hipotecar apoio ao presidente da Alerj.

É nessa toada que volto ao título. 

O aparente “inferno astral” da administração, com servidores, donos de hospitais, permissionários de transporte complementar (Van) e etc berrando para ganharem mais um pouco não é coincidência, é consequência.

Tudo indica um esforço concentrado de sabotagem e pressão política para dobrar o prefeito em direção ao “Castelo da Guanabara”, onde se pratica aos amigos tudo, aos adversários, a lei (do cão).

Nesse momento em que o prefeito é cortejado por Eduardo Paes parece estranho que movimentos sincronizados se levantem contra o prefeito.  Há de se pensar, se tudo estivesse tão ruim, quem ia insistir em ter o prefeito como parceiro de chapa? Pois é.

Por exemplo, essa série de eventos tem como um de seus destaques as intermináveis obras da Rodovia dos Ceramistas, que empurram o tráfego pesado de carretas para dentro da cidade.  Digo e repito, eu nunca vi, em toda a minha vida, uma obra de recuperação de pavimento sem a possibilidade de pare-e-siga.  Mas, faço a ressalva para os limites de meu conhecimento empírico frente a engenharia contratada pelo DER/RJ.

Servidores têm todo direito a reivindicações salariais, mas quem olhasse os gatos pingados em frente a prefeitura não pode deixar de pensar que foi uma “manifestação encomendada”, algo feito para fazer conteúdo para redes sociais.  Quem faz uma reivindicação com 20, 40 pessoas em nome de 30 mil servidores? 

Ao mesmo tempo, temos os hospitais privados de Campos dos Goytacazes batendo tambor.  Mais de 1 bilhão em 4 anos!  Reclamam valores de 100 milhões, que uns dizem que não há documentos, outros dizem que foi ajuizada.  Funcionários amigos da saúde me dizem que a dívida real, que remonta a gestão Rafael Diniz seria de cerca de 40 milhões, e segue sendo discutida na justiça.  Sendo ou não verdadeiras as versões, então que se resolva na justiça.  Agora, parece muito estranho que uma cidade pague 1 bilhão de reais ou mais em quatro anos, e se negue a pagar ou negociar 100 milhões.

Cadê o bom senso da mídia?  A questão que não foi perguntada é :  o prefeito e seu secretário de saúde, o presidente da FMS têm direito a mudar a gestão do atendimento e contratualização?  Claro, eles foram eleitos para isso, e se eles entenderem que deverá diminuir ou acabar a contratualização de hospitais privados, é direito deles, desde que se ofereça alternativa.

E mais, eles têm o dever de informar as irregularidades do setor, como a cobrança duplicada de consultas e procedimentos (cobra do paciente “social” e cobra do SUS), caso constatem tais desvios de conduta.  Há fundadas suspeitas de que administradores dos hospitais não resistiriam a um exame detalhado de seu patrimônio, que contrasta com a penúria das instituições.  Essas instituições, diga-se, não podem ser confundidas com os seus péssimos administradores.

Quem vai julgar é o eleitor.  Enfim, tudo indica que as raposas da terra estão a dizer que as uvas estão verdes.  Querem abater o prefeito porque parecem ter escolhido um lado na corrida eleitoral de 2026.  Wladimir está sob ataque por suas qualidades, e não pelos defeitos.

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