Mais do que esperado: bancada ruralista tenta impedir o banimento do Carbendazim

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Apesar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter adotado um processo faseado de banimento do fungicida Carbendazim, a bancada ruralista do congresso nacional que representa os interesses dos grandes fabricantes de agrotóxicos e do latifúndio agro-exportador resolveu agir para impedir que este perigoso produto, banido na União Europeia em funções dos seus danos à saúde humana, seja removido do mercado nacional de venenos agrícolas.

É que, segundo informa hoje o portal especializado Agrolink a bancada ruralista a proposta deum Decreto Legislativo (PDL 312/22) para impedir o banimento do Carbendazim até que haja um produto similar no mercado, alegando que “o perigo existente na utilização do agrotóxico“está na dosagem e na forma de manuseio”.

É preciso dizer que sta posição em relação ao Carbendazim é a mesma que foi adotada quando o herbicida Paraquat também foi banido pela Anvisa em função de sua alta periculosidade à saúde humana. Isso mostra que entre preservar a saúde de trabalhadores e consumidores dos produtos agrícolas produzidos no Brasil, a bancada ruralista pensa mesma apenas no lucro dos fabricantes de venenos e dos grandes barões do latifúndio agro-exportador brasileiro.

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Ainda segundo o Agrolink, o deputado José Mário Schreiner, membro da FPA e vice-presidente da CNA, que é o autor desse vergonhoso Projeto de Decreto Legislativo (PDL 312/22),  sustenta que a “não utilização do carbendazim afeta, de forma providencial o valor” dos itens básicos de alimentação, o que vai provocar mais inflação”. Há que se dizer que essa é apenas uma grosseira falsificação da realidade, pois já está demonstrado que a grande maioria dos agrotóxicos usados no Brasil (o Carbendazim incluso) não se destina à produção de alimentos, mas principalmente na produção de commodities agrícolas que são usadas, entre outras coisas, na produção de ração animal e biocombustíveis.

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Assim, há que se ficar atento à mais essa tentativa de impedir que um produto altamente perigoso para a saúde humana como o Carbendazim seja retirado do mercado de venenos agrícolas. E, mais uma vez, é por isso que eu sempre digo: o Agro não é pop, o Agro é tóxico.

Aplicativo Tô no Mapa é apresentado em reunião nacional de quilombolas

Pesquisadoras do IPAM levaram ao evento a ferramenta de automapeamento que ajuda na demarcação de territórios tradicionais e fortalece a luta por políticas públicas.

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Durante o Aquilombar, evento que reuniu quilombolas e lideranças rurais de todo o país em Brasília esta semana, pesquisadoras do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) puderam ouvir demandas e reivindicações e apresentar as funcionalidades do aplicativo do Tô no Mapa.

A manifestação foi organizado pela Conaq (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas) e tem como objetivo reivindicar o direito dos quilombos ao uso da terra e demarcação de seus territórios, além de promover palestras e debates com lideranças sociais e políticas de todo o Brasil.

“Como quilombola, o aquilombar é importante para dar visibilidade aos nossos quilombos brasileiros e as nossas demandas pela nossa terra, valorização como trabalhador da agroecologia e a garantia de nossos direitos como um todo. Todos unidos por uma só causa!”, diz o morador do Quilombo Barro Vermelho, município de Chapadinha, Maranhão, José Orlando.

Além de informações sobre o uso do aplicativo, pesquisadoras do IPAM explicaram o projeto, divulgaram dados da iniciativa e conversaram sobre a importância do automapeamento desses territórios. Ao todo, cerca de 127 pessoas visitaram o estande, que também realizou o sorteio de camisetas do projeto.

“A força do Tô no Mapa está justamente em obter o maior número de comunidades cadastradas e termos um grande mapa dessas comunidades. A oportunidade de estar em um evento como esse, ouvindo lideranças e conversando com representantes de todo o país, é única. O Brasil é formado por uma série de comunidades que são, infelizmente, invisibilizadas, mas que agora podem participar na demarcação de seus territórios”, explica a pesquisadora no Tô no Mapa e coordenadora de projetos no IPAM, Isabel Castro.

Cooperação

Segundo o último relatório divulgado, os quilombolas representam o maior grupo mapeado pelo Tô no Mapa, correspondendo a 37% de todos os territórios indicados no aplicativo. Atualmente, segundo dados do IBGE, existem cerca de 5.972 quilombos, presentes em 1.674 municípios de 24 Estados e nos nove principais biomas brasileiro.

“Os quilombolas, hoje em dia, junto com os indígenas, são um segmento muito reconhecido por seu histórico de lutas pelos seus territórios. Apresentar esses grupos para o Tô no Mapa é fundamental para a legitimidade da iniciativa”, afirma Castro.

Como fruto da defasagem dos dados públicos sobre quilombos e outras comunidades tradicionais, muitas demandas desses povos são desconhecidas, impedindo a criação de iniciativas e políticas públicas efetivas. Nesse sentido, o Aquilombar também representou uma oportunidade de diálogo entre pesquisadores e quilombolas, que apresentaram suas pautas e necessidades.

“O evento foi uma oportunidade do IPAM apresentar a iniciativa do Tô no Mapa, como também de escutar as demandas dos quilombolas sobre questões fundiárias, de agricultura, educação, saúde, incidência política qualificada, previdência social, racismo, juventude, mulheres e censo quilombola. A estimativa da Conaq é de que existem cerca de 1.300 quilombos no Estado do Maranhão, mas apenas 766 estão identificados e 58 estão de fato homologados”, ressalta a pesquisadora do IPAM Isabela Pires, que acompanhou os quilombolas na manifestação em Brasília.

Sobre o Tô no Mapa

O Tô no Mapa é fruto da parceria entre o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), o ISPN (Instituto Sociedade, População e Natureza) e a Rede Cerrado, com o apoio do Instituto Cerrados. A ferramenta pretende suprir a ausência de dados oficiais sobre Territórios Tradicionais, principalmente no bioma Cerrado.

Segundo dados do último relatório, lançado em janeiro de 2022, a maioria dos 91 territórios do Tô no Mapa mapeados estão em Minas Gerais (23%), Mato Grosso do Sul (19%), Bahia (14%) e Goiás (14%). Também se cadastraram comunidades de Maranhão, Mato Grosso, Piauí e Tocantins. No total, além dos quilombolas, são 10 diferentes segmentos de povos, comunidades tradicionais e agricultores familiares, como indígenas, fundo e fecho de pasto.

O Tô no Mapa está disponível para Android e para iOS.

“Desepertáculo – Minha Avó Sempre Me Disse” reverência ancestralidade e cotidianos afro diaspóricos

A peça, que reúne poesia, teatro, música, dança e ritual, entra em cena sexta-feira (12) em Campos dos Goytacazes

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História, educação, musicalidade, poesia, dança, pertencimento, respeito e amor se misturam e entram em cena através do espetáculo “Minha avó sempre me disse”, protagonizado por Ana Magalhães, Beà Ayòóla, Bina Chaves, Dai Ramos e Tati Villela, que estreia nesta sexta-feira (12), às 20h, no Teatro SESC Campos, em Campos dos Goytacazes. No palco, as atrizes fazem uma travessia cultural para contar histórias de suas referências de terras ancestrais, pautadas sob tecnologias e memórias de suas avós. Já as próximas apresentações serão dia 20 em São João de Meriti, dia 25 em Barra Mansa, dia 27 em Teresópolis e em setembro será a vez de Niterói no dia 2 e 3 em Nova Iguaçu. 

A peça aborda e ressignifica as travessias transatlânticas de mulheres pretas que vieram antes. O trabalho destaca ainda a importância da valorização dos antepassados e das histórias ancestrais para ressignificar o presente. “A peça é uma montagem que combina poesia-teatro-música-dança-ritual, contemplando os elementos da natureza e a ancestralidade, ao som dos instrumentos tradicionais do oeste africano, da diáspora e da contemporaneidade eletrônica”, ressaltou a percussionista Ana Magalhães, uma das integrantes do grupo. 

O projeto, iniciado em 2019 após trabalho investigativo do grupo Dembaia, é baseado na filosofia do povo Akan (habitante da antiga Costa do Ouro, o atual Gana), onde se utiliza a simbologia poética de um dos Adinkras (conjunto de ideogramas), o Sankofa: um pássaro que volta a cabeça à cauda, significando que “nunca é tarde para voltar e apanhar aquilo que ficou atrás”.

Com a potência dessas cinco mulheres mulheres ocupando o centro da cena, a performance do Despertáculo aborda o universo de memórias afetivas das integrantes, onde o contato com as lembranças sobre suas avós possibilitou uma releitura sobre essas relações matri focalizadas, as quais, resgatam ainda, sensorialidades afetivas sobre suas ancestrais. Em lembrança de Aruanda, por exemplo, são demonstradas conversas, cantos de jongo ou capoeira ou blues ou jazz ou o som dos Tambores da África do oeste, as histórias dessas mulheres. Já os provérbios africanos trazem à tona os “ditados populares”, culturalmente contados por avós.

Sob uma narrativa que perpassa o tempo e se confunde com o cotidiano das protagonistas, a peça interliga a África ao Brasil com ritmos tradicionais do oeste africano. “No palco nós reunimos memórias e vivências das mulheres que constituem as histórias das integrantes do grupo, além de valorizarmos e celebrarmos os saberes ancestrais através de uma narrativa híbrida e performática”, reforça Ana. 

E prosseguiu dizendo: “A expectativa é levarmos para o público um espetáculo com uma musicalidade única, reverenciando as histórias e vivências de mulheres pretas. Com essa circulação, queremos dialogar com um público específico, que se identifique com a narrativa que exalta a corporeidade periférica e celebra os saberes ancestrais”. 

Ao todo serão oito apresentações do espetáculo “Minha avó sempre me disse” pelas unidades do SESC RJ espalhadas pelo estado. Já no dia 12, no SESC Campos dos Goytacazes, no dia 20, no SESC São João de Meriti, seguindo no dia 25 no SESC de Barra Mansa e, no dia 27, no SESC Teresópolis, ambos às 19h. Em setembro, no dia 2 é a vez de subirem ao palco do SESC Niterói e, a última apresentação, acontece no dia 3, no SESC Nova Iguaçu, também às 19h. 

Ficha Técnica:

Dramaturgia: Dembaia

Elenco: Ana Magalhães, Beà Ayòóla, Bina Chaves, Dai Ramos, Tati Villela

Provocadoras Cênicas: Bina Chaves e Tati Villela

Supervisão de Movimento: Nyandra Fernandes

Cenografia e Figurino: Rona Neves

Produção: Timoneira Produções Artísticas

Coordenação de Produção: Ana Beatriz Silva

Produção Executiva: Mariana Campos

Iluminação e Operação de luz: Zindi Gonzaga

Técnica de Som: Raquel Lázaro

Assessoria de imprensa: Laís Monteiro | Monteiro Assessoria

Designer: Ana Magalhães

Apoio: Terreiro Contemporâneo e Confraria do Impossível

Serviço:

Local: Sesc Campos

Endereço: Av. Alberto Torres, 397 – Centro, Campos dos Goytacazes 

Data: sexta-feira 20h

Classificação: Livre

Ingressos: R$ 10 inteira, R$ 5 meia

Escândalo do Ceperj: Fundação queria pagar na ‘boca do caixa’ até o fim das eleições

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Alvo de investigação do Ministério Público, a Fundação Ceperj pediu em junho à Secretaria estadual de Fazenda para continuar a fazer os pagamentos da folha secreta na boca do caixa até o fim das eleições. Ofícios obtidos pelo GLOBO mostram que, desde maio, o órgão era alertado pelos técnicos da Contabilidade Geral do Estado de que saque em dinheiro no banco não é o padrão utilizado pelo governo. No entanto, a Fazenda acabou permitindo que as transações continuassem até 5 de novembro, seis dias após o segundo turno.

Os alertas começaram no dia 10 de maio quando uma servidora enviou um comunicado por e-mail ao Ceperj, às 15h, questionando a forma de pagamentos. Uma hora depois, Renato da Silva Vicente, chefe de departamento da fundação, respondeu explicando que o Ceperj tem um “sistema de pagamentos avulsos”, que é enviado diretamente ao banco. Além de a maioria das retiradas ser na boca do caixa, a identificação do dinheiro na saída dos cofres do governo era feita apenas com o nome do programa, como um credor genérico, e não individualizada (com os dados dos funcionários que faziam os saques). Esse modelo também é alvo de investigação do Tribunal de Contas do Estado (TCE), pois dificulta a fiscalização do destino dos recursos.

‘Sistema próprio’

Nessa resposta, Vicente ainda pediu a compreensão da Fazenda porque o volume de pessoas que deveriam ser cadastradas no sistema era “descomunal” e colocaria em risco a continuidade dos projetos. A troca de e-mail continuou, e, uma semana depois, o superintendente Celso Borba, da Secretaria de Fazenda, reiterou que o pagamento de qualquer tipo de serviço contratado deve ser feito por meio do sistema de contabilidade do governo estadual — usado por todas as pastas. Borba ainda ofereceu ajuda dos servidores da pasta para incluir todos os dados no sistema, o que inclusive facilitaria as folhas futuras. Este ano, o Ceperj fez cerca de 90 mil pagamentos a mais de 27 mil pessoas. Denúncias de indicações políticas e funcionários fantasmas são investigadas.

Outro ofício de 23 de junho voltou a citar o mesmo assunto, mas em um novo processo. Desta vez, Gabriel Rodrigues Lopes, então presidente do Ceperj, enviou um e-mail ao secretário estadual de Fazenda, Leonardo Pires. No texto, ele escreveu que a fundação tem um sistema próprio de pagamento, que dá “celeridade ao ato administrativo” e permite o recebimento dos valores por quem não possui conta-corrente. Citando 25 mil colaboradores por mês, repete que o volume é muito grande para cadastrar todos e pede 120 dias para “possível adaptação e mudança de pagamentos exigidas”.

Com o pedido de prazo, Leonardo Pires encaminhou, no dia 8 de julho, o processo para que servidores da pasta tomassem as providências cabíveis após sua ciência. Era o sinal verde para deixar a solução apenas para depois das eleições. Três dias depois, Yasmin da Costa Monteiro, subsecretária de Contabilidade Geral, determinou que, durante os 120 dias, a fundação encaminhe o cronograma de cadastramento.

Banco: regras em contrato

Apesar dos alertas da Secretaria de Fazenda e do pedido do Ceperj para continuar com um sistema de pagamentos avulsos, o governador Cláudio Castro afirmou na semana passada que, desde novembro de 2021, governo exigia a “bancarização” ao Bradesco, mas que não foi atendido. Esse não foi o pedido feito ao banco em fevereiro. Daniel Feliz Tavares Junior, diretor administrativo e financeiro do Ceperj, solicitou a quebra do floating bancário — ou seja, reduzir o prazo entre o depósito das ordens bancárias e a disponibilização do saque. A justificativa foi de que o prazo de praxe colocaria em risco a continuidade dos projetos do órgão.

O Bradesco informou que a prestação dos serviços “está de acordo com as regras previstas no contrato firmado e no edital de licitação, bem como nas diretrizes regulatórias vigentes”. Em nota, a Secretaria estadual de Fazenda divulgou que, desde março, vem orientando o Ceperj a incluir os dados no Sistema Integrado de Gestão Orçamentária, Financeira e Contábil do Rio (Siafe-Rio), “de modo mais detalhado, garantindo a plena rastreabilidade dos valores”. A pasta também afirmou que “o governo vinha exigindo do Bradesco a bancarização dos funcionários do Ceperj” desde novembro.

Fonte: O Globo* via Tribuna NF [Aqui!].

Observatório dos Agrotóxicos: com 1.734 liberações, governo Bolsonaro transforma Brasil em celeiro de venenos agrícolas banidos no resto do mundo

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Com alguma demora, o “Observatório dos Agrotóxicos” do Blog do Pedlowski divulga hoje a lista completa dos produtos liberados por meio do Ato No. 31 de 28 de junho (n=46) completa o estratosférico número de 1.734 agrotóxicos liberados pelo governo Bolsonaro desde 01 de janeir de 2019.

Os agrotóxicos liberados pelo Ato No. 31 confirmam vários aspectos das rodadas anteriores, na medida em que empresas chinesas (localizadas na China ou fora dela) se tornaram as principais fornecedoras para alimentar a produção de monoculturas de exportação, incluindo algodão, cana de açúcar, milho e soja. Com isso, o que se vê é que toda a conversa de que agrotóxicos são essenciais para alimentar o mundo não passa de um falácia, na medida em que alimentar o mundo não é o caso dessas monoculturas que, no plano interno, são responsáveis pelo avanço do desmatamento dos biomas amazônicos e do Cerrado, bem como por graves violações dos direitos trabalhistas, incluindo a prática de trabalho escravo.

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Além disso, há ainda o Ato No. 31 confirma persistente liberação de produtos banidos em outras partes do mundo, o que vai de encontro às teses propaladas pela ex-ministra (e atual candidata ao senado federal) Tereza Cristina de que toda essa enxurrada de venenos traria modernização do portfólio de agrotóxicos usados na agricultura brasileira. Na prática, o que se vê é a liberação de produtos banidos na União Europeia há algum tempo, como no caso dos herbicidas Ametrina e Atrazina, mas também de vários compostos de grupos químicos conhecidos por causarem a extinção de polinizadores (por exemplo as abelhas) como no caso dos piretróides e neonicotinóides.

O Brasil como celeiro das corporações dos venenos agrícolas

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Um aspecto que já foi revelado por estudos realizados por organizações internacionais, como é o caso da ONG suíça “Public Eye”, e que se confirma nessa nova rodada de liberações é que para o Brasil e outros países do chamado Sul Global (que congregam a periferia capitalista formada por ex-colônias das potências europeias)  estão sendo enviados aqueles produtos que foram banidos nos países centrais por serem altamente perigosos e, consequentemente, causarem várias doenças graves (incluindo câncer, má formação fetal, alterações no sistema neurológico).

É esse aspecto que precisa ser sempre lembrado, pois em troca do fornecimento de commodities relativamente baratas, os governos dos países centrais estão contribuindo para danos irreparáveis em ecossistemas estratégicos para o equilíbrio ecológico da Terra.  E isso tudo apenas para manter um padrão de acumulação que perpetua as graves desigualdades que existem no sistema econômico global.

Como já escrevi anteriormente, uma das discussões centrais que deveriam estar ocorrendo na atual campanha eleitoral, e que não está ocorrendo, é sobre este modelo agrícola tão dependente de venenos agrícolas para manter níveis de produção medíocres e que só gera safras expressivas em função do aumento da área plantada. Rediscutir esse modelo anti-ecológico e de baixa eficiência deveria ser um dos pontos chaves dos debates, pois os efeitos cumulativos do uso de quantidades gigantescas de venenos altamente tóxicos terá consequências gravíssimas no médio e longo prazo.

Para quem desejar baixar a base com os 46 agrotóxicos liberados pelo Ato No. 31 de 28 de junho de 2022, basta clicar [Aqui!]. Para quem desejar baixar a base completa dos 1.734 agrotóxicos liberados pelo governo Bolsonaro, basta clicar [Aqui].

 

Nova modalidade do Bradesco Prime: saque a la Gasparzinho

Como sou conhecedor do funcionamento da agência 065 do Bradesco em Campos dos Goytacazes, me ocorreu o fato de que o recorde de saques ocorrido no dia 7 de julho, dado o volume envolvido, não deve ter ocorrido nos caixas eletrônicos reservado aos correntistas comuns, já que existe um espaço para as contas mais aquinhoadas, o chamado “Prime”, cujo acesso é mais restrito e discreto.

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Assim, me ocorre que querendo ou não, o Prime do Bradesco no estado do Rio de Janeiro tem agooa uma nova modalidade Prime que é a do “Gasparzinho, funcionário-fantasma da Fundação Ceperj”. 

E pensar que essa modalidade Gasparzinho é quase que completamente turbinada com os recursos da privatização da CEDAE. Pobre classe trabalhadora do Rio de Janeiro!

 

Com escândalo da Fundação Ceperj, agência Bradesco leva Campos dos Goytacazes ao Guinness com saques a cada 43 segundos

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Moro em Campos dos Goytacazes desde janeiro de 1998 e ao longo de duas décadas sempre ouvi os locais dizendo que na cidade quase nunca acontece coisas notáveis, expressando um sentimento de que aqui quase nada dá certo. Eu sempre me esforço para dizer que, ao contrário da crença dos locais, a cidade tem sim muitas razões para se orgulhar.

Eis que agora com o rumoroso escândalo da Fundação Ceperj e seu esquema de fantasma turbinado por recursos gerados pela privatização da CEDAE (ver figura abaixo, vinda de uma matéria do jornal O GLOBO), o campista raiz poderá, enfim, dizer que há sim coisas notáveis que acontecem por aqui, ainda que não necessariamente sejam motivo de orgulho para aqueles que trabalham duro para garantir o seu sustento.

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É que em uma matéria publicada publicada hoje pelo jornal “O GLOBO”, descobriu-se que a agência 65 do Bradesco, localizado no Boulevard Francisco de Paula Carneiro gerou-se um verdadeiro recorde de saques associados a recursos gerados pelo esquema de funcionários-fantasmas da Fundação Ceperj. Segundo nos informa a matéria, “no último dia 7 de julho, segundo consta numa planilha entregue pelo Bradesco ao Ministério Público do Rio, foram realizados 505 transações oriundas da “folha secreta” durante as seis horas de expediente bancário, uma média de uma retirada a cada 43 segundos”.

A matéria informa ainda que a agência 65 foi a que mais registrou saques na boca do caixa feitos pelos funcionários-fantasmas  da Fundação Ceperj em todo o estado do Rio de Janeiro, com a retirada de mais de R$ 12 milhões em dinheiro vivo! É ou não é um tremendo motivo de orgulho? Dá até para demandar um registro no Livro Guiness de Recordes.

Quem quiser ler a reportagem com os recordes da agência 65, basta clicar [Aqui!].

TJ do Mato Grosso reabre caso de um parque estadual maior que a cidade de Nova York

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Um macaco-aranha endêmico, uma espécie ameaçada de extinção devido à perda de habitat, sobe em um galho no Parque Estadual Cristalino II, no estado de Mato Grosso, Brasil, em julho de 2019. Rodrigo Vargas/AP

RIO DE JANEIRO – Depois de declarar a decisão final, o Tribunal de Justiça do Mato Grosso voltou atrás na segunda-feira (08/08) e reabriu um processo que invalida uma área protegida na Amazônia brasileira. A reversão judicial é um revés para um pecuarista apelidado de pior inimigo da floresta tropical na Amazônia brasileira

O Ministério Público de Mato Grosso anunciou que era a favor da reabertura, dizendo que o TJ/MT não notificou ao órgão sua decisão, como é exigido em ações que envolvem o interesse público. O TJ/MT confirmou a reversão à Associated Press.

O Parque Estadual Cristalino II se estende por 292.000 acres, uma área maior que a cidade de Nova York, e que fica na zona de transição entre a Amazônia e os biomas mais secos do Cerrado.  O Parque abriga o endêmico macaco-aranha-de-testa-branca (Ateles marginatus), uma espécie ameaçada de extinção devido à perda de habitat.

Por 3 a 2, o TJ/MT havia decidido que a criação do parque pelo governo em 2001 era ilegal porque ocorreu sem consulta pública. O demandante do processo de anulação do Parque Estadual Cristalino II  é uma empresa ligada a Antonio José Rossi Junqueira Vilela, que foi multado em milhões de dólares por desmatamento no Brasil e roubo de milhares de hectares de floresta amazônica, inclusive dentro desta área protegida.

Em 2016, a família Vilela ganhou as manchetes no Brasil por estar no centro de uma operação histórica de fiscalização contra o desmatamento na Amazônia. O procurador-geral do Brasil o chamou de o maior desmatador de terras da Amazônia.

O governo estadual do Mato Grosso não recorreu no processo  alegando razões técnicas, o que levou o tribunal a declarar a decisão final em abril.

O Mato Grosso, o maior estado produtor de soja do Brasil, é administrado pelo governador Mauro Mendes, político pró-agronegócio e aliado do presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, que repetidamente disse que o Brasil tem muitas áreas protegidas e prometeu não criar mais delas. .

Os fatos legais aconteceram nos últimos meses, mas foi só na semana passada que a imprensa local deu a notícia da dissolução do parque, provocando a mobilização de organizações ambientalistas do Brasil. Agora, com o processo reaberto, o Ministério Público Estadual do Mato Grosso pretende recorrer aos tribunais superiores em nível nacional. Enquanto isso, o governo estadual não pode reverter a criação do parque como havia anunciado na semana passada.

“O parque continua”, disse Edilene Amaral, consultora jurídica do Observatório Socioambiental de Mato Grosso, uma rede sem fins lucrativos, em comunicado. “Qualquer atividade incompatível com a proteção total continua proibida e sujeita a penalidades.”


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela NPR [Aqui!].

Estação meteorológica mais alta dos Andes tropicais foi instalada no Peru, perto do pico nevado de Ausangate

Os dados da estação meteorológica ajudarão as comunidades locais e científicas a monitorarem o impacto das mudanças climáticas nos reservatórios de água da região

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São Paulo, 08 de agosto de 2022 – A National Gographic Society acaba de anunciar a instalação de uma estação meteorológica logo abaixo do pico nevado de Ausangate, a 6.349 metros de altitude, sendo a mais alta dos Andes tropicais. É um feito para a expedição Perpetual Planet pela Amazonia da National Geographic e da Rolex 2022, um trabalho que durará dois anos e percorrerá a bacia amazônica desde os Andes até o Oceano Atlântico. 

Os altos Andes tropicais, no sul do Peru, têm importantes reservatórios de água que abastecem a natureza e as comunidades locais desde as regiões glaciais até a bacia amazônica. Em 25 de julho, os exploradores da National Geographic Baker Perry e Tom Matthews – com apoio de uma equipe Quechua do Peru e de especialistas bolivianas em escalada, conhecidas como “las Cholitas Escaladoras” – escalaram o pico nevado de Ausangate, o mais alto do sul do Peru, para instalar uma estação meteorológica perto de seu cume e investigar os processos meteorológicos que influenciam no clima e no comportamento das geleiras.

“O pico nevado de Ausangate é uma das montanhas mais importantes dos altos Andes e a principal fonte de água doce para os ecossistemas andinos e para os rios abaixo”, diz Perry. “É fundamental que usemos as observações meteorológicas dos picos mais altos do mundo para compreender melhor os impactos das mudanças climáticas para as comunidades locais e globais. As alterações que acontecem em Ausangate são especialmente importantes para compreender as flutuações e adaptações de toda a bacia Amazônica”.

A nova estação meteorológica compila dados como temperatura, precipitação, umidade, radiação e profundidade da neve quase em tempo real. Tudo isso ajudará os governos locais e a comunidade científica internacional a observar os impactos das mudanças climáticas sobre as fontes de água que afetam as comunidades locais.

A equipe de expedição também fez uma análise in loco da atmosfera e analisou as propriedades da neve para obter dados sobre a água destas acumulações de neve. Como parte da avaliação, a equipe colheu amostras para detectar se há microplásticos nessa remota região, ainda considerada relativamente intocada. Se forem detectados, isso indicaria que existe transporte atmosférico de longa distância, ou seja, que os microplásticos podem ser transportados pelos ventos.

“O pico nevado de Ausangate é a maior fonte de vida da região de Cusco”, disse Santos Huaman, prefeito de Chilca, o município mais próximo do Vale de Ausangate. “Essa nova estação meteorológica nos ajudará a entender quanto de neve derrete, por que derrete e como podemos recuperá-la. Isso é muito importante para nossa comunidade”, completou.

Ruthmery Pillco, exploradora da National Geographic, se juntou a Perry e Matthews durante parte da expedição para examinar a cabeceira da bacia localizada em Ausangate e para investigar como ela afeta a floresta nublada, onde faz sua própria pesquisa sobre ursos andinos. Também se juntou à equipe o explorador e fotógrafo da National Geographic Tom Peschak, que documentou tudo como parte da reportagem visual da expedição Perpetual Planet pela Amazonia.

“A colaboração entre exploradores para estudar todas as facetas da bacia Amazônica é fundamental para aprofundar nossa compreensão do entorno dinâmico dos rios locais”, disse Nicole Alexiev, vice-presidente dos Programas de Ciências e Inovação da National Geographic Society. “Esforços como os de Baker, Tom e Ruth para estudar o importante ecossistema de Ausangate, somados ao modo único de Tom Peschak de contar histórias com as imagens, estão na vanguarda de nossa parceria com a Rolex. Nosso objetivo final é ilustrar de maneira singular o papel tão importante que esta região desempenha na estabilização da saúde do Planeta, ao mesmo tem em que se pensa em como garantir sua proteção”.

A estação meteorológica do pico nevado Ausangate complementa a estação meteorológica mais alta instalada no Hemisfério Sul na parte Oeste, no pico do vulcão Tupungato, no Chile. As duas estações fornecem dados fundamentais para estudar as interações entre o clima e a neve na zona de acumulação e caracterizar o clima extremo nas elevações mais altas dos Andes.

Este trabalho se baseia em expedições anteriores do Perpetual Planet para instalar estações meteorológicas nos entornos de montanhas de altitude, incluindo as expedições ao Monte Logan, em 2022, e ao Monte Everest, em 2019 e 2022, ambas guiadas por Perry e Matthews.

A Rolex apoia essas expedições como parte de sua iniciativa Perpetual Planet. Para saber mais sobre as expedições, visite: https://www.nationalgeographic.com/environment/topic/perpetual-planet

Por pressão do agronegócio, Anvisa bane Carbenzadim no estilo “pero no mucho”

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 Foto por Nathalia Ceccon. Idaf/ES

Mesmo em face de robustas informações científicas de que o fungicida Carbendazim causa graves consequências para a saúde humana (incluindo câncer e má formação fetal),  a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu banir este agrotóxico utilizando um calendário mais do que generoso para os seus fabricantes e usuários. Esta decisão da Anvisa representa óbvia desconsideração com os danos causados sobre trabalhadores rurais e de quem vai ingerir os produtos contaminados com resíduos de um produto banido pela União Europeia desde 2014 após o reconhecimento de que o produto era altamente tóxico e perigoso.

Ao modo de que já aconteceu com o herbicida Paraquat, as concessões feitas ao agronegócio para que o Carbendazim continue sendo efetivamente utilizado por pelo menos mais dois anos (ou até que os estoques existentes se esgotem) são uma afronta ao direito dos brasileiros de não terem que consumir produtos contaminados com substâncias altamente perigosas, como nos casos desses dois agrotóxicos.

É sempre importante notar que os plantadores de laranja tiveram que suspender o uso do Carbendazim a partir de 2012 em função da proibição dos importadores dos EUA onde este agrotóxico foi não apenas banido, mas como proibido de estar na composição de alimentos importados.  O que esse caso mostra é que quando colocados sob pressão objetiva para mudar, o latifúndio agro-exportador atende de forma pronta e obediente, o que apenas reforça a importância de que haja um movimento vigoroso para obrigar os líderes do agronegócio a serem compromissados com a saúde dos brasileiros.

Mas o que está ruim sempre pode piorar

O problema é que mesmo em face das evidências que a forte dependência de venenos agrícolas para tocar um modelo agrícola viciado, os grandes fabricantes de agrotóxicos e as entidades representativas do latifúndio agro-exportador seguem pressionando o Senado Federal para que conclua a aprovação do chamado “Pacote do Veneno” que não só irá flexibilizar a liberação, produção e comercialização de agrotóxicos altamente venenosos, mas como irá dificultar ainda mais o banimento de produtos sendo rejeitados em outras partes do mundo. 

A verdade é que se o “Pacote do Veneno” for aprovado, haverá uma consolidação do Brasil enquanto uma latrina tóxica onde os grandes fabricantes de venenos agrícolas (por exemplo a Bayer, a Basf e a Syngenta) irão despejar todos aqueles agrotóxicos que forem proibidos em outras partes do mundo. E tudo isso em um momento em que o sistema público de saúde estão sendo claramente enfraquecido.

É por essas e outras que eu digo que o “Agro não é pop”, o “Agro é tóxico”!