Nature publica estudo mostrando efeito sinergístico entre agrotóxicos e outros estressores na mortalidade de abelhas

bees

Um estudo realizado por pesquisadores ingleses e estadunidenses  liderados pelo professor Harry Siviter, do Department of Biological Sciences, Royal Holloway University of London, que acaba de ser publicado pela revista Nature, identificou um processo de sinergia (ou seja, ação simultânea) entre agrotóxicos e outros potenciais estressores (e.g., problemas nutricionais e parasitas) na mortalidade de abelhas.  Este estudo aponta ainda que a exposição simultânea a múltiplos agrotóxicos pode aumentar o nível de estresse e os impactos advindos da interação com os outros estressores.

Os resultados deste estudo apontam para a possibilidade de que os esquemas de avaliação de risco ambiental que pressupõem  efeitos aditivos do risco de exposição a agroquímicos podem estar subestimando o efeito interativo de estressores antropogênicos na mortalidade das abelhas, e com isso estão falhando em proteger os polinizadores que fornecem um serviço ecossistêmico fundamental para a agricultura.

Como resultado, os pesquisadores sugerem a realização de observações pós-licenciamento em grande escala como uma etapa final do processo regulatório envolvendo a comercialização de agrotóxicos.  Para justificar esta sugestão, os pesquisadores apontam que ainda que o monitoramento pós-licenciamento, apesar de ser uma característica crítica da liberação de produtos químicos para a saúde pública, não é nem relatado ou, tampouco, realizado de forma sistemática. 

Em conclusão, os autores do artigo afirmam que a forma atual de liberar agrotóxicos  não protege as abelhas das consequências indesejáveis de exposição a agrotóxicos complexos.

Quem desejar baixar o artigo intitulado “Agrochemicals interact synergistically to increase bee mortality“, basta clicar [Aqui!].

PetroRio apresenta, o Projeto de Educação Ambiental no OTC Houston 2021

O PEA Rede Observação é uma iniciativa que impacta positivamente 11 municípios do Estado do Rio de Janeiro e Espírito Santo

561b146a-520e-47ab-82f1-b6f65e7bc5d3 (1)

Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2021 – Uma das maiores operadoras independentes de óleo de gás do Brasil, a PetroRio participará da OTC Houston 2021, apresentando um dos seus projetos de ESG em painel da Arena Sustentabilidade e Juventude, em 18 de agosto. A iniciativa em pauta é o Projeto de Educação Ambiental (PEA) Rede Observação, desenvolvido desde 2014, com contribuições efetivas para o fortalecimento da organização social de comunidades afetadas por atividades de produção de óleo e gás. Em 09 municípios do Estado do Rio e em 2 (dois) do Espirito Santo, que forma a área de influência dos empreendimentos em operação da PetroRio, são mantidos Observatórios Socioambientais que promovem atividades educativas, utilizando ferramentas de comunicação popular como a produção audiovisual e recursos do Teatro do Oprimido, para apoiar o fortalecimento das comunidades e a qualificação delas na gestão ambiental pública.

“A ideia é que esses públicos se apropriem dessas metodologias de comunicação para pensarem juntos em estratégias de solução para seus conflitos socioambientais, exercendo e exigindo seus direitos. Estar presente na OTC 2021, como o Estudo de Caso da Arena Sustentabilidade, é uma oportunidade de mostrar ao mundo como o cumprimento de uma política pública como medida de mitigação, exigida pelo licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama, pode ser um projeto estruturante, alinhado aos valores de ESG e também efetivamente transformador para as comunidades envolvidas”, explica o Gerente de Sustentabilidade Marcelo Santux.

O PEA da PetroRio atende grupos em estado de vulnerabilidade social como pescadores artesanais, marisqueiros, catadores de guaiamum, quilombolas, agricultores familiares e populações favelizadas. Como exemplos de temas monitorados, podemos citar, dentre outros, a elaboração de plano de manejo de uma RESEX, como em Arraial do Cabo, para o reconhecimento da atividade produtiva dos catadores de Guaiamun, como em Cabo Frio, e reapropriação do direito ao uso do território ancestral das populações quilombolas, como em Búzios.

OTC Houston 2021

A Offshore Technology Conference (OTC) é considerado um dos maiores eventos mundiais de petróleo. A feira reúne profissionais de diversos países, que se juntam para dialogar e trocar opiniões sobre o avanço do conhecimento científico e técnico para recursos offshore e questões ambientais. A OTC 2021 irá acontecer entre os dias 16 e 19 de agosto.

PetroRio

A PetroRio é uma das maiores empresas independentes de óleo e gás do Brasil, pioneira na recuperação e aumento da vida útil de campos em produção. Com seus ativos localizados na Bacia de Campos, a empresa busca a eficiência operacional com a otimização de processos, emprego de novas tecnologias e soluções inovadoras que visem a diminuição de custos, sempre com a premissa da excelência e da segurança das operações. A PetroRio vem crescendo por meio de aquisições. Graças aos constantes resultados positivos teve uma forte valorização passando a fazer parte do índice B3, principal da bolsa brasileira em 2020

Amazônia: o que ainda pode ser feito

Relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), da ONU reforça importância de conservar o que ainda resta de floresta na Amazônia e, para isso, Áreas Protegidas precisam de proteção real

amazonia sunsey

Não é novidade que os danos causados ao meio ambiente resultam em mudanças climáticas que têm sido cada vez mais drásticas. Mas o novo relatório divulgado pelo IPCC, revela que a luta contra o tempo está ainda mais agressiva. Apesar de as emissões de CO2 terem dobrado nos últimos 60 anos, florestas, solos e oceanos absorveram 56% de toda essa emissão. Isso significa que o planeta seria um lugar bem mais quente e hostil do que é agora, não fosse a ajuda da natureza. O problema é que a humanidade não está conseguindo combater a destruição do meio ambiente e ele pode entrar em colapso antes do que se imaginava.

O alerta vermelho é acionado para o problema do desmatamento na Amazônia e, no entanto, esses índices seguem batendo recordes históricos. “Precisamos entender, de uma vez por todas, que quando uma pessoa invade e desmata, o impacto se dá em toda a humanidade.”, afirma Fabiana Prado, coordenadora do projeto LIRA – Legado Integrado da Região Amazônica, iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas.

Segundo Fabiana, a flexibilidade na fiscalização está ameaçando até as Áreas Protegidas, que ainda conseguem manter níveis bem mais baixos de desmatamento se comparadas com as outras áreas. “A criação das áreas protegidas – as unidades de conservação e as terras indígenas -, é uma estratégia significativa para garantir o futuro da Amazônia – e por consequência, da biodiversidade”, afirma.

No entanto, é preciso gerir, monitorar e avaliar esses espaços de forma eficiente, o que significa cumprir os objetivos de criação das áreas protegidas, manter a biodiversidade, as culturas e das comunidades locais e tradicionais além de contribuir com serviços ecossistêmicos para minimizar os efeitos das mudanças climáticas. “Por isso, o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, implementa ações colaborativas multisetoriais (empresas, sociedade civil, governos e movimentos sociais) por meio do Projeto LIRA”, diz Fabiana.

O LIRA nasceu para promover o fortalecimento e a consolidação da gestão dessas áreas protegidas do Bioma Amazônico e colaborar para que sejam desenvolvidas alternativas sustentáveis de produção para as populações desses territórios. “A intenção do Projeto é transformar essas áreas em um polo de desenvolvimento regional e territorial, por meio de seus ativos naturais e sabedoria ancestral dos povos da floresta, possibilitando uma renda eficiente para a população local e o fortalecimento desses povos”, afirma Fabiana.

Sobre o LIRA

O LIRA é uma iniciativa idealizada pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, Fundo Amazônia e Fundação Gordon e Betty Moore, parceiros financiadores do projeto. Os parceiros institucionais são a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Amazonas – SEMA-AM e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará – IDEFLOR-Bio. O projeto abrange 34% das áreas protegidas da Amazônia, considerando 20 UCs Federais, 23 UCs Estaduais e 43 Terras Indígenas, nas regiões do Alto Rio Negro, Baixo Rio Negro, Norte do Pará, Xingu, Madeira-Purus e Rondônia-Acre. O objetivo do projeto é promover e ampliar a gestão integrada para a conservação da biodiversidade, a manutenção da paisagem e das funções climáticas e o desenvolvimento socioambiental e cultural de povos e comunidades tradicionais. Mais informações: https://lira.ipe.org.br/

Delta exige intervalo mais curto entre doses de vacina, sugere estudo

delta vacinaFoto: JEFFERSON PEIXOTO / SECOM – SALVADOR

bori conteudo

Em regiões de prevalência da variante delta do novo coronavírus, o intervalo entre doses de vacina de Covid-19 precisa ser mais curto do que doze semanas para que se tenha um controle efetivo da pandemia. É o que sugere modelo matemático desenvolvido pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) a partir de dados preliminares da eficácia da vacina para a variante delta. A ferramenta está descrita em artigo publicado na PNAS na quinta (18).

A tecnologia, criada pelo grupo ModCovid-19 com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Universidade de São Paulo (USP) projeta tempo seguro e ideal entre doses para controle da pandemia, a partir de dados de eficácia de vacinas. Ele mostra que vacinas com menos de 50% de eficácia na primeira dose precisam de um intervalo menor de aplicação do que vacinas com taxas de eficácia maiores. Alimentada com estudos prévios sobre eficácia dos imunizantes, a tecnologia indica quando é possível adiar as doses e quando se atinge o máximo possível de proteção.

“O próprio algoritmo decide quando é melhor aplicar a segunda dose, levando em conta a primeira, de maneira a controlar o mais rápido possível a pandemia”, explica Paulo José da Silva e Silva, co-autor do estudo. Por isso, a ferramenta, que está disponível on-line, pode ajudar nas tomadas de decisão durante o processo de imunização da população brasileira e de outros países.

Paulo lembra que quando o artigo foi escrito, em fevereiro desse ano, a principal pergunta era se valeria a pena adiar a segunda dose e qual a maneira mais segura de se fazer isso, em virtude da quantidade limitada de doses. Nesse sentido, o estudo teve como base a fabricante Astrazeneca e concluiu que o percentual de eficácia entre a primeira dose e segunda era muito pequeno e por isso, comprovadamente, valeria a pena esperar e vacinar mais gente com 1ª dose.

Agora, com o avanço da variante delta em algumas regiões do Brasil e do mundo, as estratégias de vacinação podem ser revistas a partir deste modelo.  “Se você está em um lugar onde ela é a variante prevalente, a eficácia da primeira dose, pelas primeiras estimativas que estão saindo agora, é muito menor do que era com a alfa, então muda a relação da eficácia entre primeira e segunda dose. Essas análises confirmam que a decisão é delicada e que tem que ser feita de maneira sistemática”, observa Paulo.

fecho

Este texto foi originalmente publicado pela Agência Bori [Aqui!].

Crise climática pode transformar recifes brasileiros em “cidades-fantasma”

recifes

bori conteudo

A intensificação do aquecimento global pode trazer graves prejuízos à vida marinha, que já enfrenta um clima bem alterado desde o século passado. Análise de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) mostra que metade da vida marinha em recifes tropicais do Atlântico Sul não vai mais existir até o final do século, se o nível de emissão de gases estufa for mantido no patamar atual. As projeções estão publicadas na edição de quarta (18) da revista “Ecosystems”.

Durante sete anos, os pesquisadores do grupo liderado por Guilherme Longo, Leonardo Capitani e Ronaldo Angelini tentaram entender como o aumento de temperatura do planeta afeta diretamente animais marinhos, recifes e matéria orgânica. Segundo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), divulgado na segunda (9), chegaremos ao limite de  +1,5°C de aquecimento global em relação à era pré-industrial em 2030, dez anos antes do previsto, o que poderá trazer consequências também para a vida nos oceanos.

O sítio escolhido para o estudo foi o Atol das Rocas, primeira Reserva Biológica Marinha do país, localizada a 150 quilômetros de Fernando de Noronha. “Por ser uma área protegida, os recifes do Atol são um laboratório do que seria um ecossistema natural, com mínima interferência humana direta”, comenta Longo, co-autor do estudo que contou com o apoio e monitoramento do Programa Ecológico de Longa Duração das Ilhas Oceânicas e da equipe da reserva biológica do Atol das Rocas. Os pesquisadores conseguiram criar um modelo matemático de cadeia alimentar dos recifes tropicais do Atlântico Sul, algo inédito para as pesquisas da área.

O modelo consegue comparar a biomassa de diversos organismos a cada ano, incluindo peixes, algas, corais e outros invertebrados, levando em consideração a eficiência daquele recife em circular energia e matéria. A projeção indica que, se o crescente nível de emissão de gases estufa na atmosfera for mantido da maneira que está, a sobrevivência de muitos animais entrará em colapso já em 2050.

“O aquecimento dos oceanos vai levar uma diminuição drástica na diversidade marinha, isso porque a biomassa dos recifes vai transferir menos energia para o próximo animal da cadeia, as algas vão ter menos nutrientes e os peixes serão menos resistentes, diminuindo e fragilizando as espécies”, explica Leonardo Capitani. Longo complementa: “Os recifes correm o risco de se tornarem ‘cidades-fantasma’ no mar, totalmente sem vida”.

Para os pesquisadores, o estudo alerta para a crise climática, resultado da ação humana, e os impactos que ela terá sobre a atividade pesqueira e o turismo do litoral brasileiro, já que os recifes são reservas importantes de cardumes de peixes. Longo destaca a importância de projetos de monitoramento de longo prazo de ecossistemas marinhos e do fortalecimento de unidades de conservação para reduzir impactos humanos locais. “Com isso, podemos preparar os recifes para impactos globais”, finaliza.

fecho

Este texto foi originalmente produzido e publicado pela Agência Bori [Aqui!].

O US$ 2,6 trilhões gastos pelos EUA na guerra do Afeganistão e a hipocrisia do “Day After”

tallibãs

De volta ao poder, os Talibãs venceram uma guerra que custou US$ 2,6 trilhões aos EUA

Muitos analistas internacionais, incluindo aqueles operando em veículos da mídia corporativa brasileira, passaram os últimos dias soltando lágrimas de jacaré pelas mulheres e meninas afegãs que agora passarão a conviver com uma versão especialmente dura da lei islâmica, a sharia.  Essa postura é acima de tudo muito hipócrita, pois nada se fala das violências cometidas contra essas mesmas mulheres e crianças pelos soldados das forças de ocupação lideradas pelos EUA. É como se os últimos 20 anos no Afeganistão tenham sido um mar de rosas que agora é interrompido pela volta relâmpago dos talibãs, o qual foi permitido em grande parte pela retirada das forças estadunidenses.

crinaças e mulheres afegãs

Mulheres e meninas afegãs deverão sofrer grande repressão sob a versão da sharia adotada pelos Talibãs

Um detalhe que passa batido por muitos analistas é a disparidade dos recursos gastos pelos EUA na sua máquina de guerra com a economia do Afeganistão. Segundo valores estimados, a guerra no Afeganistão teria custado incríveis US$ 2,6 trilhões aos cofres estadunidenses. Para quem não se deu ao trabalho dever o PIB do Afeganistão em 2020, eu informo que o valor foi de US$ 19,94 bilhões. Ou seja, o Afeganistão levaria cerca de 131 anos para gerar o mesmo valor com a riqueza gerada em sua economia para chegar ao valor gasto em 20 anos pelos EUA na sua malograda guerra contra o Talibãs. Ainda dentro desse raciocíonio, o valor gasto pelos EUA anualmente, que foi de US$ 130 bilhões, foi o equivalente a 6,5 o PIB  anual do Afeganistão.

taliba gym

Guerrilheiro talibã em sala de ginástica abandonada pelas tropas dos EUA

Imaginemos agora que todo o dinheiro gasto em matar e destruir a infraestrutura do Afeganistão tivesse sido investido em efetivamente reconstruir a infraestrutura que já havia sido duramente atacada na guerra contra as tropas sovietáticas que, como as forças internacionais, tinham invadido um pequeno país montanhoso e que era e continua sendo habitado por uma população de camponeses e pastores.  É muito provável que isso tivesse fortalecido as noções de vida moderna que os talibãs são tidos como a antítese. 

A verdade crua e nua é que os EUA apoiaram os Talibãs (para não dizer que criaram) e armaram o grupo na guerra contra a extinta URSS. Agora, após gastar  2,6 trilhões de dólares em uma guerra inútil, se retiram de forma desastrada e entregam o poder praticamente sem luta para os mesmos Talibãs.  Assim, não venham me dizer que o maior problema do povo afegão são os Talibãs, pois me parece evidente que eles são apenas a expressão de uma opção das forças dominantes da economia global pela produção de riqueza via gastos gigantescos na manutenção de sua indústria de guerra.  E no meio disso que se explodam as mulheres e crianças do Afeganistão, como já se explodiram as mulheres e crianças do Vietnã.

Movimento SOS Rio Macaé lança manifesto político em defesa do meio ambiente

Manifesto ao Prefeito, aos Vereadores, e aos Conselheiros Municipais de Rio das Ostras, dos ativistas do Movimento Ambiental SOS Rio Macaé, que atuam na Região Norte Fluminense e Região dos Lagos.

RIO MACAÉ

Com muita esperança, conclamamos por meio deste Manifesto, a atuação responsável de todas as autoridades gestoras do município, sobre a necessidade de ações urgentes pela proteção das Bacias Hidrográficas dos Rios Macaé  e das Ostras, das praias, dos arquipélagos, dos fragmentos e mosaicos de Mata Atlântica, e das populações que vivem nestes ambientes e deles dependem economicamente, como agricultores, ribeirinhos, pescadores e comerciantes do tradicional turismo regional.

Neste Manifesto representamos os cidadãos dos municípios de Rio das Ostras, Macaé, Nova Friburgo, Cachoeiras de Macacu, Carapebus, Conceição de Macabu, Casimiro de Abreu, Arraial do Cabo, Búzios e Cabo Frio, que buscam trazer luz a questões consideradas gravíssimas e que necessitam de amplo, honesto e corajoso debate junto a sociedade, pois são fatos tragicamente desconhecidos da grande maioria dos gestores públicos, responsáveis pela boa condução das decisões sociais e econômicas dos seus municípios.

Perante as ameaças de mais projetos da cadeia do petróleo e gás, na nossa região – que já apresenta alto grau de saturação de impactos sociais, ambientais e econômicos negativos – devido a décadas de “acúmulos” de decisões de pouca visão e falta planejamento, acumulamos “passivos” quase impagáveis que tem se agravado, dramaticamente:

Falta de saneamento, praias poluídas, crise crônica de falta de abastecimento de água, precariedade no uso do solo urbano e rural, favelização e violência explosivas, logística e mobilidade precárias, políticas e equipamentos de saúde deficientes, educação básica caótica, provocam prejuízos aos arranjos produtivos locais, em especial as tradicionais atividades de turismo, pescados, comércio e agricultura.

Estes são exemplos do caos socioeconômico que a região vivencia, e que poderão ser agravados se não forem tomadas decisões responsáveis e compromissadas com a reversão dos danos, como preconiza a proposta “sustentável”, de modelos econômicos, possível de corrigir os rumos desta verdadeira “tragédia anunciada”.

São altamente preocupantes para a absoluta maioria dos técnicos e pesquisadores especializados, as propostas de mais projetos na cadeia de petróleo e gás na nossa região, em face ao momento de decréscimo na produção na Bacia de Campos, que já iniciou o “descomissionamento” das plataformas de extração de hidrocarbonetos.

Devido a este momento de retração na produção, são considerados nefastos, obsoletos e desnecessários os investimentos em projetos de geração de energia a partir da cadeia fóssil, altamente poluente, sendo uma matriz energética já superada, devido às melhores alternativas de geração, mais sustentáveis.

O projeto de “mais outro porto” no mar de Macaé, coloca em alto risco todas as praias dos municípios vizinhos, que tem sua economia voltada para a produção de pescados e turismo; também as propostas de mais termelétricas no município de Macaé vai provocar um aumento exponencial de gases efeito estufa, alterando o clima e a qualidade do ar da região, e também “exige” consumir “muita” água do Rio Macaé, recurso que já falta para a população dos municípios de Macaé e Rio das Ostras, abastecidos pelo manancial, que já se encontra altamente degradado.

O órgão responsável pela gestão dos Rios Macaé e Ostras, o “Comitê de Bacia Hidrográfica”, já declarou que a bacia do Rio se encontra em colapso e não possui reservas hídricas capazes de atender o aumento de consumo de água que esses projetos pretendem demandar.

Somando-se a estes projetos, há também a proposta de criar “mais uma outra unidade de processamento de gás”, que vai demandar o corte de muitos quilômetros de dutos sobre a planície da baixada norte-fluminense, repleta de córregos, lagoas e brejos, para transportar fluídos altamente venenosos: gás e “águas de produção”, substâncias  poluentes, que historicamente vazam, por repetitivas falhas de manutenção, causando acidentes muito trágicos – pois são poluentes “acumulativos” nos seres vivos, e “persistentes” nos ambientes – água e solo, e sempre deixam um rastro irreparável de devastação.

Agravando todo esse cenário preocupante, a implantação de termelétricas vai obrigar a remoção de centenas de quilômetros de mata atlântica para a passagem de seus “linhões de transmissão de alta tensão”, que provocarão a desconexão definitiva dos fragmentos da floresta, cultivados com grande esforço há décadas, por diversos municípios e instituições, que assumiram o compromisso de reestabelecer os Corredores Ecológicos para espécies de fauna e flora  ameaçadas, que são essenciais para a manutenção do equilíbrio biológico de todos seres.

Os estudos técnicos evidenciam mais um outro grande contrassenso: a baixíssima geração de vagas de emprego, sendo a maior parcela de vagas temporárias, o que causa um grande alvoroço de especulações enganosas, agravando a explosiva migração de pessoas em busca de trabalho que não existe, e provocando mais miséria, violência e sobrecarga dos equipamentos públicos dos municípios, que se tornam incapazes de absorver tamanha explosão demográfica e seus efeitos danosos, que se estabelecem de forma crônica, agravando o passivo contábil das prefeituras, que é invisível nos falaciosos estudos apresentados pelos empreiteiros, cegos para a responsabilidade e a ética.

Diante destas ameaças devastadoras e já fora do tempo, solicitamos aos gestores – que são grandes responsáveis pelo destino de suas populações e seus territórios – que exijam a realização de Audiências Públicas, para que seja possível evidenciar a verdadeira realidade desse pacote de projetos, considerado um enorme retrocesso para toda nossa região, que é abundante em potencial de energias limpas, renováveis e benéficas, como solar, eólica e marinha.

É importante repetir que estamos diante de um cenário de Emergência Climática, e que a retração da produção de óleo e gás é uma realidade econômica irreversível.

Portanto, certos de termos sensibilizado a todos com este Manifesto, nos colocamos dispostos a contribuir no debate pelos rumos corretos das decisões políticas compromissadas com sustentabilidade das nossas vidas, e das vidas de nossos filhos e netos.

Sustentabilidade já!

Movimento SOS Rio Macaé

“Pacote do Veneno” pode ser votado esta semana; mobilizações virtuais contrárias estão marcadas no Brasil todo

Foto_Leandro Molina

O chamado “Pacote do Veneno” (Projeto de Lei 6299/02) pode voltar a tramitar nesta semana no plenário da Câmara dos Deputados. O PL pretende flexibilizar ainda mais o uso de agrotóxicos no país. O avanço desta pauta se soma ao cenário preocupante em que mais de 2 mil agrotóxicos já foram liberados nos últimos quatro anos, um recorde negativo para a saúde humana e o meio ambiente.

De acordo com o deputado federal Elvino Bohn Gass (RS), líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, o projeto está pronto e pode ser votado a qualquer momento. “O apetite ruralista por pesticidas é insaciável. Não bastasse a postura frouxa de Bolsonaro, que já liberou centenas de produtos danosos à saúde e ao meio ambiente, a bancada ruralista está empenhada em aprovar o que eles chamam de “marco legal dos agrotóxicos” mas que, na verdade, é o PL do Veneno. Porque a intenção é legalizar, de vez, ritos flexíveis para novos agrotóxicos. É nessa boiada que eles pretendem fazer passar produtos que a lei atual proíbe porque há unanimidade científica em torno dos riscos que representam”, afirma.

Em contraposição ao PL 6299, parlamentares e dezenas de entidades integrantes da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida propõem a aprovação do PL 6.670/2016, que cria a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA). “Queremos tornar o Brasil um dos maiores produtores de alimentos saudáveis no planeta. Não podemos permitir que, também no campo, o negacionismo deste governo cause doenças e mortes”, completa Elvino Bohn Gass.

Mobilização da sociedade

Como parte das reações contra o Pacote do Veneno, na última semana 38 organizações e movimentos que compõem a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida enviaram uma Carta ao presidente da Câmara Federal, Arthur Lira, e aos líderes de bancadas e blocos no Congresso Federal, com argumentos contra o Pacote do Veneno e a favor da PNARA.
A Campanha também propõe que entidades, movimentos e bancadas também protocolem esse documento nos endereços de e-mail dos deputados e deputadas.
Para ampliar a mobilização, entidades e movimentos sociais farão seminários regionais virtuais, a partir desta semana. As ações estão previstas para ocorrer sempre às 18h e transmitidas pelas redes da Campanha, com o seguinte calendário:  
18/08 – Sul
25/08 – Centro-oeste
01/09 – Nordeste
08/09 – Norte
15/09 – Sudeste

“Nossa expectativa é de que as iniciativas regionais se enraízem nos estados, e incentivem o conhecimento e a defesa de políticas públicas de promoção à agroecologia e produção orgânica. A sociedade é contra esta enxurrada de veneno na produção de alimento”, garante Mirele Gonçalves, integrante da Campanha.  

Outra forma de participar da mobilização é por meio do abaixo-assinado pela aprovação da PNARA. Mais de 1,7 milhões de pessoas já aderiram ao manifesto.
Como subsídio para entender o Pacote do Veneno e também o seu contraponto, a PNARA, entidades produziram o Dossiê Contra o Pacote do Veneno e em Defesa da Vida, lançado no início de julho. O material também contribui como ferramenta de estudo e divulgação dos riscos em torno do PL 6299.

As iniciativas dão continuidade à “Mobilização Nacional Contra os Agrotóxicos e Pela Vida”, realizada entre 15 de junho e 5 de julho, por frentes parlamentares e movimentos sociais. A série de encontros aconteceu de forma virtual semanalmente, com contribuições científicas e das famílias agricultoras e organizações sociais que constroem a agroecologia nos territórios, para ampliar o diálogo com a população brasileira sobre os impactos dos agrotóxicos para a saúde humana e do ambiente.

O que propõem o Pacote do Veneno
Confira as principais mudanças, caso o PL fosse aprovado:
– “Agrotóxico” passará a se chamar “pesticida”, na tentativa de mascarar e encobrir a nocividade amplamente conhecida destas substâncias;
– A avaliação de novos agrotóxicos deixará de considerar os impactos à saúde e ao meio ambiente, e ficará sujeita apenas ao Ministério da Agricultura e aos interesses econômicos do agronegócio;
– Será admitida a possibilidade de registro de substâncias comprovadamente cancerígenas! E serão estabelecidos níveis aceitáveis para isto, embora não existam níveis seguros para substâncias que se demonstrem cancerígenas;
– A regulação específica sobre propaganda de agrotóxicos irá acabar;
– Será permitida a venda de alguns agrotóxicos sem receituário agronômico e de forma preventiva, favorecendo ainda mais o uso indiscriminado;
– Estados e municípios enfrentarão dificuldades para ter medidas mais restritivas, embora estas esferas tenham o dever proteger seu patrimônio natural.

O que propõem o PNARA

– Visa uma redução gradual do uso de agrotóxicos e estimula a transição orgânica e agroecológica;
– Propõe reavaliação periódica de registro das substâncias mais ágil e a cada 3 anos (hoje o registro é eterno e um processo de reavaliação leva anos, nos deixando expostos a agrotóxicos altamente tóxicos e que deveriam ser retirados de circulação); 
– Proíbe qualquer forma de aplicação próximo a áreas de proteção ambiental, de recursos hídricos, de produção orgânica e agroecológica, de moradia e de escolas. O que deveria já estar em prática;
– Redução contínua e gradual da aplicação de veneno por aeronaves.

Cláudio Castro age rápido para tentar se livrar de escândalo que eclodiu na Secretaria de Administração Penitenciária

claudio castro 2

O dublê de cantor e governador (por acaso) do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), agiu de forma rápida e exonerou os policiais Wellington Nunes da Silva e Sandra Faria Gimenes dos cargos que ocupavam na Secretaria de Administração Penitenciária (ver imagem abaixo) após os dois serem pegos, junto com a agora também ex-secretário Raphael Montenegro, em relações para lá peculiares com líderes do Comando Vermelho.

exonerações

Essa velocidade toda não deverá impedir que Cláudio Castro tenha que fazer algo que ele tem feito pouco desde que assumiu de surpresa o governo do Rio de Janeiro, após o impeachment relâmpago do ex-juiz Wilson Witzel, qual seja, dar explicações e não cantorias.

Antonio Carlos Jobim dizia que o Brasil não era para principiantes. Imagine-se o que Jobim diria se ainda estivesse vivendo e frequentando a orla de Ipanema. É que se o Brasil não é para principiantes, o Rio de Janeiro é para quem?

Mas há que se dizer que dificilmente Cláudio Castro vai sair tranquilo para dar tais explicações, e muito menos irá de bike….

Greenpeace premia Arthur Lira com a Motosserra de Ouro 2021

O objetivo do protesto pacífico foi chamar a atenção para os desmontes ambientais promovidos no Congresso Nacional, sob o comando do presidente da Câmara

unnamed (34)

Entrega do Prêmio Motosserra de Ouro Edição 2021 ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL)

Brasília, 17 de agosto de 2021 – Na manhã desta terça-feira, o Greenpeace Brasil realizou um protesto pacífico no Anexo II do Congresso Nacional. Ativistas encenaram a entrega do Prêmio Motosserra de Ouro Edição 2021 ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Na ação, participantes vestidos de gala desfilaram por um tapete vermelho e acompanharam a entrega do prêmio a um homem caracterizado de Arthur Lira, exibindo seu crachá de “funcionário do mês do (des)governo Bolsonaro” e segurando um molho de chaves.

“O presidente da Câmara vem seguindo à risca seu compromisso com o projeto de destruição ambiental de Bolsonaro, prova disso é que, em seis meses de mandato, Lira conseguiu aprovar o pior texto do PL do Licenciamento Ambiental e, recentemente, o PL da Grilagem. São projetos como estes que impulsionam o desmatamento, o fogo e a violência contra povos indígenas e do campo, além de agravar a emergência climática. Por tudo isso, Lira tem se mostrado o grande merecedor do prêmio Motosserra de Ouro Edição 2021 e é hora de entregarmos esse troféu a ele”, declarou Thais Bannwart, porta-voz de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil.

Imagens da premiação disponíveis para download aqui

Devido à pandemia, o Congresso Nacional está fechado para circulação de pessoas e as votações estão acontecendo em sistema remoto, sem participação da sociedade. Enquanto o povo brasileiro está preocupado com vacina e comida, e atento aos crescentes escândalos de corrupção envolvendo o governo federal, Lira tem aproveitado o momento para passar a boiada na Câmara dos Deputados. Neste segundo semestre, ainda deve trazer para o plenário o PL do Veneno (6.299/2002) e projetos de lei contra povos indígenas (por exemplo, o PL 490/2007 e o PL 191/2020).

“As chaves que o Lira de mentira carregava na encenação de hoje simbolizam a casa do povo fechada a sete chaves pelo próprio Arthur Lira, que se aproveita desse período de distanciamento social e age de maneira antidemocrática, pautando e aprovando projetos sem a devida participação da sociedade e transparência nas votações”, comenta Thais.

Há uma semana, a ONU divulgou o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que alerta sobre a emergência climática que estamos vivendo e revela que a influência humana é responsável por alta de 1,07°C na temperatura global. O Brasil tem um papel fundamental no enfrentamento da crise do clima e o desmatamento da Amazônia, que segue batendo recordes mês a mês, é a principal fonte de emissões de gases do efeito estufa no país. Por isso é primordial alcançarmos o desmatamento zero com leis para conter a ação humana na destruição ambiental.

“Estamos diante de uma crise climática que se agrava com os recordes de queimadas e desmatamento, mas em vez de prevenir e combater o crime ambiental, Lira e seus aliados no Congresso optam pelo enfraquecimento das políticas de proteção ambiental, das atividades de fiscalização e atuam para legalizar o ilegal”, completa Thais.

Veja o que disseram os parceiros

As organizações da sociedade civil, como Observatório do Clima, Instituto Socioambiental (ISA), Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) e Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) também participaram da ação, fazendo coro à denúncia do papel extremamente danoso que Arthur Lira vem desempenhando como presidente da Câmara, ao passar as boiadas da política antiambiental do governo Bolsonaro.

Na opinião de Adriana Ramos, associada do Instituto Socioambiental (ISA), a atuação de Lira frente aos retrocessos que vem sofrendo o meio ambiente e o clima é coerente com a premiação dada pelo Greenpeace. “A atuação do presidente da Câmara ao viabilizar a aprovação de legislações importantes sem o devido debate, sabendo dos impactos negativos que essas legislações terão ao meio ambiente e ao clima no Brasil, qualifica ele para receber o prêmio”.

“Em apenas seis meses à frente da Presidência da Câmara, o deputado Arthur Lira já se igualou ao antiministro Salles nos danos à política ambiental. Viabilizou a votação de duas leis com conteúdo muito ruim, um texto sobre licenças ambientais que na prática implode com o licenciamento no país e a Lei da Grilagem. Toda semana anuncia pautas com retrocessos ambientais. Além disso, leva os processos diretamente ao plenário, com relatórios que aparecem de última hora, praticamente ninguém consegue ler antes de votar. Um verdadeiro desastre”, afirma Suely Araújo, especialista sênior em Políticas Públicas do Observatório do Clima.

Segundo André Lima, consultor sênior de Política e Direito do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), quando se analisa os retrocessos permitidos pelo Presidente da Câmara com os do ex-ministro do Ministério do Meio Ambiente, Ricardo Salles, os prejuízos podem ser bem maiores. “Arthur Lira conseguiu em seis meses, fazer um estrago na política e na legislação ambiental brasileira, maior até do que o próprio Salles em dois anos e meia de gestão no executivo. Sobretudo por pautar projetos de lei, absolutamente contrários à política ambiental e climática brasileira, como o PL 3729 e PL 266. Por essa razão ele merece o prêmio Motosserra de Ouro. E isso também é uma sinalização ao Rodrigo Pacheco, que se ele não segurar a boiada no Senado, também passa a ser merecedor deste prêmio”, declarou.

Para Guilherme Eidt, assessor em Políticas Públicas do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Lira faz jus e merece ser lembrado com essa premiação do Greenpeace. “A estrutura de governança ambiental do país está sendo desmontada, e a participação social nos espaços de construção de políticas públicas é negada. O governo federal já demonstrou desinteresse em defender o meio ambiente, os povos indígenas e as comunidades tradicionais. E, o atual presidente da Câmara dos Deputados está a serviço daqueles que lucram com o desmatamento e a extração ilegal de madeira, que flertam com a mineração em Terras Indígenas e áreas protegidas, promovem a grilagem de terras públicas e negam as mudanças climáticas. Lira parece não ter compromisso com o futuro do Brasil, está em compasso com o presidente da República, e juntos são responsáveis pelos piores retrocessos nas políticas socioambientais do país. Faz jus e merece ser lembrado com essa premiação do Greenpeace”.