Empresa suíça faz projeções econômicas para Brasil e América Latina, e traça panoramas futuros do mercado de seguros

Relatório aborda projeções de recuperação econômica e PIB para Brasil, América Latina e global, além de trazer panoramas do próximo período do mercado de seguros

swiss re 2022

Abaixo são apresentadas algumas informações específicas sobre América Latina, com projeções do PIB e inflação para a América Latina. Logo em seguida, o relatório com dados mais amplos.
• A recuperação econômica está em andamento na América Latina e projetamos um retorno ao nível do PIB pré-pandêmico em 2022. No entanto, esperamos um crescimento econômico mais lento na região em 2022 e 2023 do que em 2021, devido ao aperto da política monetária e persistência estrutural problemas existentes antes da pandemia, como finanças públicas insustentáveis e baixa produtividade. Retrocessos pandêmicos e aumento da inflação são alguns dos principais riscos para a recuperação, enquanto a instabilidade política e social e a incerteza política irão obscurecer ainda mais as perspectivas à medida que entrarmos em outro período eleitoral pesado na região.
• Projeta-se que o PIB real regional cresça 6% em 2021, seguido por um crescimento mais moderado de menos de 3% em 2022 e 2023.
• Para os dois maiores países da região, Brasil e México, projetamos um crescimento da ordem de 5% e 6% neste ano, respectivamente. Para o Brasil, esperamos crescimento de menos de 1% no próximo ano e 2% em 2023. Ao passo que projetamos crescimento de cerca de 3% para o México no próximo ano e 2,2% em 2023.
• O ano do Brasil será fortemente afetado pelo processo eleitoral de outubro próximo. Esperamos muita volatilidade financeira à medida que os investidores avaliam as perspectivas de continuidade ou mudança na direcionalidade das políticas públicas.
• O forte crescimento global, principalmente nos principais parceiros comerciais da região, Estados Unidos e China, e os altos preços das commodities foram fatores importantes para a recuperação da América Latina neste ano. No entanto, o pico do crescimento global ficou para trás, portanto, os formuladores de políticas terão que contar com as condições domésticas para lidar com o malabarismo simultâneo de uma crise de saúde pública e uma recessão econômica.
• Esperamos que a inflação permaneça elevada na América Latina, apesar da redução dos efeitos de base da baixa inflação do ano passado. A inflação segue sendo alimentada pelo impacto da depreciação cambial, da alta dos preços das commodities, da recuperação do consumo, do rompimento das cadeias produtivas e da crise de energia. Maiores rendimentos dos EUA podem pressionar ainda mais o câmbio e causar repasse da inflação de importação.
• Há uma mistura de fatores transitórios e estruturais, como mudanças de preços relativos devido a mudanças induzidas por pandemia no comportamento do consumidor, desalinhamento da demanda e capacidade de produção, tensão da cadeia de abastecimento global e interrupções relacionadas com a pandemia dos mercados de trabalho. .
• A recente piora da dinâmica inflacionária também aumentou os riscos de estagflação (alta inflação, baixo crescimento e alto desemprego) para os próximos anos, especialmente no Brasil. A inflação do Brasil subiu novamente em outubro, 10,7% no comparativo anual contra 10,3% no comparativo anual em setembro. Nossas projeções incluem outro aumento de 150pb em dezembro para uma taxa básica de juros de 9,25% para 2021 e 11,25% para 2022. A taxa começou o ano em 2%.
• Os níveis da dívida em relação ao PIB aumentaram na região no ano passado devido à crise da COVID e não se espera que diminuam no curto prazo. O baixo crescimento econômico para os próximos anos é uma ameaça ao ajuste fiscal necessário somado aos grandes desequilíbrios fiscais existentes antes da pandemia, especialmente no Brasil. Essa situação, então, levanta dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida de longo prazo e aumenta os riscos de crédito soberano, podendo levar a rebaixamentos de classificação. A Colômbia perdeu sua classificação de grau de investimento da Fitch e S&P este ano.Tabela: Crescimento real do PIB e inflação na América Latina

Tabela PIB

Forte crescimento previsto para os mercados globais de seguros à medida que aumenta a demanda por proteção contra riscos, diz o Swiss Re Institute

• Espera-se que os prêmios de seguros globais cresçam 3,4% em termos reais em 2021, 3,3% em 2022 e 3,1% em 2023
• O mercado mundial de seguros deverá exceder US$ 7 trilhões em prêmios pela primeira vez em meados de 2022, mais cedo do que o esperado
• Rentabilidade do seguro apoiada por maior conscientização quanto ao risco tanto no segmento de vida quanto não-vida, após a pandemia da COVID-19, e o fortalecimento contínuo do preço de segurosZurique, 17 de novembro de 2021 – O último estudo sigma do Swiss Re Institute prevê que o setor de seguros globais atinja um novo recorde em prêmios globais até meados de 2022, ultrapassando US$ 7 trilhões. Isto vem antes do que a Swiss Re estimou em julho e reflete a crescente conscientização quanto ao risco, aumentando a demanda por proteção e o fortalecimento contínuo do preço de seguros nas linhas comerciais de seguros não-vida. A perspectiva do setor de seguros também é apoiada por uma forte recuperação cíclica do choque da COVID-19, mas espera-se que o crescimento econômico desacelere nos próximos dois anos devido a uma crise de preços de energia em desdobramento, problemas prolongados do lado da oferta e riscos de inflação. Suporte estrutural de longo prazo para o crescimento é necessário, como mostra a análise de resiliência do Swiss Re Institute neste relatório sigma.

A mudança climática e a digitalização são tendências significativas que estão moldando a economia mundial e os mercados de seguros. A rápida descarbonização está se tornando imperativa e a abordagem da sociedade para a transição a uma economia verde determinará as perspectivas econômicas. O setor de seguros pode apoiar a transição para uma economia de baixo carbono, não apenas absorvendo perdas por desastres, mas também promovendo investimentos sustentáveis de infraestruturas que ajudam a mitigar o impacto de condições climáticas extremas voláteis. A adoção de tecnologias digitais não está apenas desempenhando um papel no aumento do crescimento da produtividade global, mas a pesquisa da Swiss Re também descobriu que a pandemia transformou a receptividade dos consumidores para interagir digitalmente com os seguros, apontando para o potencial de crescimento. Uma terceira tendência significativa é a crescente divergência do crescimento dos países e dos indicadores socioeconômicos, como a desigualdade – um potencial risco adverso.

“A recuperação econômica que estamos vivendo é cíclica e não estrutural, com resiliência macroeconômica mais fraca hoje do que antes da crise da COVID-19. Como tal, devemos ser tudo menos complacentes. Dada sua capacidade e experiência para absorver riscos, a indústriade seguros é crucial para tornar as sociedades e economias mais resilientes. No entanto, para um crescimento inclusivo e sustentável, todos devem estar a bordo. O “crescimento verde” só é sustentável se for também inclusivo. Temos uma oportunidade única de construir um sistema de mercado melhor. Para isso, todas as partes interessadas deverão aceitar e internalizar os custos da mudança climática, e os formuladores de políticas deverão levar em conta os efeitos distributivos de suas políticas econômicas entre suas populações. Isso ajudará a criar a transição que precisamos para um caminho sustentável rumo a uma economia líquida zero até 2050″, disse Jerome Haegeli, Swiss Re Group Chief Economist.

O estudo sigma do Swiss Re Institute prevê que o crescimento do PIB global será forte em 2021, em 5,6%, diminuindo para 4,1% em 2022 e 3,0% em 2023. A inflação é o risco macroeconômico prevalecente a curto prazo, alimentada pela crise energética e por questões prolongadas do lado da oferta. Espera-se que a pressão de preços seja mais aguda entre os mercados emergentes e no Reino Unido e nos EUA.

A recuperação do mercado reflete a resiliência do setor de seguros. O Swiss Re Institute estima que os prêmios globais de seguro não-vida crescerão 3,3% em 2021, 3,7% em 2022 e 3,3% em 2023. Prevê-se que as taxas de catástrofes de propriedades melhorem em 2022, após um ano de perdas acima da média. Os preços de seguros de responsabilidade civil também devem ser mais fortes no próximo ano devido ao aumento da inflação social, enquanto as linhas pessoais devem se beneficiar dos primeiros sinais de melhoria dos preços do setor de automóveis nos EUA e na Europa. Espera-se que o prêmio do seguro de saúde e médico global aumente, impulsionado pelo crescimento da economia dos EUA e por uma demanda estável do mercado avançado. Espera-se uma forte expansão nos mercados emergentes, com a China projetada para crescer 10% em cada um dos próximos dois anos, em grande parte impulsionada pela forte demanda por seguros médicos, incluindo coberturas de doenças críticas.

Espera-se que os prêmios de vida globais aumentem 3,5% em 2021, 2,9% em 2022 e 2,7% em 2023. Produtos de proteção devem ter uma forte demanda, apoiados por maior conscientização quanto ao risco, recuperação dos seguros em grupo e maior interação digital. Espera-se que os negócios de poupança cresçam moderadamente nos próximos dois anos, refletindo uma leve melhoria nos rendimentos de títulos públicos e uma recuperação no emprego e na renda das famílias. Como a pandemia continua a afetar o setor de seguros de vida, o excesso de mortalidade mostra uma tendência mista.

Ao contrário de muitos países europeus, os EUA experienciaram um contínuo excesso de mortalidade desde o início da pandemia e os benefícios pagos por morte aumentaram no primeiro semestre deste ano. As seguradoras de vida na América Latina têm enfrentado sinistros relacionados à pandemia sem precedentes, já que a região foi atingida de forma particularmente dura pela COVID-19. No Brasil, os sinistros do seguro de vida mais que dobraram em abril de 2021, enquanto a pandemia é o evento mais caro já registrado para a indústria de seguros local no México, totalizando US$ 2,5 bilhões em perdas seguradas em 18 meses até setembro de 2021. Isto supera a perda de US$ 2,4 bilhões do furacão Wilma em 2005.

O aumento da conscientização quanto ao risco está gerando uma demanda mais forte por proteção de seguro. O choque pandêmico destacou o importante papel que o setor de seguros desempenha como um absorvedor de riscos em tempos de crise, fornecendo alívio financeiro às famílias, empresas e governos. Ao mesmo tempo, as disrupções nas cadeias de produção mostram que é necessária uma melhor proteção para melhorar a resiliência da sociedade e o recorde de condições climáticas extremas este ano acrescentam urgência à corrida global para zero emissões líquidas. Os consumidores também estão abertos ao seguro digital e online, e espera-se que cresça rapidamente. Entretanto, o aumento da desigualdade pode exacerbar a inflação social, que é definida como o aumento dos sinistros de seguros impulsionado por grandes custos de litígio.

“As condições de mercado sugerem que a dinâmica positiva de preços continuará em todas as linhas e regiões. O desenvolvimento de sinistros mais elevados, impulsionado pela inflação em todas as linhas de negócios, a inflação social contínua nos EUA e as taxas de juros persistentemente baixas serão os principais fatores para o fortalecimento de preço do mercado”, disse Jerome Haegeli.

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Sobre a Swiss Re

O Grupo Swiss Re é um dos principais fornecedores mundiais de resseguros, seguros e outras formas de transferência de risco baseadas em seguros, trabalhando para tornar o mundo mais resiliente. O grupo antecipa e gerencia riscos, desde catástrofes naturais a alterações climáticas, populações envelhecidas ao crime cibernético. O objetivo do Grupo Swiss Re é fazer com que a sociedade prospere e progrida, criando novas oportunidades e soluções para os seus clientes. Com sede em Zurique, na Suíça, onde foi fundado em 1863, o Grupo Swiss Re opera com uma rede de aproximadamente 80 escritórios a nível mundial.

Restinga também se aprende na escola

Pesquisa com alunos de escolas da Região dos Lagos, RJ, mostra que o ensino formal tem papel importante na transmissão cultural de conhecimentos sobre as plantas de restinga, indicando que vale a pena investir na capacitação de professores para a conservação dos ecossistemas locais e os saberes a eles associados

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Transmissão cultural é um dos principais meios de compartilhamento de informações ao longo do tempo e do espaço. Pesquisadores vêm estudando esse processo no que se refere aos conhecimentos ecológicos locais – ou seja, saberes e práticas originários da centenária interação entre diferentes povos e a biodiversidade do seu entorno. Desta forma, é possível compreender melhor como as culturas se modificam ao longo do tempo e sua relação com os recursos naturais – o que tem implicações para o manejo e a conservação da natureza.

Nessa linha, a doutoranda Nicky van Luijk e a pesquisadora Viviane Fonseca-Kruel, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e o pesquisador Gustavo Soldati, da Universidade Federal de Juiz de Fora, fizeram um estudo nos municípios de Arraial do Cabo e Cabo Frio (RJ), uma região ocupada por comunidades tradicionais de pesca artesanal há mais de 300 anos, que usavam – e ainda usam – recursos extraídos diretamente do ambiente de restinga (vegetação costeira associada à Mata Atlântica). Essas comunidades e a biodiversidade de seu entorno vêm sofrendo com a supressão da vegetação e mudanças culturais relacionadas à industrialização e imigrações, 

Nesse contexto de transformação, o estudo procurou entender se os conhecimentos locais sobre a restinga estavam sendo passados aos jovens, quais conhecimentos seriam esses e quais seriam os responsáveis pela transmissão. Foram entrevistados 70 jovens nativos da região de Cabo Frio e 80 jovens imigrantes de outras regiões, em três escolas de Ensino Médio. Os jovens responderam questões sobre quais plantas nativas da restinga eles conheciam e quais os usos locais destas plantas. Além disso, perguntou-se como, quando e com quem eles adquiriam esses conhecimentos.

mapa região dos lagos

O estudo mostrou que as principais plantas nativas conhecidas foram as de uso alimentício e medicinal. Não houve diferença entre o conhecimento de jovens nativos e imigrantes, nem na forma como aprenderam. Os principais modelos de transmissão foram professor(a), mãe, avó e mídia. O ensino formal ou informal teve destaque como processo cognitivo de aprendizagem em relação à observação e aprendizagem individual. Os principais contextos de aprendizagem foram momentos do cotidiano com a família e atividades realizadas na escola.

Os resultados indicam que o professor e a escola, junto com a família, têm papel importante na transmissão dos conhecimentos culturais sobre as plantas da restinga, de modo que elaborar estratégias de divulgação desses saberes no âmbito escolar, como a criação de materiais didáticos contextualizados com as realidades locais e a capacitação de professores, são fundamentais para manter a diversidade cultural associada à biodiversidade entre os diferentes grupos sociais do Brasil.

O estudo foi publicado no Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine em maio de 2021, Acesse o artigo online [Aqui!]

COP-26: Não apenas absurdo, mas criminoso

As conferências do clima da ONU fazem parte do sistema imperialista mundial como a OMC, G20 ou G7. Uma entrevista com Christian Zeller, geógrafo da Universidade de Salzburg

net zeroProtestos paralelos por mais proteção climática durante a realização da COP 26 em Glasgow (6 de novembro de 2021)

Por Jakob Reimann para o JungeWelt

A 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática em Glasgow terminou na semana passada. A COP 26 se tornou uma cúpula histórica conforme anunciado?

Qualquer pessoa bem-humorada e talvez um pouco ingênua enfatiza os seguintes pontos na declaração final: Os governos estão comprometidos com o objetivo de limitar o aquecimento a 1,5 grau em comparação com 1850. Uma lenta eliminação do carvão deve ser iniciada. Espera-se que as emissões de gases de efeito estufa caiam 45% nesta década, em comparação com 1990. Os governos devem melhorar seus compromissos de redução de emissões e apresentar relatórios anuais. Mas, em última análise, tudo isso permanece muito geral e não vinculativo. Não custa nada alardear objetivos para o mundo.

A retórica do zero líquido em 2050 revela que os governos estão apostando em uma solução tecnológica. Isso é irreal e repleto de riscos enormes. O chamado “Zero líquido” desenvolve justificativas para que as empresas e seus governos continuem em seu curso anterior. Em algum momento, você será capaz de extrair quantidades gigantescas de CO2 da atmosfera e armazená-lo em algum lugar. Isso não é apenas um absurdo, mas também uma perspectiva criminosa. Falando de forma realista: a COP 26 é mais uma demonstração dos governos de que eles estão conscientemente mantendo a Terra em um caminho de aquecimento, e que estão sobrecarregando a sociedade global, especialmente os pobres, com consequências amargas.

Alok Sharma, presidente da conferência , descreve o chamado Pacto Climático de Glasgow como ” sem precedentes e realmente significativo ” .

Sim, a COP 26 foi significativa porque mostrou ao movimento climático e ao mundo todo mais claramente do que nunca que não se trata de falta de coragem por parte dos governantes, mas das limitações do modo de produção capitalista. Glasgow deixou claro que os governos continuam no curso que escolheram. A COP 27 acontecerá em Sharm El Sheikh, no Egito, sob a supervisão do ditador Al-Sisi, a COP 28 dos Emirados Árabes Unidos, cuja riqueza é em grande parte baseada no petróleo. O movimento climático deve parar de seguir as decisões dessas conferências. A COP pertence ao sistema imperialista mundial, tal como a OMC, o G20 ou o G7.

Em 2015, na COP 21 em Paris, decidiu-se limitar o aumento da temperatura global em comparação com a era pré-industrial a 1,5 grau, se possível. Atualmente, estamos cerca de 1,2 grau acima do ano de 1850. O que esses números significam?

Se os governos implementassem seus compromissos nacionais de redução dos gases de efeito estufa, o mundo provavelmente teria se aquecido em uma média de 2,7 graus até o final do século. Agora sabemos por experiência própria que os governos nem mesmo honram seus compromissos inadequados. Em outras palavras, é muito provável que o desenvolvimento real resulte em um aquecimento de pelo menos três graus até o final deste século. No entanto, as áreas de terra estão aquecendo cerca de uma vez e meia mais. O Ártico provavelmente aqueceria duas vezes mais rápido em comparação com a média. O sistema de aterramento ultrapassará os pontos de inflexão, o que significa que o processo de aquecimento assumirá uma dinâmica própria incontrolável.

Em breve, os semáforos compostos por SPD, Verdes e FDP presumivelmente governarão em Berlim, todos os três partidos estão mais ou menos apegados à abordagem do chamado crescimento verde. O capitalismo verde é uma contradição em termos?

O semáforo foca na modernização verde e nas medidas tecnológicas. O crescimento verde é uma contradição em termos. O modo de produção capitalista é baseado na acumulação de capital. Se gaguejar, escorregamos para uma crise com todas as consequências associadas como desemprego, empobrecimento, etc. O processo de acumulação de capital é sempre ao mesmo tempo um processo de conversão de material biológico, físico e químico, que por sua vez converte energia. Não podemos escapar desse contexto. A modernização verde baseia-se na construção de uma infraestrutura para energias renováveis ​​com matérias-primas baratas, que por sua vez se baseia na pressão dos países imperialistas para baixo dos preços das matérias-primas. Condições neocoloniais acenam. Estou com medo,

As variedades de esquerda de um New Deal Verde, como aquelas representadas nos EUA por Alexandria Ocasio-Cortez e Bernhard Sanders, farão justiça à urgência da crise?

Eu concordo com as variantes de esquerda de um New Deal Verde, na medida em que as preocupações econômicas, sociais e culturais das classes trabalhadoras devem igualmente ser derramadas em um programa alternativo sob as condições de natureza limitada. Mas as propostas do New Deal Verde são, em certa medida, a variante de esquerda da modernização capitalista. Eles não questionam o poder do capital e a compulsão de acumular e crescer. Mesmo os New Deal verdes de esquerda não abalam a propriedade privada de instalações de produção estratégicas. Eles acham que o capitalismo pode ser domado socialmente e organizado de uma forma mais amiga do ambiente. É uma ilusão. Não existe margem de manobra econômica e material-energética para isso. Novos negócios verdes não são uma política real, eles são irreais.

Em sua pesquisa, você fala do capitalismo antropoceno. O que significa o termo?

Com a industrialização capitalista e o início da dinâmica de crescimento, as sociedades intervieram cada vez mais drasticamente no sistema terrestre. Tão forte que, com a grande aceleração após a Segunda Guerra Mundial, finalmente entramos em uma nova época geológica. O Holoceno estável e habitável dos últimos 12.000 anos é história, e estamos na era do Antropoceno dominado pelo homem. O sistema terrestre está se tornando cada vez mais instável e mudando rapidamente. Qualquer estratégia política que dependa de mudanças incrementais é construída sobre a areia nesta situação altamente instável.

Você literalmente representa posições radicais e clama por uma revolução eco-socialista. Com o que se parece?

A meta de 1,5 grau requer uma reconstrução e desmontagem historicamente únicas de grandes partes de todo o aparato produtivo de nossas sociedades. Isso só é possível se rompermos com a compulsão de acumular mais e mais capital e maximizar o lucro e superar o modo de produção capitalista – não apenas teórica e abstratamente, mas muito especificamente em nossas demandas cotidianas.

Precisamos de uma sociedade que produza menos e de forma diferente, transporte menos, cuide mais das pessoas e da natureza, compartilhe riquezas de forma justa e tome decisões em conjunto. Uma convulsão eco-socialista na sociedade visa a apropriação social democrática da produção, do setor financeiro e da infraestrutura de transporte e requer uma expansão massiva da infraestrutura pública, em grande parte gratuita. Só assim a sociedade pode ser organizada de forma democrática, socialmente justa e ecologicamente compatível. O objetivo central de uma alternativa eco-socialista é a divisão justa das horas de trabalho socialmente necessárias. Que significa,

Que papel os movimentos, especialmente os jovens, como Fridays for Future ou Extinction Rebellion, desempenham em seus conceitos?

O movimento climático internacional deve consistentemente e, em princípio, em todos os lugares, tomar o lado dos oprimidos. Movimentos como sexta-feira para o futuro são cruciais. Eles ajudam a mudar o equilíbrio social de poder. Nós, nos países ricos, devemos lutar junto com os movimentos sociais de outras partes do mundo para garantir que os países imperialistas, isto é, os grandes grupos de capital, paguem sua dívida ecológica. Isso significa que eles têm que apoiar financeiramente a reestruturação ecológica dos países pobres. Em primeiro lugar, isso significa que o movimento climático deve atender à demanda de alívio da dívida dos países pobres. Ao mesmo tempo, é importante aprendermos a pensar estrategicamente nesses e com esses movimentos. Temos que desenvolver abordagens de poder de contrapeso social concreto. Em casa no trabalho na escola, na universidade, em todos os lugares. É importante construir suas próprias estruturas estáveis. Um movimento eco-socialista defende que essas abordagens de contrapoder combinam e, em última análise, levam a um processo que fundamental e praticamente supera as estruturas de poder e propriedade existentes. Esse é o processo revolucionário.

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Este texto foi inicialmente escrito em alemão e publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].

Mais de 45 mil empresas brasileiras cometeram alguma infração ambiental,aponta Datahub

Levantamento com foco em normas de compliance revela ainda que quase 6 mil negócios possuem embargo junto ao IBAMA. 
Atualmente, 92 empregadores foram flagrados utilizando mão de obra em condições análogas à escravidão
 
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São Paulo, novembro de 2021 – Atualmente, o Brasil possui 45.352 empresas que cometeram alguma infração relacionada à legislação ambiental e foram autuadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). O dado faz parte de um levantamento realizado pela DataHub, plataforma de inteligência de dados multi-mercado, que visa explorar as informações de compliance no país.

Segundo a empresa, transgressões à Lei de Crimes Ambientais são classificadas em cinco tipos, sendo: Crimes contra a Fauna; Crimes contra a Flora; Crimes de poluição e outros Crimes contra o Ordenamento Urbano e o Patrimônio Cultural e Crimes contra a Administração Ambiental.

O levantamento também aponta que 5.868 empresas possuem embargo junto ao órgão. Desse montante, 22,6% deles estão espalhados pelos estados do Rio de Janeiro (6%), São Paulo (5,7%), Santa Catarina (4,9%), Minas Gerais (4,2%) e Distrito Federal (1,8%). O impedimento tem o objetivo de permitir que aconteça a regeneração do meio ambiente e a recuperação da área degradada.

Outro dado fornecido pela plataforma é que 92 empregadores foram flagrados utilizando mão de obra em condições análogas à escravidão. O número representa o total de processos após decisão administrativa final relativa ao auto de infração. Segundo o Código Penal, o crime pode ser enquadrado quando seres humanos estão submetidos a trabalhos forçados, jornadas tão intensas que podem causar danos físicos, condições degradantes e restrição de locomoção em razão de dívida contraída com empregador ou preposto.

Pessoas expostas politicamente

Também conhecidas como PEPs, Pessoas Politicamente Expostas são indivíduos que passam por um processo de monitoramento diferenciado das suas movimentações financeiras e fiscais, com objetivo de prevenir a corrupção e crimes como lavagem de dinheiro. A DataHub levantou que, atualmente, existem 139.092 titulares expostos politicamente. O montante representa pessoas que desempenham ou tenham desempenhado, nos últimos 5 anos, cargos, empregos ou funções públicas relevantes, bem como seus parentes de segundo grau – ou pessoas com relacionamento próximo.

PEPs podem ser classificadas em dois níveis: primários, que são também conhecidos como titulares (Presidentes, Secretários de Estado, Deputados, Prefeitos, Vereadores, etc) e secundários, que são os relacionadas aos titulares: parentes de linha direta até o segundo grau, sócios, entre outros.

A pesquisa realizada pela plataforma de inteligência de dados multi-mercado mostra a sequência de classificações de PEPs secundários, sendo: irmão (224.601 pessoas); sobrinho (222.526); filho (144.909); primo (123.485) e tio ou tia (82.898). Em seguida, aparecem 75.228 pessoas classificadas como cunhado ou cunhada; mãe (69.447); cônjuge (48.572) e sócio (47.714).

Empresas inidôneas e suspensas

O levantamento também revela que 15.264 pessoas físicas e jurídicas possuem sanções vigentes, impedindo-as de realizar qualquer participação em licitações ou em celebração de contratos com a Administração Pública. Desse montante, 61% dos casos se adequam à sanção relacionada à Proibição – Lei de Improbidade, 8% a Impedimento – Lei do Pregão, 7% referente à Suspensão – Lei de Licitação, 7% Inidoneidade – Lei de Licitações, 5% à Inidoneidade – Legislação Estadual e 11% a outros temas.

Atualmente, ocorreram 48.977 condenações por Improbidade. Esse dado leva em consideração processos já julgados, que identificam entidades jurídicas ou pessoas físicas que tenham sido condenadas por improbidade, nos termos da Lei no 8.429/92 – Lei de Improbidade Administrativa (LIA).

Outro dado exibido pelo levantamento realizado pela DataHub mostra que 6.397.975 de contribuintes estão com Dívida Ativa da União (DAU). Esse indicador reúne pessoas físicas e jurídicas que possuem qualquer débito, vencido e não pago, podendo ser débitos de natureza tributária e não-tributária.

O que é compliance

Implementadas no Brasil por volta de 1992, no governo Collor, e cada vez mais em evidência no país, após as fortes ações contra esquemas de corrupções, as normas de compliance passaram a ser mais presentes no mundo empresarial. A expressão é oriunda do inglês “to comply”, que significa “estar em conformidade”. Na prática, é um conjunto de regras que oferecem segurança às empresas e instituições, a fim de garantir a execução de regimentos, normas e legislações específicas internas e externas.

Quando tais normas não são cumpridas, essas instituições passam a integrar a Lista Restritiva, conhecida como conjunto de informações que assinalam empresas e indivíduos que já se envolveram ou ainda estão envolvidos em práticas ilícitas ou criminosas. “Empresas de big data, realizam a coleta desses dados não sensíveis, a partir das listas públicas restritivas nacionais e internacionais, para que outras empresas resguardem-se de iniciar relacionamentos comerciais com empresas e entidades suspeitas. Nosso papel é fundamental na tomada de decisões de pessoas físicas e jurídicas, uma vez que com esses dados, diversos problemas futuros são evitados”, explica José Renato Raposo, COO da DataHub.

Metodologia

Existem 300 fontes de dados públicos, onde são capturados os dados e criam novos indicadores a partir dos já existentes. A Datahub faz uso da tecnologia para gerar inteligência nos negócios de empresas parceiras.

Os dados sobre a atuação e embargos do IBAMA e mão de obra em condições análogas à escravidão são referentes ao mês de agosto de 2021. Os dados sobre Pessoas Politicamente Expostas (PEPs), empresas inidôneas e suspensas, condenações por Improbidade e contribuintes que estão com Dívida Ativa da União (DAU) são referentes ao mês de setembro de 2021.

Sobre a Datahub

Fundada em 2004, a DataHub ocupa uma forte posição no mercado de Dados e Informações, unindo tecnologia de ponta, inovação e novas fontes de dados. O propósito é criar novas formas de resolver desafios complexos apresentados pelos clientes, de maneira coerente e clara, sem caixa preta e sem segredos. A empresa faz parte do ecossistema nuvini , e oferece ao mercado um hub de dados com milhões de informações (B2B e B2C), para empresas que posicionam os dados no centro da sua estratégia de crescimento, como um dos pilares das áreas de Marketing & Vendas e Risco & Compliance.

Projeto Albatroz dá início à construção de centro de visitação em Cabo Frio

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O Projeto Albatroz, patrocinado pela Petrobras, deu início no final de outubro à construção do Centro de Visitação e Educação Ambiental Marinha do Projeto Albatroz (Centro Albatroz), que envolverá crianças, jovens, turistas e a comunidade do município em ações de conservação ambiental e cidadania. A previsão é que o centro seja entregue até o final de 2022.

Com área útil de mais de 18 mil m², ao lado do Parque Ecológico Municipal Dormitório das Garças e da Lagoa de Araruama, cedida por meio da Lei Nº 179/2019, o Centro Albatroz terá áreas de recreação, pavilhões de exposições e atividades com o público, prédios com salas para aulas e oficinas com a comunidade, além de Centro Interpretativo com trilha autoguiada, em que os visitantes poderão conhecer mais a região da lagoa e reconhecer as principais espécies de aves que sobrevoam a região.

Para a fundadora e coordenadora geral do Projeto Albatroz, Tatiana Neves, este é o início de um sonho com mais de 30 anos. “Ao fundar o Projeto Albatroz, meu sonho era aproximar essas aves que vivem em alto-mar do público geral, e uma parte fundamental disso é a sensibilização em prol da conservação marinha. O Centro Albatroz terá ferramentas artísticas e tecnológicas que envolverão os visitantes neste universo”, afirma.

Ainda de acordo com Tatiana, Cabo Frio é uma região estratégica para o trabalho do Projeto Albatroz porque é uma área pesqueira importante e oceanograficamente rica, da qual os albatrozes se aproximam da costa, o que torna possível avistar essas aves pelágicas com mais facilidade do que em qualquer outra região do país.

A instituição está presente em Cabo Frio desde 2014, com a criação de uma base avançada de pesquisa na Universidade Veiga de Almeida (UVA), o Projeto Albatroz realiza o trabalho de monitoramento do porto, rodas de conversa com pescadores da região, leva atividades de educação ambiental para as escolas da rede municipal por meio do Programa Albatroz na Escola (PAE) e, recentemente, realizou um mutirão de limpeza na área do Centro Albatroz com a colaboração de voluntários da cidade. Na ocasião, foram recolhidos 89 kg de resíduos.

Centro Albatroz

O primeiro centro de visitação da entidade terá como objetivo principal disseminar a cultura oceânica e também a desenvolver a educação ambiental marinha para crianças, jovens, educadores, pescadores e turistas de toda a Região dos Lagos, alinhado com a Década do Oceano, que teve início neste ano de 2021.

Nele, os visitantes poderão vivenciar experiências relacionadas ao ecossistema marinho e costeiro e também a biologia e as características dos albatrozes e petréis, grupo de aves mais ameaçadas do planeta. No espaço, também serão realizadas exposições tecnológicas e artísticas, oficinas e atividades socioambientais e culturais para o público.

Projeto Albatroz em Cabo Frio (RJ)

O Projeto Albatroz nasceu em Santos (SP) e desde 1990 trabalha pela conservação das espécies de albatrozes e petréis que se alimentam em águas brasileiras. Desde 2014, o Projeto mantém uma base avançada de pesquisa na Universidade Veiga de Almeida (UVA), no campus de Cabo Frio (RJ). Por meio da parceria com o Grupo de Estudos da Pesca (GEPESCA), coordenado pelo Prof. Eduardo Pimenta, foi possível ampliar os estudos do Projeto para o Porto de Cabo Frio, rota de diversas embarcações de pesca de espinhel com a qual albatrozes e petréis interagem e pela qual são capturados.

Atualmente, o Projeto mantém bases nas cidades de Santos (SP) e em mais cinco estados da costa brasileira.

Aliança EU/China contra o desmatamento fortalece isolamento internacional do Brasil

eua chinaOs presidentes Joe Biden e XI Jinping sinalizam aliança contra o desmatamento ilegal

Objetivamente alinhada com as políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro, a mídia corporativa brasileira optou por esconder (como, aliás, esconde o exitoso tour europeu do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva) um importante acontecimento que ocorreu no encerramento da COP-26. Falo aqui da declaração conjunta entre os governos dos EUA e da República Popular da China no tocante ao combate do que foi chamado de “desmatamento ilegal”.

Segundo os governos das duas principais potências econômicas do planeta, os dois países “pretendem se engajar de forma colaborativa no apoio à eliminação do desmatamento ilegal global por meio da aplicação efetiva de suas respectivas leis de proibição de importações ilegais.”

Ainda que se saiba que o problema do desmatamento (e acrescento, da degradação das florestas tropicais) não se restringe ao fato dele ser legal ou ilegal, mas à escala com que está ocorrendo por causa da pressão causada pelo consumo de commodities agrícolas, das quais China e EUA são grandes consumidores, o fato de que haja uma declaração conjunta no sentido de sinalizar o engajamento na eliminação (friso aqui que o termo “eliminação” foi provavelmente escolhido de forma proposital) do desmatamento ilegal envia uma mensagem clara para países como o Brasil que resolveram remover todas as travas que impediam um rápido avanço da derrubada de suas florestas.

O fato é que hoje o avanço do desmatamento ilegal dentro e fora do chamado “Arco do desmatamento” está ocorrendo não apenas sob o olhar cúmplice do governo Bolsonaro, mas com incentivos diretos, inclusive com financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) particularmente no fortalecimento dos conglomerados econômicos que hoje produzem carne animal. Assim, quando sinalizam que irão trabalhar para “eliminar” o desmatamento ilegal, os governos dos EUA e da China estão mandando um recado claro para o governo Bolsonaro.

Ainda que o presidente Jair Bolsonaro, seu bizarro ministro do Meio Ambiente,  Joaquim Leite, que igualou florestas a nichos de pobreza, e a ministra da Agricultura  Tereza Cristina possam querer fingir que não estão entendendo o recado dado pelos EUA e pela China, é provável que os grandes “players” envolvidos direta ou indiretamente no avanço do desmatamento ilegal na Amazônia e no Cerrado já tenham entendido o significado do anúncio feito em Glasgow.

O fato inescapável é que, provavelmente por motivos que não têm nada a ver com ética ou moral, EUA e China decidiram parar com a farra instalada nas florestas brasileiras.  E se a farra continuar, é provável que as commodities brasileiras sofram um boicote comercial por parte das grandes potências econômicas do planeta. E se isso realmente acontecer, ninguém vai poder reclamar, pois o aviso foi dado, como dizem os americanos, “loud and clear” (ou em bem português, em alto e bom som).

Museu Marítimo do Brasil anuncia Seminário Internacional em novembro

Debates serão realizados de 23 a 25 de Novembro, às 10 horas

Museu Marítimo do Brasil (2)

Dos dias 23 a 25 de novembro de 2021, o Museu Marítimo do Brasil apresenta o Seminário Internacional Museus Marítimos: Rotas Contemporâneas, promovido pelo Departamento Cultural do Abrigo do Marinheiro (DCAMN), em parceria com a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM). Com transmissão online, o evento será veiculado no canal da Associação do Abrigo do Marinheiro, no YouTube, onde a audiência poderá fazer perguntas ao final das últimas palestras de cada dia.

No seminário, sempre das 10h às 12h, profissionais de diversos países, ligados ao campo museológico, participarão de debates com temáticas voltadas para a consciência marítima e a apresentação do Museu Marítimo do Brasil, que será construído na Zona Portuária do Rio de Janeiro, com previsão de abertura entre 2025 e 2026. O Diretor do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, Vice-Almirante José Carlos Mathias, e o curador do museu, Evandro Salles, são os porta-vozes deste futuro ponto de encontro, cultura e lazer na Cidade Maravilhosa.

A abertura do webinar contará, além do Vice-Almirante Mathias, com a presença do Secretário-Geral da Marinha, Almirante de Esquadra Marcelo Francisco Campos; da Vice-Presidente do Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Museus (ICOM – Brasil), Vera Mangas; e do Presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Pedro Machado Mastrobuono. A mediação será da Capitão de Corveta (T) Adriana de Matos Peixoto Rogerio Astorga, museóloga da DPHDM.

Ainda no dia 23, a partir das 10h30, o seminário passa a abordar o tema “O Museu Marítimo do Brasil e o Cenário dos Museus Marítimos” . Presidente do Congresso Internacional de Museus Marítimos (ICMM), Matthew Tanner dará um panorama sobre os museus marítimos no mundo. Em seguida, será a vez do curador Evandro Salles expor o conceito do projeto da instituição. Encerrando o primeiro dia do seminário, os arquitetos Rodrigo Quintella Messina, Martin Benavidez e Francisco Javier Rivas, da equipe vencedora do concurso público nacional para a escolha do projeto arquitetônico do Museu Marítimo do Brasil, falarão sobre a proposta desenvolvida pelo grupo – as imagens deste trabalho podem ser vistas neste link.

Em 24 de novembro, a mediação ficará por conta de Evandro Salles, com a temática “Curadorias e Públicos”. Às 10h, a Diretora de Coleções e Engajamento de Público do Royal Museums Greenwich (Londres, Inglaterra), Gail Symington, discutirá sobre a visão estratégica do museu, tendo em vista os segmentos de arte, história e ciência. Já o curador do Museu Marítimo da Dinamarca (M/S Museet for Søfart, da cidade de Elsinore), Thorbjørn Thaarup, debaterá sobre a reinvenção da arquitetura de museu. Por fim, o Diretor do Galata Museo del Mare (Gênova, Itália), Pierangelo Campodonico, discorrerá sobre interatividade e inclusão em museus.

No último dia (25), a mediação das conversas sobre “Coleções e Exposições” caberá ao ex-Diretor do Museu Histórico Nacional, o professor doutor Paulo Knauss. Sob este contexto, o Chefe de Coleções e Pesquisa do Museu Marítimo Nacional (Het Scheepvaartmuseum; Amsterdã, Holanda), Jeroen van der Vliet,versará sobre o tema “Mares que Conectam Mundos: a coleção e suas dinâmicas”. Adiante, “Portugal e os Mares: a formação e os sentidos da coleção de embarcações” será o assunto da palestra do Diretor do Museu de Marinha (Lisboa, Portugal), Comodoro José Favinha. Já a Diretora Executiva do Museu Marítimo Åland (Stiftelsen Ålands sjöfartsmuseum, em Mariehamn, Finlândia), Hanna Hagmark, falará sobre o museu, o mar e a cidade, e os processos de engajamento de comunidades locais.

Projeto “Museu Marítimo do Brasil”
O Seminário Internacional Museus Marítimos: Rotas Contemporâneas faz parte da Fase 1 do Projeto “Museu Marítimo do Brasil”, atualmente em execução, por meio de recursos captados via Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC). Além deste seminário, a Fase 1 compreende o concurso público, já realizado, para a escolha do estudo preliminar de arquitetura; a elaboração de um estudo de viabilidade econômico-financeira e a promoção de um concurso de identidade visual para o vindouro museu.

O Museu Marítimo do Brasil será erguido no Espaço Cultural da Marinha e fará parte do patrimônio histórico, natural e urbano do Centro da Cidade, onde estão a Ilha Fiscal, a Igreja da Candelária, a Casa França-Brasil, o Centro Cultural Banco do Brasil, o Paço Imperial, o Museu Naval, o Museu Histórico Nacional, o Museu de Arte do Rio e o Museu do Amanhã, entre outras instituições culturais. Confira aqui as imagens do entorno do local.

Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha  

Com sede no Rio de Janeiro, a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM) é responsável por promover estudos e pesquisas, consolidar e publicar documentação sobre assuntos relativos à cultura marítima, além de propor normas relativas às atividades histórico-culturais da Marinha do Brasil, entre outros atributos.

Estão sob sua administração o Museu Naval, o Arquivo da Marinha, a Biblioteca da Marinha, a Editora SDM e o Espaço Cultural da Marinha, onde o público pode visitar o Navio-Museu Bauru, o Submarino-Museu Riachuelo, a Nau dos Descobrimentos, o Helicóptero-Museu Sea King, o Avião Caça AF-1 Skyhawk e o Carro de Combate Cascavel.

Além disso, o Espaço é o porto de partida para que o público possa embarcar no histórico Rebocador-Museu Laurindo Pitta, que participou da Primeira Guerra Mundial, para fazer um Passeio Marítimo pela Baía de Guanabara, e, ainda, para zarpar rumo à Ilha Fiscal, palco do último baile do Império, para uma visita mediada.

Espaço Cultural da Marinha 
Construído em 1995, no píer da Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro – que adquirira aquela área das antigas Docas da Alfândega – e inaugurado em 20 de janeiro de 1996, o prédio do Espaço Cultural da Marinha, assim como as demais atrações de seu entorno, está localizado no coração do Boulevard Olímpico, no Centro do Rio de Janeiro.

Devido à demolição do Elevado da Perimetral, a área foi fechada ao público em fevereiro de 2014, voltando a operar mais de dois anos depois, em 2016, por ocasião das Olimpíadas, com os passeios à Ilha Fiscal e pela Baía de Guanabara, e as visitas aos navios-museus, recebendo 97 mil visitantes no período. Desde então, ano a ano, o Espaço Cultural da Marinha tem atraído cada vez mais público. Em 2019, antes da pandemia, recebeu mais de 200 mil visitantes.

Seminário Internacional de Mudanças Climáticas discutirá resultados da COP26 e impactos no Brasil

Evento, que será realizado online nos dias 06 e 07 de dezembro, conta com especialistas como Filipe Duarte Santos, presidente do CNADS – Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável de Portugal; Thelma Krug, vice-presidente do IPCC – Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas; Carlos Nobre, pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP e presidente do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. As inscrições estão abertas. 

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A ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental vai realizar o Seminário Internacional de Mudanças Climáticas nos dias 06 e 07 de dezembro. O evento será online e as inscrições já estão abertas. As inscrições podem ser feitas no site https://mudancasclimaticas.xtage.com.br/pt/usuario/index

O evento discutirá, na esteira da realização da COP26 (em novembro, na Escócia), as resoluções da conferência internacional e os impactos das alterações climáticas em todo o planeta, apresentando dados e ideias de modo preciso, transparente e qualificado e contribuindo com o avanço das discussões e soluções para esse cenário climático tão desafiador.

O seminário reunirá especialistas e organizações do Brasil e de outros países em torno de aspectos relevantes das mudanças climáticas, abordando temas como impactos setoriais, efeitos sociais e econômicos, estratégias de enfrentamento e soluções. Os participantes também vão abordar eventos extremos no mundo e no Brasil, além de falar sobre crise hídrica. 

Entre os palestrantes confirmados estão Filipe Duarte Santos, presidente do CNADS – Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável de Portugal; Thelma Krug, vice-presidente do IPCC – Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas; Carlos Nobre, pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP e presidente do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas; José Marengo, climatologista, meteorologista e coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais do Cemaden – Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais; Ricardo Daruiz Borsari, diretor Metropolitano da Sabesp; o consultor Jerson Kelman, Miguel Ivan Lacerda de Oliveira, diretor do Instituto Nacional de Meteorologia, e Josilene Ferrer, assessora da Presidência da CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. 

Participam também Miguel Ivan Lacerda de Oliveira, diretor do INMET – Instituto Nacional de Meteorologia; Marcella Ungaretti, head da LatAm Business Development da XP Investimentos; Sérgio Barroso, do CEDRU – Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional e Urban​o, e Luis Fuente Arruga​, International Finance Corporation – Banco Mundial.

O seminário é uma realização das Câmaras Temáticas da ABES de Meio Ambiente e de Gestão Recursos Hídricos e das Câmaras Técnicas da ABES Seção São Paulo de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e de Recursos Hídricos.

Acesse o site para conferir a programação na íntegra: https://abes-dn.org.br/abeseventos/mudancasclimaticas21/resumo-paineis/.  

Sobre a ABES 

Com 55 anos de atuação, a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES é uma associação com fins não econômicos, que reúne no seu corpo associativo cerca de 10.000 profissionais do setor. 

A força da ABES está em seus associados. 

A ABES tem como missão ser propulsora de atividades técnico-científicas, político-institucionais e de gestão que contribuam para o desenvolvimento do saneamento ambiental, visando à melhoria da saúde, do meio ambiente e da qualidade de vida das pessoas.  

É a associação brasileira que reúne a diversidade de profissionais e organizações do setor: empresas públicas e privadas, governos, prestadores de serviços, fornecedores, universidades e profissionais de diversas faixas etárias e várias áreas relacionadas ao saneamento, além da engenharia. 

ABES, há 55 anos trabalhando pelo saneamento e pela qualidade de vida dos brasileiros. www.abes-dn.org.br

Serviço:

Seminário Internacional de Mudanças Climáticas 

Quando:  6 e 7 de dezembro – online

Mais informações e inscrições: https://mudancasclimaticas.xtage.com.br/pt/usuario/index

Reportagem revela como produção de assentos de carros luxos vendidos nos EUA alimenta o avanço do desmatamento na Amazônia brasileira

Reportagem do “The New York Times” revela como o couro bovino oriundo de fazendas desmatadas ilegalmente pode chegar facilmente ao mercado global. Nos Estados Unidos. Grande parte da demanda pelo couro brasileiro vem das montadorasde carros de luxo dos EUA

leath rondoniaUm matadouro em Porto Velho, no noroeste do Brasil, em julho

Este artigo foi produzido em parceria com a Rainforest Investigations Network do Pulitzer Center.

Por Manuela Andreoni , Hiroko Tabuchi e 

BURITIS, Brasil – Certa manhã deste verão, Odilon Caetano Felipe, fazendeiro que cria gado em terras desmatadas ilegalmente na Amazônia, se reuniu com um comerciante e contratou mais de 72 animais engordados. Com aquele golpe de caneta, o Sr. Felipe deu ao seu gado uma ficha limpa: ao vendê-los, ele obscureceu seu papel na destruição da maior floresta tropical do mundo.

Durante o almoço, logo após a venda de 14 de julho, Felipe falou abertamente sobre o negócio que o enriqueceu. Ele reconheceu o corte da densa floresta amazônica e que não pagou pela terra. Ele também disse que estruturou suas vendas para esconder as verdadeiras origens de seu gado, vendendo para um intermediário, criando uma trilha de papel que mostrava falsamente que seus animais eram provenientes de uma fazenda legal. Outros fazendeiros da região fazem o mesmo, disse ele.

“Não faz diferença”, disse ele, se sua fazenda é legal ou não.

Uma investigação do New York Times sobre a rápida expansão da indústria de frigoríficos no Brasil – um negócio que vende não apenas carne para o mundo, mas toneladas de couro anualmente para grandes empresas nos Estados Unidos e em outros lugares – identificou lacunas em seus sistemas de monitoramento que permitem peles de gado mantido em terras desmatadas ilegalmente na Amazônia para fluir sem ser detectado pelos curtumes do Brasil e para compradores em todo o mundo.

A fazenda do Sr. Felipe é uma das mais de 600 que operam em uma área da Amazônia conhecida como Jaci-Paraná, uma reserva ambiental especialmente protegida onde o desmatamento é restrito. E transações como a dele são os pilares de um complexo comércio global que liga o desmatamento da Amazônia a um apetite crescente nos Estados Unidos por luxuosos bancos de couro em picapes, SUVs e outros veículos vendidos por algumas das maiores montadoras do mundo, entre elas a General Motors, Ford e Volkswagen.

Um veículo de luxo pode exigir uma dúzia ou mais de peles, e os fornecedores nos Estados Unidos compram cada vez mais seu couro do Brasil. Embora a região amazônica seja um dos maiores fornecedores mundiais de carne bovina, cada vez mais para as nações asiáticas, o apetite global por couro acessível também significa que as peles desses milhões de gado abastecem um lucrativo mercado internacional de couro avaliado em centenas de bilhões de dólares anualmente .

O fazendeiro Odilon Caetano Felipe reconheceu ter desmatado terras dentro da UC Jaci-Paraná.

O gado da fazenda do Sr. Felipe era recolhido para embarque em um matadouro.

O gado da fazenda do Sr. Felipe era recolhido para embarque em um matadouro.

Pastagens em chamas perto de Porto Velho, capital de Rond & ocirc; nia.

Este comércio de couro mostra como os hábitos de compra do mundo rico estão ligados à degradação ambiental nos países em desenvolvimento, neste caso ajudando a financiar a destruição da Amazônia apesar de sua valiosa biodiversidade e do consenso científico de que protegê-la ajudaria a desacelerar as mudanças climáticas.

Para rastrear o comércio global de couro de fazendas ilegais na floresta tropical brasileira aos assentos em veículos americanos, o The Times entrevistou fazendeiros, comerciantes, promotores e reguladores no Brasil, e visitou curtumes, fazendas e outras instalações. O Times falou aos participantes de todos os níveis do comércio ilícito na Reserva Extrativista Jaci-Paraná, uma área no Estado de Rondônia que recebeu proteções especiais por abrigar comunidades de pessoas que, por gerações, viveram da terra por extração de seringueiras.

Essas comunidades agora estão sendo expulsas por fazendeiros que querem terras para o gado. Na última década, os fazendeiros expandiram significativamente sua presença na reserva, e hoje cerca de 56% dela foram desmatados, de acordo com dados compilados pelo órgão ambiental estadual.

O relatório também se baseia na análise de dados corporativos e de comércio internacional em diversos países e em milhares de certificados de transporte de gado emitidos pelo governo brasileiro. Os certificados foram obtidos pela Agência de Investigação Ambiental, um grupo de defesa em Washington. O Times verificou independentemente os certificados e obteve milhares de certificados adicionais separadamente.

Isso possibilitou o rastreamento do couro de fazendas ilegais na Amazônia até os frigoríficos operados pelos três maiores frigoríficos do Brasil, JBS, Marfrig e Minerva, e depois para os curtumes que eles fornecem. A JBS se autodenomina a maior processadora de couro do mundo.

Segundo a Aidee Maria Moser, procuradora aposentada de Rondônia que passou quase duas décadas lutando contra a pecuária ilegal na reserva Jaci-Paraná, a prática de vender animais criados na reserva para intermediários comerciantes sugere a intenção de ocultar sua origem. “É uma forma de dar uma aparência de legalidade ao gado”, disse ela, “para que os frigoríficos neguem que haja algo ilegal”.

O problema não se limita a Rondônia. No mês passado, uma auditoria conduzida por procuradores do Estado vizinho do Pará, onde se encontra o segundo maior rebanho bovino da Amazônia, constatou que a JBS comprou 301 mil animais, o equivalente a 32% de suas compras no estado, entre janeiro de 2018 e Junho de 2019 de fazendas que violaram os compromissos de prevenir o desmatamento ilegal.

A JBS discordou dos critérios utilizados pelo Ministério Público e concordou em aprimorar seu sistema de monitoramento, bloquear fornecedores sinalizados pela pesquisa e doar US $ 900 mil ao estado em resposta à auditoria.

Para ter uma ideia da escala das fazendas que operam em áreas vulneráveis ​​na Amazônia brasileira, o The Times sobrepôs mapas do governo de terras protegidas da Amazônia, áreas desmatadas e limites de fazendas com as localizações das fazendas que a JBS listou publicamente como fornecedoras de seus matadouros em 2020. Um a análise mostrou que, entre os fornecedores da JBS, fazendas que cobrem cerca de 2.500 milhas quadradas se sobrepõem significativamente a terras indígenas, uma zona de conservação ou uma área que foi desmatada após 2008, quando as leis que regulamentam o desmatamento foram implementadas no Brasil.

A metodologia e os resultados foram examinados e verificados por uma equipe de pesquisadores e acadêmicos independentes que estudam o uso do solo na Amazônia brasileira.

Os dados do comércio internacional mostraram que as empresas proprietárias de curtumes abastecidos com as peles enviaram couro para fábricas no México administradas pela Lear, uma grande fabricante de assentos que abastece montadoras de automóveis nos Estados Unidos. Lear disse em 2018 que estava adquirindo cerca de 70% de suas peles in natura do Brasil. As peles brasileiras também vão para outros países, incluindo Itália, Vietnã e China, para uso nas indústrias automotiva, de moda e de móveis, mostraram os dados comerciais.

A JBS reconheceu que quase três quartos das fazendas identificadas na análise do The Times se sobrepõem a terras que o governo classifica como desmatadas ilegalmente, ou como terras indígenas ou uma zona de conservação. Mas informou que todas as fazendas cumpriam as regras para evitar o desmatamento quando a JBS comprou delas.

A JBS informou que, nos casos de sobreposição, as fazendas foram autorizadas a operar em áreas protegidas ou desmatadas, ou tiveram seus limites alterados, ou seguiram regras para corrigir suas violações ambientais. A pecuária é permitida em algumas áreas protegidas no Brasil, desde que siga práticas sustentáveis.

Em nota, a JBS informou que mantém há mais de uma década um sistema de monitoramento que verifica o cumprimento da política ambiental dos fornecedores. “Mais de 14.000 fornecedores foram bloqueados por não cumprimento desta política”, disse. No entanto, afirmou a empresa, “o grande desafio da JBS, e da cadeia produtiva da pecuária de corte em geral, é monitorar os fornecedores de seus fornecedores, uma vez que a empresa não tem informações sobre eles”.

Uma fazenda à beira de uma área queimada perto de Cacoal, em Rond & ocirc; nia.

Fazenda à beira de uma área queimada perto de Cacoal, em Rondônia.

O gado da fazenda do Sr. Felipe era conduzido em caminhões para transporte e abate.
O gado da fazenda do Sr. Felipe era conduzido em caminhões para transporte e abate.
Caminhões de gado chegaram a um frigorífico da Marfrig em Ji Paraná, município de Rondônia.
Caminhões de gado chegaram a um frigorífico da Marfrig em Ji Paraná, município de Rondônia.

O desmatamento na Amazônia aumentou nos últimos anos, à medida que os fazendeiros corriam para atender à crescente demanda por carne bovina, especialmente na China. Representantes da indústria do couro afirmam que, enquanto houver demanda por carne bovina, eles simplesmente usarão peles que, de outra forma, seriam enviadas para aterros sanitários.

Raoni Rajão, que estuda as cadeias produtivas da Amazônia na Universidade Federal de Minas Gerais, disse que, como a indústria do couro torna a pecuária mais lucrativa, ela compartilha a responsabilidade por qualquer desmatamento. “O couro pode ter alto valor agregado”, disse ele.

A perda de florestas está destruindo a capacidade da Amazônia de absorver dióxido de carbono, que as árvores retiram do ar. O dióxido de carbono da queima de combustíveis fósseis é o principal motor das mudanças climáticas. O Brasil foi uma das mais de 100 nações que se comprometeram a acabar com o desmatamento até 2030 na recente Cúpula do Clima das Nações Unidas em Glasgow.

Embora a maioria das fazendas na região amazônica não esteja ligada ao desmatamento ilegal, as descobertas mostram como o couro ilegal está entrando na cadeia de abastecimento global, contornando um sistema que os próprios frigoríficos e empresas de couro criaram nos últimos anos para tentar mostrar que seu gado vem apenas de fazendas legítimas.

Em resposta a perguntas detalhadas, JBS, Marfrig e Minerva disseram não saber que o gado da reserva Jaci-Paraná estava entrando em suas cadeias de abastecimento.

Os três disseram ter sistemas para monitorar fazendas que abastecem diretamente seus frigoríficos e que excluem fazendas que não cumprem as leis ambientais. Mas os três reconheceram que não podem rastrear fornecedores indiretos, como Felipe, que vende gado por meio de intermediários, mascarando suas origens.

Lear disse que usou “um processo de fornecimento robusto” que garantiu que funcionasse “com os fornecedores mais capazes e avançados que estão comprometidos com a compra de peles de gado criado em fazendas compatíveis”. A empresa disse que se os fornecedores violassem suas políticas, tomaria medidas que poderiam incluir o cancelamento de seus contratos “e / ou ação legal contra o fornecedor”.

A GM disse que espera que os fornecedores “cumpram as leis, regulamentos e ajam de maneira consistente com os princípios e valores” da montadora. A Ford disse que aspirava “fornecer apenas matérias-primas produzidas de maneira responsável”. A Volkswagen disse que seus fornecedores já aderiram a um alto nível de sustentabilidade.

Em Jaci-Paraná, a demanda global por couro está ajudando a sustentar um rebanho crescente de 120.000 bovinos onde a floresta existia. “Se todo o gado fosse vendido”, disse a Sra. Moser, a ex-promotora, o governo teria dinheiro suficiente “para reflorestar toda a reserva”.

Louren & ccedil; o Dur & atilde; es em sua casa nas margens do Jaci-Paran & aacute;  Rio em julho.

Lourenço Durães em sua casa às margens do rio Jaci-Paraná no mês de julho.

Chovia torrencialmente em dezembro passado quando dois homens atracaram na casa de Lourenço Durães às margens do rio Jaci-Paraná. O Sr. Durães, seringueiro de 71 anos, convidou os homens a entrar e ofereceu-lhes café. Então, após discutir o tempo por alguns minutos, um dos visitantes foi direto ao ponto.

“Não vou enganar vocês”, disse ele, segundo o Sr. Durães e um de seus amigos, que juntos descreveram o encontro recentemente. “Eu vim aqui para te matar.”

Queriam se livrar do Sr. Durães porque a terra dele vale para os fazendeiros.

Jaci-Paraná foi criada em 1996 para conceder a uma comunidade de seringueiros o direito de buscar seu sustento. O Sr. Durães está entre os últimos seringueiros. A comunidade está sendo empurrada para fora pelo desmatamento.

“Estamos com medo, mas espero justiça”, disse Durães, acrescentando que acreditava ter sido poupado naquele dia por ser um homem idoso.

Segundo o Sr. Durães e um Boletim de Ocorrência do amigo, o aspirante a pistoleiro identificou a pessoa que o enviou, mas apenas pelo apelido. A polícia não investigou, de acordo com o boletim de ocorrência, porque o Sr. Durães e seu amigo não puderam fornecer o nome completo de uma pessoa para apresentar queixa.

Em entrevista, Lucilene Pedrosa, que dirige a divisão regional da polícia, disse que sua equipe esperava que os homens dessem mais informações para que pudessem investigar.

Dados do governo analisados ​​pelo The Times mostram o apetite por terras na área. De acordo com os números, entre janeiro de 2018 e junho de 2021 fazendas operando em Jaci-Paraná em terras desmatadas ilegalmente venderam pelo menos 17,7 mil cabeças de gado para fazendas intermediárias. Os compradores eram fornecedores dos três grandes frigoríficos, JBS, Marfrig e Minerva, segundo dados governamentais e corporativos.

A área florestal onde o Sr. Dur & atilde; es vive e extrai seringueiras.

Um caminhão madeireiro no Jaci-Paran & aacute;  reserva.

O Sr. Durães chegou em sua casa às margens do rio Jaci-Paraná.

Quase metade desse gado 17.700 foi comprado por Armando Castanheira Filho, um comerciante local que tem sido um dos maiores compradores em Jaci-Paraná e fornecedor direto para os três grandes frigoríficos. As vendas para ele criaram uma trilha de papel que ocultava que o gado era originário de fazendas ilegais.

Um repórter do Times testemunhou tal transação quando Felipe, o fazendeiro que reconheceu envolvimento no desmatamento, vendeu seus 72 bovinos este ano. O comprador naquele dia foi o Sr. Castanheira.

O Times então rastreou os animais. Onze horas depois, eles foram parar em um matadouro da Marfrig.

A Marfrig mantém um site que lista a procedência de seu gado, em um esforço para mostrar que adquire gado de forma responsável. Para a remessa de 14 de julho rastreada pelo The Times, a fazenda de Felipe não está listada no site. Mas a lista das fazendas que forneceram gado para o abate do dia seguinte inclui a fazenda do Sr. Castanheira, que fica fora da reserva.

No final daquele dia, no matadouro da Marfrig, um caminhão com o nome de um curtume, Bluamerica, saiu do matadouro carregando peles. Bluamerica é um curtume que abastece a Lear, fabricante de assentos de automóveis.

O Sr. Castanheira confirmou que parte do gado que compra da reserva vai directamente para o abate, não passando tempo na sua estância, embora a papelada indique que passaram primeiro pela sua própria quinta. Ele negou ter feito isso para esconder a origem do gado.“Não faço isso para ‘lavar’ nada”, escreveu ele em uma mensagem de texto. Ele disse que sua intenção era simplesmente lucrar com a diferença entre o que ele paga por cada animal e o que pode receber no matadouro.

Marfrig, Minerva e JBS afirmam não despachar caminhões para coleta de gado na reserva Jaci-Paraná, ou em qualquer local que não seja de seus fornecedores diretos. Os advogados da Marfrig também entraram com um relatório na polícia que relaciona os fatos descritos pelo The Times, chamando-os de “possíveis crimes de natureza criminal”.

O Sr. Castanheira agora sustenta que o repórter do Times testemunhou o único caso deste tipo de transação feita por ele. Todos os três frigoríficos disseram que agora excluíram o Sr. Castanheira de seu pool de fornecedores.

Uma estátua à beira da estrada para Ariquemes, município de Rondônia.

Odilon Caetano Felipe, à esquerda, pesou seus animais para Armando Castanheira Filho, o intermediário de gado.

A fazenda de Armando Castanheira Filho, Santo Angelo, está fora da reserva protegida. 

Dois dos proprietários do Bluamerica, empresas chamadas Viposa e Vancouros, disseram que seus fornecedores estão sujeitos a auditorias regulares e reconheceram os desafios de rastrear fornecedores indiretos. Ambas as empresas disseram estar trabalhando com o World Wide Fund for Nature, um grupo ambientalista com sede na Suíça, para melhorar seus sistemas.

No geral, uma análise dos dados do governo sobre a movimentação de gado em Jaci-Paraná e áreas próximas entre 2018 e 2021 identificou 124 transações que mostram sinais de lavagem de gado, dizem os especialistas. As transações mostram que pelo menos 5.600 cabeças de gado foram transferidas das fazendas da reserva para intermediários que, no mesmo dia, venderam gado para os três grandes frigoríficos.

Holly Gibbs, geógrafa da Universidade de Wisconsin-Madison que pesquisa o agronegócio na Amazônia há uma década, disse que, embora os intermediários legítimos muitas vezes comprem e vendam gado no mesmo dia, o fato de as transações não serem monitoradas de perto “é um enorme lacuna. ”

“Eles estão trazendo animais que foram criados em uma área protegida para as cadeias de abastecimento nacionais e internacionais”, disse ela.

A cadeia de suprimentos, da fazenda ao showroom de automóveis, é complexa. As peles dos frigoríficos Minerva e JBS vão para curtumes próprios da JBS, enquanto as peles da Marfrig são processadas principalmente pela Vancouros e Viposa, segundo dados corporativos e entrevistas. Dados comerciais compilados pela Panjiva, unidade de pesquisa de cadeia de suprimentos da S&P Global Market Intelligence, mostram que o fabricante de assentos Lear, com sede em Southfield, Michigan, é o maior comprador americano de peles da JBS, Vancouros e Viposa.

Em maio passado, fazendeiros ilegais em Jaci-Paraná conquistaram uma importante vitória. O governador de Rondônia sancionou uma medida que reduziu o tamanho da reserva em 90%.

A lei, que os promotores estão lutando na Justiça, abre caminho para que fazendeiros em terras desmatadas ilegalmente legalizem seus negócios. Os críticos da lei disseram que ela poderia abrir um precedente para mais desmatamento em outras reservas protegidas.

Independentemente do resultado dessa disputa judicial, Durães, o seringueiro, disse que não pretendia deixar seu pedaço de floresta. O pasto está agora a menos de um quilômetro de sua casa de madeira com dois cômodos.

Viver entre as poderosas árvores é a única existência que ele conhece. E ficar, disse ele, é “a única maneira de manter a floresta de pé”.
Pilhas de peles parcialmente processadas no curtume Vancouros em Londrina, Brasil.

A cada poucos segundos, no curtume Vancouros, no sul do Brasil, o som de peles de couro caindo em dezenas de tambores de madeira de 3 metros é interrompido pelos cliques de um marcador pneumático à medida que cada pele individual é perfurada com um código de sete dígitos que rastreia sua origem .

Clébio Marques, diretor comercial do curtume, arrancou um couro úmido de cor azul de uma pilha, pegou o telefone e digitou o código em um site que sua empresa criou para clientes como o Lear. Apareceram os detalhes do fornecedor daquela pele específica.

“Todo o nosso couro é rastreável”, disse ele. “Isso não é obrigatório, ninguém pediu, mas sentimos que o mercado precisava de mais transparência.”

Mas então o Sr. Marques foi apresentado com a descoberta de que um de seus fornecedores mais importantes, a Marfrig, estava comprando gado de fornecedores cujas transações apresentavam sinais de lavagem de gado. “Estou surpreso”, disse ele. “Esperamos que o produto principal seja legal.”

Ele ressaltou, porém, que o monitoramento de sua própria empresa não era o culpado. “Temos que confiar nos documentos que nos são fornecidos, porque nossa auditoria é baseada no sistema deles”, disse o Sr. Marques.

Todos os três grandes frigoríficos têm sistemas projetados para rastrear a última fazenda de onde veio o gado que abateram. No entanto, todos os três têm a mesma falha: eles não levam em consideração o fato de que o gado normalmente não passa a vida inteira em uma única fazenda. Portanto, eles não consideram que um fornecedor direto possa estar vendendo gado que na verdade foi criado por outra pessoa, em terras desmatadas ilegalmente.

Os sistemas de rastreamento foram criados após um relatório do Greenpeace de 2009 que relacionou os fornecedores brasileiros de carne e couro ao desmatamento ilegal. Hoje, as três principais empresas afirmam que têm políticas de desmatamento de tolerância zero para todos os fornecedores diretos.

Couros, destinados a curtume, em abatedouro em Porto Velho no mês de julho.
O curtume Vancouros é um dos fornecedores da Lear, mostram os dados do trade. 
Um matadouro em Porto Velho.  A China é um grande comprador da carne bovina produzida no Brasil.

Todos os três principais matadouros publicam publicamente seus dados de rastreamento online. O da JBS é o mais detalhado; as outras empresas omitem a localização precisa das fazendas. Foi a análise do Times desses dados do JBS para 2020, o ano mais recente disponível, que indicou que os fornecedores da empresa incluíam fazendas que podem ter violado regras governamentais destinadas a evitar o desmatamento e deslocamento de indígenas.

A JBS disse que todos os seus fornecedores estavam em conformidade no momento da compra. Marfrig e Minerva disseram que compartilharam tantas informações sobre seus fornecedores diretos quanto permitido pela lei de privacidade de dados do Brasil.

Como parte desse processo, os curtumes contam com uma organização financiada pelo setor, o Leather Working Group, para certificar sua conformidade. O grupo atribuiu sua classificação máxima, “ouro”, a todos os curtumes amazônicos que fornecem couro à Lear, o que significa que eles aderem a práticas ambientalmente sustentáveis.

Em nota, o grupo afirmou que está trabalhando para melhorar seus protocolos de rastreabilidade, mas que “devido à complexidade dos sistemas agrícolas no Brasil e à falta de bancos de dados disponíveis ao público, ainda não há, infelizmente, uma solução fácil para esta situação”.

JBS, Marfrig e Minerva se comprometeram publicamente a melhorar o rastreamento das fazendas que vendem gado a seus fornecedores diretos. A JBS disse que rastreará uma camada de fornecedores indiretos até 2025. A Marfrig prometeu rastrear todos os seus fornecedores indiretos na Amazônia até 2025 e a Minerva disse que teria cadeias de suprimentos totalmente rastreáveis ​​na América do Sul até 2030.

“Apenas a rastreabilidade do nascimento ao abate para animais individuais será suficiente para garantir que não haja desmatamento nessas cadeias de suprimento de alto risco na Amazônia”, disse Rick Jacobsen, da Agência de Investigação Ambiental, o grupo sem fins lucrativos.

Pilhas de couro em operação da Vancouros em Londrina.

Os assentos de couro do SUV Escalade da Cadillac, descrito por um revendedor no estado de Washington como “um hotel de luxo sobre rodas”, pode elevar o preço do modelo top de linha da General Motors para mais de US $ 100.000.

O Escalade é um dos muitos veículos vendidos nos Estados Unidos que usa bancos de couro e outros enfeites da Lear, empresa que comanda cerca de um quinto do mercado mundial de bancos automotivos.

Nem a Lear, nem a GM, de onde vem o couro para os assentos do carro. As importações de couro brasileiro pela Lear aumentaram na última década, impulsionadas por um salto no couro proveniente da JBS, de acordo com dados da Panjiva, empresa de dados de cadeia de suprimentos. No ano passado, a Lear foi a maior importadora americana de couros e peles do Brasil, importando cerca de 6 mil toneladas, a maior parte da JBS, segundo dados da Panjiva.

Caminhões de grande porte e utilitários esportivos grandes são uma força crescente por trás da demanda por adereços de couro na indústria automobilística. Para muitos compradores, o couro “é sinônimo de luxo e geralmente agrega valor de revenda significativo”, disse Drew Winter, analista sênior da Wards Intelligence, uma empresa de pesquisa automotiva.

Raymond E. Scott, presidente-executivo da Lear, expôs a importância dos veículos de luxo em uma apresentação para investidores em junho. A empresa detém 45 por cento do mercado de luxo, disse ele. E o que estava impulsionando o crescimento no negócio de assentos de Lear era “realmente a força dos caminhões grandes e SUVs da GM”, uma linha que também inclui o Yukon, Chevrolet Tahoe e Suburban.

No Brasil, “100 por cento de nossos fornecedores usam geo-esgrima” (uma tecnologia que usa GPS para estabelecer uma cerca virtual) “para garantir que eles não comprem animais de fazendas envolvidas com o desmatamento”, disse Lear em um comunicado de 2018 .

No entanto, as conclusões do The Times no Brasil indicam que os fornecedores da Lear não tinham a capacidade de rastrear todo o gado dessa forma.

Lear disse que exige que todos os fornecedores cumpram uma política de não desmatamento, que proíbe o uso de qualquer material proveniente de áreas desmatadas ilegalmente ou de terras indígenas ou outras terras protegidas. De acordo com registros corporativos, os outros maiores clientes de Lear são Ford, Daimler, Volkswagen e Stellantis, formadas a partir da fusão da Fiat Chrysler com a fabricante francesa de carros Peugeot e Citroën.

Pastagens próximas a Buritis, no estado de Rond & ocirc; nia.

Curtume Vancouros em Londrina.

Um Cadillac Escalade na estreia de um filme no ano passado em Los Angeles.

Crédito…David Mcnew / EPA, via Shutterstock

A General Motors disse que sua cadeia de suprimentos foi “construída sobre relacionamentos fortes, transparentes e confiáveis”. A Ford disse que manteve a si mesma e a seus fornecedores padrões ambiciosos e “se saiu bem em muitas áreas e pode melhorar em outras”. A Volkswagen disse que está trabalhando para rastrear melhor a cadeia de suprimentos até a fazenda.

Daimler disse que uma pequena porcentagem de seu couro veio do Brasil. Stellantis disse que compartilha preocupações sobre rastreabilidade e está trabalhando ativamente para confirmar a localização de curtumes e fazendas em sua cadeia de abastecimento.

No ano passado, cerca de um terço das 15 mil toneladas de couro importadas para os Estados Unidos vieram do Brasil, que recentemente ultrapassou a Itália para se tornar o maior exportador de couro e peles para a América. Muito desse aumento pode ser atribuído à indústria automobilística.

A maior parte dos embarques de couro da JBS para a Lear nos Estados Unidos viaja de São Paulo para Houston, segundo dados comerciais da Panjiva. De lá, grande parte é transportada de caminhão pela fronteira mexicana para uma das duas dúzias de fábricas de assentos de automóveis operadas pela Lear no México, onde os trabalhadores cortam as peles e as costuram nas capas dos assentos.

O couro é então transportado de volta pela fronteira. De janeiro de 2019 a junho de 2021, as fábricas da Lear no México enviaram pelo menos 1.800 toneladas de couro para os Estados Unidos, de acordo com dados de transporte registrados pela Pesquisa de Materiais.

Seu destino final: instalações da Lear em todo o país. Eles tendem a estar localizados mais próximos das montadoras finais de automóveis, tornando mais fácil para a empresa combinar as cores e outras variações dos modelos que chegam nas linhas de montagem dos veículos.

Um desses destinos é a fábrica da General Motors em Arlington, Texas, um campus extenso em 250 acres onde a montadora produz alguns dos maiores e mais luxuosos caminhões da empresa, incluindo o Escalade. Os trabalhadores automotivos montam cerca de 1.300 SUVs por dia para venda nos Estados Unidos e também para exportação.

A 10 minutos de carro, Lear possui uma fábrica de assentos de couro.

Reportagem de Manuela Andreoni da reserva Jaci-Paraná no Brasil. Hiroko Tabuchi e Albert Sun relataram de Nova York.

Hiroko Tabuchi é uma repórter investigativa da mesa do clima. Ela fazia parte da equipe do Times que recebeu o Pulitzer de 2013 para reportagem explicativa.@HirokoTabuchiFacebook

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Este artigo foi escrito inicialmente em inglês e publicado pelo jornal “The New York Times” [Aqui!].

Mudança de hábito no consumo de pescado passa por mais informação

A técnica de separação da carne do peixe mecanicamente é uma das alternativas indicadas pela Embrapa para reduzir o custo de produção e o preço final do produto
Manuela Ornelas de Abreu_PeixariaDivinaProvidencia_2_Cred_Divulgacao

Manuela Ornelas de Abreu, proprietária da Peixaria Divina Providência

São Paulo, novembro de 2021 – Atualmente o brasileiro come, em média, pouco mais de 10 quilos de pescado por ano. Metade da média de 20 quilos anuais por pessoa no Japão, de acordo com a FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Hábitos e desinformação são dois motivos para uma diferença tão gritante. Afinal, consumir peixe ainda está ligado a questões religiosas no país. Tanto que os melhores períodos de venda do produto são a Páscoa e o Natal. Além disso, parte das famílias mantêm o costume de incluir o peixe na refeição apenas uma vez por semana.

Há cerca de dois anos, Alessandra Viena Sampaio, moradora no Jardim América, bairro da Leopoldina, na região histórica da zona Norte do Rio de Janeiro, nem pensava em ter pescado no cardápio da família. Mas ao seguir as redes sociais de uma peixaria que fica no Irajá, também na zona Norte carioca, ela foi conhecendo as possibilidades de pratos e a diversidade de peixes mudou sua rotina gastronômica.

Segundo Manuela Ornelas de Abreu, proprietária da Peixaria Divina Providência (@peixariadivinaprovidencia), responsável pela transformação da família Sampaio, a falta de conhecimento gera preconceitos e afasta as pessoas dos peixes. “Estou no ramo há apenas sete anos e há quatro resolvi criar as redes sociais da peixaria com informações e dicas que pudessem auxiliar as pessoas na escolha do produto e no preparo”, explica.

Com quase 30 mil seguidores, número que cresceu bastante durante a Semana do Pescado (@semanadopescado) – campanha nacional realizada de 1 a 15 de setembro, Manuela dá dicas sobre como escolher o peixe na hora da compra, fala dos diferentes modos de preparo e ensina como o consumidor pode evitar as falsificações. “Existem muitos locais que vendem um peixe qualquer como se fosse filé de pescada, por exemplo”, garante. “Mas com um pouquinho de conhecimento e prática o consumidor é capaz de ver a diferença e não ser enganado”.

Na contramão dos pequenos varejistas do setor, ela também se preocupa em falar sobre a pesca predatória e alerta para espécies que estão em risco de extinção. “É o caso do cação, que é muito consumido pelo brasileiro, mas que não passa de um tubarão e que está em vias de ser extinto”.

Está em nosso DNA

Helen Kato, pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, em Tocantins, concorda com Manuela. Para ela, o consumo do peixe está em nosso DNA. Mas falta informação. “Outro fator para a baixa procura pelo pescado é o custo, mas temos evoluído muito”, afirma.

“Hoje o peixe não é para todos, mas na Embrapa desenvolvemos pesquisas que visam deixar o consumo mais acessível para o prato do brasileiro”, afirma. “O produto é recolhido vivo nos tanques dos produtores, colocados em caminhões e transportados até o frigorífico onde será abatido e mantido refrigerado. Isso tudo pesa no preço final”.

Uma das alternativas estudadas pela Embrapa é a técnica chamada CSM – Carne Separada Mecanicamente, realizada através da máquina despolpadora de pescado. “Trata-se de um processo para a retirada mecanicamente da carne que seria descartada. A máquina tira aquilo que a mão humana não consegue. Assim, aproveita-se mais e é possível ter preço melhor.”

Mas a realidade não é a mesma em todas as regiões do Brasil. A pesquisadora lembra que há estados que não possuem indústrias processadoras de pescados devido à baixa produção. “Nenhuma empresa de processamento irá se instalar em um local onde a oferta de peixes é pequena. Por isso, pesquisamos alternativas para diminuir o custo de produção. Nossa intenção é ter um pacote tecnológico bem fechado que reduza esse custo e possibilite investimentos na ampliação na criação de peixes.”

Helen alerta também que o país ainda enfrenta o mito de que peixe enlatado oferece algum tipo de perigo ao consumidor. Para ela, não há nada que justifique esse preconceito. “Hoje temos um rígido controle de qualidade e uma fiscalização efetiva que garantem a qualidade desses produtos. O consumidor precisa ficar atento e comprar apenas peixes que possuem o selo do Sistema de Inspeção Federal – SIF, que certifica que o produto cumpre todas as normas de segurança alimentar”.

Mudança de hábito

Mas o consumo de pescado também precisa passar pela mudança no hábito alimentar. Alessandra lembra que no seu caso foram meses de análise e estudos para se sentir segura. “Uma amiga me indicou a página do Instagram que, segundo ela, era um bar que servia peixes. Comecei a seguir esse perfil pensando em comprar petiscos”, lembra. “Até que descobri que na verdade era uma peixaria que também servia comida aos finais de semana”.

Mesmo com o marido e a filha gostando muito, antes de fazer sua primeira compra, Alessandra diz que passou meses olhando as postagens, analisando. “Lá tem receitas, curiosidades, dicas de como reconhecer o peixe fresco. Mas analisei tudo até que me convenci que podia melhorar minha relação com o peixe, que se resumia ao consumo na semana Santa e o bacalhau do Natal”.

Hoje ela entende que consumia peixe de baixa qualidade e isso afetava sua decisão de ampliar o cardápio com o produto. “Após maratonar no canal do Youtube da peixaria, que descobri pelo Instagram, tomei coragem para comprar peixe, mas sem me arriscar. No início era filé de tilápia e sardinha, que é o que já consumia”.

Para Alessandra foi uma revelação. “O sabor de um peixe fresco é incomparável e a surpresa: dá para fazer peixe sem deixar a casa toda com aquele cheiro que não é nada agradável”, afirma. “De lá pra cá, fui aumentando o consumo e comecei a arriscar a comprar peixes que não conhecia, com preparos de pratos para além de filezinho grelhado. E hoje a família já tem um xodó: Peroá (também conhecido como porquinho). Minhas amigas ainda não acreditam que virei a garota propaganda dos pescados”.