Aliança EU/China contra o desmatamento fortalece isolamento internacional do Brasil

eua chinaOs presidentes Joe Biden e XI Jinping sinalizam aliança contra o desmatamento ilegal

Objetivamente alinhada com as políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro, a mídia corporativa brasileira optou por esconder (como, aliás, esconde o exitoso tour europeu do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva) um importante acontecimento que ocorreu no encerramento da COP-26. Falo aqui da declaração conjunta entre os governos dos EUA e da República Popular da China no tocante ao combate do que foi chamado de “desmatamento ilegal”.

Segundo os governos das duas principais potências econômicas do planeta, os dois países “pretendem se engajar de forma colaborativa no apoio à eliminação do desmatamento ilegal global por meio da aplicação efetiva de suas respectivas leis de proibição de importações ilegais.”

Ainda que se saiba que o problema do desmatamento (e acrescento, da degradação das florestas tropicais) não se restringe ao fato dele ser legal ou ilegal, mas à escala com que está ocorrendo por causa da pressão causada pelo consumo de commodities agrícolas, das quais China e EUA são grandes consumidores, o fato de que haja uma declaração conjunta no sentido de sinalizar o engajamento na eliminação (friso aqui que o termo “eliminação” foi provavelmente escolhido de forma proposital) do desmatamento ilegal envia uma mensagem clara para países como o Brasil que resolveram remover todas as travas que impediam um rápido avanço da derrubada de suas florestas.

O fato é que hoje o avanço do desmatamento ilegal dentro e fora do chamado “Arco do desmatamento” está ocorrendo não apenas sob o olhar cúmplice do governo Bolsonaro, mas com incentivos diretos, inclusive com financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) particularmente no fortalecimento dos conglomerados econômicos que hoje produzem carne animal. Assim, quando sinalizam que irão trabalhar para “eliminar” o desmatamento ilegal, os governos dos EUA e da China estão mandando um recado claro para o governo Bolsonaro.

Ainda que o presidente Jair Bolsonaro, seu bizarro ministro do Meio Ambiente,  Joaquim Leite, que igualou florestas a nichos de pobreza, e a ministra da Agricultura  Tereza Cristina possam querer fingir que não estão entendendo o recado dado pelos EUA e pela China, é provável que os grandes “players” envolvidos direta ou indiretamente no avanço do desmatamento ilegal na Amazônia e no Cerrado já tenham entendido o significado do anúncio feito em Glasgow.

O fato inescapável é que, provavelmente por motivos que não têm nada a ver com ética ou moral, EUA e China decidiram parar com a farra instalada nas florestas brasileiras.  E se a farra continuar, é provável que as commodities brasileiras sofram um boicote comercial por parte das grandes potências econômicas do planeta. E se isso realmente acontecer, ninguém vai poder reclamar, pois o aviso foi dado, como dizem os americanos, “loud and clear” (ou em bem português, em alto e bom som).

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s