COVID-19 nos EUA: hospitais lotam novamente em estados com baixos níveis de vacinação

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Por Katharina Buchholz para o Statista
 Hospitais em alguns estados dos EUA com baixas taxas de vacinação, por exemplo Louisiana, estão se enchendo mais uma vez de pacientes com coronavírus infectados com a variante Delta.

Uma comparação de dados de hospitalização dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças e números de vacinação coletados por Our World in Data mostra que as hospitalizações tendem a ser significativamente maiores nos estados dos EUA, onde um grande número de pessoas não vacinadas permanece.

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Dos cinco estados menos vacinados de acordo com o Our World in Data e os números de 2020 do US Census Bureau, quatro experimentaram níveis elevados de hospitalizações. Louisiana, onde mais de 60% permanecem não vacinados, teve o segundo maior nível de hospitalizações COVID-19 no país em 520 para cada milhão de habitantes. Alabama e Mississippi, onde cerca de dois terços ainda não estão totalmente vacinados, ficaram logo atrás, com 446 e 473 pacientes com coronavírus no hospital por um milhão de pessoas. Apesar das baixas taxas de vacinação, a situação era menos tensa no pouco povoado Wyoming.

A Flórida, onde apenas cerca de metade da população não está totalmente vacinada, apresenta atualmente o maior número de pacientes hospitalizados com COVID-19, com 648 por milhão de pessoas. Os melhores estados vacinados, localizados na Costa Leste, não experimentaram tais surtos perigosos de infecções por coronavírus. Apesar de também ter entre 34 e 40 por cento de residentes não vacinados, as internações hospitalares permaneceram na casa dos dois dígitos.

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Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pela Statista [Aqui! ].

A tanqueata de Jair Bolsonaro como mais um blefe contra os brasileiros

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Enquanto milhões de brasileiros vivem hoje sem qualquer garantia de que terão um prato de comida na mesa no dia de hoje, o governo Bolsonaro promove uma “tanqueata” em Brasília em um momento em que o Congresso Nacional deverá apreciar a possível volta do voto impresso no Brasil.

Como vivi os estertores do regime militar de 1964 presenciei muitas vezes tanques e caminhões de transporte de tropas pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro. Como naquele tempo, a tanqueata de hoje é uma demonstração da extrema fraqueza em que se encontra o presidente da república, após desastrosos 31 meses de (des) governo. Jair Bolsonaro sabe que salvo outro incidente obscuro como o da facada de Adélio Bispo de Oliveira, o seu destino eleitoral já está escrito nas estrelas e ele é péssimo para o ex-capitão.

Ao pôr os tanques nas ruas de Brasília, Jair Bolsonaro visa claramente amedrontar um congresso cuja composição lhe é francamente aliada, tanto que a maioria dos seus projetos de desmanche do estado brasileiro tem passado de forma majoritária. E o problema começa aí, pois quem tem de ameaçar aliado é que já assume que perdeu a guerra. Por outro lado, é preciso que se diga que a virtual rejeição do voto impresso não se dá por uma crença na lisura das urnas eletrônicas, mas porque os caciques partidárias (a maioria deles aliados de Bolsonaro) já fez as suas contas, e não viu vantagem alguma no voto impresso.

Aliás, um dia ainda vou descrever com detalhes a minha experiência de fiscal de mesa eleitoral na Ilha do Governador para que quem lê se esse blog saiba como determinados candidatos eram flagrantemente roubados na hora de se separar os votos para a sua contagem.  Mas isso fica para outro dia.

Mas voltando à tanqueata de Jair Bolsonaro, tenho dúvidas se ela terá qualquer efeito sobre a votação que deverá ocorrer hoje na Câmara de Deputados. À primeira vista, penso que esse desperdício do dinheiro público na forma de desfile de tanques (a maioria caindo aos pedaços) só servirá para que os mais espertos subam à tribuna para jurar amor pela mesma democracia que eles pisoteiam sempre que podem.

A questão central é como o comando das forças armadas assimilará (ou não) uma eventual derrota do voto impresso proposto pelo presidente da república: se vão colocar os seus tanques no saco ou vão querer partir para uma elevação da temperatura e mantê-los onde estão. É essa decisão que realmente importa, pois Bolsonaro nesse jogo é apenas um peão. Entretanto, seja qual for a decisão dos comandantes militares, me parece que eles estão conseguindo uma destruição de imagem que nem os 21 anos da última ditadura militar conseguiram. E esse é um custo que talvez deve ter sido calculado pelos comandantes militares, e que lhes poderá custar muito caro. Afinal, a multidão de brasileiros famintos que este governo criou pode não ligar para o próximo blefe de Jair Bolsonaro, já que cão que ladra e não morde acaba a principal ferramenta a seu dispor: a capacidade de gerar medo.

Belo Horizonte, Brasília e Fortaleza registram diminuição na carga do coronavírus em seus esgotos nas últimas semanas, mas Rio segue com valores altos

Em comparação ao último boletim da Rede Monitoramento COVID Esgotos, as três capitais tiveram redução da carga viral. Já o Rio de Janeiro permaneceu com cargas consideráveis do novo coronavírus em todos os pontos de monitoramento

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Boletim de Acompanhamento nº 04/2021 da Rede Monitoramento COVID Esgotos, com dados até 24 de julho, semana epidemiológica 29, identificou uma tendência de redução da carga viral do novo coronavírus em três capitais: Belo Horizonte, Brasília e Fortaleza em relação ao último boletim publicado em 7 de julho. No sentido oposto, o Rio de Janeiro teve a maior carga viral já medida no período abrangido pelo último Boletim, ocorrida na semana de 27 de junho a 3 de julho. Veja as informações por cidade a seguir, sendo que todos os dados constam do Boletim nº 4/2021.

Belo Horizonte (MG)

Em Belo Horizonte, houve uma redução da carga viral nas semanas epidemiológicas 26 (de 27 de junho a 3 de julho), 27 (4 a 10 de julho), 28 (11 a 17 de julho) e 29 (18 a 24 de julho) respectivamente de 37,4 bilhões de cópias por dia do vírus para cada 10 mil habitantes; 36,7 bilhões; 36,4 bilhões; e 13 bilhões. A carga verificada na semana 29 foi a menor registrada em 2021.

Em Belo Horizonte, nas semanas 26 e 27 o ponto de monitoramento do Interceptor Córrego Cardoso registrou uma concentração de novo coronavírus elevada – acima de 25 mil cópias do novo coronavírus por litro das amostras –, indicada em vermelho nos mapas disponíveis no Boletim nº 4/2021. Na semana 27 outro ponto com alta concentração do vírus foi o Interceptor Córrego Gorduras.

Já nas semanas epidemiológicas 28 e 29 houve o surgimento de pontos com baixa concentração, entre 1 e 4 mil cópias por litro, indicados em amarelo. É o caso do Interceptor Córrego Terra Vermelha, que esteve nesse patamar em ambas as semanas. Somente na semana epidemiológica 29 os pontos de monitoramento da Estação de Tratamento de Esgotos Onça (ETE Onça) e do Interceptor Córrego Vilarinho tiveram concentração viral num patamar baixo. Nos demais pontos de monitoramento, a concentração ficou na faixa intermediária entre 4 mil e 25 mil cópias por litro, representada pela cor laranja nos mapas do Boletim.

Já nos pontos especiais de monitoramento na capital mineira, todos eles apresentaram níveis não detectáveis ou baixa concentração viral em algum momento entre as semanas epidemiológicas 26 e 29. Esses pontos incluem o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, lar de idosos, Rodoviária de Belo Horizonte, Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), shopping localizado em área de alta renda (SHC-01) e shopping localizado em área de baixa renda (SHC-02). Veja no Boletim nº 4/2021.

Brasília (DF)

Com um histórico de medições iniciado no fim de março deste ano, Brasília apresentou respectivamente uma carga de 434, 224, 229 e 181 bilhões de cópias do novo coronavírus por dia para cada 10 mil habitantes nas semanas epidemiológicas 26 (de 27 de junho a 3 de julho), 27 (4 a 10 de julho), 28 (11 a 17 de julho) e 29 (18 a 24 de julho). Essa carga viral é determinada em oito estações de tratamento de esgotos (ETEs), que atendem a cerca de 80% da população do Distrito Federal.

As cargas medidas nas semanas epidemiológicas 27, 28 e 29 são as menores do histórico, que tinha o menor valor registrado para a semana 19 (11 de maio), em 236 bilhões de cópias por dia a cada 10 mil habitantes. Portanto, há uma tendência de redução da carga do novo coronavírus nos esgotos do DF, que ainda segue elevada.

Entre as semanas epidemiológicas 26 e 29, somente a Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Brasília Norte permaneceu no patamar intermediário de concentração viral, entre 4 e 25 mil cópias do novo coronavírus por litro das amostras, indicado em laranja nos mapas a seguir. Nesse período todas as ETEs monitoradas ficaram no patamar médio de concentração viral e/ou no patamar elevado, acima de 25 mil cópias, indicado em vermelho nos mapas do Boletim nº 4/2021.

Vale destacar a elevação da concentração viral, e da carga, nas áreas atendidas pelas ETEs Melchior e Samambaia na semana epidemiológica 29 em comparação à 28. Juntas essas duas estações de tratamento atendem a uma população estimada de aproximadamente 1,3 milhão de habitantes.

Fortaleza (CE)

Fortaleza possui um histórico de dados desde 8 de junho, na semana epidemiológica 23, quando foi medida a maior carga viral nos esgotos da capital cearense: 34 bilhões de cópias por dia do novo coronavírus para cada 10 mil habitantes. Nas semanas 26 (de 27 de junho a 3 de julho), 27 (4 a 10 de julho), 28 (11 a 17 de julho) e 29 (18 a 24 de julho) houve uma tendência de redução da carga viral. Nessas semanas, os valores identificados foram respectivamente de 15,2 bilhões de cópias por dia para cada 10 mil habitantes; 12,1 bilhões; 10,1 bilhões; e 2 bilhões.

Nas semanas epidemiológicas 26 a 29, Fortaleza teve pontos onde o vírus não foi detectado (áreas em verde); foi detectado em concentração baixa (em amarelo), entre 1 e 4 mil cópias a cada 10 mil habitantes; e em concentração intermediária (em laranja), acima de 4 mil e até 25 mil cópias. Nas últimas semanas epidemiológicas, as maiores concentrações do novo coronavírus foram detectadas nas regiões da capital cearense que contribuem com esgoto para as estações elevatórias Reversora do Cocó e Praia do Futuro. Porém, nas duas regiões foi observada uma tendência de redução nas concentrações virais nas últimas semanas.

Rio de Janeiro (RJ)

As concentrações e cargas virais do novo coronavírus no esgoto do Rio de Janeiro permaneceram muito elevadas nas semanas epidemiológicas 26 (de 27 de junho a 3 de julho), 27 (4 a 10 de julho), 28 (11 a 17 de julho) e 29 (18 a 24 de julho): respectivamente 1,82 trilhão de cópias por dia a cada 10 mil habitantes; 700 bilhões; 748 bilhões; e 926 bilhões de cópias do novo coronavírus. A carga medida na semana 26 foi a maior do histórico iniciado em novembro de 2020, superando os 1,68 trilhão de cópias medidos em 24 de maio na semana epidemiológica 21.

Além disso, as concentrações permanecem bastante elevadas – acima de 25 mil cópias do vírus por litro – em todos os nove pontos monitorados, sendo quatro ETEs na capital fluminense (Alegria, Barra, Penha e Vargem Grande) e uma em São João de Meriti (ETE Sarapuí). Ainda na capital, nas estações elevatórias Leblon e André Azevedo, assim como nas ETEs Pavuna e ETIG, as concentrações estão em níveis bastante elevados, indicados em vermelho nos mapas disponíveis no Boletim nº 4/2021.

Na semana epidemiológica 26, foram observadas as maiores concentrações já registradas em todo o período de monitoramento para as estações elevatórias André Azevedo, ETE Ilha do Governador e ETE Sarapuí. Por outro lado, nas últimas três semanas de monitoramento, houve uma redução significativa das concentrações virais na região atendida pela Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Alegria, que recebe contribuição de aproximadamente 1,2 milhão de habitantes.

Recife (PE)

A amostragem de esgoto em Recife já foi iniciada, mas os resultados das análises ainda não estão disponíveis.

Curitiba (PR)

Os dados de Curitiba das últimas semanas epidemiológicas ainda não estão disponíveis em virtude de questões com os reagentes laboratoriais utilizados no monitoramento do novo coronavírus nos esgotos da capital paranaense.

Sobre a Rede Monitoramento COVID Esgotos

A Rede Monitoramento COVID Esgotos, lançada em webinar realizado em 16 de abril, acompanhará as cargas virais e concentrações do novo coronavírus no esgoto de seis capitais e cidades que integram as regiões metropolitanas de: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro. Esse trabalho, uma das maiores iniciativas brasileiras de monitoramento da COVID-19 no esgoto, busca fornecer subsídios para auxiliar a tomada de decisões para o enfrentamento da pandemia atual.

O último Boletim de Acompanhamento se soma aos boletins já publicados da Rede Monitoramento COVID Esgotos e aos 34 Boletins de Acompanhamento produzidos no contexto do projeto-piloto Monitoramento COVID Esgotos, realizado com base em amostras de esgotos em Belo Horizonte e Contagem (MG). As lições aprendidas com o projeto-piloto são a base para os trabalhos da Rede.

A Rede Monitoramento COVID Esgotos tem o objetivo de acompanhar a presença do novo coronavírus nas amostras de esgoto coletadas em diferentes pontos do sistema de esgotamento sanitário de seis capitais e cidades que integram as regiões metropolitanas de: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro. A rede busca ampliar as informações para o enfrentamento da pandemia de COVID-19. Nesse sentido, os resultados gerados sobre a ocorrência do novo coronavírus no esgoto das cidades em questão podem auxiliar na tomada de decisões por parte das autoridades locais de saúde.

Com os estudos, o grupo pretende identificar tendências e alterações na ocorrência do vírus no esgoto das diferentes regiões monitoradas, o que pode ajudar a entender a dinâmica de circulação do vírus. Outra linha de atuação é o mapeamento do esgoto para identificar áreas com maior incidência da doença e usar os dados obtidos como uma ferramenta de alerta precoce para novos surtos, por exemplo.

A vigilância do novo coronavírus no esgoto também pode auxiliar nas tomadas de decisão relacionadas à manutenção ou flexibilização das medidas de controle para a disseminação da COVID-19. Também pode fornecer alertas precoces dos riscos de aumento de incidência do vírus de forma regionalizada.

A Rede é coordenada pela ANA e INCT ETEs Sustentáveis com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e conta com os seguintes parceiros: Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além disso, a Rede conta com a parceria de companhias de saneamento locais e secretarias estaduais de Saúde.

Sobre os parceiros do projeto

ANA

Criada pela Lei nº 9.984/2000, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) é a agência reguladora dedicada a implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos, a Lei das Águas, e coordenar o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH). Com a aprovação do novo marco legal do saneamento básico pela Lei nº 14.026/2020, também cabe ao órgão editar normas de referência para a regulação dos serviços públicos de saneamento básico.

Esse trabalho é feito por meio de ações de regulação, monitoramento, gestão e planejamento de recursos hídricos. Além disso, a ANA emite e fiscaliza o cumprimento de normas, em especial as outorgas em corpos d’água de domínio da União – interestaduais, transfronteiriços e reservatórios federais. Também é a responsável pela fiscalização da segurança de barragens de usos múltiplos das águas outorgadas pela instituição.

INCT ETEs Sustentáveis

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estações Sustentáveis de Tratamento de Esgoto (INCT ETEs Sustentáveis) estuda questões sobre o esgoto sanitário, notadamente para países em desenvolvimento, de forma a contribuir para a promoção de mudanças estruturais e estruturantes nos serviços de esgotamento sanitário, a partir da capacitação profissional, desenvolvimento de soluções tecnológicas apropriadas às diversas realidades nacionais, construção e transmissão de conhecimento para a sociedade, órgãos governamentais e empresariais.

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Os pulmões doentes da Amazônia

A região amazônica “tombou” devido ao desmatamento desenfreado. Agora ele emite mais dióxido de carbono do que absorve. Isso já está tendo efeitos devastadoresgado queimada

Desmatamento colossal, monoculturas, secas, incêndios. A floresta amazônica está gravemente ameaçada (rebanho de gado durante um incêndio florestal na região de Nova Fronteira, 3 de setembro de 2019). Por Leo Correa / AP / dpa

Por Norbert Suchanek, Rio de Janeiro, para o Junge Welt

Meados de julho de 2021. Durante o segundo ano da pandemia de COVID-19, o calor catastrófico e o inferno de fogo no oeste dos Estados Unidos e Canadá, bem como as inundações do século na Alemanha e na Bélgica, competem pela maior manchete com o voo espacial do o multibilionário Jeffrey Bezos na floresta de folhas da mídia de massa global. Enquanto isso, a notícia do século 21 que é mais importante para a humanidade está lentamente sendo registrada pela grande mídia e empurrada para o final da página: a Amazônia tombou. O sumidouro de carbono aparentemente infinito que absorve as emissões de gases do efeito estufa dos países industrializados e compensa o efeito estufa não existe mais.

Certamente não faltaram avisos. Há décadas, pesquisadores e ambientalistas brasileiros e internacionais vêm reivindicando o fim do desmatamento da floresta amazônica. A maior região de floresta tropical do planeta, importante para o clima global, pode perder sua função de armazenamento de carbono e frear o aquecimento global. Mas a mudança de governos do Brasil – responsável pela maior parte da Amazônia – deixou a questão da boca para fora e ignorou ecologistas e pesquisadores do clima, apesar de duas conferências ambientais da ONU no Rio de Janeiro em 1992 e 2012. Agora, seus piores medos parecem ter se tornado realidade.

Superexploração por apenas 50 anos

A bacia amazônica tem uma área de cerca de 7,25 milhões de km2 e é mais de vinte vezes o tamanho da Alemanha. A área original da floresta amazônica, que se desenvolve há 50 milhões de anos, é estimada em cerca de 5,3 a mais de seis milhões de km2. Cerca de 60% da Amazônia, 4,2 milhões de km2, está no Brasil.

Ao contrário da crença popular, o desmatamento da Amazônia não começou com a conquista europeia da América Latina no século XVI. Por quase 500 anos, a exploração econômica da maior região de floresta tropical do mundo foi essencialmente limitada aos abundantes recursos florestais naturais e renováveis, como cacau, borracha e castanha do Brasil, que leva o nome do estado brasileiro do Pará.

A destruição da floresta em grande escala só começou na década de 1970 com estradas como a lendária Transamazônica e programas de colonização e subsídios que atraíram milhões de colonos, principalmente do sul do Brasil, e investidores internacionais. O governo militar brasileiro da época e seus especialistas em economia viam o uso de produtos naturais da floresta, que eram costumeiros até então, como “atrasado”. Substituíram uma economia sustentável que alimentava a população amazônica e ao mesmo tempo trouxeram divisas com corte implacável, pastagens artificiais de gado e monoculturas: uma política econômica de destruição da floresta tropical com o sul e sudeste da Amazônia, o chamado desmatamento arco, formado pelos estados de Maranhão, Pará, Mato, que continua até hoje Grosso, Rondônia e Acre, como a primeira vítima.

Independentemente dos povos indígenas e grupos populacionais tradicionais, pelo menos 19 corporações multinacionais hackearam mais de sete milhões de hectares de terras para extração de madeira, pecuária, agricultura e especulação imobiliária em 1982, de acordo com os pesquisadores franceses Hervé Théry e Jean Eglin em seu relatório »O Saque da Amazônia «(Le Pillage de l’Amazonie). Até mesmo áreas altamente produtivas de castanheiras foram derrubadas e a população da floresta, que vivia dela de maneira sustentável por séculos, mergulhou na pobreza ou foi levada ao êxodo.

“As causas diretas do desmatamento na região são predominantemente a agricultura industrial em grande escala (principalmente soja) e a pecuária extensiva”, resume o relatório de 2015 “Desmatamento na Amazônia (1970-2013)” da Rede Amazônica para dados sócio georreferenciados -informações ecológicas (RAISG). O desmatamento está intimamente ligado à construção de estradas pelo governo, explica o pesquisador da Amazônia Philip M. Fearnside. “Com a construção e expansão de estradas rurais e uma rede de estradas de acesso, mais colonos estão invadindo a área e aumentando drasticamente o desmatamento.” Ao mesmo tempo, a presença de colonos na floresta aumenta a pressão política para a construção de estradas ainda mais pavimentadas e melhores. Especulação de terras, barragens,

De acordo com dados do estudo de 1997 “Desmatamento e meios de subsistência na Amazônia brasileira” da Universidade de São Paulo, havia apenas 292 empresas madeireiras em toda a região amazônica no início da década de 1970. Só no estado do Pará, já eram mais de 2.000 em 1995. De acordo com dados do Instituto de Pesquisas Espaciais do INPE, responsável pelo monitoramento florestal por satélite, entre 1978 e 1988, uma média de cerca de 20 mil quilômetros quadrados de floresta tropical foi desmatada a cada ano apenas na Amazônia brasileira. Os piores anos de desmatamento ainda estavam por vir. Em 1995, o Brasil perdeu 29.000 km2, em 2003 mais de 25.000 e em 2004 quase 28.000 km2 da floresta amazônica.

Em 2013, o INPE calculou o desmatamento total em 762.979 km2 desde 1973. Isso significa que, de acordo com o relatório de 2017 “O clima futuro da Amazônia” da Amazônia e do pesquisador de clima Antonio Donato Nobre, mais de 42 bilhões de árvores foram destruídas nos últimos 40 anos, milhões por dia. Convertido para o tamanho de um campo de futebol, isso equivale a 12.635 campos de futebol limpos por dia, 526 campos de futebol por hora.

Em 2019, a especialista em Amazônia Kirsten Thonicke do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático (PIK) alertou: “Ainda hoje, 20 por cento dos 5,3 milhões de km2 de floresta tropical foram desmatados.” Esta área é maior do que toda a União Europeia e foi resultou em um aquecimento de 0,8 a 0,9 graus na região e estendeu a estação seca. Outros cientistas presumem uma destruição de amônia ligeiramente menor de 17%.

Mas, independentemente de ser 17 ou 20%, é muito. Isso é especialmente verdadeiro para o Pará e Mato Grosso, com uma perda total de floresta tropical de 34,42% e 32,35%, respectivamente, de acordo com os últimos dados do INPE de maio de 2021.

Emissor líquido de CO2

Até agora, a ciência assumiu que a Amazônia, apesar do desmatamento das últimas décadas, continuaria a equilibrar o clima global e neutralizar o efeito estufa, removendo milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera todos os anos e armazenando-o em a forma de carbono em sua massa vegetal em crescimento. Mas obviamente não tem sido assim há pelo menos dez anos. Pelo contrário: operações de corte e queima e cortes rasos transformaram a maior floresta tropical em produtora líquida de CO2. É o que mostra pela primeira vez o estudo “A Amazônia como fonte de carbono ligada ao desmatamento e às mudanças climáticas”, publicado em julho na revista Nature , por uma equipe internacional de cientistas liderada pelo Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais INPE.

De 2010 a 2018, os pesquisadores sobrevoaram a região amazônica em quatro regiões representativas do nordeste ao sudoeste em pequenas aeronaves a cada quinze dias e mediram as concentrações de CO2 a uma altura de 300 a 4.400 metros acima do dossel. Isso foi seguido por uma avaliação de dados de dois anos. “A primeira notícia muito ruim é que as operações de corte e queima produzem cerca de três vezes mais CO2 do que a floresta absorve”, explica Luciana Gatti, pesquisadora do INPE e autora principal do estudo. “A segunda má notícia é que as emissões de CO2 em regiões onde o desmatamento é de 30% ou mais são dez vezes maiores do que em áreas com desmatamento inferior a 20%.”

Especificamente, a área de floresta tropical emitiu em média 1,51 bilhão de toneladas de CO2 na atmosfera, principalmente por corte e queima, enquanto absorve apenas 450 milhões de toneladas de CO2 e o armazena em sua biomassa. “É uma notícia terrível”, disse Luciana Gatti. Porque isso torna a Amazônia um produtor líquido de 1,06 milhão de toneladas de dióxido de carbono por ano, o que coloca tantas nações industrializadas na sombra. Em vez de desacelerar a mudança climática, a região da floresta tropical da América do Sul tem aquecido a atmosfera muito mais do que a Alemanha, por exemplo, que conseguiu reduzir laboriosamente suas emissões anuais de CO2 de 1,05 bilhão de toneladas em 1990 para 644 milhões de toneladas no ano passado.

O principal culpado por esta “catástrofe climática” é o Brasil. A parte brasileira da Amazônia emite a maioria das emissões líquidas de CO2 da Amazônia em 870.000 toneladas anuais. O pior é a situação na região sudeste da Amazônia, especialmente no Pará e Mato Grosso, onde mais de 30% da floresta já foi destruída. O desmatamento levou a uma mudança climática regional com uma estação seca mais longa, seca e quente. Os pesquisadores registraram um aumento de temperatura de mais de dois graus nos meses de agosto, setembro e outubro, com uma diminuição simultânea na precipitação de cerca de 25%. Esse estresse climático leva a um círculo vicioso de produção de CO2 que queima as florestas com mais facilidade e faz com que as árvores morram mais cedo.

Devido à seca, explica Gatti, as folhas das árvores geralmente perenes da floresta tropical ficaram marrons e começaram a cair. As árvores param a fotossíntese e não absorvem mais CO2, mas continuam respirando. Esse estresse climático não só leva à redução do armazenamento de carbono, mas, no pior dos casos, à morte das árvores, que posteriormente liberam mais CO2 devido ao processo de apodrecimento de sua biomassa.

Gatti afirma que “o que está acontecendo no sul do Pará e no norte do Mato Grosso é que as espécies de árvores mais sensíveis morrem e apenas as mais resistentes sobrevivem. Ainda hoje, mais árvores morrem no sudeste da Amazônia do que voltam a crescer ”. Isso significa que a floresta dessa região, mesmo que não esteja pegando fogo, emite mais carbono do que absorve a cada ano. Menos árvores levam a menos chuva e temperaturas mais altas, o que aumenta a estação seca e o estresse climático para a floresta remanescente: uma espiral contínua que pode causar grandes círculos”.

“Rios voadores” secam

O naturalista e pioneiro das pesquisas amazônicos Alexander von Humboldt já havia adivinhado a ligação entre floresta tropical, umidade e clima no século 19, que os cientistas de hoje finalmente confirmaram e descreveram com mais detalhes. Estudos mostram que uma grande árvore da floresta tropical pode bombear mais de mil litros de água do solo e permitir que evapore em um único dia. Essa evapotranspiração remove energia do ambiente e, portanto, resfria o clima local, enquanto a água evaporada sobe para as camadas mais altas do ar. Calculado para uma Amazônia intacta, seus mais de 400 bilhões de árvores emitem mais de 20 bilhões de toneladas de água na atmosfera todos os dias e, portanto, produzem um rio atmosférico ou “voador” que é maior do que o poderoso rio Amazonas,

Os ventos carregam essas enormes quantidades de água que produz chuvas de leste a oeste, não apenas por toda a bacia amazônica, mas também até as regiões mais altas dos Andes, onde formam as geleiras, cujo degelo, por sua vez, alimenta os rios do lado pacífico andino. O “rio voador Amazonas” também flui de norte a sul e traz chuvas para o centro e oeste do Brasil nos planaltos do Cerrado e Pantanal, assim como para o sul e sudeste do Brasil, para Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina.

A cada novo corte da árvore amazônica, essas regiões são ameaçadas por um clima desértico. O estudo de Luciana Gatti sugere que esse ciclo vicioso já está em andamento. Mesmo na bacia amazônica ocidental praticamente intacta, com um desmatamento estimado em onze por cento, a equipe de pesquisa registrou queda nas chuvas e aumento nas temperaturas, em parte provocadas pelo desmatamento no leste. Embora essa mudança climática ainda seja menor do que nas partes mais desmatadas da Amazônia, ela também aumenta a mortalidade das árvores e reduz a capacidade de fotossíntese, ou seja, o armazenamento de carbono.

Um estudo publicado em 2019 pela Universidade da Califórnia usou dados de satélite dos 20 anos anteriores para determinar a evolução do conteúdo de umidade na atmosfera sobre a floresta amazônica. Ela também chegou à conclusão: “Nas últimas duas décadas, a atmosfera amazônica ficou cada vez mais seca.” Além disso, há eventos mais extremos. Após a forte seca, especialmente no Norte da Amazônia em 1998, a região amazônica voltou a registrar uma seca extrema em 2005, conhecida como a “seca do século”. Apenas cinco anos depois houve uma seca ainda maior, que foi substituída por outra seca do século na Amazônia em 2015, que agora atingiu o sudeste do Brasil. “O Brasil está secando: a pior seca das últimas décadas”, era a manchete da época.

A Amazônia também experimentou uma seca extrema em 2020. “Agosto, setembro e outubro em particular parecem ser os mais secos em mais de 20 anos”, relatou o Woodwell Climate Research Center. O sul da Amazônia foi particularmente afetado. Em 2020, o Pantanal também experimentou uma drástica escassez de água e incêndios florestais catastróficos como nunca antes. Secas e incêndios florestais também ocorreram na região florestal do Chaco, na Argentina e no Paraguai. Outra indicação de uma espiral girando em direção ao abismo.

O ciclo de secas de cinco anos sugere uma influência do efeito El Niño. Mas essa não é a única causa. O pesquisador do INPE Antonio Donato Nobre: ​​“Antes do intenso desmatamento na Amazônia, as chuvas eram tão abundantes que se dizia que havia apenas duas temporadas na bacia amazônica, uma úmida e outra ainda mais úmida. Hoje existe uma estação seca acentuada, e a duração da estação chuvosa está diminuindo cada vez mais. ”As sucessivas secas extremas neste século já em 2018 deixaram o pesquisador da NASA Sassan Saatchi com o até então válido“ paradigma de pesquisa que a Amazônia , independente de quanto dióxido de carbono nós (os países industrializados) emitimos, grande parte dele é absorvido, com dúvidas.

O documento de pesquisa “Rastreando os impactos da seca e do fogo do El Niño nas florestas amazônicas modificadas pelo homem”, também publicado em julho de 2021, confirmou os temores de Saatchi. A equipe de pesquisa do Brasil, Grã-Bretanha e Suécia examinou as consequências da seca na Amazônia de 2015, que matou cerca de 447 milhões de árvores maiores e 2,5 bilhões de menores na região afetada do baixo Tapajós. Como resultado da seca e dos incêndios florestais resultantes, dizem os pesquisadores, a região liberou mais carbono do que países industrializados como o Reino Unido por pelo menos três anos. Nos três anos após a seca, o crescimento da planta só foi capaz de absorver cerca de um terço das emissões.

Para Luciana Gatti, uma coisa é certa: a Amazônia agora é fonte de carbono. Uma descoberta científica que deveria realmente interessar e sacudir o mundo mais do que o voo de onze minutos para o espaço, prejudicial ao clima, por um empresário implacável chamado Jeffrey Preston Bezos, que nomeou sua empresa de comércio na Internet, que foi fundada em 1994, produzindo fluxos globais de mercadorias depois do rio mais rico em água da terra: a Amazônia ou na Amazônia alemã.

Em seu artigo sobre a pesquisa de Gatti, a jornalista climática Ciara Nugent, da Time Magazine, colocou desta forma: “É um barra alta, mas este é um dos fatos mais deprimentes que já li como jornalista climático: A floresta amazônica – uma região conhecida como ‘o pulmão do mundo’ – agora emite mais carbono do que absorve. “

Guerra contra a ignorância

Mas nem tudo está perdido ainda. Segundo Luciana Gatti, o processo ainda pode ser revertido. Gatti propõe uma moratória ao desmatamento e corte e queima por pelo menos cinco anos em toda a região amazônica, especialmente na região sudeste, que teria que ser reflorestada além da parada imediata do desmatamento. “Nesse cenário, acredito que haja possibilidade de reversão”, diz a pesquisadora.

Mas os sinais do governo Jair Bolsonaro prometem exatamente o contrário. Não há como parar o desmatamento e nem os incêndios florestais à vista. Em junho passado, 2.308 incêndios ocorreram na floresta amazônica brasileira e 4.181 no cerrado. Somente no estado da soja de Mato Grosso, os satélites contabilizaram 2.185 disparos. Esses números recordes de junho não falam a favor de uma reviravolta, mas de um desmatamento contínuo – até que a última árvore seja derrubada ou queimada.

Para Antonio Donato Nobre, que pesquisa na e sobre a Amazônia há mais de 30 anos e conhece as consequências ecológicas melhor do que quase qualquer outro cientista, uma política de desmatamento zero no Brasil era uma necessidade urgente já nos anos 1990. Embora o fim do desmatamento seja obrigatório, inevitável e há muito esperado hoje, não será suficiente para reverter as tendências climáticas ameaçadoras, alertou Nobre em 2017. “Temos que restaurar tudo o que foi alterado e destruído na medida do possível. O reflorestamento em tão grande escala requer a reversão do uso da terra em grandes áreas atualmente ocupadas. ”Dado o cenário atual, no entanto, isso é muito improvável.

“No entanto, apenas uma pequena parte da sociedade esteve e está diretamente envolvida na destruição das florestas”, diz o pesquisador da Amazônia. É uma minoria que empurra o Brasil e a América Latina para o abismo climático. Para combater isso, o primeiro passo é uma campanha semelhante a um esforço de guerra, uma “guerra” contra a ignorância. “Um esforço sem precedentes para educar a sociedade. E que visa principalmente aqueles que ainda se agarram ao equívoco de que a destruição de florestas é inofensiva. “

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Este artigo foi inicialmente escrito em alemão e publicado pelo “Junge Welt” [Aqui!]. 

Novo relatório do IPCC é “alarmante” e mostra pequena janela de oportunidade para limitar o aquecimento a 1,5°C até 2100

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O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgou hoje um novo relatório sobre as ciências físicas que explicam as mudanças climáticas passadas, presentes e futuras.

O relatório apresenta as projeções mais recentes para o aumento da temperatura, avanços na atribuição de eventos climáticos extremos às mudanças climáticas, riscos maiores de alcançarmos pontos de inflexão em que impactos significativos se tornam irreversíveis e muito mais. Duas descobertas são especialmente relevantes:

• O mundo pode atingir 1,5°C de aquecimento nas próximas duas décadas.
• Ainda resta uma pequena janela de oportunidade para limitar o aquecimento a 1,5°C até 2100, mas será necessária agir de maneira decisiva e muito rapidamente para conter as emissões nesta década, bem como zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050.

Leia o posicionamento de Helen Mountford, vice presidente de Clima e Economia do World Resources Intitute (WRI):

“Se este relatório do IPCC não o assustar ao ponto de agir, deveria. O relatório elabora um quadro muito sério do mundo implacável e inimaginável que nos espera se nosso vício em queimar combustíveis fósseis e destruir florestas continuar. Uma das conclusões mais impressionantes é que podemos atingir 1,5°C de aquecimento uma década antes do que o IPCC havia previsto anteriormente”.

“As manchetes recentes sobre enchentes mortais, incêndios florestais e secas que acontecem ao redor do mundo parecem cenas de um romance distópico de ficção científica, mas são manifestações do aquecimento global que nossa poluição climática já induziu no sistema. Os impactos perigosos e custosos que estamos experimentando agora parecerão moderados em comparação com o que enfrentaremos se não limitarmos o aquecimento a 1,5°C até o final deste século. Isso reforça a urgente necessidade de as nações ricas fornecerem muito mais recursos financeiros aos países em desenvolvimento que são os mais vulneráveis ​​aos impactos climáticos e os menos responsáveis ​​pelas emissões. Este financiamento é essencial para que possam proteger pessoas, fontes de alimentos e recursos hídricos das consequências inevitáveis ​​de um clima em transformação”.

“Embora as descobertas do IPCC sejam alarmantes, elas não podem se traduzir em desesperança ou falta de ação. Pelo contrário, a necessidade de cortar rapidamente as emissões de gases de efeito estufa ficará cada vez maior à medida que as temperaturas aumentam e os impactos climáticos pioram mais e mais. Esse relatório deve estimular cada país, empresa, cidade e cidadão a lutar com todas as forças para evitar todo aquecimento possível”.

“A boa notícia é que sabemos o que é necessário para evitar um futuro calamitoso e ao mesmo tempo gerar empregos e um crescimento econômico de baixo carbono. O relatório mostra que temos uma pequena janela de oportunidade para limitar o aquecimento a 1,5°C, mas só o faremos se agirmos de forma decisiva. Fazer isso exigirá mudanças rápidas e radicais na maneira como usamos e produzimos energia, alimentos, administramos o uso da terra e transportamos pessoas e bens”.

“Nossa oportunidade de evitar impactos ainda mais catastróficos tem uma data de validade. O relatório sugere que esta década é nossa última chance de adotar as medidas necessárias para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C. Se falharmos coletivamente em reduzir de forma rápida as emissões de gases de efeito estufa até o fim da década, essa meta ficará fora de alcance”.

“Por muito tempo, diferentes interesses impediram o progresso e lançaram dúvidas sobre a ciência do clima, que é sólida como uma rocha. Esses dias devem ficar no passado”.

“Fique atento aos líderes mundiais que estão no cargo hoje. Nosso destino coletivo será determinado por suas escolhas. Este é um momento em que todos precisam remar na mesma direção e exigir que seus líderes tomem medidas climáticas corajosas, como se nosso futuro dependesse disso – porque realmente depende”.

Leia o posicionamento de Carolina Genin, diretora de Clima do WRI Brasil:

“O relatório do IPCC é explicito, temos 10 anos críticos diante de nós para conter o aumento da temperatura média da Terra. O papel do Brasil é acelerar a transição da sua economia para um modelo bem menos dependente de combustíveis fósseis. Nós podemos fazer isso através de energia limpa e biocombustíveis, e gerando empregos e novos mercados para empresas nacionais como a Petrobrás. Há oportunidades para o país de modernização e revitalização nesta crise global, mas quanto mais demorarmos para nos posicionarmos competitivamente, mais perderemos oportunidades e mercados.”

“Os desmatamentos na Amazônia e em outros biomas brasileiros contribuem para o aquecimento do planeta e não beneficiam o país, seu povo e sua economia formal. A ciência e a história recente do país revelam claramente que podemos produzir mais e melhor sem desmatar, e que os biomas são fundamentais para a agricultura e para garantir a segurança hídrica e energética de nossas cidades.”

IPCC: a hora de agir é agora

Política negacionista de Jair Bolsonaro pode minar esforços climáticos globais e isolar o Brasil ainda mais no cenário econômico e político global

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2021 poderá ser lembrado no futuro como o ano em que a natureza e os cientistas se uniram para dar o alerta: a janela de oportunidade para manter o aquecimento global em níveis minimamente seguros para a humanidade está se fechando. Eventos climáticos extremos simultaneamente nos dois hemisférios do planeta ocorreram justamente nas semanas que antecederam o lançamento do primeiro relatório da nova série de avaliações do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), ocorrido nesta segunda-feira (09/08).

A ciência do clima nunca foi tão precisa e tão clara: a influência humana sobre o clima é um fato estabelecido e indiscutível e a hora de agir é agora. Embora alguns impactos climáticos não sejam mais reversíveis, como no caso do derretimento de geleiras e elevação do nível dos oceanos, o cenário geral ainda não está definido e essa é a grande mensagem deste relatório: as escolhas que fizermos agora determinarão nosso futuro. Limitar o aumento da temperatura em níveis relativamente seguros ainda é cientificamente possível. O que fizermos agora, o que empresas e políticos fizerem agora definirá nosso futuro.

Estamos no início da década mais decisiva da História para a ação climática. Com o novo relatório do IPCC, temos a mais abrangente e certeira avaliação do estado do clima no mundo e do que está por vir, dependendo do curso que escolhermos agora. Nos cenários de menor ação climática, as perspectivas são desastrosas: cada meio grau adicional de aquecimento global causa um aumento estatisticamente significativo nos extremos de temperatura.

O que o mundo está vivendo em 2021 já é afetado por um aumento médio de 1°C na temperatura e as perspectivas de curto prazo não são animadoras: o novo relatório do IPCC mostra que o mundo ultrapassará a meta de 1,5°C já na próxima década, antes do previsto pelo relatório anterior. Isso não significa que a meta de 1,5°C no longo prazo esteja comprometida. Embora os níveis de aquecimento global de 1,5°C e 2°C acima dos níveis pré-industriais sejam excedidos até o final do século 21 em todos os cenários projetados pelo IPCC, o cenário de menor emissões mostra que no longo prazo o limite de 1,5°C ainda é possível – e essa é a boa notícia e também o principal alerta que este relatório traz: não podemos abrir mão dessa meta. Não podemos permitir que interesses pessoais, eleitorais e setoriais se sobreponham aos interesses da humanidade presente e futura.

Todos os cenários analisados pelo IPCC apontam para uma mesma conclusão: é preciso cortar emissões e cortá-las o mais rápido possível. Para isso, é preciso que todos se empenhem para alcançar a neutralidade de carbono antes de 2050: governos nacionais, subnacionais e empresas devem estabelecer planos consistentes, com ações concretas imediatas e metas intermediárias.

Para o Brasil e demais países da bacia amazônica, o conteúdo do relatório do IPCC traz alertas adicionais: ele confirma que já não basta zerar as emissões – é preciso remover o carbono já existente na atmosfera. Como a floresta amazônica é um dos grandes sumidouros naturais de carbono do planeta, sua preservação é mais importante que nunca. Estudos indicam que partes da floresta já estão emitindo mais carbono do que capturando, em função de sua degradação que, se persistir nos níveis atuais, poderá pressionar todo o bioma além de seu ponto de equilíbrio, afetando o clima em todo o planeta, mas mais especialmente na América do Sul, colocando em risco a segurança alimentar, hídrica e energética do Brasil. Infelizmente, esse é o cenário para o qual o presidente Jair Bolsonaro está conduzindo nosso país.

Outro alerta do IPCC que tem relação direta com o Brasil diz respeito ao melhor entendimento dos gases não-carbono que também têm efeito estufa, como o metano. As emissões diretas da agropecuária representaram 28% do total brasileiro em 2019 segundo o 8º relatório do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), realizado pelo Observatório do Clima. Desse total, 61,1% vieram da fermentação entérica. Ou seja, além de ser um fator de pressão sobre a floresta, a pecuária é também emissora de gases para os quais o IPCC pede mais atenção.

Em um ano em que a conta da luz e o preço da comida subiram vertiginosamente por conta de fatores climáticos, o relatório do IPCC adverte: o aquecimento global intensificará ainda mais as mudanças nos ciclos da água, incluindo a variabilidade ano a ano e a severidade dos ciclos úmidos e secos.

“Certamente não precisamos de um novo relatório para nos dizer que estamos em uma emergência climática: ela já afeta milhões de pessoas em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde já pagamos mais caro pela energia elétrica, por nossa comida e estamos em sério risco hídrico por causa do clima. O que o novo relatório do IPCC sinaliza são as opções que podemos fazer hoje para que o amanhã seja seguro para todos. Em todo o mundo, o desafio é mudar a matriz energética. No Brasil, onde boa parte de nossa energia já é limpa, o desafio é zerar todo o desmatamento, que é o que nos coloca como sexto maior emissor de gases de efeito estufa no mundo. A melhor ciência do planeta está nos mostrando que o Brasil de Bolsonaro escolheu o caminho da catástrofe e é isso que não podemos aceitar: interesses eleitorais e setoriais não podem prevalecer sobre o bem comum da nação.”
Maurício Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil.

Exemplo de como somos afetados pelas mudanças climáticas

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Geada afeta áreas de restauração florestal na região da Serra da Mantiqueira
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Mudas nativas plantadas em novembro e abril foram as mais atingidas

As geadas e temperaturas negativas registradas em julho na região da serra da Mantiqueira (divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais) afetaram diretamente até 80% das áreas em restauração do projeto Raízes do Mogi Guaçu, o equivalente à 47 hectares, em apenas uma das 18 áreas atingidas a estimativa é de que mais de 20.000 mudas já plantadas tenham sido afetadas. As geadas poderão atrasar os trabalhos de restauração em até um ano na região.

De acordo com Ana Balderi, co-fundadora e coordenadora de restauração florestal da Associação Ambientalista Copaíba, o fenômeno foi inédito na região. “Por meio da rede do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica , aplicamos técnicas e compartilhamos experiências com produtores da região sul do país, normalmente mais habituados com geadas. Infelizmente, ainda assim mais de 68.000 mudas foram atingidas ainda no viveiro e ainda não sabemos exatamente a extensão dos danos causados”, explica Balderi.

Das mais de 100 espécies nativas utilizadas para a restauração na região poucas apresentaram resiliência para eventos extremos. O Raízes do Mogi Guaçu é uma iniciativa do WWF-Brasil e da International Paper com apoio da HP, e prevê restaurar até 200 hectares nas áreas de nascentes do rio Mogi-Guaçu.

O que é o WG1 do AR6

O IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – foi criado em 1988 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pela Organização Meteorológica Mundial com o objetivo de sintetizar e divulgar o conhecimento mais avançado sobre as mudanças climáticas. O IPCC não produz pesquisa original, mas reúne e resume o conhecimento produzido por cientistas de alto nível independentes e ligados a organizações e governos para embasar políticas mundiais globais e nacionais.

Desde sua fundação o IPCC produziu cinco grandes relatórios – o que começa a ser divulgado em 2021 é o sexto, daí a sigla AR6 (de Assessment Report, em inglês). Dada a amplitude e complexidade desses relatórios, eles são produzidos e divulgados em partes. O AR6 é composto por quatro partes: em 2021, é divulgada a parte de ciência física, resultado dos esforços de cientistas de todo o mundo, incluindo Brasil, reunidos no Grupo de Trabalho 1 (WG1, de working group, em inglês).Em 2022, virão as seções sobre impactos, vulnerabilidade e adaptação, mitigação, e uma síntese geral será lançada em 2022).

O Grupo de Trabalho I é formado por especialistas que combinam coisas como observações de concentrações de gases de efeito estufa, medições de temperatura e precipitação, degelo e medidores do nível do mar. Eles executam modelos sofisticados em supercomputadores para obter uma imagem do sistema climático e como e por que ele está mudando. É aqui que obtemos nossa compreensão das mudanças climáticas passadas, presentes e futuras. No caso de projeções, os cientistas apresentam perspectivas para vários cenários de emissões: desde uma redução drástica e rápida das emissões até a continuidade do padrão atual.

Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 25 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática. Saiba mais em wwf.org.br

Novo relatório do IPCC é ultimato para governos e empresas

Cientistas afirmam que para reduzir impacto sobre o clima único nível tolerável de emissão de CO2 é zero

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Que as mudanças climáticas atuais são causadas pelos humanos apenas os negacionistas duvidam. Mas os cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) descobriram mais detalhes sobre essa contribuição antrópica: do aquecimento de 1,09oC observado entre 2011 e 2020 em comparação com o período pré-industrial (1850-1900), 1,07 oC – quase tudo – provavelmente deriva de atividades humanas como o desmatamento e a queima de combustíveis fósseis.

Esta é uma das conclusões do Grupo de Trabalho 1 para o Sexto Relatório de Avaliação (AR6) divulgado nesta segunda-feira (9/8). As afirmações do IPCC têm sempre algum indicador de probabilidade, o que já fez o Painel ser acusado de “conservadorismo” e de facilitar o trabalho dos negacionistas. É exatamente por isso que o relatório de hoje causa apreensão.

Na linguagem do IPCC, o conjunto de eventos climáticos extremos recentes seria extremamente improvável de ocorrer sem influência humana. E ela provavelmente contribuiu para um aumento global da precipitação desde os anos 1950 e mais aceleradamente desde a década de 1980. Há alta confiança sobre a influência humana no aumento da precipitação extrema associada a ciclones tropicais, e é virtualmente certo que a frequência e a intensidade de extremos de calor e a intensidade e duração de ondas de calor aumentaram na maior parte do planeta desde 1950.

No relatório de hoje, o AR6 apresenta uma nova série de cenários de emissões – cinco no total – batizado de Projeto de Intercomparação de Modelos Climáticos Versão 6 (CMIP6). São dois cenários de baixas emissões (SSP1-1.9 e SSP1-2.6), um de médias (SSP2-4.5) e dois de altas (SSP3-7 e SSP5-8.5).

Em todos os cenários, a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris – limitar o aquecimento a 1,5o -, é ultrapassada no começo da próxima década, dez anos antes do previsto. No cenário SSP1-1.9, de emissões mais baixas, o aquecimento voltará a estar abaixo desse patamar somente no fim do século e em resposta a um corte ambicioso de emissões que começasse já.

A temperatura global entre 2081 e 2100 será muito provavelmente 1oC a 1,8oC mais alta do que entre 1850 e 1900 no melhor cenário de emissões e de 3,3oC a 5,7oC mais quente no pior cenário.

Algumas regiões semiáridas e a chamada Região da Monção da América do Sul, que engloba parte do Centro-Oeste brasileiro, da Amazônia, da Bolívia e do Peru, deverão ter os maiores aumentos de temperatura nos dias mais quentes do ano – até duas vezes acima da taxa de aquecimento global.

Outra novidade do AR6 são as estimativas regionalizadas de médio prazo (próximos 30 anos), que podem orientar medidas de adaptação. Todas as regiões do planeta sofrerão mudanças do clima nesse período, e essas mudanças serão maiores com 2oC do que com 1,5oC de aquecimento. Em 2050, se o limite de 2oC for atingido, muitas regiões terão aumento na probabilidade de vários eventos extremos simultâneos ou sequenciais, afetando, por exemplo, regiões produtoras de alimentos.

Longo passado pela frente

As emissões do passado já tornaram irreversíveis algumas consequências do aquecimento global, como o degelo, o aumento no nível do mar e as mudanças nos oceanos.

É virtualmente certo que o nível dos oceanos continuará subindo, já que a expansão térmica é irreversível na escala de centenas a milhares de anos, mas a elevação neste século dependerá do cenário de emissões: de 28 cm a 55 cm no melhor cenário (SSP 1.9) em relação à média 1995-2014; 63 cm a 1,02 m no pior (SSP 8.5). Neste pior cenário, picos de maré alta extrema que ocorriam uma vez a cada século poderão ocorrer uma vez por ano em 80% das localidades com medições de maré do mundo. Desde o início do século 20, o nível do mar subiu 20 cm, mas a taxa de elevação está crescendo: passou de 1,35 mm por ano entre 1901 e 1990 para 3,7 mm por ano entre 2006 e 2018.

Também é virtualmente certo que o oceano aqueceu nos últimos 50 anos e é extremamente provável que a influência humana seja o principal causador desse aquecimento, assim como da acidificação dos mares. Somente entre 2011 e 2020, o aquecimento da temperatura dos oceanos foi de 0,88oC. Neste século, o aquecimento do oceano pode ser duas vezes maior no melhor cenário (SSP1-2.6) e até oito vezes maior no pior (SSP5-8.5), em comparação ao período de 1971 a 2018. As ondas de calor marinhas também estão mais frequentes e a influência humana muito provavelmente contribuiu com 84% a 90% delas desde 2006.

O derretimento de geleiras como as dos Alpes, dos Andes e do Himalaia é a maior causa isolada (41%) do aumento do nível do mar entre 1901 e 2018, enquanto o degelo da Groenlândia e da Antártida respondem por 29%. Na última década a cobertura de gelo marinho no Ártico e nas geleiras atingiu a sua menor extensão em 170 anos no inverno e em mil anos no verão. O derretimento atual das geleiras é o mais acelerado em 2 mil anos.

E a massa das geleiras continuará diminuindo durante décadas mesmo se a temperatura global for estabilizada. Uma previsão de alta confiança é a de que os mantos de gelo da Antártida e da Groenlândia continuarão a perder massa neste século.

A circulação meridional do Oceano Atlântico muito provavelmente se enfraquecerá no século 21 em todos os cenários de emissão. A magnitude deste declínio ainda têm alto grau de incerteza. A confiança de que ela não sofrerá um colapso abrupto é média, o que impactaria nos padrões de tempo e no ciclo da água em grande parte do mundo, alterando os padrões de chuvas na África, Ásia e América do Sul.

Emissões zero ou caos

Segundo o IPCC, para diminuir em qualquer medida o aquecimento global em curso é fundamental que as emissões líquidas de dióxido de carbono (CO2) sejam zeradas. Cada trilhão de toneladas de CO2 emitidas cumulativamente na atmosfera causa um aquecimento global de 0,27oC a 0,63oC, o que é conhecido como resposta climática transitória às emissões. Além disso, a concentração de outros gases de efeito estufa, como o metano (CH4), precisam ser substancialmente reduzidas.

As concentrações dos três principais gases de efeito estufa – CO2, metano e óxido nitroso (N2O ) – são as maiores em 800 mil anos. Somente em relação ao CO2, as concentrações atuais não se repetem há pelo menos 2 milhões de anos.

Desde 1850, a humanidade já emitiu 2,390 trilhões de toneladas de CO2. Para que a chance de estabilizar a temperatura em 1,5oC seja a maior possível, a humanidade não poderá emitir mais do que 300 bilhões de toneladas de CO2, o equivalente a seis anos de emissões mundiais atuais de gases de efeito estufa.

O relatório do IPCC está disponível aqui .

Pesquisa identifica perigo oculto nas cápsulas de café

Uma nova pesquisa revelou que as cápsulas de café de plástico podem conter uma substância química que afeta o metabolismo humano

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As máquinas de café em cápsulas são uma solução conveniente para quem quer preparar a bebida rapidamente. A escolha, no entanto, pode ter consequências graves para a saúde.

Um estudo realizado por uma equipe interdisciplinar da Universidade de Connecticut (Estados Unidos) descobriu que “o café preparado com máquinas de cápsulas pode conter produtos químicos estrogênicos migrados do plástico”.

O líder da pesquisa, Ock Chun, explicou que esses produtos químicos estrogênicos, que podem imitar o hormônio estrogênio, são freqüentemente encontrados em cápsulas de café de plástico. Essas substâncias podem afetar potencialmente a regulação endocrinológica do corpo, explicou o cientista ao portal Eat This, Not That.

Segundo Chun, esses produtos químicos podem acabar contaminando a bebida durante o processo de preparação, quando água em alta temperatura e alta pressão é injetada na cápsula de plástico para extrair rapidamente o café .

Chun ressaltou, no entanto, que a investigação está em andamento e ainda é cedo para soar o alarme. Além disso, o cientista esclareceu que esses produtos químicos estão presentes em várias coisas do nosso dia a dia, como os copos descartáveis ​​e até mesmo o papel em que são impressos os recibos das lojas.

Por outro lado, o pesquisador destacou que a pesquisa é relevante uma vez que “tomar café é um comportamento habitual”.

estudo foi publicado na revista científica Current Research in Toxicology.
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Este texto foi inicialmente escrito em Espanhol e publicado pela Sputnik News [Aqui!].

Crise climática: cientistas detectam sinais de colapso da Corrente do Golfo

Uma paralisação teria impactos globais devastadores e não deve ser permitida, dizem os pesquisadores

amocO derretimento da água doce do manto de gelo da Groenlândia está desacelerando o AMOC mais cedo do que os modelos climáticos sugeriam. Fotografia: Ulrik Pedersen / NurPhoto / REX / Shutterstock

Por Damian Carrington Editor de Meio Ambiente do “The Guardian”

Cientistas do clima detectaram sinais de alerta do colapso da Corrente do Golfo, um dos principais pontos de inflexão em potencial do planeta.

A pesquisa constatou “uma perda quase completa de estabilidade no último século” das correntes que os pesquisadores chamam de Circulação Meridional Virada do Atlântico (AMOC). As correntes  estão em seu ponto mais lento em pelo menos 1.600 anos, mas a nova análise mostra que elas podem estar perto de uma paralisação.

Tal evento teria consequências catastróficas em todo o mundo, interrompendo severamente as chuvas das quais bilhões de pessoas dependem para se alimentar na Índia, América do Sul e África Ocidental; aumento das tempestades e redução das temperaturas na Europa; e elevando o nível do mar no leste da América do Norte. Também colocaria em risco ainda mais a floresta amazônica e os mantos de gelo da Antártica.

A complexidade do sistema AMOC e a incerteza sobre os níveis de aquecimento global futuro tornam impossível prever a data de qualquer colapso por enquanto. Pode ser dentro de uma ou duas décadas, ou vários séculos de distância. Mas o impacto colossal que isso teria significa que nunca deve ser permitido que aconteça, disseram os cientistas.

“Os sinais de desestabilização já visíveis é algo que eu não esperava e que acho assustador”, disse Niklas Boers, do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, na Alemanha, que fez a pesquisa. “É algo que você simplesmente não pode [permitir que] aconteça.”

Não se sabe qual nível de CO2 desencadearia um colapso do AMOC, disse ele. “Portanto, a única coisa a fazer é manter as emissões o mais baixas possível. A probabilidade desse evento de impacto extremamente alto acontecer aumenta com cada grama de CO2 que colocamos na atmosfera ”.

Os cientistas estão cada vez mais preocupados com os pontos de inflexão – mudanças grandes, rápidas e irreversíveis no clima. Boers e seus colegas relataram em maio que uma parte significativa da camada de gelo da Groenlândia está à beira da borda , ameaçando um grande aumento no nível do mar global. Outros mostraram recentemente que a floresta amazônica agora está emitindo mais CO2 do que absorve, e que a onda de calor da Sibéria em 2020 levou a liberações preocupantes de metano .

O mundo já pode ter cruzado uma série de pontos de inflexão , de acordo com uma análise de 2019, resultando em “uma ameaça existencial à civilização”. Um importante relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, previsto para segunda-feira, deve definir o agravamento da crise climática.

A pesquisa de Boer, publicada na revista Nature Climate Change, é intitulada “ Sinais de alerta antecipado baseados em observação para um colapso do AMOC ”. Núcleos de gelo e outros dados dos últimos 100.000 anos mostram que o AMOC tem dois estados: um rápido e forte, como visto nos últimos milênios, e um lento e fraco. Os dados mostram que o aumento das temperaturas pode fazer o AMOC alternar abruptamente entre os estados ao longo de uma a cinco décadas.

O AMOC é impulsionado pelo afundamento densa e salgada da água do mar no oceano Ártico, mas o derretimento da água doce da camada de gelo da Groenlândia está retardando o processo antes do que os modelos climáticos sugeriam.

Boers usou a analogia de uma cadeira para explicar como as mudanças na temperatura e salinidade do oceano podem revelar a instabilidade do AMOC. Empurrar uma cadeira altera sua posição, mas não afeta sua estabilidade se as quatro pernas permanecerem no chão. Inclinar a cadeira altera sua posição e estabilidade.

Oito conjuntos de dados medidos independentemente de temperatura e salinidade que remontam a 150 anos permitiram que Boers mostrasse que o aquecimento global está de fato aumentando a instabilidade das correntes, não apenas mudando seu padrão de fluxo.

A análise concluiu: “Este declínio [da AMOC nas últimas décadas] pode estar associado a uma perda quase completa de estabilidade ao longo do século passado, e a AMOC pode estar perto de uma transição crítica para seu modo de circulação fraca.”

Levke Caesar, da Maynooth University na Irlanda, que não esteve envolvido na pesquisa, disse: “O método de estudo não pode nos dar um momento exato de um possível colapso, mas a análise apresenta evidências de que o AMOC já perdeu estabilidade, o que considero como um aviso de que podemos estar mais perto de uma gorjeta da AMOC do que pensamos. ”

David Thornalley, da University College London no Reino Unido, cujo trabalho mostrou que o AMOC está em seu ponto mais fraco em 1.600 anos, disse: “Esses sinais de estabilidade decrescente são preocupantes. Mas ainda não sabemos se ocorrerá um colapso, ou quão perto podemos estar dele.”

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Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

O saco (cheio) de maldades que Cláudio Castro esqueceu de mencionar em seu showmício na Uenf

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Um número nada desprezível dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro parece inebriado com um fato que deveria ser a coisa mais banal do mundo, que é o pagamento de seus salários relativamente em dia. É que muitos ainda estão afogados em intermináveis “consignados” que resultaram do atraso crônico de salários ao longo de 2017.
Com essa postura, agravada pelo afastamento social causado pela pandemia da COVID-19, muitos servidores não estão cientes do verdadeiro saco de maldades que o governador “por acaso” Cláudio Castro lhes reserva para um futuro não muito distante a partir do modelo de renovação do tenebroso “Regime de Recuperação Fiscal” que acaba de ser renovado com o governo federal.
Os ataques inseridos no “RRF” assinado por Cláudio Castro são uma espécie de aperitivo do que será imposto a todos os servidores públicos brasileiros, caso a chamada “Reforma Administrativa” seja aprovada. Abaixo posto 3 slides de uma análise mais ampla preparada pelo pessoal da “Auditoria Cidadã da Dívida” sobre os impactos do RRF sobre os servidores estaduais do Rio de Janeiro, onde fica explícito que os ataques que virão serão duríssimos, indo da continuidade do congelamento dos salários até a imposição de um modelo completamente privatista de aposentadoria, no melhor molde da previdência privada imposta pelo regime de Augusto Pinochet aos trabalhadores chilenos.

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No caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), onde ontem Cláudio Castro aportou sua versão eleitoral da “Caravana Rolidei”, os impactos serão muito duros e que ameaçarão a própria sobrevivência da universidade idealizada por Darcy Ribeiro e implantada por Leonel Brizola. É que já sob forte pressão por falta de concursos e com um orçamento continuamente congelada, a Uenf ainda convive com salários corroídos por mais de 7 anos de inflação. Mas com a adesão feita por Cláudio Castro ao RRF, nenhum desses problemas poderá ser reparado enquanto o acordo com o governo federal continuar em vigência.
Lamentavelmente, a Uenf está hoje sob o comando de um reitor que está claramente aquém das tarefas que se impõe sobre a instituição em uma difícil conjuntura histórica. Aliás, se entendesse o papel que deve cumprir enquanto reitor, o atual ocupante do cargo não teria se colocado como plateia no show gospel que Cláudio Castro ontem no Centro de Convenções que curiosamente leva o nome do arquiteto comunista e ateu Oscar Niemeyer.
Por isso, o melhor que os servidores públicos estaduais podem fazer é parar de se deixar engabelar pelo pagamento de salários corroídos por uma inflação que hoje se encontra galopante para planejar a necessária reação aos planos de desmanche que Cláudio Castro pretende implantar, pois como dizia meu falecido pai “jacaré parado vira bolsa”.