
Lançamento do filme “Três Atos” da cinesta campista Carolina de Cássia ocorreu no Teatro de Bolso no dia 13 de maio de 2025
Acabo de assistir um simpático vídeo que tem o prefeito Wladimir Garotinho com “garoto propaganda” de um festival internacional de cinema que deverá ocorrer este ano em Campos dos Goytacazes no segundo semestre de 2025. O prefeito, que de bobo não tem nada, aproveita a deixa para vender o seu peixe de que o município (certamente sob seu comando sábio) está diversificando a sua economia que se encaminha para um inevitável pós-petróleo.
Pois bem, apesar de não ser um cinéfilo, convivo cotidianamente com alguém que é. E, até por isso, sou testemunha do problema que é fazer algo básico aqui em Campos dos Goytacazes: sair de casa para assistir um filme em uma sala de cinema. A ´cidade tem hoje no máximo dois espaços para que se assista produções comerciais e outros poucos espaços para que se tenha acesso a produções alternativas, sendo o Cine Darcy da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, um desses poucos espaços. Em outras palavras, até assistir cinema é difícil em Campos, que dirá produzir.
E aí que me vem à cabeça perguntar ao prefeito, quanto é que ele pretende investir (ou seu vice que ocupará a sua cadeira em um futuro não muito distante) para que Campos dos Goytacazes “volte a produzir cinema”. É que até onde eu sei, essa peça de propaganda deve ser a primeira vez em que o prefeito sequer vislumbra saber que aqui há algum tipo de potencial produtivo para cinema.
Eu que tenho como amiga a cineasta e documentarista campista Carolina de Cássia que vem produzindo peças super sensíveis sobre a realidade local, sei que ela o faz por obstinação e senso criativa, mas nunca por apoio do governo local. Aliás, a sua última produção, o “Três Atos” que foi apresentado recentemente no Teatro de Bolso, eu lamentavelmente não pude assistir por causa de tarefas familiares que ocorriam no horário em que o mesmo foi lançado (ver abaixo).
Assim, se é verdade que o prefeito ou o seu eventual sucessor tem algum compromisso com a produção local, não basta apoiar um congresso que virá e irá ao sabor dos ventos que sopram nesta planície. Há que se ter investimento (muito investimento mesmo) para que a peça de propaganda não seja apenas um folha espalhada por um vento sudeste em dia de entrada de frente fria.