Audiência em praça pública debate avanço descomunal da erosão na Praia do Açu

Audiência em praça pública coloca em debate a erosão que consome a  Praia do Açu

Desde o início de 2014, venho usando espaço para abordar o avanço do processo erosivo que está consumindo a passos acelerados a outrora aprazível Praia do Açu, levando mar adentro dezenas de moradias e arrastando histórias e as casas dos moradores da pacata localidade da Barra do Açu. 

Curiosamente, e em acordo com a memória dos moradores mais antigos da Barra do Açu, um documento produzido por uma empresa do Grupo MMX, a Mineração, Pesquisa e Comércio Ltda   , publicou um relatório atestando que aquela parte da costa era bastante estável e não estaria, por isso, sujeita a processos erosivos como o que se assiste nos dias atuais (ver imagem abaixo).

Uma alma mais ingênua poderia então se perguntar sobre como uma área que era relativamente estável e não candidata a sofrer processos erosivos graves chegou ao estado atual.  Como já registrei neste blog em diversas ocasiões, o início do processo erosivo está diretamente ligado à construção do “molhe” que protege a entrada do Canal de Navegação do Porto do Açu e cuja existência alterou a dinâmica de movimentação de sedimentos naquela área (ver imagem abaixo).

É importante ainda lembrar que  no dia 2 de outubro de 2014 participei de uma audiência pública onde apresentei um relatório técnico onde mediu-se a quantidade de área erodida pelo avanço do mar na Praia do Açu (ver imagem abaixo).

Em que pese a presença de um especialista contratado pelo Porto do Açu que eximia a empresa de responsabilidades pelo processo erosivo ocorrendo na Praia do Açu, o então o Gerente Geral de Sustentabilidade na Prumo Logística S/A, Vicente Habib, garantiu que a empresa iria ser solidária e pariticiparia dos esforços em prol da cessação do processo.

Agora, mais de 11 depois daquela animada audiência, vê-se que o Porto do Açu não só não foi solidário, mas como está ganhando dinheiro com os sedimentos que são dragados e não retornados para a dinâmica costeira, contribuindo diretamente para a aceleração do processo erosivo (ver imagem abaixo).

É a famosa situação de ganha-perde (onde o Porto do Açu e a população perde), o que torna a situação ainda mais esdrúxula, demandando medidas urgentes para mitigar (a palavra sempre presente nos Estudos de Impactos Ambientais) os efeitos da alteração de dinâmica de sedimentos na Praia do Açu.

Assim, vejo como positiva a reunião pública que ocorreu ontem na Praça da Barra do Açu (a qual já dá sinais que não durar muito se nada for feito) e que reuniu moradores da Barra do Açu e um grupo composto por 4 vereadores sanjoanenses (Analiel, Junior Monteiro, Julinho Peixoto e Elísio Motos). Como fui informado que em São João da Barra não existe oposição à prefeita na Cãmara de Vereadores, é bom saber que 4 vereadores governistas foram até a Barra do Açu e se reuniram com a população aflita por respostas (ver vídeo abaixo).

O único problema é que as soluções urgentes não podem esperar muito mais tempo, já que as imagens mostram que a erosão está avançando de forma avassaladora e não há como esperar pela contratação de uma empresa que faça um projeto de engenharia para salvar a Barra do Açu. A ação teria que ser agora e precisaria envolver os responsáveis pela erosão, qual seja, o Porto do Açu.  Capacidade técnica e equipamentos o Porto do Açu tem. e basta querer usar que os efeitos serão imediatos. Resta saber quem vai apresentar essa fatura aos gestores do Porto do Açu.

Uma boa data para essa entrega será durante a audiência pública do hub ferro metálico que ocorrerá na próxima 4a. feira no Grussai Praia Clube.

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