Céu Aberto – O Distanciamento entre o Ser Humano e a Natureza

Mostra Céu Aberto leva intervenção urbana para casa das pessoas
 
São Paulo, março de 2021 – Uma intervenção urbana em São Paulo vai sair das ruas e levar arte diretamente para o público que está quarentenado em suas casas, entre os dias 22 a 29 de abril. Intitulada Céu Aberto – O Distanciamento entre o Ser Humano e a Natureza, a mostra digital de arte contemporânea apresenta suas obras em empenas cegas de prédios da cidade e cultiva uma reflexão sobre a relação do ser humano com a natureza. A intervenção será exibida pelo Youtube da Mostra, sempre um dia após sua execução.

Simbólica, a abertura das exibições online marca o Dia Mundial do Planeta Terra, data que representa a luta em defesa do meio ambiente, e o marco da chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500 – promovendo a reflexão sobre a importância do planeta e do desenvolvimento de uma consciência ambiental diante da devastação dos biomas, principalmente em território brasileiro, que serviu como colônia de exploração e mantém até hoje práticas extrativistas sem limites.

Cerca de 16 projetores de 20 mil Lúmens serão utilizados para exibir as obras de oito artistas nacionais, que serão projetadas em paredões urbanos de grande movimentação da cidade, lançando luz em um dos mais importantes debates da atualidade: o equilíbrio das relações humanas com a natureza. Entre os nomes presentes na mostra, estão Mozart Santos, VJ Suave, Roberta Carvalho, Mozart Fernandes, Sitah, Lourival Cuquinha, Catharina Suleiman e Guto Barros .

“Desde as primeiras pinturas humanas, descobertas nas cavernas de Chauvet, na França, a arte muitas vezes cumpre papéis nos rituais que nos ligam ao entorno, aos ciclos da natureza e do ambiente que nos cerca. Quais seriam nossos testemunhos nas paredes dessa caverna urbana a céu aberto que é a cidade de São Paulo? O que desenharíamos, pintaríamos, escreveríamos? O que projetaremos nas paredes dos prédios?”, questiona o artista Mozart Santos, que é também um dos idealizadores do Projetemos, coletivo de artistas que estampa mensagens em prédios de diferentes cidades do Brasil.

“A intenção desse muralismo de luz, como uma alternativa desse momento brasileiro e mundial, é aproximar o povo para esse processo de debate e pensamento crítico sobre o meio ambiente com uma exposição de arte com obras projetadas nos prédios de sp onde o tema será provocado por 8 artistas, em 8 prédios diferentes. 1 por noite.”, explica Mozart.

Este projeto é fomentado pelo edital nº40/2020 do Proac Expresso Lab promovido pelo Governo do Estado de São Paulo através da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, e do Governo Federal através da Secretaria Especial de Cultura e Ministério do Turismo. A concepção e realização é da Mexe Mexe e a produção das Ninas.

Sobre os artistas

Na quinta-feira (22), o pernambucano Mozart Santos abre a exposição com um uma série de fotografias de folhas de plantas das praças de seu bairro, que transformadas em um vídeo, fazem uma reflexão sobre as queimadas e a lenta combustão dos seres vivos que nos proporcionam o ar para respirar.

O Vj Suave exibe na sexta (23), a obra “A Natureza Invade a Cidade”, trazendo o questionamento da falta de vida natural nos grandes centros.

No sábado (24), a paraense Roberta Carvalho fala sobre a sensível convivência dos seres humanos com os rios urbanos.

Domingo (25), o designer Mozart Fernandes junto com a bailarina portuguesa Marta Rijo exibem uma performance de dança, sobre o ar e o sufocamento.

Na intervenção “Silêncios”, de Sitah exibida na segunda-feira (26), traz para a cidade de São Paulo traços da Floresta Amazônica. Com imagens da natureza se fundem ao corpo feminino indígena nos lembrando que somos um só organismo.

Na terça-feira (27), a obra de Lourival Cuquinha mostra o que significa a palavra “grilagem” e nos lembra a série de ações predatórias que o Brasil sofre desde seu “descobrimento”.

Catharina Sulleiman traz a delicadeza da natureza feminina para as paredes, através de uma obra feita por camadas, sonhos, memórias e arquétipos do feminino, que poderá ser apreciada na quarta-feira (28).

Guto Barros que se apresenta no encerramento da mostra, na quinta (29), tem uma mirada poética entre caminhos e percursos naturais e artificiais e problematiza o equilíbrio entre eles através de uma performance de rua.



SERVIÇO

Céu Aberto, o distanciamento entre o ser humano e a natureza
Transmissão: https://www.youtube.com/c/CÉUABERTO
https://www.instagram.com/brigadaceuaberto
Classificação: livre

PROGRAMAÇÃO – Exibições

Quinta-feira, 22 de abril | Mozart Santos
Sexta-feira, 23 de abril | VJ Suave
Sábado, 24 de abril | Roberta Carvalho
Domingo, 25 de abril | Mozart Fernandes
Segunda-feira, 26 de abril | Sitah
Terça-feira, 27 de abril | Lourival Cuquinha
Quarta-feira, 28 de abril | Catharina Suleiman
Quinta-feira, 29 de abril | Guto Barros

Manifesto em defesa da Floresta e da Vida

Parlamentares, Sociedade civil e artistas brasileiros se unem em apelo às autoridades americanas e à comunidade internacional

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A uma semana da Cúpula do Clima convocada por Biden, ambientalistas, artistas, parlamentares, representantes indígenas, quilombolas e pessoas do campo se uniram hoje no evento Emergência Amazônica – Em defesa da Floresta e da Vida. O objetivo deste encontro foi alertar sobre o possível acordo financeiro entre Estados Unidos e Brasil, negociado entre governo Biden e governo Bolsonaro, para prover recursos para a Amazônia. O acordo tem gerado dúvidas sobre seus reais benefícios à sociedade brasileira, em razão de sua construção a portas fechadas, com pouca transparência, muita celeridade e sem consultas às populações amazônicas. Por esta razão, uma carta de manifesto direcionada às autoridades americanas e à comunidade internacional foi lançada hoje no evento.

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A Carta dos Parlamentares e da Sociedade Civil do Brasil aos Estados Unidos da América, em defesa da Amazônia, reúne a assinatura de 53 parlamentares e mais de 60 organizações da sociedade civil, incluindo Greenpeace Brasil, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB, Observatório do Clima – OC, entre outras. A carta deixa claro que os signatários apoiam e estimulam a cooperação internacional para a defesa do meio ambiente no Brasil, tendo em vista o papel estratégico do Brasil e da Floresta Amazônica no combate à crise climática planetária. No entanto, a proteção da floresta e de seus povos, dever constitucional do poder público, não estão, definitivamente, nas prioridades do atual governo brasileiro.

Veja a carta aqui: português e inglês

Por isso é alarmante que o governo Biden negocie com o governo Bolsonaro, um governo que promove dolosamente o desmonte de políticas socioambientais e que oferece posicionamentos negacionistas, ostensivamente contrários ao meio ambiente e indiferentes ou preconceituosos com indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, e que conduz o povo brasileiro para o precipício ao facilitar a disseminação da tragédia sanitária e o infortúnio do desamparo socioeconômico. Nesses termos, o acordo representaria a legitimação e financiamento da agenda de destruição da Amazônia promovida pelo governo Bolsonaro, que também avança no Congresso Nacional brasileiro para desregulamentar legislações socioambientais e fundiárias no Brasil.

É preciso união social para conter o avanço da agenda ruralista. Um verdadeiro trator que, agora, vê caminho aberto no Congresso Nacional. Precisamos de um governo que fortaleça seus órgãos ambientais e garanta todos os recursos necessários para que cumpram sua função de proteger o meio ambiente. Um governo que apoie e incentive a participação da sociedade civil organizada nas decisões que impactam a população, só assim um acordo internacional será, de fato, benéfico à Amazônia e seus povos.

Catástrofe huminatária: Médicos Sem Fronteira criticam duramente resposta do governo Bolsonaro à COVID-19

A ONG médica afirma que a negligência do governo Bolsonaro está custando vidas, já que o número de mortos ultrapassa 362.000, perdendo apenas para os EUA

cepa bolsonaroPessoas seguram faixas mostrando o presidente Jair Bolsonado lendo ‘A cepa Bolsonaro, perigo mundial’ durante um protesto na embaixada brasileira em Buenos Aires na quarta-feira. Fotografia: Juan Mabromata / AFP / Getty Images

Por Tom Phillips, do Rio de Janeiro, para o “The Guardian

A resposta negligente do governo brasileiro à COVID-19 mergulhou o país sul-americano em uma “catástrofe humanitária” como uma bola de neve que deve se intensificar nas próximas semanas, alertou a ONG Médecins Sans Frontières.

“Tenho que ser muito claro: a negligência das autoridades brasileiras está custando vidas”, disse o presidente internacional do grupo, Christos Christou, a jornalistas na quinta-feira, depois que o número oficial de mortos no Brasil aumentou para mais de 362 mil, perdendo apenas para os EUA.

Meinie Nicolai, diretora-geral de MSF, disse que as ações do governo brasileiro – que sob seu líder de extrema direita, Jair Bolsonaro , minimizou a epidemia, evitou medidas de contenção e promoveu tratamentos sem base científica – o tornaram “uma ameaça aos seus própria população ”.

“Não há coordenação na resposta. Não há um reconhecimento real da gravidade da doença. A ciência é posta de lado. Notícias falsas estão sendo distribuídas e os profissionais de saúde são deixados por conta própria ”, disse Nicolai.

“O governo está falhando com o povo brasileiro. Todos os brasileiros podem dizer que há pessoas ao seu redor que foram enterradas ou intubadas [em lugares] onde não há remédios e nem oxigênio. Isso é inaceitável ”, acrescentou Nicolai.

Questionado se o governo de Bolsonaro havia respondido pior do que qualquer outro na Terra, Nicolai concordou com base no fracasso do Brasil em aprender com mais de um ano de experiência global na luta contra  a COVID-19 usando técnicas como distanciamento físico, teste e rastreamento e promoção de face máscaras. “É o pior não implementar o que se conhece? Eu diria que sim ”, disse o chefe de MSF.

Há uma crescente preocupação internacional com o surto descontrolado no Brasil e a disseminação da variante P1 mais contagiosa ligada à Amazônia brasileira. Esta semana, os temores sobre essa variante levaram a França a suspender voos do maior país da América do Sul , com o primeiro-ministro, Jean Castex, lamentando a “situação absolutamente dramática” do Brasil. O Ministério das Relações Exteriores britânico desaconselha todas as viagens ao Brasil, exceto as essenciais, onde um surto de infecções causou um colapso histórico no sistema de saúde em todo o país.

A situação deverá piorar nos próximos meses

Mas Nicolai disse que o comportamento do governo brasileiro é acima de tudo um perigo para os brasileiros, 80% dos quais permanecem suscetíveis ao COVID-19. Isso significa que o Brasil provavelmente verá “uma situação ainda mais catastrófica” nos próximos meses, ela alertou.

Christou disse que os profissionais de saúde brasileiros estão “fisicamente, mentalmente e emocionalmente exaustos” e foram “deixados sozinhos para juntar os pedaços de uma resposta falha do governo”.

“Todos com quem falei no Brasil pediram a mesma coisa: essa doença precisa ser levada a sério pelas autoridades, dizem. As pessoas estão desesperadas, estão de luto e precisam de ajuda.”

Bolsonaro e seus apoiadores defendem a resposta do governo, alegando que sua resistência às medidas de contenção visa proteger a economia. Na segunda-feira, o filho político de Bolsonaro, Eduardo, afirmou falsamente no Twitter que o bloqueio ajudou o coronavírus a se espalhar. A empresa de mídia social disse mais tarde que a mensagem violou suas regras sobre a divulgação de informações enganosas e potencialmente prejudiciais sobre a pandemia.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian”  [Aqui!].

Fim da picada: PF denuncia Ricardo Salles por ligações com madeireiros envolvidos na extração ilegal de madeira na Amazônia

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Lobby de Ricardo Salles a favor de madeireiros resulta em ação inédita de denúncia de um ministro do Meio Ambiente pela Polícia Federal ao STF

A Polícia Federal  decidiu se dirigir ao  Supremo Tribunal Federal contra o ministro Ricardo Salles por ele supostamente dificultar fiscalização ambiental na Amazônia. O superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, enviou uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Segundo a PF, Salles se posicionou do lado dos madeireiros em ações do poder público e dificultou “de forma consciente e voluntária” a fiscalização na região. O senador Telmário Mota (PROS-RR), citado junto ao ministro, disse que as acusações são “sem fundamento”.

No centro dessa situação espinhosa estão mais de 200 mil metros cúbicos no valor de R$ 130 milhões de madeira foram apreendidos na Operação Handroanthus no final de 2020. Salles e Telmário têm feito declarações contrárias à operação da Polícia Federal que levou à apreensão, além de defender a aparente legalidade do material e dos madeireiros investigados.

É importante lembrar que em março deste ano, Ricardo Salles visitou a região e se reuniu com madeireiros para tratar do tema, e fez postagens em redes sociais defendendo que seja dada solução célere ao caso.  Para o superintendente da Polícia Federal do Amazonas,  Ricardo Salles e Telmário Miranda possuem uma parceria com o setor madeireiro “no intento de causar obstáculos à investigação de crimes ambientais e de buscar patrocínio de interesses privados e ilegítimos perante a Administração Pública.”

Ainda que as estripulias de Ricardo Salles à frente de cargos públicos não seja nenhuma novidade, ele foi até condenado em primeira instância por atos de improbidade administrativa quando era secretário estadual do Meio Ambiente de São Paulo, a decisão do superintendente da Polícia Federal não poderia chegar em pior hora para ele e para o governo Bolsonaro quando se tenta negociar um acordo bilionário com o governo Biden para “proteger a Amazônia”.

Agora a batata quente política está nas mãos do governo dos EUA que terá de decidir se continua negociando com um governo cujo ministro do Meio Ambiente está sendo acusado de dificultar a punição de crimes ambientais. Já para Ricardo Salles não há muita novidade, pois ele está acostumado a ter que se explicar na justiça por atos cometidos enquanto ocupa cargos públicos.

Plano “Hamilton Mourão” promete diminuir desmatamento na Amazônia, aumentando as taxas de derrubada das florestas Amazônicas!

 

mourão

Hoje o general da reserva Hamilton Mourão, que está vice-presidente da república, lançou o  chamado “Plano Amazônia 2021-2022“, com metas que objetivamente representam uma estratégia de deixar aumentar para fazer parecer que baixou. Coisa de gênio, e que provavelmente espera que o governo dos EUA engula essa pílula amarga e ainda entregue os prometidos US$ 20 bilhões que citou em sua campanha eleitoral como uma espécie de incentivo para o Brasil controlar o desmatamento desenfreado que hoje torna o país, e bem de longe, o principal desmatador do planeta (ver gráfico abaixo).

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Eu posto abaixo uma série de observações tiradas da página mantida na rede Twitter pela competente jornalista Giovana Girardi,  uma das melhores na área do jornalismo ambiental brasileiro, que desnudam de forma lapidar a farsa contida nas metas do Plano Amazônia do General Mourão:

“O Plano Amazônia lançado hj por  @GeneralMourao prevê uma redução de desmatamento que mantém a taxa a níveis mais altos do q esta gestão encontrou ao assumir o governo. Eles querem reduzir até o fim de 2022 os “ilícitos” na média histórica do Prodes entre 16 e 20. Entenda comigo:

 
1) Quando Bolsonaro assumiu o país, fazia 10 anos que o desmatamento da Amazônia não chegava a 8 mil km2 ao ano. Em 2019 e 2020 ele saltou para mais de 10 mil, os maiores valores desde 2008. Pois bem: prometer agora reduzir à média entre 2016 e 2020 é baixar a 8.718,6 km2.
 
desmatamento
 
2) Ou seja, é ficar mais alto do que jamais esteve desde 2008. Na prática, o governo está prometendo que vai encerrar sua gestão sem ter sido capaz de reduzir a taxa de desmatamento na Amazônia, como é meta q o Brasil assumiu no Acordo de Paris.
 
3) Para zerar o desmatamento ilegal até 2030, não dá para fechar 2022 com uma taxa de desmatamento mais alta do que a recebeu.    @GeneralMourao, @rsallesmma e @jairbolsonaro  insistem em dizer que o desmatamento sobe desde 2012, o que é verdade. Mas ninguém fez isso tão bem quanto eles.
 
4) Essa meta é um atestado de incapacidade de resolver o problema que eles mesmos pioraram. Na semana que vem ocorre a Cúpula do Clima de @JoeBiden  , na qual os líderes foram convidados a apresentar metas mais ambiciosas. Esse plano é o oposto disso. in.gov.br/en/web/dou/-/r
 
5) Além disso, o plano convoca o @mmeioambiente e o @Mapa_Brasil para começar agora a discutir o que vai ser feito quando a Operação Verde Brasil 2 acabar, o que ocorre no fim do mês. A temporada seca já está começando. Não era de se esperar que isso já estivesse sendo planejado?
 
6) Mais uma continha para não deixar dúvidas. A média do Prodes nos cinco anos antes de Bolsonaro (anos de 14 a 18) foi de 6.719 km. Os 8.718 km2 propostos no Plano Amazônia representam uma alta de 29,75%.”
      
A verdade nua e crua é que enquanto o Brasil estiver sendo governado pela dupla Bolsonaro/Mourão, tendo de quebra o auxílio do anti-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não há a menor chance de que o desmatamento e, friso, também a degradação florestal voltem a taxas minimamente aceitáveis.  As políticas emanadas por esse governo são o principal combustível do avanço do processo de destruição dos biomas florestais brasileiros, principalmente os amazônicos e os do Cerrado. 
 
Finalmente, se o governo Biden decidir entregar os prometidos US$ 20 bilhões ao governo Bolsonaro, é bom que os estadunidenses saibam que estarão jogando dinheiro fora. É que não é entregando o dinheiro para as raposas que se protege o galinheiro (no caso a Amazônia).

Sérgio Moro participa de negociações secretas entre Brasil e Estados Unidos sobre a Amazônia

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Por Brasil Wire 

O desonrado juiz Lava Jato e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Sérgio Moro, em uma reunião privada bilateral EUA-Brasil sobre a floresta amazônica é motivo de mais preocupação. Sem cargo divulgado junto ao governo dos Estados Unidos ou do Brasil, quais interesses ele representa?

As negociações a portas fechadas entre a administração de Joe Biden e o regime de Bolsonaro estão enfrentando oposição feroz; uma nova campanha insta Biden a encerrar as negociações secretas sobre o futuro da Amazônia, depois que uma coalizão de 199 grupos da sociedade civil entregou uma carta ao governo dos Estados Unidos exigindo que qualquer discussão sobre o futuro da floresta tropical inclua o povo brasileiro.

Mas um  relato da última reunião vazado para o Sentinel da Kennesaw State University , revela um novo componente que vai causar preocupação e confusão no Brasil: Sérgio Moro.

O ex-ministro da Justiça de Bolsonaro e o desgraçado juiz de Lava Jato levaram o presidente de extrema direita ao poder através da prisão de Lula da Silva. Após a anulação das acusações contra Lula , Moro agora enfrenta investigação pelo Supremo Tribunal Federal pelo crime de parcialidade judicial no processo e na prisão do ex-presidente.

No encontro virtual, com políticos, economistas, diplomatas e empresários brasileiros, o embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, insistiu que a cúpula dos líderes climáticos de Joe Biden na próxima semana seria “a última chance do Brasil de mostrar sua preocupação ambiental, restaurar a confiança americana e expandir relações com a Casa Branca. ”

A presença de Moro nessas reuniões da Amazon é, no mínimo, incongruente. Ele não é mais membro do governo brasileiro e não possui cargo divulgado junto ao governo dos Estados Unidos ou suas agências. Para quem ele está trabalhando? Quem ele está representando?

Recentemente, ele assumiu uma  posição de parceria / diretoria com a empresa de consultoria global com sede nos EUA, Alvarez & Marsal . Quando o contratou, a empresa apresentou o ex-juiz como um especialista em “principais investigações anticorrupção” e “aconselhando clientes sobre estratégia regulatória e conformidade”.

A linha do tempo conhecida das conexões de Moro com os Estados Unidos remonta a quase 25 anos. Muito antes de ser retratado heroicamente no New York Times e na revista Time, que o nomeou entre as 100 pessoas do ano em 2016.

De um programa de intercâmbio na Harvard Law School em 1998, Moro participou do Programa de Liderança de Visitantes Internacionais de 2007 do Departamento de Estado dos EUA , “visitando agências e instituições dos EUA responsáveis ​​pela prevenção e combate à lavagem de dinheiro”.

A partir de 2009, nós o vemos vinculado ao Projeto Bridges, um esforço secreto dos EUA para estimular os funcionários públicos brasileiros a cumprir os objetivos geopolíticos revelados em telegramas vazados do Departamento de Estado . A colaboração informal ” do DOJ / FBI com a Operação Lava Jato surgiu do Projeto Pontes ou Pontes , e a investigação anticorrupção estava efetivamente operando como agência dos EUA, proporcionando tanto o cenário político para o impeachment de Dilma Rousseff, quanto a prevenção do retorno de Lula ao presidência dois anos depois.

Ao entrar no governo em janeiro de 2019, Moro acompanhou Bolsonaro à sede da CIA em Langley , a primeira visita de um presidente brasileiro na história. Como chefe do novo ministério da justiça e segurança, Moro supervisionou a enorme expansão da jurisdição do FBI e alcance dentro do território soberano brasileiro, incluindo o estabelecimento dos chamados centros de coleta de inteligência Fusion . Em conversas que vazaram, o promotor-chefe de Lava Jato, Deltan Dellagnol, chamou a prisão de Lula de “ um presente da CIA ”.

Então, em que qualidade e em nome de quem Sérgio Moro está participando de negociações confidenciais entre os Estados Unidos e o Brasil sobre política ambiental? E para qual país?

Uma pista pode estar no que dizem que ele disse na reunião e em sua conversa com o embaixador dos EUA, Chapman. De acordo com o relato anônimo da reunião:

“Moro, por sua vez, perguntou se havia algo que o setor privado pudesse fazer se o governo brasileiro não cooperasse com o meio ambiente e ouviu de Chapman que muitas empresas americanas estão exigindo uma resposta mais agressiva ao meio ambiente, porque não o fazem querem pagar em nome dos envolvidos em ilegalidades e desmatamento. ”

As empresas que mais investem no desmatamento na Amazônia são membros dlobby / think tank de Wall Street Conselho das Américas , que está intrinsecamente relacionado ao Departamento de Estado, compartilhando muitos funcionários antigos e atuais, e realizando seu evento anual em sua sede o Harry S. Truman prédio.

O Conselho das Américas promoveu sem fôlego Sérgio Moro, Lava Jato e a guerra contra a corrupção no Brasil e na América Latina, o que trouxe benefícios imediatos para seus membros como Cargill, Blackrock, Rio Tinto e Chevron. Mesmo depois dos incêndios que varreram a região em 2019 , em fevereiro de 2020, sua revista interna Americas Quarterly publicou um artigo afirmando que “ o plano de Bolsonaro para a Amazônia tem verdadeiras razões para ter esperança ”. No Fórum Econômico Mundial de Davos 2017, o procurador-geral brasileiro Rodrigo Janot disse aos participantes que Lava Jato era “pró-mercado ”, uma posição política que não deveria ter. Dois anos depois, com Bolsonaro no poder, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tentou premiar  a Força-tarefa Lava Jato com uma propina de $ 672 milhões de dólares .

Independentemente da administração, republicana ou democrata, sempre que os Estados Unidos negociarem pela Amazônia será sempre em nome desses interesses corporativos arraigados, ao lado de quaisquer novas preocupações ambientais que possam ocupar as manchetes.

Nesse sentido, a participação de Moro nesta reunião talvez não seja surpreendente …

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Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo site Brazil Wire [Aqui!  ].

Observatório dos Agrotóxicos: aproveitando o caos causado pela pandemia, governo Bolsonaro acelera a aprovação de agrotóxicos

Com mais 39 liberações, governo Bolsonaro alcança 1.139 agrotóxicos liberados desde janeiro de 2019

chuva

Em meio ao avanço catastrófico da COVID-19 e toda a agitação política em torno dos supostos malfeitos cometidos pelo presidente Jair Bolsonaro na condução da resposta governamental à pandemia, os braços executivos do governo federal continuam operando com a agilidade conhecida, especialmente em se tratando da liberação de agrotóxicos. Assim é que , em meio à situação caótica imperando no Brasil neste momento, o Ministério da Agricultura fez publicar no Diário Oficial da União do dia de ontem (13/04), o Ato No. 19 de 07 de abril de 2021 por meio do qual foram liberados mais 39 produtos no mercado brasileiro, totalizando 1.139 liberações desde janeiro de 2019.

Esse ritmo de aprovações não possui nenhum paralelo no que foi praticamente anteriormente, pois essas 1.072 liberações feitas em apenas 26 meses representam 35% de todos os produtos disponíveis no mercado (i.e., 3.197), evidenciando um ritmo para lá de frenético na hora de liberar agroquímicos proibidos em outras partes do mundo por causa dos graves danos que causam à saúde humana e ao meio ambiente.

A propensão de aprovar produtos banidos em outras partes do mundo fica evidente quando se verifica que 28% dos produtos liberados  pelo Ato No. 19 de 07 de abril de 2021 estão proibidos na União Europa. Dentre eles se destacam os conhecidos Fipronil, Acefato, Ametrina e Atrazina. Em conjunto, esses grupos já foram confirmados como causadores de diferentes tipos de câncer e também capazes de alterar substancialmente o sistema glandular humano.

Who's killing the bees? New study implicates virtually every facet of  modern farming - ExtremeTech

Além disso, o Fipronil que é conhecido por causar o extermínio de espécies não-alvo e que são essenciais para a agricultura por serem polinizadores (como é o caso das abelhas) teve mais três versões aprovadas, sendo que agora passamos a ter 24 variações do Fipronil liberadas para comercialização direta ou para emprego na formulação de outros produtos. Em outras palavras, o governo Bolsonaro prepara, apenas com as liberações de Fipronil, uma verdadeira hecatombe para as populações de abelhas no Brasil.

Civil Society Calls on the EU to Prohibit Exports of Banned Pesticides -  Slow Food International

E o mais peculiar é que o grosso dos agrotóxicos estão sendo liberados para uso nas grandes monoculturas destinadas a produzir grãos e outras commodities para exportação, como é o caso da soja, do milho, do algodão e da cana-de-açúcar, reforçando o caráter do Brasil de ser um grande latifúndio operando para servir os interesses das grandes cadeias que controlam o mercado global de commodities.

Quem desejar acessar a base de dados relativa ao Ato No. 19 de 07 de Abril de 2021, basta clicar [Aqui!]. Para os que desejarem baixar a base contendo os 1.139 liberados desde o início do governo Bolsonaro, basta clicar [Aqui!].

Eduardo Paes dá calote nas merendeiras do Rio

paes caloteiro

*✊🏾🗣️Especial: A luta das merendeiras do Rio*

_📢Divulgue e acompanhe as denúncias das condições do trabalho e da luta dos trabalhadores. Nesta edição destaque para a situação das trabalhadoras e trabalhadores da Especialy; PRM; Soluções; Home bread; Nova Rio; Comissária Rio e outras empresas💬

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💥 *Eduardo Paes: 100 dias governando o Rio sem pagar as merendeiras das creches municipais*
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⚡ *“A prefeitura empurra pra firma e a firma pra prefeitura e estamos sem salário” denúncia merendeira no Rio*
bityli.com/SfMon

💥 *”Mulheres com filhos passando fome e sendo despejadas”: Paes não paga merendeiras há 4 meses*
bityli.com/TnsyF

💪🏾 *“Somos guerreiras, organizamos nossa manifestação no dia da mulher pelo pagamento dos nossos salários”*
bityli.com/FGDJ3

💥 *Merendeiras da empresa Soluções também estão sem salário por calote dos patrões e de Paes*
bityli.com/HI9VY

📢 *Carolina Cacau: “Toda solidariedade às merendeiras em luta contra Paes e os empresários!”*
bityli.com/1qVXz

PF produziu perícia para ajudar Moro e procuradores de Curitiba

riocentro

Policiais fazem perícia na explosão que fez vítima um sargento do Exército, em 1981

Por Márcio Chaer para o Conjur

Um sargento morreu por causa da explosão de uma bomba dentro do automóvel em que estava e que arrebentou também grande parte da barriga do capitão que o acompanhava. Os dois, trabalhando para o serviço secreto do Exército, haviam sido incumbidos de explodir um centro de convenções onde 20 mil pessoas assistiam a um show alusivo ao Dia do Trabalhador.

Isso aconteceu no dia 30 de abril de 1981, uma quinta-feira, véspera do 1º de Maio. Mais coragem que os dois desastrados, que acabaram cometendo um atentado contra si próprios, teria o coronel do Exército, Job Lorena, dois meses depois. Estribado em uma perícia de 700 páginas, Lorena tentou convencer os brasileiros de que a bomba fora jogada no carro por terroristas — teoria que seria desmentida pelas investigações.

Nesta segunda-feira (12/4), três peritos da Polícia Federal entraram para o hall da fama junto com o coronel Lorena. Elcio Ricardo de Carvalho, Wilson Dos Santos Serpa Júnior e Fábio Melo Pfeifer produziram um “laudo”, em nove páginas, para duvidar da autenticidade dos arquivos roubados pelo hacker Walter Delgatti, do armazém de dados do procurador Deltan Dallagnol.

Com um texto discursivo e retórico, o trio esbanja adjetivos e não oferece qualquer base concreta para suas conclusões — para tentar dar ares de sentença judicial ao que deveria ser um trabalho técnico. Os peritos não cruzaram nem checaram informações, não auditaram os arquivos e, por fim, não indicaram uma única inconsistência para concluir que os diálogos “podem ter sido” adulterados.

O hacker Walter Delgatti não disse que invadiu o Telegram, mas sim o material que Deltan armazenou na nuvem. Dali, ele baixava os arquivos no Dropbox. E, conforme explica o próprio Dropbox, qualquer alteração feita pode ser verificada. O que, se foi feito, não aparece no “laudo”. Claro que tudo seria esclarecido se os envolvidos franqueassem seus dispositivos para verificação.

Algoritmos à parte, é possível verificar a veracidade das conversas. Os diálogos citam ofícios, decisões, notícias, reuniões, viagens que são combinados nos diálogos. Qualquer jornalista checaria se os fatos ocorreram depois: ofícios e decisões têm número e data; as notícias estão na internet; para reuniões há agendas e para viagens há bilhetes aéreos.

Nos arquivos, além de planilhas e documentos, há fotos, vídeos e áudios. Mas, segundo os peritos, não se pode presumir que isso tudo não foi adulterado.

Mais que isso, se o hacker baixou os arquivos de Deltan da nuvem — e os equipamentos usados pertencem à PGR, assim como telefones, laptops e computadores dos interlocutores de Deltan —, as informações que os peritos deveriam procurar estão nas mãos do próprio Estado. Ou seja, ao alcance da PF. Mas o fato de os procuradores terem negado ao Estado a prova que o Estado diz ter procurado, aparentemente, não interessava aos policiais.

Alguns dos procuradores da República de Curitiba se habilitaram no processo contra o hacker na condição de vítimas e receberam cópia dos arquivos. Eles nunca apontaram qualquer divergência entre o que escreveram e o que está documentado a partir da apreensão dos arquivos. Ao contrário, a procuradora Jerusa Viecili pediu desculpas a Lula pelo que disse a respeito do velório do neto do ex-presidente. Sergio Moro pediu desculpas ao Movimento Brasil Livre (MBL) por tê-los ofendido nos diálogos.

Não se apurou se de fato houve os encontros com procuradores dos Estados Unidos ou da Suíça para trocar informações estratégicas contra as empresas brasileiras. Nem se combinaram “rachadinhas” com dinheiro de multas de empresas. Ignorou-se, ainda, que, no Laudo de Apreensão dos arquivos, os diferentes dispositivos foram logo de início periciados — e considerados íntegros.

Nesse laudo de apreensão, ressalvaram os primeiros colegas dos peritos a avaliar o material, caso surgisse alguma dúvida posterior, qualquer possível adulteração poderia ser detectada, já que a Polícia Federal tem capacitação técnica para isso. O novo “laudo”, divulgado dois dias antes de o Supremo Tribunal Federal discutir de novo a incompetência de Curitiba e a suspeição de Moro, tem um lugar na história, ao lado do Inquérito Policial Militar de Job Lorena.

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fecho

Este texto foi originalmente publicado pelo site Conjur [Aqui!].

Biden em negociações arriscadas para pagar ao Brasil para salvar a Amazônia

Ativistas temem que um acordo climático de bilhões de dólares reforce Bolsonaro e recompense o desmatamento ilegal da floresta, mas os EUA dizem que a ação não pode esperar
desmatamento
Uma foto aérea mostra o contraste entre as paisagens florestais e agrícolas perto de Rio Branco, Acre, Brasil. O Brasil está pedindo um bilhão de dólares a cada 12 meses em troca do qual o desmatamento seria reduzido em 30 a 40 por cento. Foto de Kate Evans / CIFOR.
Por Jonathan Watts, do “The Guardian”, para  o Earth Island Journal

Os EUA estão negociando um acordo climático de bilhões de dólares com o Brasil que os observadores temem que possa ajudar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro e recompensar o desmatamento ilegal na Amazônia.

Essa é a preocupação de grupos indígenas, defensores do meio ambiente e ativistas da sociedade civil, que afirmam estar sendo excluídos das conversas mais importantes sobre o futuro da floresta tropical desde pelo menos 1992.

Altos funcionários dos EUA estão realizando reuniões online semanais sobre a Amazônia antes de uma série de grandes conferências internacionais. Ministros e embaixadores da Grã-Bretanha e da Europa também estão envolvidos. Mas, ao invés de quem conhece melhor a proteção florestal, seu interlocutor brasileiro é o ministro do Meio Ambiente do Bolsonaro, Ricardo Salles, que supervisionou o pior desmatamento em mais de uma década

Salles está pedindo um bilhão de dólares a cada 12 meses em troca, pelo que, diz ele, o desmatamento da floresta seria reduzido em 30 a 40 por cento. Sem o caixa estrangeiro extra, ele diz que o Brasil não será capaz de se comprometer com uma meta de redução .

Apenas um terço do dinheiro iria diretamente para a proteção da floresta, com o resto sendo gasto no “desenvolvimento econômico” para fornecer meios de subsistência alternativos para aqueles que dependem da extração de madeira, mineração ou agricultura na Amazônia. Isso gerou preocupações de que Salles canalizaria dinheiro para o eleitorado fortemente bolsonarista de fazendeiros e grileiros, recompensando-os por invadir, roubar e queimar florestas.

Na terça-feira, um grupo de 199 grupos da sociedade civil publicou uma carta conjunta ao governo dos EUA dizendo que qualquer acordo com o governo brasileiro seria equivalente a um apaziguamento. “Não é razoável esperar que as soluções para a Amazônia e seu povo venham de negociações feitas a portas fechadas com seu pior inimigo”, dizia a carta. “O governo Bolsonaro tenta a todo custo legalizar a exploração da Amazônia, causando danos irreversíveis aos nossos territórios, povos e à vida no planeta.”

Os cientistas dizem que a ação internacional está muito atrasada na maior floresta tropical do mundo. A Amazônia é essencial para a estabilidade do clima, mas a atividade humana está transformando a região em uma fonte – ao invés de um sumidouro – de carbono atmosférico. Algumas áreas estão perto de um ponto crítico onde a floresta encolhe, seca e se degrada irreversivelmente em uma savana.

Os próximos meses devem ser a melhor oportunidade para reverter isso em muitos anos. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, convidou líderes mundiais para uma cúpula do clima em Washington em 22 de abril, tendo prometido US $ 20 bilhões para as florestas tropicais durante sua campanha eleitoral. No final do ano, o Reino Unido sediará a COP26, a mais importante conferência climática da ONU desde Paris, em Glasgow. Nesse meio tempo, os líderes mundiais devem se reunir em Kunming, na China, para definir metas de biodiversidade para os próximos 10 anos.

Mas não pode haver solução sem a Amazônia, o que significa que quem busca o progresso tem que lidar com Bolsonaro e seus ministros, apesar de suas políticas nacionalistas, anticientíficas e antiambientais.

“O Brasil é importante demais para ficar fora da mesa de negociações”, disse uma fonte familiarizada com as negociações. “Muitos na sociedade civil dizem ‘não negocie com o governo brasileiro’. Mas os EUA dizem que precisam lidar com líderes eleitos porque não podem adiar a discussão sobre o desmatamento por dois ou mais anos ”.

Esse é um risco para Biden, que está prestes a fazer o que Trump nunca fez: dar dinheiro a um presidente brasileiro que estripou agências de proteção florestal, administrou de forma fatal a crise de Covid e é visto como um perigo não só para o Brasil, mas o mundo .

Izabella Teixeira, a ex-ministra do Meio Ambiente do Brasil, disse que os EUA e o Reino Unido estão prestes a pagar um governo que está mantendo o planeta como resgate. “Eles têm que oferecer dinheiro ao governo de Bolsonaro para que ele não bloqueie as reuniões da COP”, disse Teixeira, que representou o Brasil em várias conferências internacionais durante a gestão de Dilma Rousseff.

Ela disse que o foco de Salles nos mercados de carbono e pagamentos por serviços ecossistêmicos tem apoio entre a ala mais conservadora do setor de agronegócio e pode gerar dinheiro para uma versão reinventada do programa de benefícios sociais Bolsa Verde na Amazônia e em outros lugares. Esse dinheiro e o prestígio de um acordo internacional podem fornecer uma tábua de salvação política para o Bolsonaro, cuja popularidade está caindo. Nos últimos meses, o presidente perdeu ou demitiu seu ministro da Justiça, ministro das Relações Exteriores, ministro da Defesa e os comandantes das três forças armadas.

Salles, um confidente de Bolsonaro, está liderando negociações e tweetando capturas de tela de suas reuniões virtuais com a equipe dos EUA, liderada por Jonathan Pershing, e o presidente da COP26 do Reino Unido, Alok Sharma. Entre outras propostas, ele está procurando mais apoio estrangeiro para um esquema que incentive a adoção corporativa de parques nacionais, maior uso de créditos de carbono e pagamentos de serviços ecossistêmicos a agricultores para manutenção de florestas e plantio de árvores.

Mas Salles, que se tornou ministro do Meio Ambiente em 2019, não tem credibilidade com quem defende a floresta. Ele tentou monetizar a região e promoveu a mineração e o agronegócio e, sob sua supervisão, o livro de regras para a proteção da Amazônia, que reduziu o desmatamento em 80%, foi arquivado, agências de monitoramento foram evisceradas, 15.000 quilômetros quadrados de floresta foram desmatados e O Brasil retrocedeu em seu compromisso internacional de reduzir as emissões de carbono.

Salles já tem acesso a fundos internacionais substanciais. Cerca de US$ 3 bilhões da Noruega e da Alemanha ficam ociosos no Fundo Amazônia, que foi congelado pelo ministro do Meio Ambiente porque ele não gostou das condições estritas de desmatamento que vieram com ele. Isso levanta questões sobre como os novos fundos seriam usados ​​e por quem.

Ativistas e acadêmicos dizem que qualquer negócio deve envolver pagamentos por resultados, o dinheiro deve ser canalizado por meio de governadores estaduais e não do governo federal, não deve recompensar proprietários de terras simplesmente por obedecer à lei e recursos para fiscalização devem ser na forma de guardas ambientais especializados, em vez de recrutas para a força policial pró-Bolsonaro.

Eles querem que o Brasil forneça um plano detalhado para atingir o desmatamento zero. O mais importante, dizem eles, é que a distribuição de fundos deve se concentrar na proteção de florestas antigas existentes em territórios indígenas, em vez de novas plantações em terras desmatadas por agricultores. Um acordo eficaz, eles argumentam, precisaria envolver as comunidades tradicionais da floresta, que provaram ser as melhores guardiãs do meio ambiente.

Fontes próximas às negociações dizem que se não houver acordo bilateral com o Brasil até abril, os EUA provavelmente farão uma declaração forte, mas ampla, de apoio às florestas tropicais em todo o mundo. Isso seria uma cenoura para encorajar as nações amazônicas a competir por fundos com reduções quantificáveis ​​do desmatamento. O Brasil pode perder para seus vizinhos Colômbia, Bolívia ou Peru.

Isso faz parte de um esforço diplomático coordenado. Um grupo de cinco embaixadores dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Noruega e UE se reuniu recentemente com Salles e outros ministros para transmitir a mensagem de que as políticas da Amazônia precisam mudar e o desmatamento deve diminuir se o Brasil quiser chegar a um acordo e perder sua reputação internacional prejudicial como um vândalo ambiental.

As pressões do tempo podem enfraquecer a determinação. Biden deseja anunciar o sucesso em sua cúpula do clima no final deste mês, e o Reino Unido buscará avanços na COP-26 em novembro. Ambientalistas temem que um acordo apressado com um parceiro de negociação insincero possa ser pior do que nenhum acordo. A menos que os pagamentos sejam fortemente atrelados aos resultados da redução de emissões, eles podem ser desperdiçados em duvidosos créditos de carbono, vagos planos de desenvolvimento, benefícios para grileiros e um enorme novo sistema de lavagem verde para empresas de combustíveis fósseis.

A maneira de evitar isso, dizem eles, é tornar as negociações transparentes e convidar publicamente o envolvimento da sociedade civil. Atualmente, Bolsonaro é o único participante brasileiro convidado para a cúpula do clima de Biden, que envia um sinal preocupante para aqueles que há muito lutam pela proteção das florestas.

“O Brasil é hoje um país dividido. Por um lado, existem indígenas, quilombolas [descendentes de escravos afro-brasileiros], cientistas, ambientalistas e pessoas que trabalham contra o desmatamento e pela vida ”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório Brasileiro do Clima, uma rede da 50 organizações da sociedade civil. “De outro, está o governo Bolsonaro, que ameaça os direitos humanos, a democracia e coloca em risco a Amazônia. Biden precisa escolher de que lado ficará. ”

Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo Earth Island Journal [Aqui!].