Dez anos depois de uma obra inaugurada às pressas, o mesmo ponto da avenida volta a ceder — agora com acidentes e sinalização precária
Uma obra que parecia não ter fim
Quem mora na Avenida Sete de Setembro ou circula com frequência pela região provavelmente ainda se lembra do ano de 2012. Naquele período, uma obra que parecia interminável transformou a rotina dos moradores em um verdadeiro teste de paciência. Meses de transtornos, poeira, barulho e intervenções mal coordenadas fizeram parte do cotidiano de quem vive ou trabalha nas proximidades da avenida.
Ao final, a obra foi inaugurada às pressas, claramente com o objetivo de dar fôlego à campanha de reeleição de Rosinha Garotinho. A tentativa de capitalizar politicamente a entrega da obra não teve impacto eleitoral, mas deixou como herança um problema que nunca foi plenamente resolvido.
Um defeito que insiste em reaparecer
Desde a conclusão daquela intervenção, um ponto específico da avenida passou a apresentar um comportamento recorrente: o asfalto cede. Sempre que isso ocorre, a solução adotada parece ser a mesma. Realiza-se um reparo pontual, o trecho é remendado e, por algum tempo, a situação parece estabilizada. No entanto, não demora muito para que o problema retorne exatamente no mesmo lugar.
Esse padrão sugere algo bastante evidente. Não se trata apenas de um defeito superficial no pavimento, mas possivelmente de um problema estrutural mais profundo, relacionado à base da via, à drenagem ou mesmo à forma como a obra foi executada originalmente. Enquanto a causa real não for enfrentada de maneira definitiva, a tendência é que o ciclo de afundamentos e remendos continue se repetindo.
Março de 2026: a cratera volta a abrir
Foi exatamente isso que voltou a acontecer agora, em março de 2026. Uma grande cratera abriu-se novamente na Avenida Sete de Setembro, evidenciando que o problema permanece ativo e sem solução duradoura.
O que já seria preocupante por si só tornou-se ainda mais grave pela maneira como a situação foi tratada ao longo deste sábado, 14 de março. A cratera permaneceu no local com uma sinalização claramente precária e, mais grave ainda, sem qualquer iluminação que permitisse sua identificação adequada durante a noite.
Quando o risco vira acidente
Diante desse cenário, o que aconteceu era praticamente previsível. Pelo menos dois veículos se envolveram em acidentes ao atingir a cratera ao longo do dia. A situação torna-se ainda mais preocupante quando se considera o padrão de circulação na própria avenida.
A Sete de Setembro é uma via onde muitos motoristas trafegam em velocidades elevadas, especialmente no período noturno. Sem mecanismos eficazes de controle de velocidade e diante de uma sinalização improvisada, o risco de novos acidentes permanece alto. Na prática, a cratera transforma-se em um obstáculo inesperado no meio da pista, capaz de surpreender condutores que só percebem o problema quando já é tarde demais.
Um problema que exige ação imediata
Diante de uma situação como essa, o mínimo que se espera do poder público é uma resposta rápida e eficaz. A cratera precisa ser devidamente sinalizada, iluminada e isolada de maneira adequada para evitar novos acidentes. Mais do que isso, é necessário enfrentar o problema de forma definitiva, investigando suas causas e realizando uma intervenção estrutural que impeça a repetição do problema.
A responsabilidade por garantir a segurança viária na cidade envolve diretamente o Instituto Municipal de Trânsito e Transporte de Campos, que deveria atuar de forma preventiva diante de riscos tão evidentes.
A cratera da Sete de Setembro não é apenas um buraco no asfalto. Ela é o retrato de um problema antigo, de soluções improvisadas e de uma negligência que pode transformar transtornos em tragédias. Quando acidentes começam a acontecer, o alerta já foi dado. Resta saber se alguém no poder público está disposto a ouvi-lo antes que algo mais grave aconteça.
Alô IMTT, cadê você? 🚧🚗⚠️
