Rio 40 graus, da beleza e do caos

Lançado em agosto de 1955, Rio, 40 Graus, dirigido por Nelson Pereira dos Santos, permanece como um dos grandes marcos do cinema brasileiro. Considerado precursor do Cinema Novo, o filme inovou ao retratar com forte realismo o cotidiano de moradores das favelas cariocas, especialmente na região da Favela da Providência, em um dia de calor intenso. Influenciado pelo neorrealismo italiano, rompeu com a visão idealizada da cidade ao expor desigualdades sociais de forma direta — o que levou, inclusive, à sua censura poucas semanas após a estreia, sob a acusação de mostrar apenas os aspectos negativos do Rio de Janeiro.

Décadas depois, o título seria ressignificado na música “Rio 40 Graus”, lançada em 1992 por Fernanda Abreu no álbum SLA 2 Be Sample. Misturando pop e dance, a canção também traduz as contradições da cidade, celebrando sua energia ao mesmo tempo em que aponta suas tensões sociais. Assim, tanto no cinema quanto na música, “Rio, 40 Graus” se consolida como um retrato potente e multifacetado da realidade carioca.

Agora, 81 anos depois do lançamento do filme e 34 da música, eis que o estado do Rio de Janeiro está afundado no caos em função de décadas de controle político por grupos que atuaram para enriquecer às custas da ampliação da pobreza e da violência para controlar as massas empobrecidas.  A saída desse caos programado ainda não está visível no horizonte, mas há que se buscar alternativas de forma urgente ao controle que hoje existe sobre o aparelho de Estado por parte de figuras que não querem que a situação da maioria melhore, apenas piore.

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