No dia de hoje, o mote tem que ser “É o salário-mínimo, estúpido!”

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Reportagem da Folha de São Paulo revelou os planos sinistros de Paulo Guedes contra o salário-mínimo, aposentadorias e pensões, no que seria um brutal ataque à condição de vida dos pobres brasileiros

Em 1992 durante a campanha presidencial de Bill Clinton em que ele concorria contra George Bush pai, um dos seus principais estrategistas de campanha, James Carville, cunhou a frase que definiria a forma pela qual a mensagem de mudança se daria. Carville cunhou a famosa frase “It´s the economy, stupid” (ou em português; É a economia, estúpido!).

Pois bem, 30 anos depois temos uma eleição marcada por uma gigantesca compra de votos e uso do aparelho do Estado para dar uma mão gigantesca para que Jair Bolsonaro seja reeleito. O emprego de uma gigantesca fábrica de fake news empurrou o debate para o campo dos costumes até a penúltima semana de campanha quando uma matéria da Folha de São Paulo revelou os planos de arrocho econômico contra trabalhadores, aposentados e pensionistas que estavam sendo gestados na encolha pelo ministro Paulo Guedes.

Repentinamente, a campanha eleitoral saiu do campo dos costumes para o salarial, especialmente porque um dos alvos preferenciais de Paulo Guedes é o salário-mínimo, fonte de sustento de pelo menos 70 milhões de brasileiros que hoje se equilibram para não passar fome, como já ocorre com 31 milhões de nossos compatriotas.

Pois bem, essa mudança de pauta foi, provavelmente, o marco de uma mudança na tendência no aperto estatístico que o governo Bolsonaro estava conseguindo a partir de um derrame de recursos públicos na forma de distribuição de auxílios, mas que objetivamente era uma forma estatal de compra de votos.

Passando do campo dos costumes para o “É o salário-mínimo, estúpido”, o avanço de Jair Bolsonaro desacelerou e o ex-presidente Lula chega hoje com boas chances de vitória. Tanto isso é verdade que ontem o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre Moraes, teve que desarmar uma bomba preparada pelo ministro de Justiça na forma de operações de coerção de livre movimentação de eleitores, especialmente no Nordeste. Essa operação de última hora envolvendo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Federal (PF) aparentemente se destinava a aumentar a abstenção na região onde Lula terá uma maioria expressiva de votos. O nome disso, sem tirar nem pôr, é repressão ao direito de voto dos brasileiros.

Agora é esperar que as manobras desesperadas do governo Bolsonaro não resultem no aumento da abstenção e que a maioria expressa nas pesquisas se transforma em realidade nas urnas.

Mas não esqueçam, caso Lula vença, de enviar um agradecimento às jornalistas que trouxeram à luz os planos macabros de Paulo Guedes contra os trabalhadores, aposentados e pensionistas brasileiros.

Deputada bolsonarista Carla Zambelli faz perseguição armada contra jornalista negro nas ruas de São Paulo

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Com pistola em punho, a deputada bolsonarista Carla Zambelli (PL/SP) persegue um jornalista negro após discussão em ambiente público

Há uma semana atrás, o ex-deputado federal Roberto Jefferson deu 50 tiros e atirou 3 granadas contra uma equipe da Polícia Federal que fora enviada até a sua casa para prendê-lo. O fato causou um grande embaraço para o presidente Jair Bolsonaro de quem Jefferson é amigo de longa data e um forte apoiador nas redes sociais.

Pois bem, hoje a menos de 24 horas do início do segundo turno das eleições presidenciais, outra aliada próxima de Jair Bolsonaro, a deputada federal Carla Zambelli (PL/SP) protagonizou cenas dantescas ao perseguir com uma pistola na mão um jornalista negro com quem teve um entrevero verbal (ver vídeo abaixo).

O problema é que não apenas existe uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que civis não portem armas neste momento, Zambelli, o que se pode chamar de “Bolsonarista raiz”, já disse que desobedeceu conscientemente a determinação do TSE, o que configura o cometimento de um crime.

A campanha de Jair Bolsonaro já está tendo se distanciar de Zambelli como, aliás, já fez com Roberto Jefferson. O problema é que a cenas de perseguição armada onde foram dados tiros em um momento de grande circulação na rua onde o fato ocorreu já viralizaram. Essa “viralização”  já tornou as ações da deputada bolsonarista um fato de conhecimento nacional. Assim, se Jair Bolsonaro ainda tinha esperanças de atrair votos dos “indecisos”, pelo jeito agora a coisa ficou bem mais difícil.

É que, convenhamos, se uma apoiadora tão emblemática como Carla Zambelli protagonizou essas cenas em ambiente público, criando uma conexão indesejável com o candidato/presidente.

No domingo, o voto em Lula é um voto em defesa da universidade pública, patrimônio dos trabalhadores brasileiros

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Neste próximo domingo estaremos diante de duas possibilidades de voto para o próximo presidente do Brasil. Posto abaixo a minha mensagem gravada em defesa não apenas da necessidade de se votar no ex-presidente Lula, mas também de que todos os que entendem a gravidade da situação que vivemos neste momento no Brasil trabalhem para garantir a maior quantidade possível de votos no candidato do Partido dos Trabalhadores.

Lembro que não se ganha eleição com resultados de pesquisas, mas com a ação incansável para convencer as pessoas a irem votar no domingo no único candidato que poderá nos ajudar a sair do caos social e econômico em que o Brasil se encontra neste momento.

Como eu disse no vídeo, como professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense, tenho a completa certeza de que se ainda estivessem vivos, Darcy Ribeiro, Leonel Brizola e Oscar Niemeyer também estariam trabalhando pela eleição de Lula. É que simplesmente o outro candidato e atual presidente do Brasil representa tudo o que eles lutaram contra em suas ilustres vidas. 

Finalmente, o voto em Lula é acima de tudo em defesa dos trabalhadores brasileiros e das universidades públicas.

 

Lula reduziu desmatamento da Amazônia em 70%; aumento em anos de Bolsonaro é de 73%

O governo do petista pegou uma das maiores taxas da história quando assumiu o primeiro mandato, em janeiro de 2003, mas entregou índice em queda vertiginosa para a sucessora Dilma Rousseff. Já Jair Bolsonaro assumiu o mandato em janeiro de 2019 com uma tendência de alta e, com a paralisação e retrocesso de medidas contra a perda de floresta, os números retrocederam em 15 anos.

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No domingo (16), Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) se enfrentaram em um novo debate na Band, duas semanas antes do segundo turno. Os candidatos trocaram acusações e confundiram a cabeça do telespectador.
 

Lula disse: “Foi no nosso governo o menor desmatamento da Amazônia”.

Bolsonaro rebateu: “No seu governo foi desmatado mais do que o dobro do que o meu”.

Lula respondeu: “Quando eu ganhei as eleições tinha um desmatamento de 27 mil quilômetros. Caiu para quatro mil quilômetros”.

Quem falou a verdade? Vamos aos fatos:

Entre 2002 (21,6 mil km²) e 2011 (6,4 mil km²), mandato de Lula até a posse de Dilma Rousseff (PT), a taxa de desmatamento diminuiu 70,3%. Já entre 2018 (7,5 mil km²) e 2021 (13 mil km²), que inclui os primeiros três anos do governo de Jair Bolsonaro, ocorreu uma alta de 73,3%, segundo os dados oficiais do Prodes, Projeto para o mapeamento oficial das perdas anuais de vegetação nativa na Amazônia Legal, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Entre 2002 (21,6 mil km²) e 2011 (6,4 mil km²), mandato de Lula até a posse de Dilma Rousseff (PT), a taxa de desmatamento diminuiu 70,3%. Já entre 2018 (7,5 mil km²) e 2021 (13 mil km²), os primeiros três anos de Jair Bolsonaro, ocorreu uma alta de 73,3%.

Com relação à área de floresta, Jair Bolsonaro (PL) diz que durante o governo Lula o desmatamento foi “mais do que o dobro”. Ele faz um recorte injusto, já que o candidato do PT governou por oito anos, enquanto ele por 4. Se ambos tivessem taxas de desmate ano a ano iguais, Lula ainda assim teria o dobro de floresta perdidas no total devido à quantidade de tempo no governo.

Neste caso, é importante levar em conta a média do período: foram 8 anos de governo Lula e 15,7 mil km² por ano, em média — no governo de Bolsonaro, foram 3 anos e uma média de 11,3 km² por ano. Ou seja: o índice não é o “dobro” e o candidato do PL também não esclarece que Lula recebeu uma taxa altíssima, o que eleva a média, mas a transforma na menor da história.

O menor desmatamento da Amazônia

O primeiro mandato do governo Lula, que tomou posse em janeiro de 2003, recebeu uma taxa de 25,4 mil km² da gestão anterior. O Brasil vivia taxas altíssimas de desmatamento, sendo que um ano depois, em 2004, o registro continuou subindo: foram 27,8 mil km², número a que se referiu o candidato do PT durante o debate.

Com a chegada de Lula, Marina Silva assumiu como ministra do Meio Ambiente também em janeiro de 2003. Em 3 de julho daquele ano, um decreto instituiu o Grupo Permanente de Trabalho Interministerial (GPTI), que chegou a ser composto por 17 ministérios e esteve sob coordenação da Casa Civil. A equipe elaborou o PPCDam, Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal.

Lançado em 2004, o PPCDAm tinha 3 eixos principais para combate ao desmatamento: ordenamento fundiário e territorial; monitoramento e controle; fomento às atividades produtivas e sustentáveis.
 Em resumo, de forma bastante simplória e até mesmo injusta com a complexidade do programa, ele foi um esforço coletivo e político para a demarcação e a destinação de terras, para aumentar as ferramentas de dados e a fiscalização em campo, além de ter uma política clara contrária aos crimes ambientais.

Clarissa Gandour, colunista do PlenaMata, doutora em Economia pela PUC-Rio e coordenadora de Avaliação de Política Pública para Conservação no Climate Policy Initiative/PUC-Rio, está entre as especialistas que defendem a eficiência do programa. Em texto de novembro de 2021, ela diz: 

“O PPCDAm inaugurou uma nova abordagem para lidar com o desmatamento na Amazônia. Foi pioneiro não apenas em conteúdo, ao introduzir instrumentos inovadores de política pública, mas também em forma, ao considerar o combate ao desmatamento como uma responsabilidade interministerial e não apenas do Ministério do Meio Ambiente”.
 

O PPCDAm inaugurou uma nova abordagem para lidar com o desmatamento na Amazônia. Foi pioneiro não apenas em conteúdo, ao introduzir instrumentos inovadores de política pública.

Clarissa Gandour, colunista do PlenaMata, doutora em Economia pela PUC-Rio e coordenadora de Avaliação de Política Pública para Conservação no Climate Policy Initiative/PUC-Rio

Retomando a primeira fala de Lula: “Foi no nosso governo o menor desmatamento da Amazônia”. O candidato falou a verdade porque preferiu falar “nosso” governo, no lugar de “meu” governo. Apesar de pegar a maior taxa da história, os 27,8 mil km², o governo do PT conseguiu atingir 4,6 mil km² de desmatamento em 2012 (segundo ano de Dilma). Esse é o menor índice da série do Prodes, monitoramento anual do Inpe.
 

Retomada

Jair Bolsonaro (PL) assume o cargo em 2019 já com uma tendência de alta nas taxas de desmatamento. No entanto, segundo analistas e especialistas já entrevistados pelo PlenaMata, uma série de medidas contribuíram para uma alta sequencial ainda maior no índice.

Entre as mais simbólicas, está a chegada de Ricardo Salles como ministro do Meio Ambiente que, em seu primeiro ato no governo, já extinguiu a secretaria à qual o PPCDam estava vinculado.

De 2019 a 2021 – a taxa anual de 2022 do Prodes ainda não foi divulgada, já que geralmente os dados são liberados em novembro – a gestão de Bolsonaro consolidou uma alta de 73% no desmatamento na Amazônia Legal.

Além disso, o principal órgão fiscalizador do governo, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama Autarquia federal vinculada ao Ministério do Meio Ambiente responsável por fiscalização, licenciamento e outras funções na área ambiental.) foi desmontadotanto em número de autuações, com uma queda de 23% ainda em 2019, quanto em ações efetivas em campo e na aplicação das multas. Bolsonaro chegou a dizer a ruralistas que negociou “uma limpa” no Ibama e no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBioAutarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente responsável por ações ligadas ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação.).

Em 2022, enquanto a campanha eleitoral acontece, a perda de floresta segue batendo recordes. Apesar de a taxa anual de desmatamento ainda não ter sido divulgada, é possível medir a “temperatura” da destruição com os alertas emitidos pelo sistema Deter, também do Inpe. Em setembro, 1.455 km² foram desmatados  o número é 48% maior que o registrado no mesmo período do ano passado e é a pior taxa da série histórica para o mês desde o início do monitoramento.

Os dados anuais também não são positivos: o acumulado de alertas de desmatamento em 2022 já é o maior da série histórica do Deter — foram 8.500 km² desmatados de janeiro a setembro de 2022 na Amazônia. Nesses 9 meses, o país teve mais derrubadas do que durante todos os 12 meses de 2021. Além disso, nesta quarta-feira (19), o Contador de Árvores Derrubadas.

Ferramenta desenvolvida pelo MapBiomas/PlenaMata que estima em tempo real quantas árvores são derrubadas na Amazônia Legal brasileira

do PlenaMata ultrapassou a marca de 500 milhões de árvores derrubadas na Amazônia.

Contador do PlenaMata traz estimativa em tempo real de árvores derrubadas na Amazônia Legal. No fechamento desta reportagem, em 19 de outubro, marcava 502 milhões de árvores derrubadas por desmatamento em 2022.


O PlenaMata leu os planos de governo de Lula (PT) e Bolsonaro (PL). Depois, compartilhou os trechos relacionados à Amazônia, principalmente, mas também conectados à pauta ambiental, com os especialistas Adriana Ramos, Ilona Szabó, Marcio Astrini e Beto Veríssimo. Leia as análises das propostas:


Reportagem do InfoAmazonia para o projeto PlenaMata.

No domingo, precisamos votar para derrotar Jair Bolsonaro e Paulo Guedes e seus planos nefastos contra o povo brasileiro

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Figura de proa na campanha eleitoral de 2018, o ministro da Fazenda Paulo Guedes repentinamente se viu forçado a sair das sombras que se encontrava na atual campanha para oferecer sua visão de futuro para o Brasil, e eles não são nada bons para os pobres.  Forçado a isso pelas revelações trazidas à luz por reportagens da “Folha de São Paulo” e do “Estado de São Paulo”,  Paulo Guedes consegue a proeza de negar confirmando o que pretende fazer com a economia brasileiro, caso Jair Bolsonaro consiga se reeleger.

Além de desindexar o salário-mínimo, aposentadorias e pensões da inflação passada (o que objetivamente implicará em um confisco de renda de mais de 70 milhões de brasileiros pobres), Guedes também pretende acabar com as deduções no Imposto de Renda com gastos de saúde e educação, novamente prejudicando os segmentos mais pobres da população (veja o que Guedes pensa sobre aposentadorias no vídeo abaixo).

Mas esses confiscos são apenas perfumaria em relação aos planos de privatização do Banco do Brasil, da Petrobras e das universidades federais.  É o avanço dessas metas de desnacionalização completa e asfixia de qualquer possibilidade de o Brasil participar em condições minimamente competitivas da chamada Revolução Industrial 4.0 que realmente embala os planos de Paulo Guedes que aparentemente sonha com um país atolado em uma cultura neocolonial misturada com a especulação financeira globalizada.

Há que se dizer que economistas de amplas matizes (desde neoliberais até adeptos de maior participação direta do Estado na atividade econômica) consideram que Paulo Guedes é um ministro cujas políticas foram desastrosas para a economia brasileira, resultando em uma profunda regressão de todos os indicadores que são usados para medir a saúde da economia de um país.

Apesar disso, Jair Bolsonaro não dá nem uma sinalização de que pretenda mexer no posto ocupado por Paulo Guedes, mesmo porque a estas alturas ele teria dificuldade de encontrar qualquer pessoa disposta a sentar no lugar do seu “Posto Ipiranga”. É que o dano causado por Paulo Guedes é de tamanha monta que só outro presidente poderá ter a autoridade de implantar políticas que possam tirar o Brasil do atoleiro em que se encontra.

O Posto Ipiranga como o Waterloo de Bolsonaro

Por outro lado, há que se dizer que se Jair Bolsonaro perder as eleições no próximo domingo, isto se dará em grande parte pelo vazamento dos planos que Paulo Guedes tem para os próximos quatro anos. Curiosamente, o vazamento precoce de seus planos pode ter sido a centelha que deslocou o plano engenhosamente elaborado pela campanha de Bolsonaro.

O simples acesso a esses planos aparentemente causou uma paralisia no avanço que as pesquisas vinham notando nas intenções de votos de Jair Bolsonaro. Também, pudera, do pouco que vazou já se pôde visualizar o impacto que isto teria na vida dos brasileiros.

Assim, curiosamente, a pessoa que serviu como caução de  um claramente inepto Jair Bolsonaro em 2018, agora poderá ser a causa de sua derrota. E eu digo que ainda bem, pois o Brasil e a maioria pobre da sua população (mesmo aquela parcela que hoje vota em Jair Bolsonaro) não iriam sobreviver a mais quatro anos desta política de terra arrasada que só serve para aumentar uma concentração de renda que já era uma das maiores do mundo.

O estranho caso envolvendo Tarcísio Freitas em Paraisópolis: por que mandaram apagar as cenas de um episódio mortal?

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Será que sou o único a achar que existe algo muito esquisito no episódio envolvendo o ex-ministro Tarcísio Freitas em que uma pessoa foi morta a tiros na favela de Paraisópolis no dia 17 de outubro? Primeiro foi a tentativa de mostrar o ocorrido como um atentado político (no melhor estilo facada de Juiz de Fora), mas que teve de ser rapidamente abandonada porque a polícia paulista (civil e militar) apuraram que não se tratou disso.

Agora sabemos que a equipe de segurança de Tarcísio Freitas composta por agentes que aparentemente estavam em desvio de função tentaram faz com que um cinegrafista da Rádio Jovem Pan apagasse as imagens do incidente, sem que houvesse outra explicação que não fosse uma tentativa de ocultar um fato ou presença de pessoa que causaria danos à candidatura do ex-ministro caso viesse ao conhecimento dos eleitores paulistas.

Como esse é um caso de forte interesse público, o mínimo que se pode cobrar da Jovem Pan e também das autoridades paulistas é que as cenas que se tentou apagar sejam mostradas publicamente. É que em uma eleição que mostra agora bastante apertada, esse é um assunto que não pode ficar sem explicação.

O problema que se põe é o seguinte:  qual caroço que vai aparecer nesse angu de dimensões colossais?

Brumadinho: 272 árvores serão plantadas em homenagem às 272 vidas perdidas na tragédia

Ação acontece neste sábado, 29 de outubro, promovida pela Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego Feijão (AVABRUM) e pelo Instituto Camila e Luis Taliberti

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No próximo sábado, 29 de outubro, uma área verde de Brumadinho vai ganhar o plantio de 272 mudas de árvores, de variadas espécies nativas da Mata Atlântica. A ação promovida pela AVABRUM e o Instituto Camila e Luiz Taliberti será aberta ao público e irá ocorrer a partir das 8h30 da manhã, na Área Verde do Salgado Filho, região que pertence ao município e fica próxima ao cemitério Parque das Rosas, onde várias vítimas da tragédia-crime da Vale foram sepultadas. O local se encontra sob cuidados da Brigada Carcará, que já promove ali uma ação de reflorestamento, e vai oferecer suporte técnico na ação de sábado.

“O simbolismo deste ato homenageará as 272 vidas ceifadas pelo crime da Vale e Tüv Süd em Brumadinho. É mais um ato para eternizar a memória das vítimas e também um ato de resistência frente ao esquecimento de um crime premeditado e tão bárbaro. Nós não vamos esquecer e não vamos deixar que esqueçam. Além disso, o plantio das mudas contribui na recuperação do meio ambiente, já que com o rompimento da barragem houve perda de vegetação do bioma Mata Atlântica em Brumadinho. A recuperação desse bioma, consequentemente, contribui na melhoria da saúde e qualidade de vida da população. Dessa forma, nossos entes queridos continuam contribuindo por um mundo melhor ”, declarou em nota a diretoria da AVABRUM.

O Instituto Camila e Luiz Taliberti, realizador do ato em parceria com a AVABRUM, foi fundado por Helena Taliberti, que perdeu seus dois filhos – Luiz e Camila – na tragédia do rompimento da barragem, além da nora, Fernanda, que estava grávida de 5 meses. Naturais de São Paulo, eles viajavam com o pai e a madrasta (que também perderam a vida no acidente), e estavam hospedados na pousada Nova Estância, que foi totalmente destruída pela lama de rejeitos. Segundo Helena, “Plantar 272 mudas é manter o legado dos meus filhos, Camila e Luiz Taliberti, e contribuir para preservação do meio-ambiente. É a construção de um memorial vivo e a certeza de que a morte de todos eles não foi em vão! Assim como o plantio que irá ocorrer em Brumadinho no próximo dia 29/10, plantamos 272 mudas em parceria com a SOS Mata Atlântica em Itu/SP e com o Projeto Plantar na cabeceira do Rio São Francisco. E o projeto do Instituto Camila e Luiz Taliberti é expandir para outros locais, porque tentaram nos enterrar, não sabiam que éramos sementes.”

Além da Brigada Carcará, a iniciativa do plantio deste sábado conta também com apoio do Projeto Legado de Brumadinho* e do Departamento de Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Brumadinho.

*Projeto realizado com recursos destinados pelo Comitê Gestor do Dano Moral Coletivo pago a título de indenização social pelo rompimento da Barragem em Brumadinho, em 25/01/2019, que ceifou 272 vidas.

O choro antecipado de mau perdedor de Jair Bolsonaro é quase uma confissão

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O presidente Jair Bolsonaro em coletiva de imprensa com cara de mau perdedor

Por algum desses motivos que a razão desconhece, o presidente Jair Bolsonaro tinha plena certeza que venceria as eleições presidenciais já no primeiro turno. Isso ficou evidente em declarações em que ele assegurava que iria resolver a disputa na primeira volta. Qualquer um que vê as coisas de forma da redoma bolsonarista sabia que essa não era a situação, o que ficou evidente ao final a contagem dos votos. 

O que saiu das urnas é que o ex-presidente Lula só foi para o segundo turno por causa de outros candidatos (da chamada 3a. via) que lhe tiraram os votos que teriam permitido atender aos sonhos do seu comando de campanha que também era resolver a fatura no primeiro turno, algo que se viu era mais próximo da realidade.

Ao final da noite de 02 de outubro, eu e muitos outros que se debruçavam sobre os números finais do primeiro já podíamos concluir que a situação de Jair Bolsonaro era crítica, na medida em que os votos dados a Simone Tebet e Ciro Gomes somavam muito mais do que Lula precisaria para vencer o segundo turno.  Ainda que nem tudo seja linear quando se trata de eleições, a história mostra que quem chegou mais perto do 50% + 1 tende a vencer na maioria das vezes. É uma simples conta matemática, acrescida dos eventuais apoios dos candidatos mais bem posicionados.

Para complicar ainda mais, Simone Tebet (a 3a. colocada) embarcou de forma decidida na campanha de Lula, tendo ganho destaque por falar com um eleitorado que normalmente rejeita votar nos candidatos do PT. Com isso, a tarefa de Jair Bolsonaro que já era difícil, complicou-se de sobremaneira.

Curiosamente, e em grande parte turbinada por uma generosa liberação de recursos públicos, as duas primeiras semanas do segundo turno foram generosas com Jair Bolsonaro com as pesquisas captando isso ao mostrar uma lenta, mas constante aproximação com os números ostentados por Lula. Isso chegou a, inclusive, acender a luz amarela no comitê de campanha de Lula que viu com grande preocupação o avanço de Jair Bolsonaro.

A derrocada começa com o “pintou um clima” com as venezuelanas e chega ao ápice com o atentado de terrorista de Roberto Jefferson contra membros da Polícia Federal

Repentinamente, uma derrapada na língua de Jair Bolsonaro (talvez por excesso de confiança), surge no interior da campanha eleitoral o estranho caso do “pintou um clima” envolvendo o presidente da república com uma situação pouco clara com um grupo de adolescentes vivendo em uma comunidade periférica de Brasília.  Algo que não precisaria ser dito (até porque realmente é muito estranha) tirou a campanha de Jair Bolsonaro do prumo, com o presidente da república tendo se explicar sobre o que seriam suas tendências pedófilas.

O que já era ruim acabou piorando ainda mais quando o jornal “Folha de São Paulo” publicou uma reportagem dando conta que o ministro da Fazenda, o Sr. Paulo Guedes, possuía planos para desindexar o reajuste do salário-mínimo, aposentadorias e pensões do índice de inflação passada, o que alguns economistas apontam ter potencial devastador de mais de 70 milhões de trabalhadores brasileiros.  A incapacidade de gerar uma explicação crível para dados emanados do interior do próprio Ministério da Fazenda geraram combustível para torrar as promessas eleitorais de Jair Bolsonaro, reduzindo a sua campanha eleitoral a uma peça de propaganda de credibilidade questionável.

Como se seguindo a primeira lei de Murphy, no domingo passado o ex-deputado federal Roberto Jefferson resolveu passar do seu contorcionismo coreográfico e resolveu dar 50 tiros e jogar 3 granadas em uma equipe de agentes da Polícia Federal que tinham ido prendê-lo após a suspensão do benefício da prisão domiciliar. Com isso, claramente a campanha de Jair Bolsonaro, mesmo turbinada com milhões de reais vindas de contribuições de empresários bolsonaristas, entrou em modo de crise, já que o somatório das notícias ruins se mostrou muito negativo para quem estava tentando virar um jogo difícil de ser virado.

A manobra desesperada de Fábio Faria e o esperneio choroso do mau perdedor

Aparentemente sentindo que a vaca bolsonarista estava indo para o brejo, na segunda-feira (ainda sob o calor da ação desastrada de Roberto Jefferson), o ministro das Comunicações do governo Bolsonaro e genro de Silvio Santos, Fábio Faria, realizou uma manobra considerada como desesperada até por membros da campanha presidencial.  Com base em um suposto laudo fornecido por uma empresa que normalmente presta serviços a Luciano Hang, Fábio Faria denunciou que quase 200 mil inserções de rádio da campanha de Jair Bolsonaro tinham sido deixadas de serem veiculadas, algo que comprometeria a lisura do pleito.

A manobra, no entanto, carecia de provas, as quais foram rapidamente cobradas pelo ministro Alexandre Moraes, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Como o laudo fornecido pela campanha de Jair Bolsonaro não alcançou o limiar de crível, Alexandre Moraes não só arquivou a denúncia, como mandou iniciar procedimento para verificar o possível cometimento de crime eleitoral por parte do pessoal de Jair Bolsonaro.

Sentindo que a vaca estava indo para o brejo e a batata estava sendo tostada na fogueira, o presidente Jair Bolsonaro resolveu então convocar uma coletiva de imprensa onde, ladeado pelos comandantes militares, repetiu as acusações de parcialidade contra o TSE em desfavor de sua campanha, e prometeu laconicamente “lutar até o fim”.

A única conclusão possível que Jair Bolsonaro não só sentiu que a sua derrota eleitoral se aproxima, mas que ele já decidiu seguir o caminho adotado por Aécio Neves quando em 2014 foi derrotado até de forma surpreendente por Dilma Rousseff.  O curioso é que Bolsonaro está fazendo isso mesmo antes de ser derrotado, o que apenas reforça a tese de que está se comportando precocemente como um perdedor e, pior, um mau perdedor.

O problema é que ao se comportar como o “dono da bola” e trazer os leões de chácara para mostrar que a bola é dele, Jair Bolsonaro provavelmente afastou ainda mais os que se convenciona chamar de “indecisos”. É que no campo de futebol e na política, maus perdedores nunca são apreciados.

A manobra das inserções de rádio como nova bomba semiótica falhada da campanha de Jair Bolsonaro

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A mais nova tentativa da campanha de Jair Bolsonaro de tumultuar a reta final do segundo turno das eleições presidenciais foi levantar dúvidas sobre a quantidade de inserções de rádio da parte que lhe competia da propaganda eleitoral. Passadas pouco menos de 48 horas da fantástica denúncia (no sentido de que não passa de uma fantasia) do ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, Fábio Farias, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre Moraes, tascou um arquivamento sumário no pedido e ainda levantou a possibilidade de que a manobra possa ser configurado como crime eleitoral.

O que Alexandre Moraes fez foi desarmar mais uma bomba semiótica lançada pela campanha de Jair Bolsonaro para lançar dúvidas sobre a lisura de um pleito no qual a possibilidade de derrota está crescendo no horizonte.  É a famosa jogada de pôquer em que a pessoa com a mão fraca aumenta o tamanho da aposta na esperança de que os oponentes peçam mesa.

O problema é que a estas alturas do campeonato, a campanha do ex-presidente Lula não está precisando nem se mexer, tamanha é a enrascada em que Jair Bolsonaro foi colocado primeiro por sua própria boca (o caso das meninas venezuelanas), depois pelas revelações em torno dos planos de Paulo Guedes de desindexar salário-mínimo, aposentadorias e pensões da inflação passada, e depois o desastre causado pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson que deu mais de 50 tiros e lançou três granadas em uma equipe da Polícia Federal que estava indo prendê-lo.

O problema aqui é verificar até onde Jair Bolsonaro irá querer aumentar o tamanho da sua aposta, já que as suas expectativas de vencer as eleições de forma limpa estão se esvaindo, inclusive em São Paulo que era visto como um estado que poderia ajudá-lo a virar a maré dos votos. De toda forma, desconfio que até domingo o que se verá é uma encenação em que o cachorro fará cara de Pitbull, mas poderá dar uma Yorkshire se a coisa apertar.  De toda forma, todo cuidado será pouco, pois nunca se sabe o que um presidente, mesmo sendo ele Jair Bolsonaro, desesperado poderá tentar fazer.

 

Celebrando os 100 anos de Darcy a partir da sua última e genial criação, a Uenf

Os muitos afazeres dentro da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) me distraíram sobre a necessidade de escrever sobre uma data importante para a instituição onde cheguei em janeiro de 1998, qual seja, o Centenário do nascimento do seu criador, o professor Darcy Ribeiro.

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Para se celebrar devidamente esse aniversário não há outra maneira que não seja a de incorporar as inquietações que moveram Darcy Ribeiro ao longo da sua existência como pessoa, intelectual e ativista político. Não é sequer preciso que se concorde com tudo o que ele fez ou pensava. O essencial é compreender que a despeito de eventuais falhas ou limitações que todo ser humano carrega, Darcy Ribeiro era um apaixonado pelo povo brasileiro, especialmente aquela porção despossuído e relegada a um destino inglório para que uma minoria privilegiada se refastele em um fausto perdulário.

Como professor da última instituição que Darcy Ribeiro ajudou a desenhar, sou testemunha de que ele era um homem que procurava pensar as soluções para as incontáveis mazelas da sociedade brasileira de forma a incluir os que foram sempre excluídos.  A inquietação que marcou a vida do mineiro nascido em Montes Claros, mas que depois ganhou o mundo é evidente em cada uma das suas falas, não apenas pelo jeito que se manifestava, mas principalmente pelo conteúdo do que ele manifestava.

Em Darcy Ribeiro não era possível se pensar a acomodação a uma realidade dada, pois ele sempre procurava desafiar a tudo e a todos, de forma a colocar aqueles que o ouviam para participar da construção de suas utopias.  Ainda estou na Uenf, apesar de todas as limitações que vivenciei em quase 25 anos de magistério, por estar convencido que sua última criação merece que eu continue em seu interior ajudando a formar jovens que sem a instituição criada por Darcy e implantada por Leonel Brizola em cima de antigos canaviais não teriam como escapar das armadilhas postas a quem nasce pobre no Brasil.

Sou uma testemunha de como o pensamento crítico de Darcy Ribeiro é cada vez mais necessário para que possamos tirar o Brasil, e principalmente os pobres brasileiros, da condição nefasta em que estamos postos neste momento.

Viva Darcy Ribeiro, um legítimo herói do povo brasileiro.