Em ritmo de campanha, governador do Rio de Janeiro lota Centro de Convenções da Uenf e faz dueto com Rosinha Garotinho

dueto cc rg

Em ritmo de pré- campanha eleitoral, governador Claúdio Castro (PSC) faz dueto com a ex-prefeita e ex-governadora Rosinha Garotinho no Centro de Convenções da Uenf e entoa o “hit gospel” do Padre Marcelo Rossi, o “Noites Traiçoeiras”

Não sei quantos leitores deste blog ainda se recordam da linha dura adotada nas eleições de 2018 pela Justiça Eleitoral contra as instituições universitárias em Campos dos Goytacazes, que incluiu até a realização de rumorosas “batidas” pelos fiscais eleitorais.  

Pois bem, passados menos de três anos daquele conjunto de ações repressivas, ontem o governador “por acaso” do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), usou as dependências do Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) para a realização de um auto-denominado “Fórum de Prefeitos” que teve todos os ares de uma campanha eleitoral antecipada, segundo testemunhas do evento que teve “casa cheia”, e com muitos dos presentes sem portar as ainda requeridas máscaras cirúrgicas (ver imagens abaixo).

A coisa andou tão animada que o governador “por acaso”, que também é dublê de cantor, aproveitou para fazer um dueto com a ex-prefeita e ex-governadora Rosinha Garotinho para entoar o “hit gospel” do Padre Marcelo Rossi, “Noites Traiçoeiras”, que mereceu aplausos entusiasmados até do reitor da Uenf, Professor Raul Palacio (ver vídeo abaixo).

Fonte: Juliana Rocha

Mas o que o teria marcado o caráter de pré-campanha eleitoral de um evento realizado em um espaço público como o é o Centro de Convenções da Uenf foi a manifestação sistemática dos prefeitos presentes em apoio à reeleição de Cláudio Castro em 2022.

Diante do que ocorreu ontem na Uenf, eu diria que os potenciais candidatos a governador nas eleições de 2022 deveria colocar suas barbas de molho, pois, ao que parece, a disposição e a energia de Cláudio Castro para continuar governando o Rio de Janeiro estão altas.

Já quanto à justiça eleitoral, diante da abundante quantidade de imagens e vídeos circulando nas redes sociais no dia de hoje, o que se espera é algum tipo de ação que coiba a repetição de simulacros de “fóruns” que servem apenas para promover a candidatura de um governador em exercício. 

Bayer confirma fim da venda de herbicidas à base de glifosato para o mercado de gramados e jardins dos EUA

A Bayer anunciou que não venderá mais herbicidas à base de glifosato para jardineiros dos EUA a partir de 2023, após a custosa batalha judicial sobre o câncer que causa o herbicida Roundup

round up

A Bayer Monsanto afirmou na quinta-feira que “a empresa e seus parceiros substituirão seus produtos à base de glifosato no mercado residencial de Lawn & Garden dos EUA por novas formulações que dependem de ingredientes ativos alternativos a partir de 2023, sujeito a uma revisão oportuna pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) e contrapartes estaduais”

“Como a grande maioria das reivindicações no litígio vem de usuários do mercado de gramados e jardins, essa ação elimina amplamente a fonte primária de reivindicações futuras além de um período de latência assumido. Não haverá alteração na disponibilidade das formulações de glifosato da empresa nos mercados profissional e agrícola dos Estados Unidos ”, continuou a Bayer.

O Diretor de Projeto de Pulse e Detox Sustentável, Henry Rowlands, comentou sobre o anúncio da Bayer; “É uma grande vitória em uma pequena batalha pela remoção do glifosato do mercado de gramados e jardins, no entanto, isso é apenas parte de uma guerra muito maior. Devemos todos lembrar que isso não impedirá que o glifosato seja pulverizado em parques, escolas e em nossas plantações de alimentos em quantidades cada vez maiores nos Estados Unidos e no mundo. É hora de eliminar este produto químico globalmente e substituí-lo por alternativas seguras. ”

No anúncio da empresa na quinta-feira, a Bayer também revelou uma provisão extra de US $ 4,5 bilhões em adição ao seu acordo anterior de US$ 10,9 bilhões para quem sofre de linfoma não-Hodgkin, que é causado pelo uso de seu herbicida Roundup; “A Bayer também está preparada … para gerenciar reivindicações antecipadas, por meio de acordos e litígios, para, em última instância, encerrar este litígio. Para este segundo cenário, a empresa apresenta uma provisão adicional de um montante bruto de 4,5 bilhões de dólares americanos (3,8 bilhões de euros), ou seja, antes de impostos e com desconto no segundo trimestre de 2021, refletindo a exposição potencial da empresa a longo prazo. ”

“Além disso, a empresa se envolverá em discussões com a EPA sobre os rótulos Roundup ™ com o objetivo de fornecer mais informações aos usuários sobre a ciência como um elemento adicional para garantir decisões de compra e aplicação ainda mais informadas”, concluiu Bayer.

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Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo Sustainable Pulse [Aqui!].

Enquanto 35 municípios fecham escolas por piora na pandemia, governador Cláudio Castro aglomera em Campos dos Goytacazes

claudio castro 1(In) devidamente sem máscara, o governador Cláudio Castro (PSC) faz pose de congraçamento com o prefeito Wladimir Garotinho em reunião política realizada na sede da Cãmara de Dirigentes Lojistas (CDL) em Campos dos Goytacazes. Fonte: página do prefeito Wladimir Garotinho no Facebook

O Brasil e o Rio de Janeiro não são mesmo para principiantes. É que hoje o jornal “O Globo” informou que, por causa da piora nos níveis de contaminação do coronavírus, 35 municípios fluminenses , a começar pela capital, o governo estadual suspendeu aulas presenciais para evitar a piora da situação.

Quem lê uma notícia dessas  imagina que diante dessa situação, o governador “por acaso” Cláudio Castro (PSC) estaria no Palácio Guanabara realizando uma reunião de seu gabinete de crise para examinar de perto a situação, visto a chegada com força no território fluminense da temível variante Delta. 

Mas imaginou isso, se enganou. E que neste 06 de agosto, Cláudio Castro estava em uma espécie de “grand tour”  na cidade de Campos dos Goytacazes, onde promoveu aglomerações e ainda teve tempo para animadas selfies com os participantes dos diferentes eventos em que esteve (ver imagem abaixo).

claudio castro posandoAo lado do prefeito Wladimir Garotinho  (PSD), o governador do Rio de Janeiro posa para animada selfie em uma das muitas aglomerações em que causou em seu “grand tour” na região Norte Fluminense. Fonte: página do prefeito Wladimir Garotinho no Facebook

O problema é que se olharmos a lista de 35 municípios com aulas presenciais suspensas por causa da piora da pandemia da COVID-19, vamos identificar vários municípios do Norte Fluminense. Este fato reforça a incoerência que é ter um governador causando aglomerações em inaugurações e encontros políticos. 

E que ninguém se surpreenda se o Rio de Janeiro voltar a se colocar em uma situação crítica por causa da capacidade alta de contágio que a variante Delta possui. É que aqueles que deveriam mostrar o devido cuidado com a catástrofe sanitária em que nos encontramos, como cobrar posturas responsáveis do cidadão comum?

DETER confirma: desmatamento na Amazônia segue fora de controle

Governo e Congresso seguem estimulando a destruição da nossa maior aliada na contenção da crise climática, a poucos dias da divulgação de novas conclusões da ciência para o clima

Fire Monitoring in the Amazon in July, 2021Monitoramento de Queimadas na Amazônia em Julho de 2021

Área queimada em polígono com desmatamento recente, identificado pelo Deter 2021 e Prodes 2019, em Aripuanã, Mato Grosso. Todos os anos o Greenpeace Brasil realiza uma série de sobrevoos de monitoramento, para acompanhar o avanço do desmatamento e das queimadas na Amazônia. 

Monitoramento de Queimadas na Amazônia em Julho de 2021

São Paulo, 06 de agosto, de 2021 – Dados do sistema DETER, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados hoje, confirmam a tendência dos meses anteriores: os alertas de desmatamento na Amazônia permanecem em patamares inaceitáveis. Os dados (área com alertas) até o dia 30 de julho, faltando um dia para que encerre o intervalo oficial (agosto-julho) da taxa anual de desmatamento aferida pelo Sistema Prodes (Inpe), apontou para uma área desmatada de 8.712 Km2, o segundo maior acumulado da série histórica do Deter-B.

Já era esperado que o governo não cumpriria a promessa de reduzir o desmatamento em 10%, já que a principal estratégia adotada, a GLO, é comprovadamente ineficiente. Além disso, os órgãos ambientais seguem enfraquecidos, enquanto o Congresso atua como aliado do governo no desmonte ambiental, discutindo e aprovando mudanças danosas na legislação, como o PL 2633/2020, aprovado esta semana na câmara dos deputados.”Se o senado aprovar o PL da Grilagem, estará estimulando o desmatamento de áreas extremamente estratégicas para enfrentar a crise do clima e contribuirá ativamente para o colapso da Amazônia, seguindo na direção oposta dos esforços necessários globalmente para a redução de emissões de gases do efeito estufa”, comenta Cristiane Mazzetti, Gestora Ambiental do Greenpeace Brasil.

O acumulado em alertas de desmatamento (agosto 2020 – julho 2021) representa uma redução de apenas 5,47% em relação ao mesmo período anterior e aponta que a taxa oficial de 2021 será muito aquém da redução de 10%, prometida pelo vice-presidente no âmbito nacional e internacional. O cenário da Amazônia é crítico, foram 1.417 km² desmatados apenas no mês de julho, com destaque para o estado do Amazonas, que ocupa a segunda posição, com alertas de desmatamento em 402 km², atrás apenas do estado do Pará, que registrou alertas em 498 km².

Em sobrevoo realizado na última semana de julho, o Greenpeace flagrou diversas áreas com grandes desmatamentos (incluindo um desmatamento de 2.716 hectares, equivalente a 3.888 campos de futebol) que devem queimar nas próximas semanas, quando a vegetação remanescente fica mais seca e suscetível ao fogo.

Veja imagens inéditas do sobrevoo aqui

“Estamos à beira da publicação do relatório do IPCC, que deve reforçar o papel das ações humanas na crise climática e a contribuição das emissões de carbono no agravamento de extremos climáticos. A acelerada destruição da Amazônia é um fator que contribui na intensificação de eventos como os vivenciados recentemente no Brasil, que vão desde inundações recordes no norte do país à crise hídrica nas demais regiões, trazendo impactos negativos para a sociedade brasileira como o aumento da conta de energia, do preço dos alimentos, além da ameaça de um racionamento de água e energia”, avalia Cristiane.

Publicidade política: a disputa entre o Facebook e os cientistas aumenta

Quem anuncia onde e para quem no Facebook ainda não é totalmente transparente. Alguns cientistas tentaram mudar isso. Agora o Facebook os jogou para fora de sua plataforma

facebookO Facebook está sendo criticado porque ainda não torna seu negócio de publicidade transparente o suficiente. Daniel Reinhardt / DPA

Por Marie-Astrid Langer, San Francisco, para o Neue Zürcher Zeitung

A maior rede social do mundo, o Facebook, tem sofrido fortes críticas depois de expulsar um grupo de cientistas de sua plataforma. Eles haviam examinado o negócio de publicidade da plataforma.

As contas dos cientistas da New York University (NYU) foram suspensas na terça-feira. Eles tornaram público no mesmo dia em que investigavam como informações falsas eram disseminadas por meio de anúncios no Facebook. Eles estavam de olho na invasão do Capitólio em 6 de janeiro.

Acesso a dados graças à extensão do navegador

“O trabalho de nossas equipes é essencial para uma Internet saudável e uma democracia saudável”, disse Laura Edelson, uma das cientistas envolvidas. Ela está trabalhando no chamado Projeto Observatório de Anúncios na universidade em questão. Isso pede às pessoas com uma conta do Facebook para instalar uma extensão do navegador e, assim, dar aos cientistas uma visão sobre os anúncios individuais que são apresentados a eles na plataforma. De acordo com relatos da mídia, mais de 6.500 usuários disponibilizaram seus dados aos cientistas dessa forma.

Graças à interface do Ad Observatory Project, os pesquisadores poderiam ter “descoberto fraquezas sistêmicas no arquivo de anúncios do Facebook, rastreado informações falsas em publicidade política, e investigado a disseminação óbvia de informações falsas de partidos políticos no Facebook”, disse Edelson .

Os anúncios do Facebook são altamente personalizados

Como é bem sabido, os anúncios do Facebook são altamente personalizados para o usuário individual. Por causa disso, dificilmente é possível para os observadores determinar quais anúncios são exibidos para determinados grupos demográficos. Na campanha para as eleições presidenciais de 2016, por exemplo, isso fez com que certos atores – inclusive estrangeiros – colocassem anúncios com o objetivo de tornar a candidata Hillary Clinton impopular entre os eleitores afro-americanos.

Na tentativa de tornar seu negócio de publicidade mais transparente, o Facebook criou sua própria biblioteca de anúncios políticos, entre outras coisas. Lá você pode encontrar informações sobre quem pagou por um anúncio, bem como quando e em qual região ele foi exibido. No entanto, não há informações sobre por que o anúncio foi apresentado a usuários individuais usando a chamada microssegmentação. Os cientistas, portanto, criticaram que o arquivo é incompleto e difícil de usar.

O Facebook defendeu sua última decisão em um blog. A rede acusa os cientistas de terem retirado dados durante meses, através do acesso concedido para o qual não foram autorizados, incluindo dados pessoais de usuários. A “extração de dados” deve ser levada a sério e as ações devem ser tomadas para proteger a privacidade, anunciou o Facebook.

Após um aviso inicial no verão passado, o Facebook escreveu para Edelson e outros cientistas em outubro para mudar suas práticas. Eles não fizeram isso, e é por isso que o Facebook já tomou medidas. “A pesquisa não pode ser motivo para desconsiderar a privacidade das pessoas.”

Os pesquisadores da NYU, por sua vez, reclamaram que, sem acesso ao arquivo de publicidade do Facebook, não apenas eles não seriam mais capazes de continuar seu próprio trabalho, mas que projetos de outros pesquisadores e jornalistas que usaram o Ad Observatory Project também terminaram abruptamente – incluindo um projeto que investiga desinformação sobre vacinas.

Críticas de congressistas

A disputa agora também faz os parlamentares aguçarem os ouvidos. “Essas ações recentes do Facebook para acabar com os esforços de transparência de um grupo externo são muito preocupantes”, disse o senador democrata Mark Warner.

As críticas também vieram da colega da Warner no Senado, Amy Klobuchar, uma das autoras de projetos de lei no Congresso que querem que o Facebook seja responsável por futuras práticas de negócios. A decisão do Facebook os preocupa: “É crucial que as redes sociais protejam os dados do usuário e aumentem a transparência.”

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Este texto foi escrito inicialmente em alemão e publicado pelo jornal “Neue Zürcher Zeitung” [Aqui!].

Desmatamento na Amazônia cai, mas patamar continua elevado

Apesar de queda na taxa, triênio fecha com aumento de 70% da área derrubada, em comparação com triênio anterior; Cerrado apresenta tendência de alta

deforestation

Brasília, 6 de agosto de 2021 – O mês de julho apresentou uma redução de 15% do desmatamento na Amazônia em comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados do sistema Deter divulgados hoje pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais): até dia 30, foram 1.417 km2 derrubados em 2021, versus 1.659 km2 em 2020.

Com isso, o acumulado entre agosto de 2020 e julho de 2021, referência do governo brasileiro para cálculo do desmate, apresentou uma redução de 5% em relação ao período anterior, conforme o vice-presidente Hamilton Mourão havia adiantado nesta semana. A tendência deve ser confirmada até dezembro, com a divulgação do número oficial do desmatamento anual pelo sistema Prodes, também do INPE. É a primeira queda em três anos – e deve ser comemorada e mantida.

Porém, é preciso alertar que atingimos um novo patamar de desmatamento. Ao comparar o acumulado do Deter dos últimos três anos (2019, 2020 e 2021) com o acumulado dos três anos anteriores (2016, 2017 e 2018), houve um aumento de 70%.

“Apesar da redução entre um ano e outro de 5%, seguimos em níveis altíssimos de desmatamento na Amazônia”, afirma o diretor-executivo do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), André Guimarães. “Estamos em um momento crucial para o equilíbrio climático do planeta, e manter as florestas é a principal contribuição que o Brasil pode dar neste momento a esse desafio global.”

Outra questão é o aumento observado do desmatamento nas florestas públicas não destinadas, categoria fundiária sob a responsabilidade da União e dos Estados. No primeiro semestre de 2021, 32% da derrubada registrada pelo Deter aconteceu nessas áreas, enquanto 25% foi registrada em imóveis rurais e 19%, em assentamentos. “É um indício claro do avanço da grilagem e da ilegalidade”, explica o pesquisador sênior do IPAM, Paulo Moutinho. “As florestas públicas precisam receber ações enérgicas por parte do governo, para coibir o avanço sobre áreas que por lei deveriam ser protegidas. Se não, a redução não vai se manter.”

Cerrado

Já no Cerrado, a tendência é contrária. Em julho, o desmatamento nesse bioma subiu 84% de um ano para outro: foi de 360 km2 em 2020 para 661 km2 em 2021. Entre agosto de 2020 e julho de 2021, ano-referência do INPE, a taxa foi de 5.102 km2 acumulados, 23% a mais do que o período anterior, quando o Deter viu um acumulado de 4.137 km2.

Os números do INPE confirmam a tendência de aumento já observada pelo MapBiomas, iniciativa multi-institucional da qual o IPAM faz parte. Em 2020, o desmatamento no Cerrado subiu 9%, segundo relatório divulgado neste ano, com indícios de ilegalidade em 99% dos casos. A elevação foi puxada pelo Matopiba, região que abarca trechos do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e que concentrou 77% da área derrubada.

Câmara bolsonarista privatiza os correios e desfere mais um duro golpe nos pobres brasileiros

ect privatizada

O script que vem sendo adotado pelo governo Bolsonaro para fazer com que as suas boiadas passem pela porteira escancarada sem serem muito notadas foi repetido ao longo desta 5a. feira. É que enquanto o presidente Jair Bolsonaro encenava mais cenas burlescas em aparente desespero contra sua perda de popularidade, a Câmara de Deputados aprovou a privatização da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), desferindo mais um duro golpe contra os brasileiros mais pobres que brevemente ficarão desprovidos dos serviços prestados por uma empresa pública.

A privatização da ECT vai no sentido de destruição do Estado brasileiro, com a possibilidade de que tenhamos corporações estrangeiras controlando um serviço estratégico que em outras partes do mundo continua público. Até mesmo nos EUA, o United States Postal Service continua público, apesar das tentativas de diferentes administrações de entregar a empresa às corporações privadas.

No caso brasileiro, e em especial no modelo aprovado pela Câmara de Deputados, as regiões mais prejudicadas serão o Norte e o Nordeste, onde as distâncias são maiores e a população é mais pobre. Quem já presenciou a privatização de outras empresas estatais deve lembrar que a promessa era sempre de universalizar os serviços e baixar os preços dos serviços oferecidos. Essa é uma balela que o brasileiro mais comum conhece de perto, já que nem uma coisa ou outra acabou acontecendo. Basta ver o preço dos serviços de água, eletricidade e telefonia, que hoje estão entre os mais caros do planeta.

Como usuário ocasional dos serviços da ECT tenho testemunhado a alta eficiência da empresa, que está sendo privatizada apesar de ser altamente lucrativa. E o pior é que essa privatização ocorre em meio a uma situação de empobrecimento da classe trabalhadora, o que implicará objetivamente na perda de acesso aos serviços ora privatizados.

Pessoalmente não deposito qualquer expectativa de que a proposta seja barrada no Senado Federal, podendo ainda ser piorada em relação ao que acaba de ser aprovado pela Câmara de Deputados. Tampouco possuo expectativas de que em uma eventual vitória do ex-presidente Lula ele vá reverter essa medida anti-nacional.  A minha expectativa é que em face da necessidade de acesso aos serviços de correio ocorra uma reação da população que poderia forçar uma reestatização da ECT.  Mas isso só ocorrerá se houver muita pressão popular para questionar mais esse absurdo nas ruas, visto que do Congresso Nacional não se deve esperar mudança.

Por ora, resta reconhecer mais uma vitória objetiva do governo Bolsonaro e de sua agenda ultraneoliberal.
Por isso, não se enganem sobre um futuro golpe de Estado, pois ele já está ocorrendo neste momento na forma de um golpe contra o Estado. E que ninguém se surpreenda se a ECT for adquirida por uma empresa estatal de outros país, inclusive da China.

E antes que eu me esqueça, alguns dos nomes que votaram pela privatização são os de nome Aécio Neves e Tábata Amaral, o que mostra que a postura anti-pobre junta novas e antigas gerações dentro do congresso nacional. No caso de Tábata Amaral, ela apenas repete outros votos no sentido de privatizar empresas estatais, o que demonstra que seu discurso supostamente progressista é só fachada.

Facebook ganhou ao menos US $9,5 milhões para promover petróleo e gás em 2020

Pico de anúncios ocorreu após Biden apresentar plano trilionário para renováveis

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O Facebook ganhou US$ 9,6 milhões em 2020 para promover anúncios pró-combustível fóssil nos EUA, afirma um estudo publicado nesta quinta-feira (5/8). Cerca de 25 mil anúncios destinados a garantir um lugar no futuro para o petróleo e o gás foram vistos pelo menos 431 milhões de vezes na plataforma.

A pesquisa realizada pela InfluenceMap fez o rastreamento de quando estes anúncios foram colocados no ar e descobriu um pico significativo logo após Joe Biden anunciar seu plano climático de 2 trilhões de dólares durante a campanha eleitoral. Este impulso foi mantido até as eleições americanas de novembro.

O maior anunciante foi a ExxonMobil (US $5,04 milhões), seguida pela American Petroleum Institute (API; US $2,97 milhões) e OneAlaska (US $330.000), num total de 25 organizações de petróleo e gás ou seus grupos de defesa.

Climate change and social media - top spenders

Principais compradores do setor petrolífero de espaço publicitário no Facebook (valores e milhões de dólares)

Mensagens customizadas

A análise categorizou o conjunto de mensagens altamente sofisticado do setor em quatro temas principais: (1) A indústria do gás petrolífero é parte da solução climática; (2) os benefícios pragmáticos do petróleo e gás; (3) a indústria do petróleo e gás apoia as comunidades locais e a economia; e (4) o setor de petróleo e gás é patrioticamente importante para a independência energética dos EUA.

Dos 25.174 anúncios analisados, 48% incluíram a narrativa de que o setor de combustíveis fósseis era “parte da solução” para a crise climática. Os 12.140 anúncios nesta categoria foram vistos 122 milhões de vezes, sendo que os usuários mais jovens (25-34 anos de idade) tiveram maior probabilidade de estar no público-alvo desta mensagem.

Climate change and social media - category table

Tipo de categorias de mensagem, número de anúncios, custo envolvido e visualizações no Facebook

Dentro desta categoria havia anúncios promovendo a noção de gás como uma fonte de energia ‘limpa, verde e de baixa emissão de carbono’, apesar da advertência do IPCC de que o metano tem um efeito estufa até 87 vezes maior que o dióxido de carbono (CO2) durante um período de 20 anos. O maior distribuidor de anúncios com esta mensagem foi o American Petroleum Institute, que tem entre seus membros ExxonMobil, Chevron, BP, Shell, e outras petroleiras.

O estudo indica que foram gastos US $4,4 milhões destacando o petróleo e o gás como parte de um “mix energético pragmático”. Os anúncios nesta categoria foram vistos 174 milhões de vezes e foi direcionado a grupos etários mais velhos e homens.

ONGs climáticas iniciaram uma petição chamando as ‘Big Tech’s para proibir anúncios da indústria de combustíveis fósseis.

Quem desejar ler o relatório completo produzido pelo InfluenceMap sobre a compra de espaço de propaganda no Facebook pelas grandes petroleiras, basta clicar [Aqui!].

Sobre o InfluenceMap

InfluenceMap é um grupo de reflexão baseado em Londres que fornece análises de dados aos investidores, empresas e a mídia sobre questões relacionadas à energia e à mudança climática. Nossas métricas para medir a influência corporativa sobre a política climática estão em uso pelos investidores, incluindo o processo global Climate Action 100+ de engajamento de investidores. Nosso conteúdo tem sido amplamente coberto na mídia global e é utilizado por grupos de campanha.

Troca de golpes em Brasília

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Por Peter Steiniger para o Neues Deutschland

O presidente Jair Bolsonaro definiu o assunto. Há semanas, não são os problemas reais e enormes do país que dominam as manchetes da mídia brasileira, mas sim suas acusações absurdas sobre um sistema eleitoral que se supõe ter sido concebido para falsificar os resultados. A fraude eleitoral seria provavelmente a única maneira pela qual Bolsonaro, que experimenta queda em seus níveis de popularidade, poderia garantir a reeleição em 2022. Ele reclama da eleição eletrônica, que – ao contrário da cédula – se mostrou segura no país mais populoso da América Latina e o determinou como vencedor em 2018.

A eleição de Jair Bolsonaro não se deu de forma limpa, no entanto, a fraude ocorreu antes, com a exclusão do favorito de esquerda, o ex-presidente Lula, por meio de uma conspiração judicial e da campanha de notícias falsas patrocinada por Bolsonaro.

As mentiras sobre o sistema eleitoral também visam polarizar a sociedade. Essa é a única chance do Jair Bolsonaro. Como Donald Trump, ele está mexendo com a lenda de uma eleição roubada.  No conflito com o Supremo Tribunal Federal, que freia o aprendiz de feiticeiro da extrema direita, Jair Bolsonaro corre risco. Um veredicto de culpado por atacar a eleição pode custar a Bolsonaro a sua candidatura. Mas isso acrescentaria muito combustível ao fogo.

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Este artigo foi inicialmente escrito em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland [Aqui!].

Missão dos EUA anti 5G chinês coloca Brasil sob dilema sobre o futuro de suas commodities agrícolas e minerais

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A mídia corporativa está anunciando a chegada de uma missão do governo Biden cujo mote principal será a imposição do banimento da empresa chinesa Huawei do mercado que será incluído com a implantação da rede 5G no Brasil. Como se sabe, a tecnologia chinesa é melhor e mais barata do que a oferecida pelas competidoras estadunidenses e, por isso, impedir a sua proliferação para os interesses estratégicos dos EUA.

Como o governo Bolsonaro é conhecido por seu pendor pró-EUA, independente de qual partido esteja ocupando a Casa Branca, eu não me surpreenderia se o Brasil aceitasse passivamente essa pressão, de forma a impedir a presença da Huawei no mercado que será inevitavelmente criado pela rede 5G.

O problema é que hoje o Brasil vive uma situação peculiar de depender fortemente da China para vender suas commodities agricolas e minerais, enquanto compra todo tipo de produtos que alimentam, inclusive, o funcionamento do latifúndio agro-exportador.  Assim, como os chineses são conhecidos por seu pragmatismo político e econômico, um banimento da Huawei significará perda de alguma parcela do mercado chinês, o que, aliás, já foi dito claramente pelo embaixador da China em Brasília.  E isso criará não apenas uma sobra considerável de produtos quem não qualquer mercado para substituir a China em função da crescente resistência a comprar commodities associadas ao desmatamento da Amazônia e do Cerrado.

soja-agronegocioSe Bolsonaro banir a Huawei da rede 5G, a China certamente retaliará as commodities brasileiras

Um detalhe que deverá complicar ainda mais a situação do presidente Jair Bolsonaro caso ele cede às pressões do governo Biden é que com isso ele se arriscará a perder o apoio incondicional que atualmente desfruta da bancada ruralista que faz parte da sua base de sustentação no congresso nacional. 

Como se vê, quem se concentra nas atitudes histriônicas do presidente da república em relação à virtual não adoção do voto impresso está passando ao largo de elementos ainda mais dramáticos que estão pressionando Jair Bolsonaro.