Comunidades do rio Manicoré cobram medidas de proteção ambiental na região

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 Foto: Orlando K. Junior

As populações de comunidades situadas na região do rio Manicoré, no interior do Amazonas, relatam que vêm sofrendo com invasões e desmatamento ilegal na região, e buscam apoio do Governo Estadual e de órgãos públicos para a criação de mecanismos de proteção do território. O tema é um dos destaques da edição 27 do Informativo Observatório BR-319 (OBR-319).

O informativo é uma publicação mensal, produzida pelas organizações membro do OBR-319, que apresenta informações sobre acontecimentos importantes da área de influência da rodovia. O material pode ser acessado no site www.observatoriobr319.org.br.

A publicação deste mês apresenta o resultado da reunião realizada em dezembro de 2021 entre lideranças comunitárias do rio Manicoré, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-AM) e a Procuradoria Geral do Estado do Amazonas (PGE-AM) e Procuradoria da República no Amazonas (MPF), articulada pela Rede Transdisciplinar da Amazônia (Reta). Na ocasião, os moradores reivindicaram medidas de combate a atividades predatórias que têm ameaçado o modo de vida das comunidades e a retomada do processo de criação de uma Unidade de Conservação (UC) no local. Como medida emergencial, os órgãos propuseram a uma Concessão de Direito Real de Uso (CDRU) coletiva, instrumento que regulariza a ocupação de áreas públicas e serve de alternativa para a implantação de projetos habitacionais.

“Esta luta não é apenas pela criação de uma UC, mas também pela dignidade da cidadania das populações tradicionais, que há gerações estão no território do rio Manicoré”, disse a presidente da Central das Associações Agroextrativistas do Rio Manicoré (Caarim) e moradora da comunidade Mocambo, Maria Cleia Delgado.

A secretária executiva do OBR-319, Fernanda Meirelles, faz um alerta de que a situação em Manicoré pode se agravar com a repavimentação da BR-319, permitindo maior acesso à área. “Sabemos que o acesso ao território é favorecido pelo KM 180 da Rodovia Transamazônica e isso poderá piorar com as obras na BR-319. Por isso, queremos que antes da execução de grandes obras de infraestrutura na região, sejam criadas salvaguardas que assegurem a governança e a proteção de territórios tradicionais e indígenas”, explica Fernanda Meirelles.

Mais sobre o Informativo

O material traz também informações sobre a força-tarefa entre órgãos federais e estaduais para a fiscalização de ramais localizados entre a BR-319. Inicialmente, as ações terão foco em áreas que apresentam números preocupantes, como a rodovia planejada AM-366 e do ramal Belo Monte. A informação foi apresentada na segunda reunião sobre governança ambiental no entorno da rodovia. Outro assunto abordado nesta edição foi a realização de oficinas de comunicação na comunidade Boa Esperança, situada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Amapá. 

O informativo traz, também, dados atualizados do monitoramento da COVID-19 na região de influência da rodovia, que tiveram registros de casos da variante Ômicron em Porto Velho, Manaus, Autazes e Lábrea. Outros dados de monitoramento são do desmatamento na região da BR-319, que apresentou queda de 29% em dezembro de 2021, quando comparado com o mesmo período em 2020, assim como os focos de calor, que apresentaram queda de 82% em comparação a 2020. O fim do ano passado, em dezembro, trouxe também um dado relevante: nenhum dos 13 municípios monitorados apresentou aumento nos focos de calor em comparação ao mesmo mês no ano anterior.

 Sobre o OBR-319

O Observatório BR-319 é formado pela Casa do Rio, Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Fundação Vitória Amazônica (FVA), Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Transparência Internacional Brasil, WCS-Brasil e WWF-Brasil.

Mortes por COVID-19 no Brasil, subnotificação é o teu nome

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Com um número “oficial” em torno de 628 mil mortes por COVID-19, o Brasil continua firme na posição de segundo país com mais mortes causadas pela doença gerada pela infecção com o novo coronavírus. O problema é que esse número está aquém do número real, visto a sabotagem governamental não apenas no combate à COVID-19, mas também na contagem dos contaminados e mortos. Há que se observar que subnotificação é uma característica do sistema de controle de doenças no Brasil. Apenas para se ter uma noção do problema, a intoxicação por agrotóxicos tem uma subnotificação de 50:1 (isto é, para cada caso notificado, outros 50 ficam sem ser devidamente registrados).

O interessante (na ausência de melhor palavra) é que existem poucas menções à deformação das estatísticas oficiais em torno da COVID-19. É como se os números precários divulgados pela mídia corporativa fossem os corretos, o que claramente não o é.  Apenas como referência, uma pesquisa do Datafolha em janeiro dá conta que os casos oficiais de contaminação por COVID-19 seriam apenas metade do que efetivamente aconteceu. Se isso for verdade, e a taxa de mortes seguir algo aproximado, chegaremos facilmente a 1 milhão de mortes que foi previsto pelo Imperial College de Londres logo no início da pandemia em 2020. O neurocientista Miguel Nicolelis, uma das poucas vozes que continuam alertando para a contínua gravidade da pandemia no Brasil, pontuou recentemente a possibilidade de que a subnotificação das mortes por COVID-19 “poderia ser alta” ( ver imagem abaixo).  Há ainda que se citar um estudo feito pela Fiocruz em 2021 justamente sobre as disparidades regionais dos impactos da pandemia.

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Da minha parte, considerando o espalhamento vertiginoso da variante “Ômicron” não tenho como deixar de deixar de apontar que não apenas a subnotificação de casos é alta, mas também a de mortos. As razões para essa consideração é que o processo de testagem no Brasil continua sendo precário, enquanto que o número de pessoas não vacinadas ou vacinadas de forma parcial continua sendo muito alto, o que possibilita a manutenção da pandemia em níveis graves, afetando especialmente os mais pobres em meio ao agravamento do processo de fome resultante das políticas ultraneoliberais do governo Bolsonaro.

Mas se olharmos para toda a movimentação político-partidária que está ocorrendo no âmbito das tratativas para alianças para as eleições que deverão ocorrer em 2022, o debate sobre continuidade da pandemia e seus efeitos devastadores sobre os brasileiros, especialmente os da classe trabalhadora, claramente não é uma das prioridades. A verdade é que essas articulações estão sendo feitas enquanto as lideranças políticas, incluindo aquelas que se dizem de esquerda, tropeçam sobre a multidão de cadáveres das vítimas das políticas negacionistas do governo Bolsonaro em relação à pandemia da COVID-19.  E é graças à omissão dessa situação que Jair Bolsonaro ainda continua sendo um candidato com chances viáveis de chegar ao segundo turno e até vencer as eleições presidenciais deste ano.

E é aí que a porca torce o rabo. Por que está se deixando passar a impressão de que a pandemia é uma etapa quase vencida no Brasil? Além disso, por que não está se discutindo os efeitos não apenas sanitários da pandemia, mas principalmente econômico sobre centenas de milhares de famílias que perderam seus provedores de renda não para o desemprego, mas para a COVID-19? Uma das principais consequências da característica etária dos mortos por esta doença é que um número considerável era de aposentados que eram o único aporte de renda para suas famílias. Ao não se fazer o debate sobre essa situação, o que se está  sinalizando é que as famílias atingidas serão deixadas ao léu por quem quer que seja que se eleja. E este me parece ser já o principal fato político desse início de corrida eleitoral.

À luz do que disse acima, me parece fundamental que a questão da subnotificação de contaminados e mortos pela COVID-19 seja colocado como elemento prioritária por aqueles que desejem que a corrida eleitoral tenha um mínimo de conexão com a realidade, sob pena de colaboração com o genocídio que está efetivamente em curso contra os brasileiros pobres.

Artigo publicado na Biological Conservation desmonta teses de Evaristo de Miranda, o guru (anti) ambiental de Jair Bolsonaro

Pesquisadores  desmontam “falsas controvérsias” que dão sustentação para as políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro

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Um artigo assinado por doze cientistas brasileiros, que  foi publicado na revista especializada Biological Conservation, desmonta “falsas controvérsias” produzidas por um grupo de pesquisadores liderado pelo engenheiro agrônomo Evaristo de Miranda, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Apontado como “guru ambiental” de Bolsonaro, Miranda liderou a equipe de transição do Ministério do Meio Ambiente entre os governos Temer e Bolsonaro, que maquinou o desmonte da pasta entregue a Ricardo Salles.

“Por três décadas, Miranda e seu grupo se opuseram sistematicamente ao consenso científico para contribuir com os movimentos políticos que visam adiar a ação ou desmantelar as principais políticas de conservação”, aponta o estudo.

Os autores destrincharam as táticas de desinformação usadas pelo “pequeno grupo de negacionistas”, que resultaram em “impactos graves para as políticas de conservação, principalmente relacionadas ao desmatamento e às mudanças climáticas”.

São elas: 1) produção deliberada de dúvidas sobre a ciência consensual com o objetivo de atrasar, impedir ou distorcer a implementação de políticas; 2) produção de versões alternativas de fatos e dados científicos em detrimento de evidência esmagadora em direção contrária; 3) uso da autoridade científica adquirida por meio da formação ou trabalho em instituições reconhecidas para promover falsas controvérsias; e 4) desconsideração da literatura científica: quando formuladores de falsas controvérsias ignoram os consensos científicos e passam a endereçar seus argumentos para políticos e o público com o objetivo de passar a impressão de que ainda há controvérsias científicas genuínas sobre o tema.

Miranda foi o responsável pela “contabilidade criativa” de várias “teses” usadas pelo governo para divulgar informações falsas sobre a questão ambiental. Entre elas, a de que o Brasil seria o país que mais preserva o meio ambiente no mundo, repetida pelo menos 29 vezes por Bolsonaro desde o início de seu mandato, segundo a agência Aos Fatos. Outra mentira é a de que o agronegócio nacional estaria impedido de crescer em razão do suposto excesso de áreas protegidas criadas no país desde o fim da ditadura militar.

A influência do engenheiro agrônomo no governo federal vem desde a gestão de José Sarney. Mas o estudo aponta que o auge de menções ao nome de Miranda nos sites do Congresso Nacional ocorreu em 2009, durante o governo Lula.

A denúncia contra Miranda e seus métodos, coordenada por Raoni Rajão (UFMG), é assinada por pesquisadores que estão entre os mais influentes do país na área ambiental, como os irmãos Carlos e Antonio Nobre (Inpe), Mercedes Bustamante (UnB), Gerd Sparovek (USP) e Britaldo Soares-Filho, também da UFMG.

Eles detalham impactos em pelo menos cinco temas:


Código Florestal

Falsa controvérsia: aplicação plena do Código Florestal de 1965 inviabilizaria produção na maior parte do país.

  • Apenas 29% da área do país estaria disponível para uso agrícola em um cenário flexível;
  • Agropecuária na Amazônia e Pantanal seria considerada ilegal em um cenário rígido.

Resultado:

  • Aprovação do novo Código Florestal, em 2012, anistiou 58% do desmatamento ilegal pré-2008 e promoveu a volta do crescimento do desmatamento.

Fatos científicos:

  • A área total de restrição do CF não impactaria significativamente a produção (Skorupa, 2003; Aquino and Oliveira, 2006; Soares-Filho et al., 2014; Sparovek et al., 2011; ABC, 2010).
  • Desmatamento na Amazônia altera regimes de chuvas e impacta negativamente a produção agropecuária (Spera et al. 2020; Leite-Filho et al. 2021).

Multas Ambientais

Falsa controvérsia: multas ambientais são arbitrariamente aplicadas

  • Autuações seriam feitas remotamente, sem verificação em campo ou checagem de autorização junto ao produtor.

Resultado:

  • Redução drástica do número de autuações por crimes ambientais ligados ao desmatamento durante o governo Bolsonaro (Vale et al. 2021).

Fatos científicos:

  • Multas e embargos contribuíram para redução drástica do desmatamento entre 2005 e 2007 (Nepstad et al. 2014);
  • A tecnologia de monitoramento remoto é usada, mas ações em campo têm papel central e são altamente eficazes para redução do desmatamento (Börner et al., 2014, 2015; Sousa 2016; Assunção and Rocha, 2019; Saraiva et al. 2020).

Terras Indígenas e Unidades de Conservação

Falsa controvérsia: demandas por demarcações e conservação excederiam o tamanho do território nacional

  • O problema da falta de terra para agropecuária seria fruto das demandas ambientais, indígenas, quilombolas e de reforma agrária.

Resultados:

  • Redução das demarcações e da criação de UCs a partir de 2010 e paralisação desde 2018;
  • Propostas de mega infraestruturas e de liberação de mineração em áreas protegidas;
  • Crescimento do desmatamento e de ataques violentos às terras indígenas e suas populações.

Fatos científicos:

  • TIs estão entre as principais barreiras contra o desmatamento da Amazônia (Nepstad et al., 2006);
  • A garantia do direito coletivo de propriedade aos povos indígenas diminui índices de desmatamento em seus territórios (Baragwanath e Bayi, 2020);
  • Demarcação de TI reduz tanto emissões de carbono quanto desmatamento (Blackman e Veit, 2018).
  • TIs suficientemente grandes são essenciais ao seu uso sustentável (Begotti e Peres, 2020);
  • Densidade populacional de indígenas dentro das TIs demonstra uso efetivo do território (Begotti e Peres, 2020).

Queima da Cana em São Paulo

Falsa controvérsia: queima da cana seria benéfica ao meio ambiente e não haveria indícios de danos à saúde causados pela fumaça.

Resultado:

  • Ação do MPSP para parar a queima da cana foi negada em juízo no início dos anos 1990;
  • Apenas em 2016 o Estado de São Paulo proibiu a queima da cana.

Fatos científicos:

  • Fumaça da queima da cana aumenta hospitalização de crianças e idosos;
  • Queima reduz a fertilidade do solo e causa erosão (Kirchhoff et al., 1991; Boeniger et al., 1991; Newman, 1986; Rothschild and Mulvey, 1982; Alessi and Navarro, 1997; Delgado, 1985; Urquiaga et al., 1991).

Incêndios

Falsa controvérsia: A maioria dos focos registrados em julho de 2021 na América do Sul foi de queimadas em sistemas de produção pouco tecnificados.

  • Não foram incêndios criminosos, mas queimadas usadas como tecnologia agrícola.
  • A fiscalização e a sanção não são a solução.

Resultados:

  • Desmantelamento das políticas de controle do desmatamento e do fogo;
  • “Guerra narrativa”: ciências ambientais retratadas como entrave ao desenvolvimento.

Fatos científicos:

  • Em julho de 2021, apenas 39% dos focos de incêndio estavam em áreas de uso agrícola consolidadas; 48% foram registrados em áreas desmatadas após 2017 (INPE, 2021).

Os cientistas terminam o artigo com recomendações sobre como criar antídotos para o negacionismo. Eles reconhecem que a comunidade científica “não está bem-preparada” para lidar com estratégias como a de Miranda e que precisa fazer um esforço maior para se comunicar com a sociedade.

“O entendimento público da ciência poderia potencialmente evitar que se tomasse como fato controvérsias científicas falsas colocadas por grupos de interesse às expensas do bem da sociedade, do desenvolvimento sustentável e da conservação ambiental”, escrevem Rajão e colegas.

Evaristo de Miranda é um freguês antigo do Fakebook.eco. Em mais de uma ocasião este site examinou algumas de suas teses, como a de que a proteção ambiental tira espaço do agronegócio, a de que o boi é o “bombeiro do Pantanal” e a de que em 2021 não houve incêndios florestais, apenas queimas agrícolas.

Mirada e a Embrapa Territorial – unidade que ele criou em 1989 e que chefiou nos últimos seis anos, até o início deste mês – foram procurados para comentar o novo estudo, mas responderam em nota conjunta que “não se pronunciarão a respeito do assunto”.

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Este texto foi originalmente publicado pelo site  “Fakebook.eco” [Aqui!].

Assassinato de congolês no Rio de Janeiro por cobrar salários gera revolta e indignação

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A morte do imigrante congolês Moïse Kabamgabe, no Rio de Janeiro, gerou protestos neste final de semana no bairro da Barra da Tijuca, onde o fato aconteceu. Kabamgabe foi espancado por cinco homens em frente a um quiosque na orla da praia, segundo familiares.

A tragédia suscitou debates sobre racismo e xenofobia – dois crimes dos quais imigrantes são comumente vítimas –, embora o caso esteja sob investigação da Polícia Civil. De acordo com Jéssika Jonas, gerente do “Ven, Tú Puedes”, projeto da ONG Visão Mundial que trabalha como imigrantes e refugiados, especificamente os venezuelanos, “o Brasil conta hoje com um aparato legal para reger a política migratória e, por isso, é importante que, caso comprove-se motivação racial, cultural ou de nacionalidade, que os dispositivos existentes hoje em lei para esses crimes também sejam aplicados na prática”.

Recentemente, a Visão Mundial lançou uma iniciativa para ajudar venezuelanos que são vítimas de exploração de trabalho, uma realidade também na vida de estrangeiros de várias outras nacionalidades. O projeto “Ven, Tú Puedes!” é um projeto da ONG, apoiada pelos Estados Unidos, que, desde 2019, visa acolher os migrantes e refugiados venezuelanos em situação de vulnerabilidade social. O foco da iniciativa é promover a inserção no mercado de trabalho, garantindo renda para as famílias. São três eixos principais que estruturam o projeto: empregabilidade, empreendedorismo e envolvimento do setor privado. Contudo, para este ano, vai colocar em prática um novo eixo: o de proteção, para identificar casos de violações trabalhistas.

Marcado por ações importantes que promovem a integração social e econômica, o projeto atendeu 40 mil pessoas direta ou indiretamente no ano de 2021, formou mais de mil em Língua Portuguesa, ajudou na emissão de carteiras de trabalho, elaboração de currículos e no incentivo ao negócio próprio.

Sobre a Visão Mundial

A World Vision, conhecida no Brasil como Visão Mundial, é uma organização humanitária dedicada a trabalhar com crianças, famílias e suas comunidades para atingir todo o seu potencial, combatendo as causas da pobreza e da injustiça. A Visão Mundial serve a todas as pessoas, independentemente de religião, raça, etnia ou gênero. A organização está no Brasil desde 1975 atuando por meio de programas e projetos nas áreas de proteção, educação, advocacy e emergência, priorizando crianças e adolescentes que vivem em situações de vulnerabilidades.

Pesquisadores do INPA demandam que países europeus e China boicotem soja e carne para combater o desmatamento da Amazônia

Em artigo, os pesquisadores denunciam a nova alta de desmatamento na Amazônia e pressionam os países a pararem de comprar soja e carne bovina brasileira

oeco deforestationPesquisadores denunciam expansão da fronteira do desmatamento na Amazônia. Foto: Mauro Pimentel/AFP

Por Duda Menegassi para

Em texto publicado na revista científica internacional Nature na última semana, dois cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) denunciam a alta do desmatamento no Brasil e pressionam para que países europeus e China boicotem as importações de soja e carne bovina do país.

Em um dos trechos do texto, assinado por Lucas Ferrante e Philip Fearnside, ambos do INPA, os pesquisadores insistem que “os países que importam grandes quantidades de soja e carne bovina do Brasil a tomarem medidas para deter essa destruição. Cerca de 9,5% da soja exportada do Brasil e 5,3% de sua carne bovina vão para países europeus, com outros 79% e 52%, respectivamente, indo para a China. Os importadores devem mudar para outros exportadores até que o Brasil elimine o desmatamento causado pela exportação”.

“Há anos, os pecuaristas do estado de Mato Grosso vendem suas pastagens por preços altos para produtores de soja e compram terras baratas mais ao norte para desmatar para a produção de carne bovina”, explicam. 

Um dos autores do texto, o pesquisador Lucas Ferrante, explica a ((o))eco que o desmatamento na Amazônia traz ainda consequências econômicas para o país, como a escassez hídrica, que afeta diretamente tanto a agricultura quanto o bolso dos brasileiros. “Além disso, esse novo ciclo do desmatamento impulsionado tanto pela soja quanto pela pecuária, vem tirando a carne da mesa do trabalhador brasileiro, porque hoje a exportação da carne está atrelada ao preço do dólar. Isso faz com que seja mais vantajoso pros desmatadores, que lucram em dólar, e também para esses pecuaristas que invadem essas terras”, analisa o cientista do INPA.

O artigo destaca ainda a expansão da fronteira do desmatamento para o oeste do estado do Amazonas, seguindo a rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho. “O desmatamento no Brasil hoje está ameaçando o último grande bloco de floresta amazônica intacta”, alertam.

Além disso, o aumento do desmatamento vai contra o compromisso do Brasil de mitigar as emissões de carbono, acrescentam os pesquisadores.

Ano de 2021 teve alta de 29% no desmatamento

A Amazônia viveu em 2021 o seu pior ano em uma década, com 10.362 km² de floresta destruída entre janeiro e dezembro – o equivalente a quase sete vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Os dados foram divulgados pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), e revelaram um aumento de 29% na taxa de desmatamento em comparação ao ano anterior – que já havia batido recorde com 8.096 km² de floresta perdidos. 

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Este texto foi inicialmente publicado pelo site OECO [Aqui!].

De candidato a líder nacional a papagaio de pirata de Jair Bolsonaro, o desastroso percurso de Anthony Garotinho

Ao contrário de muitos que vi em mais de duas décadas vivendo na cidade de Campos dos Goytacazes que oscilaram entre o ódio declarado ao abraço apaixonado, sempre vi em Anthony Garotinho qualidades que o tornavam um potencial líder político nacional, já que chegou a ficar em terceiro lugar no primeiro turno das eleições presidenciais de 2002 com respeitáveis 15 milhões de votos . Entretanto, dadas as marchas e contra-marchas de sua trajetória política, o potencial para ser uma liderança nacional nunca foi realizado, e Anthony Garotinho acabou sendo uma espécie de rei de um reinado pequeno, no caso o município de Campos dos Goytacazes, onde ele continua reinando absoluto, muito em função da fraqueza de seus adversários, e não apenas pelos seus méritos óbvios.

Mas com a chegada ao poder de Jair Bolsonaro, algo ainda mais tenebroso parece ter acontecido com o jovem político que subia em caixotes para fazer seus discursos inflamados contra os coronéis que controlaram com mão de ferro a política municipal por centenas de anos. É que objetivamente, ao invés de se afastar de um líder que clara e objetivamente tem ojeriza aos pobres, Anthony Garotinho agiu para colocar seu grupo político nos braços de Jair Bolsonaro.

Esse abraçar do Bolsonarismo remove de Anthony Garotinho qualquer possibilidade de ocupar um papel positivo na mudança de rumos que o Brasil precisará tomar após os desastrosos quatro anos de Jair Bolsonaro na presidência da república.  Na prática, ao se abraçar com Bolsonaro, Anthony Garotinho opta pela obscuridade no período histórico seguinte, pois dificilmente haverá por parte de quem quer seja eleito para substituir Jair Bolsonaro (o mais provável a ocupar esse papel é o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva), não haverá espaço para Anthony Garotinho para além da política paroquial campista.

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Em visita a Campos dos Goytacazes, Jair e Flávio Bolsonaro ostentam com camisas do tradicionalíssimo Americano Futebol Clube, tendo ao fundo os governadores Anthony e Rosinha Garotinho

Por isso tudo é que a imagem acima sintetiza a situação melindrosa em que Anthony Garotinho optou por se colocar, qual seja, a de um papagaio de pirata de um líder impopular e, pior, anti-popular, o qual representa tudo o que aquele jovem político campista tinha o potencial para ser e não foi, e nem será.

O centenário de Leonel Brizola passou em meio a um curioso silêncio no campus da Uenf

MVC-066FLeonel Brizola visitou o campus da Uenf em junho de 2001 para prestar solidariedade à luta da autonomia universitária da universidade que havia criado em 1993

Por Carlos Eduardo de Rezende*

O ano de 2022 carrega uma responsabilidade sobre a história de criação para a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, a Uenf, ou Universidade do Terceiro Milênio como seu idealizador, o professor Darcy Ribeiro, sempre a tratou. Exatamente neste ano, dois dos principais responsáveis pela criação da UENF completariam 100 anos. Em 22 de janeiro, Leonel Brizola, e, em 26 de outubro, Darcy Ribeiro. Estes dois grandes personagens da História Política Brasileira, sempre lideraram grandes projetos educacionais e entre eles a criação da Uenf, em Campos e em Macaé. Hoje, a UENF está presente em vários municípios do Estado do Rio de Janeiro através do Consórcio CEDERJ e nossos alunos precisam conhecer a trajetória institucional com exatidão, por isso, a importância dos registros históricos.

Esperei até o dia 31 de janeiro de 2022 para escrever alguma coisa pela celebração dos 100 anos do Leonel de Moura Brizola por entender que a Uenf deveria se manifestar através da sua reitoria (Reitor, Vice-Reitora, Pró-Reitores ou Chefe de Gabinete). A história de uma instituição, no meu entendimento, tem muita importância para o seu futuro e o silêncio do grupo que compõe esta Reitoria, diante de uma data que considero relevante para nossa instituição, me causou tremendo desconforto.

As eleições que mudaram a história do Rio de Janeiro | by Rodrigo Stafford  | Medium

Leonel Brizola assiste ao lado de Oscar Niemeyer a uma explanação de Darcy Ribeiro sobre o projeto da Uenf

A Uenf necessita realmente que registros fidedignos sejam estabelecidos, pois ao longo destes 28 anos, percebo tentativas equivocadas de escrever passagens sobre a criação da UENF.  A celebração dos 25 anos de existência da UENF não foi publicada até hoje e considerando a possibilidade de publicações de documentos na forma de E-Book não existe razão para que este material ainda não esteja disponível.

Retomando o início da Uenf, a mobilização da sociedade regional pela criação de uma universidade foi um sucesso e foi incluída na constituição estadual onde dizia que “O estado criará a Universidade Estadual do Norte Fluminense, com sede em Campos dos Goytacazes, no prazo máximo de três anos a partir da promulgação da Constituição”. A Constituição foi promulgada em 1989 e o prazo para criação da Uenf seria até 1992, mas apenas em agosto de 1993 iniciamos as atividades na instituição. Abaixo selecionei algumas passagens na trajetória inicial da Uenf e Leonel Brizola, pois são muitos e não seria possível em uma curta nota abordar a todas.

– Em um primeiro momento e através do Decreto 16.357/91 criou o estatuto inicial da  Uenf que previa a incorporação das instituições de ensino superior vinculadas à Fundação Cultural de Campos e à Fundação Benedito Pereira Nunes;

– Leonel Brizola coloca Darcy Ribeiro à frente do Programa dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEP) e também da criação da Uenf. Neste momento, tudo começou a mudar com Darcy Ribeiro liderando o projeto da Uenf. Brizola sempre foi considerado um centralizador, mas a Darcy e Niemeyer ele sempre depositou total confiança e liberdade para todas as ações. Este trio foi o alicerce fundamental para a materialização da Uenf, mas a área de educação sempre obteve um tratamento muito especial por parte do Brizola sendo iniciada no Rio Grande do Sul passando por inúmeros cargos políticos até a chegada ao Governo do Estado do Rio de Janeiro. 

– O uso dos CIEPS foi um fator determinante assim como a liberação de recursos do governo estadual para a construção da Uenf, em tempo recorde, foi uma das experiências mais incríveis que pude presenciar. A cada visita que fazíamos a Campos, tínhamos uma evolução da construção e o pátio de obras funcionava 24h por dia.

– Leonel Brizola através da Faperj liberava recursos financeiros para grupos de pesquisa e todos vinham com pacotes para compra de equipamentos e todas as condições necessárias para realizar pesquisas. Esta política pública atraiu inúmeros pesquisadores estrangeiros e brasileiros, inclusive vários membros a Academia Brasileira de Ciências. A vinda destes profissionais propiciou que a UENF iniciasse os cursos de graduação e pós-graduação simultaneamente.

– O prestígio e confiabilidade política de Brizola, assim como algumas lideranças acadêmicas que estava a frente do projeto Uenf, foram fundamentais para a atrair cientistas, jovens e sêniores, assim como sua credibilidade política na região. Em uma das vindas a Campos paramos em Macaé para o almoço e na comitiva estava o Prof. Carlos Alberto Dias que escolheu a cidade de Macaé para instalar o Laboratório de Engenharia e Produção de Petróleo e o primeiro curso de graduação de Engenharia e Produção de Petróleo do Brasil.

– As boas relações políticas de Leonel Brizola em Campos proporcionaram que a UENF iniciasse suas atividades, em 1992, na Fundação Norte Fluminense de Desenvolvimento Regional (FUNDENOR) que nos abrigou por muitos anos, inclusive possibilitando o início do Curso de Medicina Veterinária e experimentos com animais de biotério. Nossas relações institucionais permanecem e devem continuar sendo fortalecidas.  

– Em 1992, a cidade do Rio de Janeiro abrigou a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO 92) e foi exatamente nesta reunião que Leonel Brizola assinou acordos comerciais com a Alemanha liderada pelo Chanceler Helmut Kohl. A partir deste acordo vários equipamentos alemães foram adquiridos possibilitando vários grupos iniciarem suas pesquisas com o que havia de melhor, por exemplo, na área de microscopia convencional e eletrônica.

Existem muitas passagens de Leonel Brizola na UENF, mas teríamos que transformar uma nota muito maior, mas sua importância não pode jamais ser negligenciada e por isso me chamou atenção a falta de uma manifestação formal por parte da administração da instituição para toda comunidade universitário assim como para a regional.

Concluindo, deixo registrado o texto que marca a entrada da UENF: O Governador Leonel Brizola fez erguer esta Universidade Estadual do Norte Fluminense, para que no Brasil floresça uma civilização mais bela, uma sociedade mais livre e mais justa, onde viva um povo mais feliz.

Salve Leonel Brizola!!!

*Carlos Eduardo de Rezende é professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB) da Uenf e esteve entre o grupo de profissionais que deram inicio ao funcionamento da instituição em 1993.

Brasil afogado em agrotóxicos. Governo Bolsonaro ‘abriu a porteira’ para agrotóxicos perigosos em 2021

Associada a diversos tipos de câncer e malformações congênitas, a atrazina é princípio ativo de 25 produtos liberados em 2021. Em 2019, eram 12, e no ano seguinte, nove. O produto foi banido na União Europeia em 2004 justamente por causar esses problemas

Man wearing white suit and protective mask spraying plants

Young worker splash grape with fungicides

Por Cida Oliveira para a Rede Brasil Atual

São Paulo – O governo de Jair Bolsonaro deu um forte impulso à liberação de agrotóxicos dos mais perigosos em 2021, segundo parecer da professora Sonia Corina Hess, titular de Química da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Campus de Curitibanos. O estudo foi encomendado pelo Ministério Público Federal, Ministérios Públicos Estaduais, órgãos do Poder Judiciário federal e dos estados, além do Fórum Nacional e fóruns estaduais de combate aos impactos dos agrotóxicos e transgênicos, entre outras instituições.

Os dados levantados pela professora apontam para uma escalada na aprovação de produtos altamente perigosos no ano passado. O pacote inclui itens banidos na União Europeia (UE) há mais de 20 anos ou que jamais conseguiram ser liberados justamente por causar sérios danos à saúde humana. “A proibição desses produtos na UE está associada aos efeitos adversos a humanos e a outros organismos resultantes da exposição aos ingredientes químicos de agrotóxicos”, destaca em seu parecer.

Clique aqui para acessar a íntegra do parecer de Sonia Corina Hess

É o caso da atrazina, usada para matar as chamadas ervas invasoras.Foi princípio ativo de 25 dos mais de 500 produtos liberados no ano passado, enquanto o país assistia ao aumento de mortes causadas pela covid-19 e ao retorno do Brasil ao vergonhoso mapa de fome, de onde havia saído em 2014.

Em 2019, o composto estava em 12 dos “novos e menos tóxicos” agroquímicos liberados para uso no país. No ano seguinte, em outros nove. Não é a toa que a atrazina tenha sido banida na União Europeia em 2004. O princípio ativo está associado a diversos tipos de câncer – estômago, próstata, ovários, tireoide –, ao desenvolvimento da Doença de Parkinson e do Mal de Alzheimer. Também à infertilidade e malformação congênita.

Outro exemplo é o fipronil. Desenvolvido para matar insetos, formigas e cupins, é o terror das colmeias, segundo diversos estudos. O produto é associado a alterações bioquímicas no sangue e é tóxico ao fígado e ao sistema nervoso central. Mesmo assim, é princípio ativo de 21 produtos liberados para o agronegócio no ano passado. Em 2019 foram nove e em 2020, 15.

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Sua salada altamente tóxica

De 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2021 foram aprovados 552 agrotóxicos para uso no Brasil, dos quais 96 eram produtos contendo ingredientes ativos biológicos. Outros 181 eram produtos técnicos com ingredientes ativos químicos que entram na produção de outros agrotóxicos. Finalmente, 275 eram produtos com ingredientes ativos químicos formulados (49,8%).

Conforme o parecer, o maior número de “novos agrotóxicos”, como prefere a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e seus apoiadores ruralistas, são destinados às culturas de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. Conforme a pesquisadora Larissa Bombardi, citada no parecer, 52% dos agrotóxicos utilizados no Brasil são aplicados nos latifúndios de soja; 10% nos de milho; 10% em cana-de-açúcar; e 7%, no algodão.

Ou seja, mais de 80% daqueles produtos agrícolas não são destinados a produtos para alimentação humana, mas sim à alimentação animal. Ou ainda, à produção de commodities que, juntamente com café, maçã e citros, constituem a base do agronegócio brasileiro.

No entanto, a professora Sonia Hess alerta para o fato de que muitos desses agrotóxicos registrados no Brasil em 2021 têm usos autorizados também para muitas culturas agrícolas até de hortaliças e frutas. E isso apesar dos comprovados efeitos tóxicos dos ingredientes ativos presentes.

Um exemplo é o inseticida, formicida e acaridicida de nome bifentrina, princípio ativo de 15 agrotóxicos liberados em 2021. Segundo pesquisas recentes ele é tóxico ao sistema nervoso central, está ligado ao desenvolvimento de obesidade e à desregulação endócrina.

Mesmo assim, está livre para ser aplicado em alimentos como acelga, agrião, alface, almeirão, brócolis, centeio, cevada, chicória, couve, couve-chinesa, couve-flor, couve-de-bruxelas, espinafre, repolho, rúcula, tomate e muitas outras hortaliças recomendadas para mais saúde e perda de peso.

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Este texto foi inicialmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

Spotify perde bilhões de dólares em valor de mercado após Neil Young retirar suas músicas da plataforma

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Neil Young se apresenta no Farm Aid 2017 no KeyBank Pavilion em Burgettstown, Pensilvânia, em 2017. O Spotify perdeu bilhões em valor de mercado depois que Young retirou seu catálogo de músicas da gigante do streaming por causa de suas preocupações de que o podcaster Joe Rogan estava espalhando informações erradas sobre o COVID-19. Foto de arquivo por Archie Carpenter/UPI | Foto da licença

Por Adam Schrader para a UPI

30 de janeiro (UPI) – O Spotify perdeu bilhões em valor de mercado depois que Neil Young retirou seu catálogo de músicas da gigante do streaming por causa de suas preocupações de que o podcaster Joe Rogan estava espalhando informações erradas sobre o COVID-19.

As ações do Spotify estavam em US$ 172,98 no fechamento do mercado na sexta-feira, uma queda de 12% em relação aos US$ 195,53 no fechamento do pregão da semana passada antes da controvérsia começar, depois de atingir uma baixa de 19 meses na quinta-feira em meio a campanhas de mídia social para cancelar assinaturas da plataforma de streaming.

As estimativas do valor de mercado perdido pelo Spotify variaram de US$ 2 bilhões relatados pela Variety e US$ 4 bilhões relatados pelo San Francisco Chronicle’s Datebook .

As ações do Spotify podem continuar sendo afetadas quando o mercado abrir na segunda-feira, depois que a cantora e compositora Joni Mitchell anunciou na sexta -feira que removeria sua música da plataforma, seguida por Nils Lofgren no sábado .

No domingo, a empresa Archewell Productions, do príncipe Harry e Meghan Markle, divulgou um comunicado atribuído a um porta-voz abordando a recente controvérsia de desinformação do COVID-19 com o Spotify, informou o Deadline .

Atualmente, o casal real tem um acordo de US$ 25 milhões para fazer podcasts para a plataforma.

“Desde o início da Archewell, trabalhamos para lidar com a crise global de desinformação em tempo real”, diz o comunicado. “Centenas de milhões de pessoas são afetadas pelos graves danos da desinformação desenfreada e da desinformação todos os dias.” 

O porta-voz observou na declaração um tanto enigmática que Harry e Meghan levantaram preocupações sobre as “consequências da desinformação do COVID-19” no Spotify desde abril de 2021.

“Continuamos a expressar nossas preocupações ao Spotify para garantir que mudanças em sua plataforma sejam feitas para ajudar a lidar com essa crise de saúde pública”, diz o comunicado. “Aguardamos o Spotify para atender a este momento e estamos comprometidos em continuar nosso trabalho juntos como está.”

Não ficou imediatamente claro se o casal real tentaria sair do acordo se acreditasse que o Spotify não estava abordando a desinformação do COVID-19. 

Lofgren, o renomado guitarrista de rock e membro de longa data da E Street Band de Bruce Springsteen, anunciou no sábado que retiraria seu catálogo de músicas, que inclui 28 discos solo, em uma mensagem postada no site Neil Young Archives .

Além de ser membro da E Street Band, pela qual foi introduzido no Hall da Fama do Rock and Roll em 2014, Lofgren também é membro do Crazy Horse – que há muito se associa e se apresenta com Young. Algumas das músicas de Longren já haviam sido removidas da plataforma durante o êxodo de Young.

“Neil e eu nos conhecemos há 53 anos. Amy e eu estamos honrados e abençoados por chamar Neil e Daryl de amigos, e sabíamos que ficar com eles era a escolha certa”, escreveu Lofgren antes de encorajar “todos os músicos, artistas e amantes da música” a cortar os laços. com Spotify.

Ele se tornou o terceiro grande artista a retirar sua música depois que Mitchell disse na sexta-feira que removeria sua música do Spotify em protesto após a recente controvérsia entre Neil Young e a gigante do streaming de música sobre a “desinformação” COVID-19 do podcaster Joe Rogan.

Mitchell, cuja música atrai 3,7 milhões de ouvintes mensais na plataforma, divulgou uma mensagem em seu site na sexta-feira intitulada “I Stand With Neil Young!” Ela foi a primeira grande artista a seguir Young ao deixar o Spotify.

A cantora e compositora, que ganhou nove prêmios Grammy, incluindo um Lifetime Achievement Award por suas contribuições à música, vendeu milhões de seus 19 álbuns de estúdio desde que sua carreira começou em 1968. Ela também foi introduzida no Rock and Roll Hall of Fame e ficou em nono lugar na lista da Rolling Stone dos 100 Maiores Compositores de Todos os Tempos.

O Spotify concordou em pagar a Rogan US$ 100 milhões em 2020 pelos direitos exclusivos de transmissão de The Joe Rogan Experience , que é um dos programas mais populares do mundo.

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Este texto foi escrito orginalmente em inglês e publicado pela UPI [Aqui!].

Sérgio Moro e sua “expertise”: insider informant

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Nos EUA existe uma figura chamada de “insider informant” que vem a ser um indivíduo que dá ou providencia informações úteis a um órgão policial que esteja conduzindo investigações sobre determinadas violações da lei.  Se olharmos bem o caso do ex-juiz Sérgio Moro e sua contratação pela firma “Alvarez & Marsal“, o que temos é exatamente isso, só que a serviço dos interesses corporativos dos clientes da A&M. 

A questão aqui não é nem o montante recebido pelo ex-juiz por um ano, a generosa quantia de R$ 3,5 milhões, mas o fato de que a sua peculiar “expertise” decorreu diretamente de sua atuação como juiz (e virtual comandante) da chamada Operação Lava Jato.  Desta forma, na condição de “insider informant“, o que Sérgio Moro na prática fez foi transferir conhecimento adquirido por agências policiais e pelo sistema judiciário brasileiro para empresas transnacionais via um contrato privado com a A&M para sabe-se lá quem.

Certamente não sou o único que já viu ou ouviu Sérgio Moro tentando se manifestar na língua inglesa, demonstrando um baixo nível de proficiência na língua de William Shakespeare. Disso se depreende que ele deve ter tido o auxílio especializado na A&M para poder exercer sua “expertise”, o que amplia ainda mais a peculiaridade de suas ações profissionais na empresa.

Como já vivi nos EUA posso garantir que os salários de Sérgio Moro não são nenhum exagero para o tipo de serviço que ele prestou, pois está claro que ele transferiu conhecimento estratégico para seus empregadores.  Desta forma a questão não se refere aos valores recebidos, mas dos fatores que determinaram a sua contratação com salários que revelam a sensibilidade do trabalho realizado.

Mas qual é o moral da história? Fosse Sérgio Moro um ex-juiz estadunidense e tivesse sido contratado por uma empresa brasileira para fazer o jogo inverso, o mais provável é que não estivesse livre para pleitear cargos eletivos. Mas como é brasileiro e a empresa era estadunidense, a banda está tocando de forma bem distinta. 

Finalmente, para quem não for cego está evidente que de paladino da justiça Sérgio Moro não tem nada, tendo mais um na longa história de falsos heróis que as classes médias brasileiras abraçam para, sob a bandeira do combate à corrupção, destilar o seu ódio aos pobres.