
O indicador conhecido como “Produto Interno Bruto” foi desenvolvido na década de 1930 pelo economista russo-americano Simon Kuznets, em resposta à necessidade de medir a produção econômica durante a Grande Depressão. Já a ferramenta para calcular o PIB foi formalmente desenvolvida em 1937 e aprimorada na década de 40 por Richard Stone, ganhando destaque internacional após a conferência de Bretton Woods em 1944.
Na prática, o crescimento do valor do PIB se dá pelo avanço das formas predatórias de produção e reprodução do capitalismo. No entanto, governos nacionais tendem a festejar o crescimento do PIB e dar de ombros para a óbvia realidade que isso se dá, invariavelmente, às custas dos sistemas naturais da Terra e da exploração dos trabalhadores.
Mas há algo mais candente ainda em tempos de colapso climático: o aumento do PIB, ou a perseguição dele, está na raiz da crise climática. É que quanto mais crescimento se tem, mais destruição está ocorrendo e mais gases estufa estão sendo emitidos para aquecer ainda mais a atmosfera.
Economia solidária? Capitalismo verde? Essas são fórmulas nas quais não se abre mão do crescimento do PIB, ou seja, não alteram em nada o ritmo de destruição imposto pelas formas concretas pelas quais o capitalismo opera. Quando muito, essas variantes servem para dar um “greenwashing” no capitalismo, nada mais do que isso.
O fato inescapável é que só poderemos falar com um mínimo de credibilidade em lutar pelo controle do colapso climático que se avizinha se a noção de crescimento do PIB for a única aceita para se medir o grau de êxito de sociedades inteiras. Na prática, a única notícia que poderá ser considerada boa virá com a queda acentuada do PIB global. Qualquer coisa diferente disso, será inútil para se tatar do problema climático.