Nova cepa de SARS-CoV-2 identificada no Rio de Janeiro

A nova cepa é resultado de cinco mutações na variante que já circulava no Brasil no início do ano. Além disso, como a cepa recém-descoberta no Reino Unido, uma mutação chamada E484K foi observada no domínio de ligação ao receptor da proteína Spike.

“Mas não há motivo para pânico”, disse à SciDev.Net Ana Tereza Ribeiro de Vasconcelos, líder do estudo e pesquisadora do Laboratório de Bioinformática do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).

“Não há evidências de que essa cepa seja mais transmissível do que a outra variante ou que possa interferir na eficácia das vacinas que estão sendo desenvolvidas ”, afirmou.

Os pesquisadores do LNCC sequenciaram 180 genomas SARS-CoV-2 de amostras do estado do Rio de Janeiro e analisaram os resultados em colaboração com o Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Secretarias de Saúde de Maricá e de Rio de Janeiro e também o Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels. Dessas amostras, 38 apresentavam as mutações.

Segundo Vasconcelos, o surgimento dessa nova cepa ocorreu em julho de 2020 e foi identificado principalmente nas cidades do Rio de Janeiro, Cabo Frio, Niterói e Caxias. “Por outro lado, a cepa anterior, chamada B.1.1.33, está em declínio”, relatou.

“Esses estudos demonstram a importância de monitorar os genomas circulantes com a maior freqüência e abrangência possível.”

Fernando Spilki, Sociedade Brasileira de Virologia

O trabalho foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

“Esses estudos demonstram a importância da vigilância dos genomas circulantes da maneira mais frequente e completa possível”, disse Fernando Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, que não fez parte da pesquisa , ao SciDev.Net . Segundo ele, “isso ajuda a avaliar ações e preparar o sistema de saúde , diagnóstico e até vacinas para possíveis desafios futuros”.

O Brasil é um dos epicentros da COVID-19 , com o terceiro maior número de casos da doença no mundo, cerca de 7,3 milhões e quase 188 mil mortes, atrás apenas dos Estados Unidos.

fecho

Este artigo foi publicado inicialmente pela SciDev [Aqui!].

2020 se consolida com recordes de desmatamento e queimadas

Enfraquecimento de órgãos de controle, como o IBAMA, favoreceu a alta de números

Ao longo de 2020, o Brasil viu recordes no aumento da devastação, nas queimadas e um avanço da destruição em áreas protegidas – como Terras Indígenas e Unidades de Conservação. Os dados indicam claramente que a tendência para 2021 é que esses problemas se agravem ainda mais, caso não haja uma mudança efetiva de comando e controle.

É o que aponta a Nota Técnica “Desmatamento e queimadas na Amazônia brasileira: números, causas e tendências”, elaborada pela equipe de Ciências do WWF-Brasil. O desmantelamento dos Órgãos e mecanismos de controle e as mensagens dúbias do Governo Federal com relação ao problema contribuíram para potencializar o aumento do desmatamento, com uma percepção generalizada de impunidade entre os grupos que investem na invasão e desmatamento de terras públicas.

De acordo com o sistema DETER, do INPE – que é utilizado para guiar as ações de fiscalização – somente entre agosto e dezembro de 2020, foram identificados 3.399 mil Km² de desmatamento na Amazônia. Ou seja, 2021 terá uma alta taxa total de desmatamento, seguindo a atual tendência. Os dados do DETER costumam sinalizar tendências posteriormente confirmadas pelo sistema PRODES, também do INPE, que gera os dados oficiais de desmatamento no país.

Segundo o PRODES, o desmatamento em 2020 aumentou, mesmo em relação aos números elevados de 2019: foram 11.088 km2 de desmatamento na Amazônia no primeiro período em que o desmatamento medido pode ser totalmente atribuído ao atual governo, entre agosto de 2019 e julho deste ano. O crescimento foi de 9,5%. a mais do que no ano anterior, que havia sido o maior dos últimos doze anos. (Veja explicação neste link: https://www.wwf.org.br/?72382/Dados-do-Inpe-sobre-desmatamento-sao-solidos-e-confiaveis-nota-de-posicionamento)

Embora apenas 3,4% do desmatamento de 2020 na Amazônia Legal tenha ocorrido dentro de território indígena, isso é muito maior do que historicamente vinha ocorrendo: em 2017 esse número era de pouco mais de 1%. O desmatamento ocorrido em 2020 é 55% superior à média de desmatamento dos últimos 10 anos (2009-2019). Nas Unidades de Conservação, o desmatamento permaneceu preocupantemente alto em 2020, mantendo-se no patamar de 1.1 mil km². Com as invasões e iniciativas para reduzir e desmembrar áreas de UCs, a situação está em rápida mudança. Quase 10% (1.100 km²) de todo o desmatamento de 2020 mostrado pelo Prodes caiu em uma UC.

O agravamento da situação do desmatamento em 2020 levou o Brasil a descumprir a própria legislação nacional e o compromisso apresentado no Acordo de Paris. As metas assumidas pelo Brasil incluíam alcançar em 2020 um desmatamento menor do que 4 mil km2. Em função do absoluto descontrole atual, o Brasil chega em 2020 com um patamar de desmatamento quase 3 vezes maior do que a meta com a qual se comprometeu.

Mariana Napolitano, gerente de Ciências do WWF-Brasil afirma que “os altos índices de desmatamento e queimadas observados nas áreas protegidas desde 2019 e mantidos em 2020 são um triste sinal de que seguimos numa rota de degradação ambiental, desrespeito aos direitos humanos e desconfiguração das estruturas e políticas de proteção da Amazônia”.
Figura 1 – Desmatamento em Unidades de Conservação. Fonte: PRODES/INPE. https://terrabrasilis.dpi.inpe.br/app/dashboard/deforestation/biomes/legal_amazon/increments

Enfraquecimento do Ibama

Historicamente o combate a crimes ambientais, sobretudo desmatamento, é efetuado em nível federal pelo IBAMA. Em 2020, no entanto, isso mudou. A partir da autorização dada pelo Governo, em maio, para que as Forças Armadas pudessem atuar dentro do território nacional em ações de fiscalização e punição a crimes ambientais (Operação de Garantia da Lei e da Ordem – GLO), o Ibama passou a ter que submeter suas operações de fiscalização, que sempre foram autônomas, ao comando das Forças Armadas. Em resumo, os militares passaram a cumprir o papel legal destinado ao Ibama, que vinha sofrendo com seguidos cortes orçamentários e falta de pessoal.

Apesar dos baixos resultados de 2019, quando operação semelhante não impediu o maior desmatamento em uma década, o Governo Federal destinou para a operação militar Verde Brasil 2 um total de R﹩ 418,6 milhões. As Forças Armadas previram gastar R﹩ 60 milhões por mês no combate ao desmatamento na Amazônia. Esse é o mesmo valor que o Ibama tradicionalmente gasta em um ano para cumprir a mesma função, no país inteiro .

A cobrança das multas aplicadas também foi totalmente paralisada – algo inédito na história – por conta de um decreto de Jair Bolsonaro, publicado em 2019, que criou uma etapa adicional no procedimento administrativo que julga infratores ambientais: a audiência de conciliação. Na prática, desde outubro de 2019 nenhuma multa ambiental aplicada pelo IBAMA teve seu processo concluído, nenhuma foi paga.

Queimadas

O ano de 2020 viu o número de queimadas crescer, na esteira do aumento do desmatamento. No total, segundo o Inpe, de 1 de janeiro a 01 de dezembro de 2020 foram registrados 101.292 focos de queimadas, 16% a mais que o mesmo período do ano passado – a segunda maior marca da década, menor apenas que 2010, ano excepcionalmente seco. Em termos de área, foram 76.674 km², 5,8% a mais que a área queimada em todo o ano de 2019.

Na Amazônia, as grandes queimadas estão estreitamente relacionadas à remoção de áreas naturais – os desmatadores deixam as árvores derrubadas secarem por alguns meses e depois provocam a queimada para “limpar” o terreno. Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM demonstrou que, em 2019, 34% das queimadas ocorreram em áreas recém desmatadas, ou seja, como forma de “limpeza” de áreas extensas. Outros 30% dos incêndios ocorreram em áreas florestais, como instrumento de degradação para posterior desmatamento e apenas 36% ocorreram em áreas agrícolas já estabelecidas.

Isso demonstra que 2/3 das queimadas na Amazônia está associada a conversão de florestas para áreas agrícolas ou, em menor escala, mineração. Esse dado é corroborado por recente estudo feito pelo Instituto Socioambiental (ISA), que revela que 75% dos focos de calor detectados na bacia do Xingu em 2020 foram detectados em áreas desmatadas recentemente, entre 2018 e 2020.

Liberado no Brasil, herbicida Dicamba é alvo de guerra judicial nos EUA

Processo quer anular aprovação do Dicamba nos EUA

“Estamos no tribunal mais uma vez”

 

dicamba

Por Leonardo Gottems para o Agrolink

Um processo judicial está pedindo ao Tribunal Federal de Apelações em São Francisco que cancele o registro do herbicida Dicamba na Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA). Os requerentes dizem que o Dicamba tem uma tendência excessiva de evaporar de onde é pulverizada e se espalhar para campos, pomares, jardins e árvores vizinhos. 

“Estamos no tribunal mais uma vez porque por quatro anos, a EPA alegou repetidamente que Dicamba é seguro e por quatro anos, a agência esteve totalmente errada, resultando em milhões de hectares de danos”, disse Nathan Donley do Center for Biologicial Diversity . Quatro grupos, incluindo o Center for Biological Diversity, entraram com a ação na segunda-feira. 

O administrador da EPA, Andrew Wheeler,  anunciou a aprovação de cinco anos do Dicamba para uso em algodão e soja geneticamente modificados uma semana antes da eleição presidencial. Ele disse que novas salvaguardas, que incluem a exigência de adicionar um agente tampão de pH aos tanques do pulverizador, reduziriam o risco de danos. 

Em junho, o tribunal de apelações de São Francisco cancelou o registro de Dicamba na EPA, determinando que a agência subestimou ou ignorou os riscos do herbicida. A agência já estava trabalhando em condições de uso de Dicamba em 2021 e anos posteriores. 

Em junho, a gigante agroquímica Bayer anunciou um acordo de US $ 400 milhões em um litígio separado, alegando danos à safra causados por Dicamba de 2015 a 2020. O processo diz que a EPA não consultou outras agências sobre se a Dicamba era uma ameaça para as espécies em perigo ou seus habitats e não forneceu evidências suficientes de sua conclusão de que o herbicida não causaria danos irracionais. 

fecho

Este artigo foi publicado inicialmente pelo site Agrolink [Aqui!].

Em pleno Século XXI, os senhores de escravos continuam vivendo entre nós

Há uns dias tive um debate com o meu filho de 10 anos que queria saber mais sobre o que tinha sido a Lei Áurea com a qual ele tinha tido contato em sua disciplina de História do 4o. ano do ensino Fundamental, mas que não ficou muito convencido da sua efetividade, dada a quantidade de pessoas negras vivendo em condição de extrema pobreza nas ruas da cidade de Campos dos Goytacazes.  Como não sou de evitar temas espinhosos, disse a ele que a Lei Áurea tinha sido apenas um ato formal que o Brasil havia adotado sob extrema pressão do Império inglês, o que resultou na falta de um ajuste histórico com a herança da escravidão no Brasil, e consequentemente a persistência da pobreza extrema entre os descendentes dos escravos. Para complementar o meu raciocínio, disse ao meu filho que ainda tínhamos milhares de pessoas sendo escravizadas em pleno Século XXI no Brasil. 

madalenaDesde os 8 anos de idade, Madalena Gordiano viveu em condições análogas a escravidão em Patos de Minas (MG). Crédito: Reprodução/Rede Globo

Pois bem, agora vejo que terei que adicionar mais uma camada de explicação a esse assunto espinhoso na próxima vez que for perguntado pelo meu filho (e eu sei que serei). É que tendo emergido no noticiário a história de uma mulher negra que viveu quase 40 anos em condições análogas à escravidão em Patos de Minas (MG), resolvi me informar melhor sobre o caso, e acabei descobrindo algo que será certamente será difícil de explicar para o filho de dois professores universitários.

É que, pasmemos todos, o indivíduo que está sendo acusado de manter Madalena Gordiano em condições análogas à escravidão é um professor universitário com doutorado obtido na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e que teve sua formação de graduação e mestrado na Universidade Federal de Viçosa (UFV).  Desta forma, a figura que se apresenta não é a de um fazendeiro atuando nos grotões do Brasil, mas uma pessoa educada em duas das melhores instituições de ensino universitário da América Latina, sendo ele atualmente um professor universitário.

A coisa é tão clamorosa que a Fundação Educacional de Patos de Minas (Fepam), entidade mantenedora do Centro Universitário de Patos de Minas (Unipam) já informou que o professor universitário acusado de ser dublê de senhor de escravo já foi afastado de suas funções profissionais até que a situação seja devidamente apurada (ver vídeo abaixo).

Agora, convenhamos, como é que uma pessoa passa quase quatro décadas nessa situação e ninguém na família do acusado notou nada de anormal em ter uma pessoa vivendo nas condições descritas pelas múltiplas reportagens que o caso gerou? A mim parece completamente implausível que ninguém soubesse das condições em que Madalena Giordano foi mantida desde os tenros oito até os quarenta seis anos de idade, quando sua situação finalmente chegou ao conhecimento público.

O problema é saber que existem incontáveis “Madalenas Giordanos” vivendo nas mesmíssimas condições em que a Madalena de Patos de Minas foi encontrada. Por essas e outras é que fica claro que o Brasil permanece acorrentado ao seu passado escravagista.  E, pior, que os senhores de escravos vivem entre nós, e ainda clamando ser “pessoas de bem”.

Cargill é principal responsável por envio de soja de desmatamento recente ao Reino Unido, diz ONG

Estudo estabelece mais um elo na intrincada cadeia produtiva internacional que destrói Amazônia e Cerrado

climate tracker

A Cargill, a maior importadora de soja do Reino Unido, está ligada ao desmatamento de 61.260 hectares de florestas na Amazônia brasileira e no Cerrado desde março de 2019. É o que revelam novos dados publicados hoje na ferramenta de monitoramento da Mighty Earth, o Rastreador de Desmatamento de Soja e Gado . Todos os principais supermercados da Grã-Bretanha vendem frango e carne suína alimentados com soja brasileira.

Perguntados sobre suas conexões com a Cargill, os supermercados J. Sainsbury, ASDA, Morrisons e Aldi-UK recusaram-se a confirmar ou negar suas ligações diretas ou indiretas com a comerciante. Entretanto, a Tesco, num gesto de transparência, reconheceu que a Cargill está presente nas cadeias de suprimento de seus fornecedores diretos de frango e publicou um documento delineando a origem da soja utilizada para seus produtos.

Apesar das sucessivas promessas dos principais supermercados da Grã-Bretanha de alcançar o desmatamento zero em sua cadeia de abastecimento até 2020, os varejistas continuam altamente expostos ao desmatamento e ao desmatamento no Brasil, alimentado pela produção de soja.

A Cargill domina o mercado britânico de soja, importando mais de dois terços (70%) dos grãos de soja que entram no Reino Unido diretamente do Brasil. Três quartos (78%) das exportações diretas de soja brasileira para o Reino Unido vêm de regiões ameaçadas do Cerrado, a maior savana tropical do mundo, e da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo. 

Quase toda (90%) a soja consumida no Reino Unido é utilizada para alimentar animais de criação, como frangos e porcos, que são depois vendidos nos supermercados britânicos.

“Os consumidores britânicos têm falado alto e claro – eles não querem ser cúmplices na destruição das florestas preciosas do Brasil. Entretanto, os supermercados estão falhando em protegê-los do consumo de carne alimentada com soja destruidora da floresta”, afirma Robin Willoughby, diretor da Mighty Earth do Reino Unido. “Estamos instando os CEOs da Tesco PLC, J.Sainsbury’s, ASDA, Morrisons e Aldi UK a tomar medidas imediatas para deter a destruição do Brasil e abandonar a Cargill”.

De fato, juntamente com a divulgação da pesquisa, a Mighty Earth do Reino Unido está lançando uma campanha nacional para que medidas decisivas sejam tomadas em relação à Cargill.

Levantamento

Todos os meses, a Mighty Earth e a organização de pesquisa Aidenvironment usam alertas de desmatamento via satélite de agências governamentais brasileiras, imagens de propriedade, investigações por uma equipe local e envolvimento com as empresas nomeadas para estabelecer os vínculos entre os comerciantes de soja, processadores de carne bovina e a destruição de florestas no Brasil.

O Mighty Earth’s Soy & Cattle Deforestation Tracker (Rastreador de Desmatamento de Soja e Gado) conecta instâncias de desmatamento em larga escala na Amazônia e no Cerrado a comerciantes de soja e frigoríficos e torna esses vínculos públicos pela primeira vez. Ele não captura todo o desmatamento no Brasil, que é muitas vezes maior.

De acordo com a agência espacial brasileira (INPE), o desmatamento da floresta amazônica no país bateu o recorde dos últimos 12 anos. Na semana passada, o governo brasileiro removeu qualquer medida para combater o desmatamento no plano nacional de ação climática(conhecido como NDC) sob o Acordo de Paris, apesar de o desmatamento ser a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa no país. Segundo a Mighty Earth, soja e pecuária bovina são as atividades mais relacionadas à degradação florestal no Brasil.

No final de 2020, um artigo sobre “Pentecostalização assentada” no Norte Fluminense

perspectiva teologica

Acaba de ser publicado pela revista “Perspectiva Teológica“, um artigo do qual sou co-autor com o meu colaborador no Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Fábio Py, intitulado “Pentecostalização assentada no Assentamento Zumbi dos Palmares, Campos dos Goytacazes, RJ”

O artigo destaca o crescimento pentecostal vivenciado no assentamento Zumbi dos Palmares, em Campos dos Goytacazes. Neste assentamento, em pouco mais de 20 anos de existência, o número de evangélicos pentecostais passou de 7% a 75% dos integrantes, modificando a configuração religiosa do Zumbi Palmares, que apresentava significativa maioria católica nos anos próximos à sua fundação. No artigo, se destaca a mobilidade religiosa, na qual realça a perda de força do catolicismo popular e o crescimento do pentecostalismo no assentamento.

No trabalho,  é adaptado o conceito de mecanismo de desencaixe, definido por Antony Giddens, para descrever a intensa mobilidade religiosa no assentamento como o processo “desencaixe” dos sujeitos ante determinada dinâmica social e o posterior “reencaixe” em nova conexão social.  No trabalho, utilizamos uma metodologia quali-quantitativa que inclui a aplicação de entrevistas semiestruturadas e a observação participante.

Considero este trabalho particularmente importante para se entender que o fenômeno do crescimento pentecostal que é amplamente reconhecido nas grandes concentrações urbanas pode estar também ocorrendo nas áreas rurais, inclusive naquelas afetadas pelo processo de reforma agrária.

Quem desejar ter acesso ao arquivo contendo o artigo, basta clicar [Aqui!  ].

A venda de terras brasileiras a estrangeiros é aprovada pelo Senado Federal

sale_vende-se-750x440

Por  Heitor Silva

Em sessão semipresencial nesta terça-feira (15), o Senado Federal aprovou projeto de lei que facilita a compra, a posse e o arrendamento de propriedades rurais no Brasil por pessoas físicas ou empresas estrangeiras. O PL 2.963/2019, do senador Irajá (PSD-TO), teve parecer favorável do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), com emendas, e segue agora para votação na Câmara dos Deputados. Fonte: Agência Senado

Qual é o povo desta medida para o povo brasileiro?

O risco que corremos está relacionado a três fatores. O primeiro fator é natural, nossas terras são atrativas para o investidor estrangeiro devido as condições naturais de água abundante com sol o ano inteiro. O segundo fator é a situação mundial de um período de longa duração em que as possibilidades de remuneração a grandes volumes de recursos são escassas ou quase inexistentes. O investimento mais atrativo para os fundos de pensão, as seguradoras e multinacionais que dispõem de grandes volumes de recursos, que não precisam ser resgatados rapidamente, mas demandam alta segurança sempre teve como “porto seguro” os “bonds” (títulos da dívida dos EUA), mas atualmente e não há perspectiva de mudar eles proporcionam um retorno negativo ou nulo em termos reais, ou seja, após o período do investimento o retorno é menor ou, na melhor das hipóteses, igual ao investido. O terceiro fator é a condição criada internamente de fragilidade da nossa moeda, o dólar está valendo 5 reais, o que se traduz para quem possui moeda forte em avaliar as terras brasileiras como muito baratas.

O que levou o Senado Federal a aprovar tal absurdo?

A questão da venda de terras para estrangeiros no Brasil sempre será defendida pela direita com a afirmação de que no caso de países de dimensões continentais o controle de terras por estrangeiros nunca será expressiva no total do território.

Quais as consequências de termos terras controladas por estrangeiros?

Temos duas consequências econômicas principais. Donos de terras estrangeiros não lhes interessa riqueza em reais, ou seja, voltarão suas produções para bens vendidos no mercado internacional para receberem em moedas fortes (dólar e euro), reduzindo assim a área plantada destinada ao consumo interno aumentando a possibilidade futura de preços cada vez mais altos dos alimentos e fome por desabastecimento. A segunda consequência está relacionada com a primeira e com a desindustrialização brasileira. A cada ano a produção de riqueza no Brasil, medida pelo Produto Interno Bruto (PIB) está mais dependente do setor agrícola devido ao fechamento de nossas indústrias. Dentro das nossas exportações aumenta a cada ano o peso relativo dos produtos agrícolas em detrimentos dos produtos industriais.

Como os dólares das exportações são fundamentais para que nosso país consiga comprar no exterior bens que não produzimos ou que produzimos de forma insuficiente, entre eles citamos os princípios ativos que estão nos remédios que consumimos, ampliamos o poder que este setor tem. O resultado do aumento de poder deste setor, mesmo antes da venda das terras a estrangeiros é a pressão sobre o governo para que a nossa moeda seja sempre desvalorizada, esta forma tornando nossos produtos agrícolas mais baratos no mercado internacional. O contraponto que este setor finge não saber é que a desvalorização da nossa moeda torna a importação dos bens mais cara e citamos, novamente como exemplo, os remédios.

Creio que dois aspectos precisam ser adicionados O primeiro se refere ao resguardo das áreas de fronteira. Com estrangeiros comprando terras nas faixas de fronteira, as ameaças à soberania nacional serão diretas, lembrando que multinacionais já controlam terras nessa faixa estratégica, mas usando sócios brasileiros. Por fim temos que ressaltar a questão da Amazônia, quando estrangeiros compram estas terras assumirão o controle não apenas do solo, mas do subsolo e da biodiversidade. Esses dois pontos tornam essa lei ainda mais nefasta para o Brasil.

O Senado Federal abriu espaço para transformar o Brasil em uma “República das Bananas”

O quadro de poder ampliado do setor exportador agrícola com forte presença de estrangeiros é um passo para a transformação definitiva do Brasil em uma “república das bananas”, esta expressão originalmente se referia as repúblicas da América Central, pequenos países cujas terras pertenciam em grande parte a uma empresa norte-americana a United Fruits, que tinha uma imagem tão ruim que mudou o nome em 1990 para Chiquita Brands International. Esta companhia exercia tal interferência nestes países que esteve por trás de vários golpes de estado, vejamos alguns: Colômbia em 1928, reprimiu seus trabalhadores de forma tão violenta durante uma greve que o episódio é até hoje chamado de o Massacre das Bananeiras; em 1954, na Guatemala, quando Jacobo Arbenz Guzmán tentou aplicar uma lei de reforma agrária, houve um golpe, arquitetado pelo diretor da CIA Allen Dulles, que era advogado da United Fruit Company; em 1969 foi comprada por Zapata Corporation, empresa relacionada com George H. W. Bush. A empresa modificou sua razão social para Chiquita Brands e até hoje opera com esse nome; em 2007, Chiquita Brands enfrentou um julgamento nos EUA por haver financiado grupos paramilitares na Colômbia que foram responsáveis pelo massacre de sindicalistas, camponeses.

FONTES:

BUCHELI. Marcelo. United Fruit Company in Latin America in Banana Wars: Power, Production and History in the Americas. Duke University Press, 2003.]

JONES, Geoffrey e BUCHELI. Marcelo. The Octopus and the Generals: The United Fruit Company in Guatemala. Harvard Business School. Maio 2005.

MENDEZ-CHACON, Esteban e VAN PATTEN, Diana. Multinationals, Monopsony and Local Development:Evidence from the United Fruit Company. UCLA.

NAUMOV, Alex. Pravda. US firms finance death squads in Colombia. Maio 2007.

STRIFFLER, Steve. In the shadows of state and capital: the United Fruit Company, popular struggle, and agrarian restructuring in Ecuador, 1900–1995. Duke University Press, 2002.

*Heitor Silva é professor e economista

Rafael Diniz, um prefeito pífio até na última entrevista

rafael diniz

Em sua última entrevista o ainda prefeito de Campos dos Goytacazes define a marca do seu governo e garente um novo nome para si mesmo: Rafael, o pífio

Nas últimas eleições municipais, o jovem prefeito Rafael Diniz foi defenestrado de forma esmagadora do cargo no qual chegou de forma semelhante nas eleições de 2016. Mas ao ler a transcrição do que pode ser a sua última entrevista enquanto chefe do executivo municipal, só posso chegar à conclusão de que ele decidiu ser pífio até o final. É que além de culpar os inimigos de sempre e uma crise financeira que não atingiu apenas a ele entre os eleitos de 2016, Rafael Diniz ainda se dispôs a dar notas inverossímeis para seus menudos neoliberais, enquanto exagerava nas adjetivações dos adversários.

Qualquer cidadão campista que não se deixe levar pelo nosso Fla-Flu local (marcado pelos que amam ou odeiam Anthony Garotinho) sabe que o governo de Rafael Diniz foi desastroso sob todos os pontos de vista, não deixando qualquer legado positivo com o qual ele possa se armar para uma hoje inviável candidatura a deputado (seja federal ou estadual).

O que vai ficar, entretanto, é um legado de destruição que começou pelo fechamento  do restaurante popular, passou pela elevação regressiva de tributos municipais, incluiu o calote nos RPAs, e desaguou no estabelecimento de um plano municipal de transportes que piora sensivelmente aquilo que já era muito ruim, punindo principalmente os moradores de áreas periféricas e dos distritos mais distantes.

E olha que Rafael Diniz conseguiu impor esse governo catastrófico tendo um orçamento maior que Florianópolis, capital de Santa Catarina, e de Juiz de Fora, um dos principais centros industriais brasileiros. A gastança na saúde e na educação, por exemplo, não deveriam ter resultado na completa precarização dos dois principais hospitais municipais ou, tampouco, na geração de uma dívida milionária com os chamados hospitais contratualizados.

O que resta a Rafael Diniz é reunir os seus menudos neoliberais (que segundo o próprio não merecem a nota 10, mas quando muito um super inflado 9,5) e sair de fininho da sede da prefeitura. Quem sabe assim, a população comece a esquecer que um dia tivemos um governo tão anti-povo e tão cruel com os mais necessitados. 

Ao novo prefeito, Wladimir Garotinho, sugiro humildemente que pare de dar ideia a quem até ontem o criticava usando a mídia corporativa local, e se concentre na hercúlea tarefa de tirar a cidade de Campos dos Goytacazes da profunda crise em que se encontra por causa das políticas ultraneoliberais aplicadas pelo governo de Rafael Diniz, o pífio, e seus menudos neoliberais. A primeira coisa, recomendo com igual humildade, é tratar bem os servidores públicos municipais sobre as quais reside a capacidade de fazer a cidade voltar a funcionar. E, sim, aguardarei a reabertura do restaurante popular dentro dos estimados 100 dias que o próprio novo prefeito anunciou. É que como eu sempre lembro, quem tem fome, tem pressa. E é sempre bom lembrar que com o fim do auxílio emergencial do governo federal, o número de famélicos irá aumentar.

Deu no New York Times! ‘Brincando com Vidas’: o Plano de Vacinação da COVID-19 do Brasil está mergulhado no caos

Lutas políticas internas, planejamento aleatório e um crescente movimento antivacinas transformaram o país em um conto de advertência na era do coronavírus

Victor Moriyama para o The New York Times

Ernesto LondoñoManuela Andreoni e 

RIO DE JANEIRO – Enquanto os países se apressavam em seus preparativos para inocular cidadãos contra o coronavírus, o Brasil, com seu programa de imunização mundialmente conhecido e uma robusta capacidade de fabricação de medicamentos, deveria ter levado uma vantagem significativa.

Mas lutas políticas internas, planejamento aleatório e um movimento antivacinas nascente deixaram o país, que sofreu o segundo maior número de mortes da pandemia, sem um programa de vacinação claro. Seus cidadãos agora não têm noção de quando podem obter alívio de um vírus que colocou o sistema de saúde pública de joelhos e esmagou a economia.

“Eles estão brincando com vidas”, disse Denise Garrett , epidemiologista brasileiro-americano do Sabin Vaccine Institute, que trabalha para expandir o acesso às vacinas. “É quase um crime.”

Os especialistas tinham esperança de que a capacidade de imunização do Brasil poderia permitir que ele lidasse com o fim da pandemia melhor do que com o início.

 

 Logo depois que a COVID-19 foi identificada pela primeira vez no país em fevereiro, o Brasil se tornou um epicentro da crise global de saúde. O presidente Jair Bolsonaro rejeitou as evidências científicas, chamou o vírus de um resfriado “miserável” que não justificava o fechamento da maior economia da região e repreendeu os governadores que impuseram medidas de quarentena e fechamento de empresas.

À medida que os esforços de vacinação estão em andamento na Grã – Bretanha nos Estados Unidos , dando às suas populações a chance de começar a imaginar uma vida pós-pandemia, o momento encontrou as autoridades brasileiras mais uma vez despreparadas e atoladas em fortes disputas sobre a política de vacinas.

Uma manifestação no mês passado contra a vacina Sinovac em São Paulo.Amanda Perobelli / Reuters

O Ministério da Saúde apresentou na semana passada um plano de vacinação em resposta a uma ordem do Supremo Tribunal Federal. O plano estabelecia a ordem em que os grupos vulneráveis ​​seriam vacinados, mas faltava um cronograma detalhado e uma estimativa clara de quantas doses estarão disponíveis. O ministério já havia informado que pretendia iniciar a campanha de vacinação em março.

Dias após o anúncio, o Ministério da Saúde ainda estava lutando para fazer pedidos a fornecedores de vacinas sobrecarregados. Funcionários do ministério também enfrentaram dúvidas sobre por que o país não tinha seringas e frascos suficientes para embarcar na ambiciosa campanha de vacinação, necessária para cobrir um país com 210 milhões de habitantes, onde mais de 180.000 sucumbiram ao vírus.

Além disso, a Anvisa, agência reguladora da saúde no Brasil, ainda não aprovou nenhuma vacina contra o coronavírus para uso geral.

“As pessoas vão entrar em pânico se o Brasil continuar atrasado em ter um plano, uma estratégia clara e objetiva”, disse Rodrigo Maia, o presidente da Câmara, no dia 7 de dezembro, alertando que o Congresso tomará as rédeas do processo se o ramo executivo continuou a tatear.

O governador João Doria de São Paulo, centro, e autoridades de saúde com uma embalagem da vacina CoronaVac após sua chegada da China neste mês.Nelson Almeida / Agence France-Presse – Getty Images

A discussão sobre o acesso e a segurança da vacina também se tornou envolvida em uma disputa partidária.

Bolsonaro criticou repetidamente a vacina CoronaVac, que está sendo desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac Biotech, e rejeitou o plano de seu ministério da saúde de comprar 46 milhões de doses.

Em vez disso, o governo confiou na vacina desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, que está atrasada na corrida para receber a aprovação dos reguladores de saúde.

A cruzada do presidente contra a vacina chinesa criou uma oportunidade política de ouro para um de seus principais rivais políticos, João Doria, o governador do estado de São Paulo. Doria negociou diretamente com os chineses as doses da vacina, que está sendo desenvolvida em parceria com o centro de pesquisas do Butantan, de São Paulo.

Doria disse que as autoridades estaduais não podiam esperar que o governo federal, que passou por três ministros da saúde ao longo da pandemia, agisse em conjunto.

“Não podemos esperar até março para começar a usar uma vacina que pode ser usada em janeiro”, disse ele em entrevista. “Há um consenso no estado de São Paulo e em outros estados de que a espera representa um grande risco para a população, afetando as taxas de mortalidade e o sistema público de saúde.”

Doria prometeu a seus constituintes na semana passada que São Paulo pretende começar a vacinar as pessoas no final de janeiro – uma promessa que depende da aprovação dos reguladores federais, que ainda não receberam os resultados finais dos estudos sobre a eficácia e segurança da vacina.

O gabinete do presidente condenou o plano de Doria de começar a vacinar as pessoas em janeiro, chamando-o de “populismo barato e irresponsável”.

A briga cada vez mais acirrada entre Doria, que deve concorrer à presidência em 2022, e o governo federal politizou perigosamente os planos de vacinação no Brasil.

Carla Domingues , epidemiologista que dirigia o programa de imunização do Brasil até o ano passado, lamentou que a vacina contra o coronavírus tenha se tornado uma questão partidária.

“Isso nunca aconteceu nos esforços de imunização”, disse ela. “Isso vai deixar as pessoas confusas. É surreal. ”

Vários governadores convergiram na capital, Brasília , na semana passada para se reunir com o ministro da Saúde e exigir um plano nacional de imunização. Um grupo que representa os governos municipais, a Federação Nacional de Municípios, também emitiu um comunicado pedindo ao governo federal que compre e distribua “todas as vacinas reconhecidas como eficazes e seguras contra a COVID-19”.

Alguns governadores, inclusive nos estados do Paraná e da Bahia, o segundo localizado na região Nordeste do Brasil, começaram a tentar obter e, por fim, produzir doses da vacina Sputnik V de fabricação russa.

Testando a vacina contra o coronavírus Sputnik V da Rússia em uma clínica em Moscou.  Alguns estados brasileiros têm interesse em adquirir a vacina.Sergey Ponomarev para The New York Times

Carlos Lula, presidente do conselho nacional de secretários de saúde, disse que a onda de diplomacia e negociação de vacinas em nível estadual foi surpreendente em um país que passou décadas construindo um dos programas de imunização mais respeitados no mundo em desenvolvimento.

“É um orgulho para o país porque se tornou um modelo para outras nações”, disse ele. “Ainda assim, de repente, não podemos lidar com as tarefas que são o mínimo.”

Mesmo quando os desafios de abastecimento e logística forem superados, especialistas em saúde dizem que o Brasil enfrentará um novo problema: um crescente movimento antivacinação que, segundo eles, o presidente e seus aliados alimentaram com falsidades.

Roberto Jefferson, um ex-deputado que apóia o presidente, afirmou no início deste mês em uma mensagem no Twitter que “os globalistas estavam preparando uma vacina para mudar nosso DNA”.

A mensagem , que foi retuitada mais de 3.000 vezes, afirmava que Bill Gates, o bilionário e filantropo americano, estava por trás de um esquema “genocida” para “matar milhões de pessoas e substituir nosso DNA pela marca da besta”, uma referência ao o diabo.

O crescente movimento antivacinas levou alguns governadores, incluindo Doria, a defender a obrigatoriedade de certas vacinações.

Bia Kicis, legisladora que é uma das principais representantes de Bolsonaro, argumentou que as vacinações contra o coronavírus não deveriam ser obrigatórias porque são “experimentais” e podem alterar o DNA das pessoas. Os especialistas em vacinas consideram as afirmações infundadas.

Bolsonaro disse que as vacinas deveriam ser obrigatórias apenas para cães.

Embora as vacinas nunca tenham sido obrigatórias para adultos no Brasil, sua eficácia e segurança nunca foram amplamente questionadas.

Uma pesquisa divulgada no fim de semana pelo Datafolha, um conceituado instituto de pesquisa de opinião pública brasileira, descobriu que 22% dos entrevistados disseram não ter a intenção de receber a vacina contra o coronavírus, ante 9% em agosto.

A questão está agora no Supremo Tribunal Federal, que neste mês está ouvindo dois casos que poderiam dar às autoridades de saúde a autoridade para tornar certas vacinas obrigatórias.

A Dra. Garrett, do Instituto Sabin, estudou a ascensão do movimento antivacinação nos Estados Unidos, onde trabalhou por duas décadas nos Centros de Controle de Doenças. Ela disse que temia há muito tempo que o movimento encontrasse um ponto de apoio no Brasil, mas ficou consternada com a velocidade e intensidade de sua ascensão na era Bolsonaro.

“Isso encorajou os antivaxxers no Brasil a se apresentarem antes do que deveriam”, disse ela. “Eles têm poder e têm uma voz alta.”

Ernesto Londoño e Manuela Andreoni reportaram do Rio de Janeiro e Letícia Casado de Brasília.

fecho

Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo jornal “The New York Times” [Aqui!].

Segundo edital do ‘Conexão Mata Atlântica’ para organizações beneficiará centenas de produtores rurais em São Paulo

conexao1

 

Na sessão pública que ocorreu em 24 de novembro (edital 001/2020) O projeto Conexão Mata Atlântica selecionou quatro Associações de Produtores Rurais de São Paulo.Serão disponibilizados até R﹩ 200.000,00 por organização que tenha entre seus associados beneficiários do projeto, para aquisição de bens e serviços, incentivando deste modo a adoção de ações de conservação e restauração do solo e da água, bem como práticas produtivas mais sustentáveis, com o propósito de proteger o bioma Mata Atlântica. O edital tem o objetivo de apoiar a consolidação das Cadeias de Valor Sustentável nos territórios em que atua e fortalecer essas organizações, e assim viabilizar melhores condições de apoiar os produtores associados.

As associações paulistas contempladas neste edital são: AMOVALE – Associação de Moradores e Amigos do Vale da Bocaina, de Bananal; ACBVGA – Associação Comunitária do Bairro da Vargem Grande e Adjacentes, de Natividade da Serra ; Associação dos Produtores de São Francisco Xavier, em São José dos Campos; e Associação dos Meliponicultores e Apicultores de Peruíbe, Pedro de Toledo, Miracatu e Itariri.

Suzana Vaz e Dora Lima, produtoras rurais e consultoras da AMOVALE, destacam as principais ações estimuladas pelo projeto Conexão: saneamento rural, regeneração florestal, compostagem, rotação de pastagem, análise de solo e adubação orgânica. “Esperamos que as propriedades adquiram conhecimento e adotem técnicas e ferramentas de manejo agroecológico na produção e se tornem mais autossustentáveis, dependendo menos de insumos externos. Com os recursos do edital de organizações, faremos também a implantação coletiva de um viveiro de mudas florestais e frutíferas; e um entreposto de produtos agroecológicos”.

A proteção à Mata Atlântica e a implantação de práticas sustentáveis também são objetivos da Associação dos Meliponicultores e Apicultores de Peruíbe, Pedro de Toledo, Miracatu e Itariri. O presidente, Márcio Piedade, acredita que o Conexão Mata Atlântica dará maior visão de sustentabilidade aos associados na produção de enxames, mel e seus derivados. Ele enfatiza que “O projeto incentiva para que os produtores protejam ainda mais suas matas e invistam em plantio e pasto apícola, permitindo assim o aumento das populações de abelhas sem ferrão”. E anunciou uma iniciativa que vai fortalecer a cadeia do mel. “Com a construção da Casa do Mel, nossos produtos vão ganhar mercado, com a possibilidade até de exportação. Cada produtor vai poder agregar valor, beneficiando o seu produto na Casa do Mel e envasando com o selo da Associação”.

O Conexão Mata Atlântica também oferece muitos ganhos aos produtores da ACBVGA. De acordo com seu presidente, Jhonata Santana, os produtores já receberam apoio do projeto para o cercamento das áreas de mata e beiras de rios; a construção de fossas ecológicas para dejetos humanos; tratamento de ‘água cinza’; construção de piquetes e de melhores estruturas de curral para manejo de bovinos; e para o plantio de pomares consorciados. “Com acompanhamento técnico, esperamos melhorar as condições ambientais das propriedades e, com isso, melhorar os sistemas de produção.” Com os recursos desse edital, “Serão inúmeros benefícios, como segurança e qualidade na oferta e no processamento do leite na Mini Usina da Associação; e destino certo da produção, com a regularização para venda do leite no comércio e Merenda Escolar, com o Serviço de Inspeção do Estado de São Paulo – SISPE. O resultado é a melhoria na renda das famílias”.

Já o diretor da Associação de São Francisco Xavier, em São José dos Campos, informa que os recursos do edital serão destinados ao fortalecimento da entidade, que disponibilizará o acesso às ferramentas de uso comum aos produtores associados. “Esperamos alavancar ainda mais a sustentabilidade entre os produtores rurais. Nossos associados já são atendidos pelo projeto Conexão, por meio dos componentes PSA, CVS e Certificação”, conclui Leonardo Jusho Abe.

Sobre o projeto

O projeto Recuperação de Serviços de Clima e Biodiversidade no Corredor Sudeste da Mata Atlântica Brasileira – Conexão Mata Atlântica – é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que utiliza recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (Global Environmental Facility – GEF), oriundos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A gestão do projeto está a cargo da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos – Finatec. No estado de São Paulo, o projeto é conduzido pela Coordenadoria de Fiscalização e Biodiversidade, da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente; e a Fundação Florestal.

O objetivo do Conexão Mata Atlântica é o de aumentar a proteção da biodiversidade e da água e combater mudanças climáticas. Para isso, usa instrumentos como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), Certificação e apoio à Cadeias de Valor Sustentável para incentivar proprietários rurais à execução de ações mais sustentáveis na gestão do imóvel rural, por meio de atividades de conservação da vegetação nativa e a adoção de sistemas mais produtivos e sustentáveis.

Mais informações:

Assessoria de imprensa da Finatec – Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos

Ex-Libris Comunicação Integrada

Brasília: Luciana Sendyk (61) 3033-6088 / (61) 99226-3156 – luciana@libris.com.br

RJ: Cristina Freitas (21) 99431-0001 – cristina@libris.com.br